Anjo Demônio

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá! Como estão?
Pois é. Apresento a vocês minha primeira e única fic sobre Supernatural. Esta fic estou postando como um presente de DIA DOS NAMORADOS para minha amiga e mulher da minha vida MARU. Eu dei esta fic que está escrita a mais de um ano para ela utilizar como quisesse em sua preciosa fic THE OUTSIDERS, mas ela se recusou dizendo que queria vê-la postada então, amora, aqui está, enfim terminada e SUA. Eu te amo!
Esta fic não foi betada pela minha mentora Sion Neblina, então sou a única responsável pelas gafes e peço humildemente perdão por elas. A todos uma boa leitura!

Olhava para a garrafa de cerveja se perguntando quantas já havia tomado naquela noite. Ainda bem que não era do tipo que ficava bêbado ou estava perdido. Franziu a testa se perguntando agora por que bebia tanto se nem na bebida encontrava conforto para seus problemas. Problemas, aliás, que não eram nem poucos e muito menos corriqueiros.

Levou a garrafa à boca bebendo todo o conteúdo de uma vez. Fez sinal para a garçonete e pediu mais seis daquela para viagem e a conta. Com a conta paga e sua encomenda na mão, foi para o Impala 67 preto e começou a dirigir para lugar algum.

Dean era um homem racional em sua própria opinião. Não era dado a frescuras e crises existenciais. Tem sofrido um bocado, mas estava tão calejado que nem chorava mais. Depois de ir para o inferno e ser trocado pelo seu irmão por um demônio que em sua opinião não passava de uma vadia suas lagrimas haviam secado. E não satisfeito com nada disso ainda descobre que ele é o receptáculo de Lúcifer o anjo caído e que também é um receptáculo de um anjo: Miguel, aquele que lutou e matou Lúcifer. Super!

Riu desgostoso com tudo isso. Se soubesse que buscar Sam para ajudá-lo a encontrar seu pai causaria tudo isso teria ido sozinho! Se bem que como ia adivinhar? E se estando ao seu lado Sam havia envergado tanto para o lado errado, o que aconteceria se estivesse sozinho? Fechou os olhos e respirou fundo tentando não pensar tanto ou seus miolos derreteriam. Tinha dias que não dormia por causa disso.

Seu celular começou a tocar. Tirou do bolso para ver quem era e comprimiu os lábios com amargura.

- Por pensar no diabo... – falou antes de atender – Fala?

- Dean onde está? – perguntou Sam com claro alívio na voz do outro lado da linha.

- Bebendo e transando.

Sam revirou os olhos. Porque mesmo resolvera ligar para ele?

- Dean tem feito isso todos os últimos oito dias. Ou vai pegar cirrose ou alguma doença venérea.

- E? – perguntou entediado.

-Como E Dean? Quer fazer o favor de voltar para esta droga de Motel e dormir um pouco? O que pretende se matar? Ou simplesmente ficar longe de mim?

- Sem drama Sam. Estou bem onde estou obrigado.

- Dean estamos bem no meio do Apocalipse!

- Exatamente! A qualquer momento posso morrer então vou fazer tudo o que estou com vontade para não morrer pensando nos malditos SE da vida!

- E eu? – perguntou baixo.

- O que tem você?

- Dean...

- Fala logo o que quer e pára de me atrapalhar que as gatas estão começando a se entediar e sinceramente eu também.

Depois de ouvir isso Sam simplesmente desligou a ligação e o celular. Jogou-o na cama e se jogou nela na sequência. Como estava difícil. Sentiu as lágrimas quentes descerem pelo seu rosto. Estava tão cansado de lutar esta luta inglória. Ainda mais agora que havia perdido tudo! Sua humanidade, sua sanidade, seu pai, seu irmão. Mas o que mais doía ainda era ter perdido Dean. Ele não confiava mais em si. Havia aceitado que fossem cuidar de suas vidas separados e embora ele tivesse voltado atrás e lhe aceitado de volta, tinha sido ele Sam quem tinha pedido para voltarem a trabalhar juntos. Dean passava somente o tempo necessário ao seu lado. Sumia ao cair da tarde quando não estavam trabalhando e voltava já com dia amanhecendo.

- Errei tanto com você Dean... Mas você também errou comigo. – falou deitando de bruços na cama chorou até pegar no sono.

Dean após falar com Sam perdeu a capacidade até de beber. Voltou para o Motel e dormiu no carro em frente ao quarto que dividia com seu caçula.

Acordou com os primeiros raios de sol batendo em seu rosto e levantou-se completamente dolorido. Entrou em silêncio no quarto tirou as roupas e foi para o banheiro tomar um banho bem quente para tentar soltar os nós dos ombros. Fez tudo isso sem olhar para Sam, pois estava cada vez mais difícil permanecer perto dele. E Deus era testemunha que estava tentando.

Sam acordou com o barulho do chuveiro. Levantou-se pegando a faca embaixo do travesseiro e foi para lá. Abriu a porta lentamente e esqueceu até seu próprio nome com a cena que presenciou. Dean estava de costas para a porta, com as mãos apoiadas na parede e a cabeça baixa, deixando cair água que aparentemente estava absurdamente quente nos ombros e costas. Acompanhou o caminho dela pelo pescoço e costas do irmão como se ela o acariciasse e engoliu seco. Dean era forte e bonito. Tinha a pele levemente dourada, provavelmente por seu corpo ser coberto por pêlos loiros e aparentemente muito macia. Desceu os olhos um pouco mais e apreciou o traseiro mais que perfeito dele. Passou a língua pelos lábios e a mão pelos cabelos. Saiu do banheiro e fechou a porta silenciosamente.

Jogou-se na cama de bruços para esconder um grande problema que tinha entre as pernas. Era difícil admitir mais gostava de seu irmão mais do que deveria. Descobriu isso quando ele morreu. Enterrar Dean Winchester foi o momento mais difícil de sua vida. O mais doloroso. Passou a beber e transar a rodo para tentar esquecer a morte horrorosa e violenta que ele tivera e para tentar não entender que o amava como homem. Como era possível? Fora completamente louco pela Jess! Iam se casar! Agora ele simplesmente respirava Dean Winchester.

