Anjo Caído
1 Prefácio
Notas iniciais
Meu nome é Mary Adaline Jones , e eu sou um anjo.
E como eu vim parar no céu? Essa é uma história bem longa...mas eu vou contar.
Eu vivi uma vida lá na terra. Bom, mas acho que muitas pessoas não chamariam aquilo de vida. Eu só tinha 15 anos, morava ao norte dos Estados Unidos, numa pequena cidade chama Frederick, em Maryland. Eu estava entrando em uma nova escola, esperando que meus problemas acabariam, mas não foi como eu pensava.
Eu não sabia o que eu tinha de errado comigo, claro, eu era humana, os humanos são imperfeitos, mas porque eles me odiaram tanto?
Agora eu sei que eu era uma boa menina, eu gostava de ajudar as pessoas e não guardava rancor, nem daqueles que me fizeram mal, o senhor me disse.
Eles me faziam mal todos os dias, mas eu nunca me entreguei a pensamentos suicidas nem nada, pra mim, só me livrar deles era o bastante, continuar minha vida, talvez estudar em casa, era o que eu faria em breve.
A propósito, eu só tinha uma amiga, e ela só a mim. Ela se chama Gabriele Miller.
Mas vamos ao ponto. Como vim parar aqui? Bem, depois de três meses, sendo excluída, espancada e humilhada por os garotos e garotas da escola, certo dia, Carly Smith me deu um convite na porta da escola, para uma festa. Ela foi simpática, e eu fiquei feliz. Eu senti que aquele convite era uma chance de me aproximar daquelas pessoas e acabar com aquilo. Me arrumei, entrei no carro do meu pai e fomos a caminho da festa. E mau sabia eu que estava a caminho da minha própria morte. Eu me lembro que eu gostava de um garoto da minha classe. Eles me chamaram para o quintal da casa onde tinha a festa, eles diziam que o garoto queria me ver, conversar comigo, mas tudo não passava de uma grande emboscada, na verdade, aquela festa toda foi só uma emboscada para me matar.
Subitamente, os garotos começaram a me agarrar. Me arrastaram para a floresta, acompanhados de várias garotas e garotos, que estavam rindo de mim enquanto eu gritava "socorro". Primeiro, me violentaram sexualmente, pelo menos uns 5 meninos, e eu era virgem. Depois, todos me bateram, levei chutes em todos os lugares, eu me lembro que eu estava sem a saia e calcinha, estava tudo rasgado, o maior alvo deles era minha cabeça, não demorou muito tempo para eu morrer. Depois, jogaram meu corpo dentro de um poço vazio de um fazenda abandonada, que ficava em uma campina, e tamparam o poço. Tudo isso foi gravado. Eu não voltei mais para casa. Em pouco tempo meu pai acionou a polícia. Houve muitas investigações, principalmente sobre a festa. Meu corpo foi achado 15 dias mais tarde, depois que um aluno, David Stewart, que estava na festa, entregou a câmera de Marta Ronson, ela que havia filmado. Todos foram punidos pela justiça americana. Meu corpo foi enterrado no cemitério da cidade, ele está lá, aos poucos tornando-se pó. Minha mãe, Clarice, entrou em depressão, meu pai, Harry, e meu irmão, Jakob, eles continuam levando sua vida, talvez não como antes, e Gabriele voltou a sentar-se sozinha no recreio.
Mas enfim, Deus permitiu que eu entrasse no céu, e agora, eu sei o que é felicidade. É engraçado, toda a minha pequena vida, eu me perguntava se eu iria acabar no céu ou no inferno, pois eu nunca tive uma religião, mas descobri que isso não tem relação, pois Jesus nunca teve uma religião, e Deus, é um só, porque tantas religiões que ditam tantas coisas diferentes? Eu também me perguntava sobre aqueles ateus, a maioria que faz mais o bem do que muitos cristãos, mas são julgados por tais por não acreditar em Deus. Porém, acho que Deus os perdoam, ele nunca obrigou ninguém a acreditar nele.
Sabe, Deus disse que eu era boa, que no final, eu merecia ser feliz, aqui estou eu, só sinto tristeza quando eu vejo minha mãe chorando agarrada com uma foto minha, e também meu pai e meu irmão, andando desolados, como se suas almas estivessem mortas, e quando vejo a Gabriele, sozinha naquele canto com suas olheiras, e seus olhos borrados de preto resultado de suas lágrimas combinado com o lápis de olho.
Mas sempre que eu posso, Deus permite que eu me conecte com qualquer um deles, eu tento confortá-los, fazendo com que sintam minha presença, e sempre que falam sobre seus sentimentos ou como sentem minha falta, eu ouço.
Posso dizer que nunca conheci uma paz tão grande como a daqui, do paraíso. Todos somos irmãos, cuidamos um do outro, não existe momentos triste. Aqui temos nossas próprias casas, podemos morar com os nossos irmãos, caso nossos pais ou filhos não tenham chegado aqui ainda, ou talvez nem cheguem. Caso não cheguem, Deus apaga de nossa memória, como se nunca tivesse existido.
Eu sou feliz desde o momento que entrei aqui, Deus perdoou todos os meus pecados, me disse coisas sábias.
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