Anjíra - Domine O Mal Ou Seja Dominado Por Ele.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sejam Bem vindo ao meu mundo real, onde tudo aquilo que as pessoas julgam ser impossível é mais possível do que um amor de filme.
Minha primeira história, talvez venha outras.
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Espero que gostem...
Mordidas.
Sempre fui uma aluna mediana, tirando notas altas em algumas matérias e outras nem tanto, como no caso da Física, que até hoje não sei por que existe, mas o que mais posso fazer? Estudar feito uma louca. Como vê, não sou alguém fora dos padrões, tirando que comecei a namorar um mago do tempo e que me tornei uma Anjíra, meio Anjo meio Vampiro.
Preciso contar para alguém como aconteceu, desabafar e dizer como foi que deixei de ser totalmente humana e como conheci Antonie. Isso aconteceu a pouco tempo, não exato, talvez duas semanas, quando “por milagre divino” como minha mãe fala, decidi sair um pouco, ainda tenho vontade de me bater por sair de casa naquela noite.
Eu estava cansada de tudo, estava em um daqueles dias que você esta prestes a esganar um sabe? Eu precisava respirar, sair um pouco para pensar. Decidi ir ao mercado próximo de casa comprar uma grande barra de chocolate, bem coisa de mulher na TPM, mas tenho como filosofia de vida que chocolate é a melhor terapia pra tudo. Chegando perto de lá, encontrei uma amiga que não via há anos, paramos para conversar por pouco tempo, porém em todos os minutos e segundos que estávamos ali frente a frente, ela parecia sempre desligada do assunto e concentrada demais em meu pescoço, o que julguei estranho, pois por diversas vezes senti medo de seu olhar que estava tão fixo em mim, que por um momento jurei que ela bebia meu sangue com os olhos.
Lembro-me vagamente da conversa, mas seus olhos jamais serei capaz de esquecer:
- Oi Carol, tudo bem? Quanto tempo! – falei enquanto a abraçava, sentindo sua respiração se aprofundar quando seu rosto ficou próximo a minha artéria.
- Oi Lely, quanto...tempo mesmo! – Disse ela se soltando do abraço. Lely sempre foi meu apelido entre os amigos e alguns familiares.
- Por onde andou este tempo todo Carol?
- Estive estudando, fui para capital estudar e para prestar para faculdade e agora voltei. – Ela falava, mas apenas o som saia de sua boca, estava inteiramente concentrada em minha jugular com uma cara de criança com fome em frente ao seu prato de comida favorito. – E você como está? Por onde andou?
- Eu estou bem sim, naquela correria de sempre, ainda mais agora que vou fazer prova para jornalismo na faculdade de São Bernardo do Campo. – Respondi com certa animação, esquecendo-me por um segundo de meu medo, mas apenas por segundos. – Carol, você esta realmente bem? Esta pálida e desligada. – perguntei sinceramente preocupada.
-Eu..eu..eu, estou bem. Agora preciso ir. – Mal acabou de falar e já estava se afastando, como se lutasse contra algo invisível.
Com a sensação de que seus olhos ainda estavam fixos em mim, decidi ir logo ao mercado antes que ele fechasse e eu não pudesse comer minha tão almejada barra de chocolate.
Chegando ao mercado, fui diretamente à sessão de guloseimas, ficando maravilhada com as sensações diferentes que senti ao entrar naquele corredor conhecido por ser o “corredor dos Deuses”, o que naquele momento senti a obrigação de concordar. Estava tão concentrada em escolher a melhor e maior barra de chocolate que esqueci completamente do medo que senti pouco tempo antes e não percebi quando alguém se aproximou de mim.
- Com licença, está em dúvida entre as barras? – Perguntou-me o estranho.
- Estou procurando a maior e a mais gostosa. – Disse sem me dar conta de que estava diante de um estranho que poderia ser um maníaco, talvez seja o efeito da possível TPM. O olhei com curiosidade e perguntei – Qual você escolheria?
-Esta! – Disse-me ele escolhendo, como que por acaso meu chocolate favorito. — Prazer eu sou Antonie – Falou sorrindo e estendendo-me sua mão.
- O meu é Belly – respondi ainda anestesiada com seu sorriso e curiosa para saber como ele adivinhou meu chocolate favorito, optei pelo obvio, sorte. – Você é daqui?
- Estou de passagem, estava comprando mantimentos, moro no interior de São Paulo, em Lins, e você é daqui mesmo?
- Sou sim – Respondi sorrindo. – Bem, obrigada pela ajuda Antonie.
- Tonie, por favor. Respondeu-me sorrindo, agora não apenas com a boca, mas também com os olhos – Espero tê-la ajudado.
- Ajudou muito mesmo, Tonie – Falei sorrindo e ao mesmo tempo me perdendo em seus olhos castanhos que me pareciam familiares.
- Boa sorte em sua viagem. – Disse com sinceridade.
- Obrigada Belly!
- De nada. –Disse, já virando para seguir em direção ao caixa.