- Mas você não me quer por perto não é? – perguntou baixinho de olhos fechados – Você não confia em mim... Está me aturando porque se eu sair da linha de novo... Se ceder a Lúcifer você vai me matar... Sabe? É verdadeiramente tentador... Assim tudo isso terminaria de uma vez por todas. — Com estes pensamentos tristes e o som do chuveiro voltou a dormir.

Dean passou cerca de quarenta minutos no chuveiro. Quando saiu sentia-se realmente limpo, mas não menos tenso. Abriu a porta do quarto e notou Sam dormindo abraçado ao travesseiro. Sorriu com carinho. Seu irmão crescera e se tornara um homem incrível. Sentia-se tão culpado por tudo o que ele estava passando. As acusações dele martelavam em seu coração e sabia que eram verdadeiras. Mas não fizera nada por mau. Queria protegê-lo, pois o amava demais. Aliás, era melhor nem pensar nisso... Deitou-se na cama e acabou pegando no sono também.

Sam acordou com uma gargalhada de mulher passando no corredor. Sentou-se na cama percebendo que o quarto estava quase totalmente escuro. Achou estranho, pois quando vira Dean tomando banho o dia estava amanhecendo. Pegou o celular e olhou que horas eram. Passava das dezoito e trinta! Dormira o dia todo! Procurou seu irmão na penumbra e o achou também dormindo em sua cama. Nu; completamente nu. Mordeu a boca com a cena. Dean dormia de bruços, com os braços sob o travesseiro. Ficou olhando-o completamente fascinado. A respiração era lenta e tranquila. Fazia seu peito subir e descer e dava para ver a leve movimentação dos músculos das costas e braços por causa disso. Ele parecia tão inocente dormindo daquela forma!

- Dean? – chamou baixo. A ausência de resposta o fezele entender que seu irmão continuava dormindo e parecia estar num sono pesado. Também putanhara a noite toda! Aproximou-se silenciosamente da cama e tocou com cuidado o cabelo macio dele. Fez um carinho leve. Com as pontas dos dedos. Suspirou.

Dean também tinha acordado com as risadas no corredor, mas estava sentindo-se tão cansado que nem se mexeu. Percebeu movimentação vinda da cama de Sam e abriu os olhos momentaneamente. Viu o irmão sentar-se na cama e quando ele virou para si fechou os olhos. Percebeu o caçula levantar-se e cobrir em total silêncio a distância que separava suas camas. Ia dar sinal de que estava acordado quando sentiu o carinho no cabelo. Era delicado, parecia que estava com medo de tocá-lo.

- Por favor, Deus... Se realmente existe, não deixe ele acordar... Deixe-me curti-lo um pouco sem que ele esteja na defensiva. Sem que ele desconfie ou tenha medo de mim”.

O coração de Dean falhou uma batida ao ouvir isso. Sam rezando? Pedindo para ter um pouco de paz ao seu lado? Assustou ao sentir a mão do irmão descer até sua nuca.

- Deve ser o homem mais bonito que já conheci sabia — riu nervoso e continuou – E vai me arrebentar se acordar comigo fazendo carinho em você ou se ouvir minha confissão. – deu de ombros – Fazer o que? O risco vale à pena.

Dean não estava entendendo o que se passava com seu irmão, mas estava amando. O calor que emanava da mão de Sam parecia curar suas feridas e renovar suas energias. Se já não estivesse de olhos fechados iria fechá-los para apreciar mais o contato.

Sam sentou-se no chão e apoiou-se na cama para ficar mais confortável. Atreveu-se a descer o carinho até o ombro de Dean. Permanecendo parado um pouco aguardando alguma reação dele. Nada.

- Imagino o quanto não deve ter se divertido esta noite para estar tão cansado a ponto de não acordar. Vou mentir se disser que não fico fervendo de ciúmes, mas pensando bem, por mim pode voltar assim todo dia apenas para que eu possa tê-lo para mim um pouco... Tenho tanto carinho por você Dean... Queria tanto que entendesse isso... Que não me julgasse gay por querer ter mais contato com você.

Dean quase enlouqueceu com ao ouvir esta declaração. Ah pelo amor de Deus! Como assim ciúmes? E que história era essa de tê-lo um pouco para si? Julgá-lo gay? Sam Gay? Super! Então eram os dois gays. Olha que maravilha!

- Sabe? Eu achei que ser responsável pela morte da mãe doía, achei que sentir remórcio por não ter dito para o pai que eu o amava e admirava doía... Mas Dean, nada doeu mais do que ver você estraçalhado no chão, morto. Aliás, uma coisa doeu mais sim.

Jess. Pensou Dean com certa amargura.

- Enterrar você! Saber que era o fim. Ver os demônios rindo da minha cara cada vez que eu tentei fazer contrato para te trazer de volta para mim. Saber que nem todos os meus poderes sejam de demônio ou não eram fortes o suficiente para te salvar... – calou-se para conter o choro e respirou fundo para completar – Dean descobri da pior forma possível que eu te amo demais. Que eu te amo da maneira mais proibida que existe. Acho que... Droga eu sei que não justifica, mas... Eu quis seguir a Ruby para sair da sua sombra para você parar de me tratar como o caçulinha que precisa ser defendido. Eu queria me tornar mais forte, mais independente para que você reparasse que eu existo. Que sou tão homem quanto você”!

O coração de Dean apertou e seus olhos encheram de lágrimas com a confissão. Era isso então? Tudo havia sido por... Por ele? Aproveitou que seu braço estava na frente do rosto e apertou os olhos o máximo que pôde e mordeu internamente o lábio inferior. De onde vinha tanto sofrimento para eles?

- Eu tenho lutado muito para não demonstrar. Para não deixar que perceba que eu... Que eu te devoro com os olhos. Dean Winchester você é minha loucura. Eu quero você vinte e quatro horas por dia e por Deus isso é doentio, eu sei, mas é mais forte que eu. Perdoe-me. Eu não tenho direito de sentir isso assim por você. Mas... É sincero: Eu amo você!

