Já era manhã, estava nublado e nebuloso. O dia já estava escuro, e naquela floresta densa então, estava ainda mais escuro. Eu parei um tempo, fiquei apreciando a floresta, os pingos de chuva que restaram presos nas folhas das árvores caíam sobre o chão, sobre mim. Eu pude perceber pássaros sobrevoando a copa das árvores, pois por onde passava, seu pequeno corpo cobria alguns pequenos espaços abertos das árvores que deixavam o sol iluminar.

De repente, vejo uma luz vinda do céu, e imediatamente pensei no que aquilo poderia ser, e certo estava meu pensamento. Era um anjo, Ana. Ela tinha cabelos crespos, pele negra, seu rosto era pequeno e redondo, o que a deixava adorável, Ana usava uma vestimenta branca muito bonita, que parecia um vestido com um toque de um pano longo em suas costas que parecia um véu de grinalda e brilhava mais que o nascer do sol , naquele momento, eu senti um conforto inexplicável, o conforto, a paz, que já me fazia falta. Ela veio até mim, usei minhas asas para cobrir meu corpo. Ela trazia uma vestimenta consigo. E logo me dirigiu as palavras.

– Querida Adaline, o senhor me enviou para te ajudar, você está tão perdida aqui.

– Obrigada Ana, obrigada por vir até aqui para me ajudar. — Respondi enquanto levantava a cabeça e olhava em direção aos olhos luminosos de Ana.

– Adaline, não tem que agradecer a mim, tem que agradecer ao senhor, graças a ele eu estou aqui. – Responde Ana enquanto me entregava as vestimentas. Então, quando eu ia começando a falar, sou interrompida pela doce voz de Ana. – Não precisa falar nada, já sei que é grata. Agora eu tenho que ir, essa foi a primeira e última ajuda que você recebera, adeus Adaline.

– Adeus Ana. – Respondi.

Ana partiu em direção a luz, e como se estivesse subindo uma escada invisível, ela ia ficando mais alta, logo desaparecera, e subitamente, minhas asas também tinham ido, minha pele estava limpa e seca, assim como meus cabelos, eu também senti uma leveza, aquelas asas eram realmente pesadas.

Coloquei as vestimentas dadas por Ana. Aquelas roupas eram diferentes do que eu costumava usar. Era um vestido branco, solto na parte do busto, com mangas longas e também soltas. Ele ficava um pouco acima do joelho, para mim, um tanto curto.

Logo, ouvi um uivo, naquela hora da manhã. Olho para meu lado, onde havia pedras altas e avisto um bando de lobos. Confesso que aquilo não me assustou, eu gosto de lobos, eles são bonitos e valentes, e entre suas alcateias são unidos, consequentemente lutando uns pelos outros.

Eu observei eles, com brilho nos olhos, eles também olharam para mim com seus olhos em linha oblíqua. Naquele momento, parece que criamos uma conexão.

Os lobos vieram em minha direção, eu me inclinei, e continuei a olhar em seus olhos, um deles veio bem a minha frente, e pareceu querer me dizer algo, mas de repente escutou-se um barulho, e eles saíram correndo. Naquele momento eu senti que pude controlar o lobo, também senti eles querendo me dizer algo.

Assim que o bando chegou em cima das pedras altas, pararam, olharam em minha direção, e todos uivaram, como um coro.

Eu comecei a caminhar, ouvia os passarinhos, pensei muito se aquilo seria um sinal, mas a minha mente estava tão fraca, eu não conseguia pensar como antes, talvez isso faça parte de ser humano.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.