Durante todo o percurso que fiz até o caixa do mercado, fiquei com o rosto de Antonie em minha mente e a pergunta incessante sobre “O que levaria um cara com no máximo vinte anos, sair viajando por ai?”, mesmo quando cheguei ao caixa e paguei minha compra, não consegui me concentrar em outra coisa se não nesta questão que ficou presa e não deu lugar a nenhum outro pensamento, além de perguntas sobre o estranho cara que tinha um sorriso lindo, olhos profundos e adivinhou meu chocolate favorito.
Sai do mercado pensando naquelas perguntas e pela primeira vez em tempos me vi instigada e com vontade de conhecer melhor alguém. Não que eu nunca tivesse me encantado por alguém, porém Antonie ficou preso em minha mente, como aquelas musicas chatas que por mais que odiamos sabemos de cor. Tonie era um homem de mais ou menos 1,75 de altura, pele clara, mas não pálida, olhos castanhos escuros e profundos como o mar olhado de uma praia a noite e a boca era o formato perfeito de um coração, delicado e urgente ao mesmo tempo e ela escondia o maior dos tesouros, o sorriso mais lindo e perfeito que alguém poderia ter, como se fosse a luz da lua a brilhar na escuridão da noite.
Estava tão absorta a tais coisas que não percebi a presença de algo atrás de mim e somente me dei conta quando senti um respirar em minhas costas virando-me preparada para gritar, deparo-me com Carol, porém não era a Carol que conversou comigo antes, era algo totalmente diferente, nada dentro do humano nem dentro dos contos, era a mesma Carol, eu tinha certeza, mas ela tinha presas e seus olhos eram totalmente Brancos, ela sorria, porém parecia de desespero. Ao vê-la, paralisei como se estivesse com os pés presos a blocos de concretos. Falei tentando controlar-me e fazer a visão maluca que minha mente criou, devido ao pânico de poder ser algum assaltante, desaparecer:
- CAROL, que susto que você me deu menina, como você pode chegar assim do nada sem se anunciar? Quase morri do coração. – Falei com a voz saindo quase como um sussurro.
- Desc...Descul...Desculpe – Ela balbuciou. – Desculpe, mas eu preciso... –ela deixou as palavras morrerem no ar e começou a andar em minha direção como uma serpente prestes a dar o bote.
Cada passo que ela dava em direção a mim, sentia que meu coração pulava como que tentando sair de dentro mim e ir até as mãos do monstro que um dia poderia ter sido Carol, ela estava cada vez mais próxima, cada vez mais perto e por incrível que pareça em nenhum momento deste desfilar dela em minha direção, senti medo, foi algo mais parecido com um misto de fascínio e paralisia, algo que nunca serei capaz de explicar e que nunca mais quero sentir. Comecei uma luta interna para retomar o controle do meu corpo, porem foi uma luta inútil, pois a única parte de mim que respondeu aos meus comandos foram meus olhos, que apenas tiveram tempo de libertar uma lagrima de medo e minha boca que soltou minhas ultimas palavras como humana:
- Não faça isso, por favor, você não é um monstro. — Falei quando a segunda e ultima lagrima rolou por minha face enquanto Carol cravava suas presas em minha pele rasgando-a, perfurando minha carótida e sugando com desejo e urgência algo vital de qualquer ser, meu sangue.
Talvez fosse a força com que ela sugava ou talvez fosse a quantidade de sangue que já tivesse bebido do meu corpo, fez com que eu entrasse em estado de semiconsciência, onde comecei a projetar imagens, dentre elas, estava em uma praia, ao por do sol com meus lábios próximo aos cabelos de Antonie, que estava com seus em meu pescoço, dando leves beijos e sussurrando frases de amor que me levavam a loucura, porém quando Tonie se aproximou novamente e me preparei para um próximo beijo ao invés de um, ele mordeu-me. Senti uma dor aguda retomando a consciência vendo-me em uma rua próxima a minha casa e tendo um vislumbre de Carol sobre mim, como se já não estivesse mais em meu corpo, como se fosse um espirito olhando para minha carne a ser sugada até a morte, queria gritar, bater e livrar-me daquele ser que queria destruir-me , porém não havia mais forças suficiente em mim e quando pensei reunir o ultimo fio de esperança que parecia ter me sobrado, vi algo terrivelmente assustador, surpreendente e totalmente confuso, vi as asas de Carol, Grandes, esplendidas e dividas em duas cores, uma inteiramente preta e outra inteiramente branca, como se elas representassem o bem e o mal existentes dentro de todos nós, mas naquele momento porém apenas reinasse nela a escuridão.
Tentei me aproximar e tocar as asas daquele ser tão glorioso e monstruoso ao mesmo tempo, mas quando estava a um único centímetro de toca-la , ela simplesmente me soltou, deixando-me cair ao meio fio, chorando agachou-se e de dentro de si começou a emergir uma luz límpida e azul como a agua cristalina de uma caverna, como um poder divino de anjo, ainda assim continuei seguindo em sua direção, mas quando a luz tocou meu corpo, senti uma tontura inexplicável e extremamente forte, naquela hora tive certeza de que estava morta.
Notas finais
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