O som forte característico de um estômago faminto quebrou a emoção do momento e Dean revirou os olhos inconformado. Sam ali se declarando e seu maldito estômago ronca! Sam por outro lado riu divertido com a situação.

- Esse é meu Dean. Mesmo apagado é faminto. – calou-se e mordeu o lábio – Como queria uma única vez ter este seu instinto faminto dirigido a mim!

Dean quase abriu os olhos de susto. Sam queria... Queria... Percebeu o Winchester caçula suspirar e levantar-se. Ele caminhou pouco, aparentemente até sua cama e voltou depois jogando um lençol sobre seu quadril. Sentou-se na cama e começou a cutucar de leve em suas costas.

- Dean? Dean? – riu da soneira do irmão e passou a dedilhar carinhosamente ao longo da coluna dele – Dean quer fazer o favor de acordar? Cara! Você está faminto! Seu estômago está roncando super alto! – voltou a falar agora mais perto do ouvido do outro. Sam percebeu o corpo do irmão arrepiar e o músculo que acariciava enrijecer. Dean contorceu-se na cama, pois era muito sensível na linha da coluna e fez que acordava naquele momento.

- Sam? Que foi? Por que me acordou? – perguntou enfiando o rosto no travesseiro sem coragem de encará-lo. Um novo ronco ensurdecedor fez Sam rir e balançar a cabeça.

- Isso responde sua pergunta? Você deve ter uma anaconda no lugar do estômago Dean não é possível!

Dean espreguiçou todo preguiçoso. O lençol que o cobria praticamente passou a cobrir apenas seu sexo com o movimento. Sam engoliu seco com a cena e disfarçou levantando da cama do irmão e indo em direção ao banheiro. Uma ducha fria; precisava de uma ducha fria.

- Vou tomar um banho e vou buscar comida para nós ok? O que vai querer?

- Vai buscar comida de boa vontade? – perguntou Dean rolando na cama e vendo pela fresta aberta da porta Sam se despindo.

- Como se eu nunca fosse... – comentou com voz abafada pela camiseta que tirava naquele momento.

Sam entrou no chuveiro saindo do campo de visão de Dean. O mais velho aproveitou para pensar em tudo o que havia ouvido. Bem agora realmente tudo ficava mais complicado! Quando achava que nada mais poderia esculhambar com sua vida, descobria que seu irmão se sentia atraído por si. Atraído? Atraído uma ova! Sam literalmente confessara que o amava! Fechou os olhos atordoado. Amava-o muito também! Demais! E sabia há muito tempo que não era amor de irmão. Ok também era, mas não era só isso! Mas até então fora forte o suficiente para deixar isso enterrado. E agora? Será que ainda seria?

- “... tá acordado? Dean”?

Dean olhou para Sam de jeans, descalço e com os cabelos molhados. Simplesmente esqueceu-se de como é que se usava a boca para falar.

Sam sentou na sua cama preocupado.

- Cara você tá legal? Aconteceu alguma coisa?

Como seu pequeno Sammy conseguia disfarçar tão bem seus sentimentos? Não tinha sido ele que tinha se declarado a pouco e lhe feito carinhos deliciosos nas costas? Mas pensando bem, ele mesmo não fazia isso? Sentiu o caçula colocar a mão em sua testa e voltou a si.

- Que?

- Dean o que há?

- Nada... Acho que... Podíamos pedir algo para comer e ficar por aqui mesmo. O que acha?

- Por mim tudo bem mas... Você não tem compromisso hoje?

- Eu? Não... Nenhum. – deu de ombros. Quase havia falado que diferente do que ele pensava já fazia algum tempo que não ia para a cama com ninguém. Simplesmente não sentia a menor vontade.

- Ok então. Quer seu precioso cheeseburguer com bacon extra e batata frita?

- Lógico que quero! E quero cerveja também!

- Que dúvida! – riu Sam balançando a cabeça.

Sam pediu os lanches. Sim, também pediu lanche para si, mas pediu um americano e não um cheeseburger. Dean estava vestido agora. Levantara quando seu irmão saíra para buscar e pagar os lanches. Quando se sentaram para comer estranhou que o outro também tivesse pedido lanche, mas preferiu não perturbá-lo. Queria um momento diferente com ele. Assistiram a um filme juntos, riram de programas bobos. Dean estava tranquilo como a muito não se sentia. Sam estava inquieto com a mudança de atitude do irmão. Será que ele havia ouvido o que tinha dito? Mas Dean o espancaria se tivesse ouvido!

- Sammy quer sossegar? – falou olhando-o de canto.

Sam deu de ombros e ajeitou-se novamente na cama. Alguns minutos depois estava inquieto de novo. Dean simplesmente desligou a televisão deixando-os no escuro, com o quarto iluminado apenas pelas luzes que vinham da rua. Sam aquietou na cama quando percebeu o movimento do mais velho sentando-se na cama.

- Ok, chega! O que está acontecendo? Está incomodado com o que Sammy?

- Não estou incomodado. Por que estaria?

- Não sei. Por isso estou perguntando.

- Impressão sua Dean.

- Mesmo? E eu virei um babaca, idiota e cego do nada pra dizer o mínimo.

Sam encolheu-se com o tom de repreenda do irmão. Quando Dean se irritava não se atrevia a discutir. Ele era esquentado por natureza, mas dificilmente sua ira era dirigida a si. Quando isso acontecia preferia recuar, pois Dean não era brincadeira.

- Que foi engoliu a língua agora? Sam eu não aguento mais este clima de segredos e meias verdades entre nós! Até quando vai ser assim? Mais dia menos dia vamos morrer e eu não me lembro de um único dia desde que voltei do inferno que tenha me falado uma frase toda verdadeira!

- Dean... Olha cara eu sinto muito por isso.

- Ah você sente muito? Super! — falou Dean levantando-se da cama e caminhando para cá e para lá pelo quarto igual a uma fera enjaulada – Você sente muito, você pede desculpa, você se retrata... Para o que Sam? Para logo depois fazer tudo novamente! Cara não dá!

- Você também mentiu para mim quando disse que não se lembrava de nada sobre o inferno!

- E o que você queria que eu fizesse? Olhasse para você e falasse oi Sam voltei das minhas férias no inferno e lá fiz um curso bem legal, onde me tornei especializado em tortura através de estripamento?

Sam ficou calado. Baixou a cabeça e comprimiu os lábios. Sentiu os olhos encherem de lágrimas.

- Não foi só desta vez. Quando o pai morreu você não se abriu. Você não me conta nada de você. Você prefere sumir por aí a ficar comigo. Não tem o direito de me cobrar nada!

- Eu lido melhor com meus traumas assim Sammy. Odeio ficar chorando feito uma garotinha desprotegida por ai. Isso não resolve nada! Não faz o tempo voltar atrás. Não faz eu me sentir menos doente por ter feito o que fiz no inferno!

- Está fazendo agora se não percebeu.

Dean parou de falar e percebeu que estava chorando. Passou o braço pelos olhos e deu as costas para seu irmão. Engoliu o choro e ficou calado. Segundo depois as lágrimas escorriam novamente. Assustou-se quando percebeu Sam parado muito próximo a suas costas. Mais do que seria comum.

- Você é a pessoa mais corajosa que já conheci. Inclusive mais que o pai. Tem uma força interior que eu jamais vou ter. É inteligente, independente... Sabe você é... É tudo para mim Dean. Jamais vai conseguir imaginar o que eu passei enquanto estava no inferno. – falou e tocou-lhe no ombro – Cada vez que você ficou a beira da morte eu surtei. Você só foi para o inferno porque fez um pacto para me trazer de volta. O mínimo que eu tenho obrigação de conseguir fazer por você é te ouvir. Emprestar-te meu ombro. E pro inferno se você acha que isso é coisa de veado ou não. Eu amo você o suficiente para fazer isso mesmo que você me esculache pro resto da vida.

Dean fechou os olhos. Manteve-se calado e rígido enquanto sentia Sam deslizar a mão por seu ombro numa carícia leve.

- Dean? – Sam suspirou e se afastou. Ele era impossivelmente fechado.

- Não sou nem um décimo do que está dizendo. Eu me fecho por que se deixar escapar alguma coisa daqui de dentro não vou mais conseguir nem levantar da cama.

- Isso se chama força.

- Isso se chama auto-preservação... E covardia.

Sam parou onde estava olhando para Dean. O mais velho sentia os olhos do irmão queimando suas costas.

- Por que covardia?

- Por que tenho medo de me expor.

- De expor o que exatamente?

- O que eu sinto.

- O que sente?

Dean caminhou até sua cama de cabeça baixa e sentou. Passou as mãos no rosto num gesto claramente cansado e permaneceu calado.

- Dean? – chamou Sam sentando-se na cama dele – Fala comigo... É disso que tem medo? Do que sente? Por que?

Dean respirou fundo e apertou o lençol da cama. Sam notou o gesto e cobriu a mão dele com a sua.

- Estou aqui... Eu errei também. Eu menti, omiti... Mas Deus sabe o que isso fazia comigo por ter de fazê-lo com você. – falou baixinho.

Dean entrelaçou os dedos com os de Sam. Sentiu a mão do irmão caçula tremer ao contato.

- Acho que quando o pai sumiu... Quando fui atrás de você na faculdade... Acho que foi uma desculpa deslavada falar que queria que fosse procurá-lo comigo. Tudo o que eu queria era você de volta. Mas então percebi que você se tornou tão diferente de mim. Não consegui em momento nenhum te alcançar. Nunca!

- Mentira. Estou aqui não estou?

- Fisicamente sim, espiritualmente sim, mentalmente também. Mas onde está sem coração Sam? Por que um homem quando se esconde ou se esquiva, quando mente e omite não quer deixar seu coração vulnerável.

Sam sentiu o coração disparar. Talvez houvesse alguma esperança afinal. Hora de arriscar.

- Conte-me onde está o seu e eu lhe conto onde está o meu...

Dean fechou os olhos e comprimiu os lábios. Sam apertou sua mão para lhe transmitir segurança. Para transmitir aos dois na verdade. Dean virou-se de frente para ele e seu rosto foi banhado pela luz que entrava pela janela.

- Você tem certeza de que não sabe Sammy? – perguntou com um olhar sério e cheio de amor.

Sam sentiu os olhos encherem de lágrimas. Será? Ergueu a mão de Dean que estava entrelaçada com a sua e a levou ao peito, depositando sobre seu coração. Dean deu um sorriso pequeno e cansado e acenou que sim com a cabeça. Sam levou a mão dele aos lábios e beijou com muito carinho. Depois se aproximou e o abraçou deitando a cabeça em seu ombro. O abraço foi correspondido com força e amor. Dean deitou para trás na cama levando seu irmão junto.

- E o seu onde está?

- Com você. Dean eu... – travou. Não conseguir dizer o que precisava.

- Eu sei Sammy. Eu também.

Ficaram abraçados curtindo um ao outro por um longo tempo. Era bom ficar assim. Sem medo, sem vergonha. Dean acariciava seus cabelos quase massageando o coro cabeludo enquanto Sam esfregava o pé preguiçosamente no dele. Vez ou outra o mais velho beijava sua testa e Sam esfregava o nariz no pescoço dele deixando ali um beijo. Dormiram na cama de Dean assim juntos. Sentindo-se verdadeiramente protegidos e amados pela primeira vez na vida.

Dean acordou na manhã seguinte com o corpo dormente. Franziu a testa sem entender por que. Quando despertou completamente sentiu o corpo de Sam próximo a si e lembrou-se da noite anterior. Sorriu descontraído. Quando ia pensar em algo assim na vida deles? Logo eles? Logo ele? Seu sorriso sumiu quando pensou que isso agravava ainda mais a situação. Por Deus! Como poderia agora deter Sam se realmente fosse preciso fazê-lo? Fechou os olhos angustiado. Não poderia. Sam remexeu-se em seus braços e abriu os olhos. Arregalou-os na verdade. Dean sorriu ao ver a cara do irmão quando este olhou para cima. Para si na verdade.

- “Você está tendo um pesadelo... Não é real. É tudo fruto da sua imaginação conturbada por falta sexo”!

Sam estreitou os olhos e tentou dar uma joelhada no seu irmão. Dean prevendo seu movimento rolou na cama por cima dele segurando seus braços acima da cabeça e travando as pernas com as suas.

- Ei! Que idéia foi essa?

- Bom dia Sammy! Não posso mais brincar com você não? – perguntou Dean com a sobrancelha levantada.

- Não se sua brincadeira significa falar que estou tendo pesadelo por falta de sexo!

- Quem mandou acordar com cara de quem tava dormindo com o Freddy Kruguer? – provocou rindo divertido da cara invocada do irmão. Sam tentou inverter as posições mas não conseguiu. Dean podia ser menor que ele mas era muito forte e bem treinado. Agora sabia que quando o encontrou no hotel com Ruby conseguiu arrebentá-lo apenas porque ele estava ferido demais por ter fugido e lhe traído. Se Dean estivesse disposto a brigar, teria apanhado até não poder mais.

- Comporte-se ou não vai sair daí tão cedo. – provocou. Mas notou uma sombra de tristeza e arrependimento nublar os lindos olhos dele e afrouxou um tanto a prisão – Ei? – chamou.

Sam olhou dentro dos olhos dele e sem pensar levantou a cabeça dando um beijo no canto de sua boca. O mais velho ficou olhando para ele, aparentemente sem nenhuma reação negativa perante seu gesto. Ficou analisando o rosto bonito, os olhos puxados, a boca bem desenhada. Notou a veia do pescoço bombeando sangue freneticamente. Buscou novamente os olhos de Sam que exibiam uma mistura de medo, amor, tristeza, desejo, culpa... Passou a língua pelos lábios umedecendo-os e desceu a cabeça lentamente até tocar os lábios do mais novo. Foi um beijo lento; Dean ficou passando os lábios pelos dele e beijando de leve até que sentiu Sam render-se e abrir seus lábios. Nada neste mundo ou em qualquer outro o preparou para a sensação que percorreu sua alma ao sentir o sabor da boca e língua de seu Sammy. Sem poder se controlar, gemeu. Seu gemido causou arrepios por todo o corpo de Sam que respirou fundo forçando os braços para cima. Dean entendeu e o soltou. Sam o abraçou enfiando as mãos dentro da camiseta dele, descendo e subindo carícias por suas costas enquanto seu irmão enfiava os dedos entre os fios castanhos e lisos. Beijaram-se por um longo tempo num ritual de descobrimento; buscando desvendar cada pedacinho da boca do outro. Gemiam e suspiravam vez ou outra perdidos naquela sensação mágica de se pertencerem. Dean novamente tomou a iniciativa e afastou as bocas buscando os olhos de Sam. O caçula ainda elevou a cabeça até onde podia buscando os lábios do outro, mas desistiu e voltou a deitar mordendo o lábio inferior. Ficaram calados se olhando. O coração de Sam quase saindo pela boca de medo do que seu irmão estava pensando. Dean suspirou e fechou os olhos unindo as testas. Sam manteve um braço em sua cintura e o outro subiu até seus cabelos, acariciando próximo a nuca. O silêncio estava pesado. Dean era calado por natureza, mas agora seu silêncio doía.

- Nenhum comentário? – perguntou Sam.

- Nenhum. – respondeu Dean baixo.

- No que tanto pensa?

- Não acha que já me fez perguntas demais não?

- Quer saber no que estou pensando?

- Por Deus! Não mesmo. Guarde para você por favor.

Sam ficou puto. Mas que droga toda era essa agora? Abriu a boca para falar, mas não teve tempo, pois foi calado por um beijo que só podia definir como saboroso. Sentiu o corpo todo amolecer e esquentar com isso. Dean percebeu a mudança imediata no irmão e sorriu enquanto o beijava. Sam separou novamente as bocas para olhá-lo com carinho. Seus olhos sorriam na opinião do caçula. O olhar profundo incomodou o outro que deu de ombros.

- Você sorriu? – perguntou fazendo a carinha fofa que Dean amava de dúvida.

- Foi. Por que?

- Por que se tornou muito raro você sorrir... E seu sorriso é lindo.

Dean ficou muito sem graça e rolou de cima do corpo do irmão. Ficaram os dois olhando para o teto. Sam virou de lado, de frente para ele.

- Com fome?

Dean balançou a cabeça dizendo que não. Voltaram a ficar em silêncio. Sam suspirou e sentou na cama perdido. O mais velho acompanhou seus movimentos. Percebeu o irmão passar as mãos nos cabelos jogando-os para trás num gesto que Dean sabia ser de tensão.

- Sam?

- Vamos ficar assim agora? Antes mau nos falávamos; agora vamos parar de nos falar de vez?

- Menos Sam... Não é nada disso. Só... Preciso pensar!

- Divida seu pensamento comigo.

- Tem de ser agora?

Sam virou de frente para Dean abismado. Ficou calado olhando em seus olhos.

- Percebeu o que aconteceu a pouco?

- Perfeitamente.

- Tem idéia que não envolveu só você?

- Claramente.

- Então?

Dean rolou os olhos impaciente. Odiava perguntas. Odiava que lhe julgassem. Odiava que tentassem lhe dar lições de moral. Odiava que invadissem a única coisa que tinha para chamar de seu: seu silêncio. Não era do tipo que discutia relação, não era do tipo que passava o tempo todo centrado em agradar alguém, não conseguia simplesmente ignorar a precaução e se jogar de cabeça nas coisas, ainda que confiasse cegamente na situação. Sacrificara e ainda sacrificava muita coisa por aqueles que amava, mas exigia ter seu espaço e tempo respeitados. Era na sua e era difícil lidar consigo; imagina ter de se expor! Isso o irritava profundamente; ficava na defensiva e uma vez que não era do tipo covarde, ao invés de se esconder atacava e se isso significava brigar, brigava.

- Sammy odeio discutir relação.

- Não brinca com isso Dean... É sério. É importante para mim.

- E acha que para mim não? – perguntou sentando e encostando-se na cama mantendo uma perna flexionada como braço apoiado em cima.

- Não sei você não fala comigo...

- Sammy não é suficiente eu estar sempre aqui? Não é suficiente eu viver e morrer por você? Não é suficiente eu... Passar por cima de tudo, até de mim mesmo como fiz a pouco?

- Desculpa Dean. Eu... Eu sou um filho da mãe egoísta, mas eu quero muito mais de você... De nós.

Olhou bem dentro dos olhos de Dean e ia dizer mais alguma coisa, mas no último momento desistiu e se levantou da cama em direção ao banheiro. Dean fechou os olhos desolado. Não conseguiria... Não podia dar a ele o que ele merecia.

Sam respirava fundo no banheiro. Jogava água no rosto seguidamente tentando manter a mente clara. Por que não conseguia tirar seu irmão da escuridão? Por que não conseguia tocar o coração dele? Por quê? Onde estava errando? O beijo dele, os toques dele... Não eram impuros... Era amor puro! O que tinha dentro dele que fazia ele se perder em vazio? Ah mas não ia desistir! Dean Winchester era seu irmão e ia tirar ele das trevas custasse o que custasse! Tirou a roupa e entrou no chuveiro. Tomou um banho quente, abusou da espuma pelo corpo. Lavou, enxagou e lavou de novo até sentir a pele deliciosamente fresca e cheirosa. Saiu do banheiro molhado, somente com a toalha enrolada na cintura.

Dean estava sentado na cama do mesmo jeito, com os olhos fechados com cara de raiva contida. O perfume que exalava do corpo de Sam o atingiu impiedosamente. O mais velho franziu as sobrancelhas e abriu os olhos. Antes não tivesse feito! Sam estava... O próprio pecado daquele jeito! A pele vermelha por causa de água quente, completamente molhado, cabelo bagunçado e pingando, olhos límpidos e cheios de paixão. Inferno! Era homem demais para não queimar de desejo vendo-o desta forma.

- Por que não vai tomar um banho também? Acho que este lugar tem o melhor chuveiro que já experimentei na vida! – perguntou parando ao lado da cama do irmão.

Dean permaneceu olhando-o sério, quase carrancudo. Esperava que sua cara servisse de aviso para o caçula. Mas logo percebeu que Sam sair daquele jeito do banheiro que era um aviso.

- Dean? – perguntou colocando as mãos na cintura.

O mais velho levantou a sobrancelha em resposta e mais nada.

- Ok... – falou o mais novo dando de ombros. Subiu na cama de Dean ficando ajoelhado nela e ergueu a toalha um tanto expondo a coxa grossa aos olhos do irmão. Enquanto ele analisava cada detalhe dos músculos de Sam, o caçula passou a perna sobre as pernas do irmão sentando-se em seu colo. Dean prendeu a respiração com esta atitude. Estava calado e imóvel e cravou seus lindos olhos verdes nos de seu irmão. Sam estava com a expressão tranquila e seus movimentos eram calmos. Segurou a barra da camiseta do mais velho e começou a puxá-la para cima. Dean não protestou. Ergueu os braços permitindo que Sam conseguisse o que queria. Olhou analiticamente para cada detalhe do peito trabalhado do irmão e engoliu seco ao fitar o abdômen perfeito. Voltou a olhar por um segundo para os olhos de Dean e baixou os olhos mordendo o lábio inferior enquanto analisava a calça de moletom que ele vestia. Estava encharcada já. Passou a mão no cabelo jogando-o para trás e franziu a testa analisando a situação. Sua toalha dificultava absurdamente seus movimentos. Simplesmente a puxou e arremessou em sua cama. Nem mesmo assim Dean desviou o olhar de seus olhos. Levantou-se do colo do irmão apenas para ajoelhar-se entre suas pernas; Dean mais uma vez cedeu. Sam já entre suas pernas acariciou seu rosto e notou que ele se permitiu fechar os olhos ao sentir o toque e desceu a carícia pelo seu pescoço, peito e abdômen. Parou com os dedos brincando com o cós da calça dele. Dean abriu os olhos e estavam incrivelmente brilhantes. Ficaram se encarando por alguns segundos, um tentando ler as reações do outro. Quando resolveu seguir adiante Dean segurou seus pulsos.

- Espero que tenha certeza do que vai fazer. Não está lidando nem com um garotinho com excesso de hormônios e muito menos com uma virgem inexperiente. Lembre-se disso.

- Bom é exatamente isso que me dá segurança de seguir a diante.

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Sam demonstrando muita segurança no que fazia puxou a calça de moletom de Dean para baixo deixando-o nu. Depois segurou embaixo de seus joelhos e o puxou para que se deitasse. Avaliou em seguida com curiosidade cada pedacinho do corpo do mais velho. Ele era realmente bonito. Após alguns segundo apenas olhando, cedeu à vontade e passou a dedilhar com vagar cada músculo que ele tinha. Dean fechou os olhos e deixou-se tocar. Era bom. Carinho... Ternura... Respeito... Eram estes sentimentos que os toques do caçula lhe transmitiam. O mais novo vez ou outra olhava para o rosto do irmão tentando captar alguma coisa, mas como sempre Dean estava silencioso e sério. Só que desta vez seu silêncio não era auto-preservação; era simplesmente para aguçar todos os sentidos.

Sam debruçou sobre o corpo bonito e passou a deslizar os lábios na pele dourada. Dean contraía levemente a região onde era tocado, encantado com a suavidade do ato. Quando sentiu a língua dele fazendo o mesmo trajeto mais tarde abriu a boca como quem fosse gemer ou gritar, mas apenas suspirou. Sam sorriu ao notá-lo entregue daquele jeito. Até seu silêncio era charmoso.

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Quando Sam enfim deitou sobre o corpo de Dean, o contato dos dois corpos quentes e nus lhe causou uma sensação de torpor que jamais havia sentido antes. Os corpos se encaixavam com perfeição embora Dean fosse um pouco mais baixo. O mais novo buscou sua boca e o beijou cheio de amor e paixão. Entrelaçou as pernas as de Dean e ficou esfregando seus pés nos pés dele num jeito todo seu. Toques, beijos... Perderam-se num mar bravio de sensações. Sam descobriu que a textura da pele de Dean o enlouquecia. Chupava cada pedacinho que podia do ombro e pescoço do mais velho que jogava a cabeça para trás e se arrepiava a cada nova investida do mais novo. Desceu a boca pelo peitoral dourado e chupou e mordeu sem vergonha alguma os mamilos dele. Desta vez Dean agarrou os cabelos de Sam e os puxou levemente, mordendo a boca. Sam sentiu o exato momento em que o corpo de Dean despertou e como se um atraísse ao outro, seu corpo despertou também. E para sua total felicidade, cada vez que se mexia e se esfregava no corpo quente abaixo de si, sentia-o pulsar tomado por mais e mais desejo. A esta altura, não havia mais um pequeno canto do corpo dele que já não houvesse provado com exceção de seu sexo. Sam lhe deu um beijo atordoante. Voraz. Deixou os lábios carnudos de Dean repentinamente, fazendo-o lambe-los para sentir um pouco mais do gosto de seu beijo e antes mesmo que o mais velho respirasse fundo para se recompor abocanhou de uma vez seu maior objeto de desejo naquele momento. Dean se contorceu e afundou completamente na cama arrancando o lençol da lateral do colchão e mordendo o travesseiro para não gritar. Sam abriu os olhos e maravilhou-se com a cena. Dean respirava fundo e rápido. Estava trêmulo e suado. Sam sorriu interiormente. NINGUÉM jamais havia conseguido extrair tanto prazer assim de seu irmão. Tinha certeza disso.

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

E nesta dança onde a música era o som produzido por seus corpos e seus movimentos, Dean rolou com ele na cama ficando sobre seu corpo louco para tocá-lo antes que perdesse o controle e explodisse em prazer. Se Sam era carinhoso e forte, Dean era intenso e apaixonado. Sua boca era o próprio inferno! Quente, abusada... Chupava, lambia e mordia em ordem e intensidade sempre diferenciadas, fazendo Sam gemer e se contorcer chamando seu nome e se oferecendo ainda mais ao outro. E se achara que ninguém nunca havia conseguido dar tanto prazer ao seu irmão, teve certeza de que nunca NINGUÉM jamais LHE daria mais prazer que ele! Quando Dean numa sequência de chupadas fortes por suas coxas abocanhou abaixo de seu membro chupando e passando a língua gulosamente, contraiu o corpo e gemeu alto arqueando as costas, dobrou os joelhos e impulsionou o quadril para a boca do outro. Mais do que satisfeito com esta reação, Dean atacou seu membro e Sam sentindo que não suportaria o contato tentou se esquivar. Dean segurou-o pelo quadril e engoliu Sam até que ele se derramasse em sua boca. Sam o puxou para cima de si beijando-o e delirou ao sentir seu gosto na boca deliciosa de seu irmão.

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Dean sentiu Sam ajeitando-se abaixo de si durante o beijo, posicionando-se de forma que seu membro ficasse exatamente entre suas nádegas. Sorriu. Nada poderia dizer mais claramente o que ele queria. Aproveitando que ainda tinha um pouco do gozo de Sam em sua boca, desceu pelo peito dele mordiscando-o e uma vez mais o tomou em sua boca. Sam estava mais do que sensível e imaginou que enlouqueceria, mas foi muito rápida e forte a chupada que tomou. Olhou para Dean com a sobrancelha erguida por curiosidade e recebeu um sorriso cúmplice; sorriu de volta e assistiu sem atinar direito o sentido disto o mais velho escorregar a boca até alcançar suas nádegas e gemeu surpreso. Dean o acariciou com a língua e a boca entre elas, lambendo e chupando até senti-lo relaxar e o invadiu com a língua. Sam que desistira de ficar olhando havia se deitado para trás para curtir e quase engasgou com a ousadia dele! E demônios eram perigosos? Nada era mais perigoso que Dean Winchester numa cama! Que sensação louca e deliciosa era essa? Dean logo sentiu Sam vindo e indo com o corpo até sua boca querendo mais e subiu lambendo todo seu corpo até reacomodar-se sobre ele. Ficou provocando-o quase entrando em seu corpo. Sam contraía as nádegas, provocando também. Beijavam-se, lambiam-se, mordiam-se... Aos poucos Dean passou realmente a forçar a entrada. Ao contrário do que se imaginava o caçula não se intimidou com dor ou vergonha; simplesmente participava, vindo de encontro ao mais velho. Cada pontada de dor era seguida de um arrepio de tesão e a coisa simplesmente foi acontecendo. Dean era másculo, atencioso, investia com calma, mas sempre firme. Quando por fim Dean estava totalmente dentro de Sam ficou mexendo-se de leve, como se o acariciasse até que pudesse mover-se a vontade. Os movimentos dele relaxaram Sam um tanto e com um beijo e um aceno positivo de cabeça o mais novo permitiu que seu irmão recomeçasse. Dean não teve pressa. Começou mais calmo e foi aumentando a velocidade e a força aos poucos. Sam fechava os olhos gemia e sorria enquanto sentia seu irmão ir cada vez mais fundo dentro de si. Como era bom! Como era deliciosamente bom! Como Dean era cretinamente gostoso!

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz,
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

Dean nunca fora de se controlar. Mas uma coisa era estar com qualquer uma e outra era estar com seu irmão. Só que assistir Sam mordendo a boca daquele jeito safado, sentir-lo rebolando intensamente embaixo de si... Estava difícil. Então Sam pôs tudo a perder. Trançou as longas e fortes pernas em seu quadril fazendo Dean ir mais fundo e gemeu rouco e sensual! Dean mandou o cuidado às favas. Começou a arremeter forte e incansavelmente dentro dele. Indo e vindo e quase saindo de dentro dele, acertando continuamente aquele local que o estava enlouquecendo. Sam sentia ondas indescritíveis de prazer chacoalhar seu corpo. Esqueceu que era dia; esqueceu tudo. Passou a gemer e falar coisas desconexas cada vez mais alto. Dean puxou uma de suas pernas para seu ombro, mantendo a outra em sua cintura e debruçou-se sobre ele num ângulo quase impossível, causando mais contato entre os corpos. Gemia junto com Sam, mas era quase inaudível. Sam reclamou. Queria ouvir a voz forte dele gemendo por si. Queria Dean perdendo o juízo. Rolou na cama desvencilhando-se do irmão e sentou sobre ele enfiando-o dentro de si de uma vez só. Dean gritou. Um grito alto, forte, carregado de desejo. Sam estreitou os olhos e sorriu. Subiu e desceu vertiginosamente. Contraía seu canal na descida para fazer seu irmão gritar de novo e de novo. Dean segurou no quadril de Sam ajudando-o com os movimentos. Dean trazia Sam para si numa força espantosa e cravava-se dentro dele. Sam gemia e gritava junto com Dean, completamente, perdidamente apaixonado. Ter seu calado e rebelde irmão ali, gritando e gemendo com ele e por ele... Seus olhos encheram de lágrimas e jogou a cabeça para trás para evitar que Dean visse e achasse que estava machucando-o. Com mais uma potente arremetida Dean começou a gozar em Sam. Puxou o mais novo para si abraçando forte e sentiu o mais novo gozando também. Continuaram se movendo e se buscando até que a última gota prazer deixasse seus corpos. O mais velho buscou a boca do mais novo desesperado por um beijo. Gelou ao sentir o gosto de lágrimas misturado ao seu beijo. Tentou afastá-lo, mas Sam o abraçou mais forte e continuou beijando-o. Quando separaram as bocas Dean deitou-se de lado e apoiou-se num dos cotovelos. Acariciou o rosto bonito e delicado de Sam que o olhava com um sorriso meigo nos lábios apesar dos olhos inundados de lágrimas.

- Tudo bem? – perguntou preocupado.

- Depende do ponto de vista. – falou depois de pensar um pouco com cara de moleque travesso.

- Como assim? – perguntou Dean muito sério – Por que estava chorando?

- Ah isso? – Sam riu sem graça e escondeu o rosto no travesseiro rindo – Dean você deve ser o desgraçado mais absurdamente bom de cama que deve existir no mundo! – falou ainda com o rosto escondido – Achei realmente que ia morrer de tanto sentir prazer. Era tanto, tanto que deu até vontade de chorar.

Dean ficou calado olhando cismado para o irmão. Fizera Sam chorar de prazer? Aos poucos um sorriso um tanto convencido foi se formando em seu rosto.

- Sam olha para mim. – pediu.

- Mas não mesmo! Aliás nem sei por que fui te contar isso. Vai me infernizar para o resto da vida!

- Não vou te infernizar! Quer olhar para mim, por favor?

Sam suspirou vencido e olhou para Dean. Ganhou um beijo carinhoso na boca.

- Acho que não sou o desgraçado mais bom de cama que existe! Acho que somos desgraçadamente bons juntos na verdade! – disse com um sorriso charmoso. Sam ficou sério.

- E agora Dean?

O mais velho ficou sério também. Pergunta difícil de responder... Deitou-se para trás na cama com o cenho franzido. Sam quis esmurrar-se por perguntar algo assim logo agora. Dean tinha começado a se soltar... Rolou por cima do corpo do irmão e arrependeu-se muito por isso. Fechou os olhos e gemeu de dor no instante seguinte.

- Sammy? – perguntou Dean assustado e preocupado.

— Caramba Dean... Parece que dói mais depois... E põe dói nisso!

Dean riu divertido da cara de dor que o caçula fez. Abraçou-o deslizando as mãos de forma possessiva pelo seu corpo fazendo Sam sentir como se ele deixasse um rastro de chamas por onde passava. Sam fechou os olhos e gemeu obscenamente.

- O que está fazendo? – perguntou com voz rouca.

- Bem, dizem que nada melhor que uma boa bebedeira para curar ressaca... Resolvi testar se esta teoria vale apenas para bebedeira ou se pode ser usado para outras coisas! – revelou olhando profundamente nos olhos de Sam que ficou hipnotizado ao notar que enquanto ele falava seus olhos escureciam.

Sam se perdeu nos toques e caricias de seu fogoso irmão.

Se aquilo não fosse um motel, alguém teria chamado a polícia pela indecência que eram os gemidos de Sam... E Dean o fez gemer muito... De manhã, de tarde, de noite...

Algumas horas depois Sam dormia completamente destruído ao lado do mais velho. Dean acariciava os cabelos lisos do mais novo ainda pensando no E AGORA que o irmão lhe questionara mais cedo e sinceramente não tinha nenhuma resposta para isso.

As coisas estavam difíceis e sabia que com anjos e demônios andando pela terra e no encalço deles as coisas iriam ficar ainda piores e com certeza apesar daquele momento incrível que haviam vivido ainda se desentenderiam muito, mas nada nunca mais os separaria e se viessem a se separar por horas ou dias em função de sua jornada para salvar o mundo, seu amor os guiaria novamente ao encontro do outro levasse o tempo que levasse independente dos sacrifícios que tivessem de fazer e como que para comprovar a teoria do mais velho, Sam se remexeu na cama buscando o calor do corpo do mais velho e se abraçou a ele beijando seu peito sem, no entanto acordar e isso fez Dean sorrir e se ajeitar na cama o abraçando também para enfim pegar no sono. Seu último pensamento foi a resposta para pergunta de Sammy; Agora só lhes restava viver o amanhã e se o amanhã iriam começar nos braços um do outro, então preferia que ele começasse Agora!

Notas finais
Obrigada a todos que leram.
Como já é de conhecimento geral, minha casa (ou minha conta no Nyah) é de vocês, então, sintam-se a vontade para comentar.
Um ótimo domingo e um Feliz Dia dos Namorados!
Lothus.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!