Animatronic's Saga - Foxy, the pirate
5 A mordida de '87
Fui acordado por risadas infantis chegando, mas fiquei ali parado, apenas observando o local, escondido atrás dos presentes. Era tão adorável ver todas aquelas crianças animadas e ao mesmo tempo assustador como elas eram violentas com Magle, se eu tivesse um estomago, acho que ele teria ficado revirado. Via a robô da Toy Chica entregando bolo para uma garota de cachinhos bastante 50's negros com uma fita verde e olhos amendoados castanhos, seu vestido era preto e bordado em verde limão e seus sapatos eram verde escuro. Como usava uma fita escrito aniversariante, acreditava que era festa dela.
Ela lembrava muitas crianças que eu já vira, o que me deixavava impressionado como ela era realmente bonita. A beleza humana era algo fascinante, principalmente das crianças, a qual possuem uma doçura e a falta de malícia inexistente em um adulto. Essa garota denominada Samantha parecia possuir uns nove ou dez anos, entretanto agia como tivesse um pouco menos.
—Samantha, vem tirar foto com os bonecos.—Ouvia uma voz de uma mulher madura chamando a garota, parecia ser sua mãe ou algo do tipo. Levantei o tapa-olho que possuía um dos olhos turvos, mas que ainda funcionava melhor que hoje em dia e fiquei espiando de um jeito mais claro.
—Tá bom mama!—Ouvi seus pezinhos fazendo "tac-tac" no chão devido a sapatilha, uma risada nostálgica saiu de minha boa de um modo esquisito devido a caixa de som falhada. A garota chamada Samantha olhou para trás como se estranhasse algo e saiu da Cova das Crianças apressadamente.
Não parecia ter nada de estranho, imaginava que Freddy deveria estar blefando. Observei então Jeremy e outro alguém com ele bem mais descontraído, bebendo um copo de refrigerante. O estado de Jeremy estava bem exaustivo, ainda mais que ele teve que tomar conta da noite e ainda iria ficar um pouco no turno da manhã. E a noite seis foi provavelmente a noite mais difícil que ele deve ter enfrentado. Então era óbvio que estava exausto. O outro guarda deu uns tapinhas reconfortantes em Jeremy.
—Hey, cara, não fique com essa cara, veja você está na manhã, não terá mais problemas agora!—Disse num tom brincalhão.—E olha, o clima de manhã não é mais adorável?
—Não é isso... Ontem, eu pensei ver... Alguma coisa.—Disse coçando a nuca.
—Provavelmente foram os animatrônicos com defeito, mas eu já disse que isso era normal, é só um erro nos dados deles.
—Eu não acho que seja só isso...—Falou.—Eu suspeitava que era só isso, mas ontem eu vi uma coisa...
—Uma coisa?—O outro perguntou.
—Um boneco dourado, mas não só um boneco dourado, era a cabeça do boneco dourado... Mas ela simplesmente desapareceu...—Disse nervoso.—Eu acho que a modificação dos bonecos... Não foi só um mal acaso.
Me pensou na possibilidade dele ter visto o boneco dourado também, mas se ele viu algo só como uma cabeça flutuando poderia muito bem ser uma alucinação, ou realmente um fantasma? Eu queria me aproximar para poder ouvir melhor, mas eu sabia que definitivamente era uma péssima ideia. Ajeitei-me melhor atrás daquela pilha de presentes. Uma risada vinda do outro cara.
—Calma aí, cara, talvez estivesse vendo coisas, fantasmas e coisas do tipo não existem, olha só, o local vai fechar por tempo indeterminado depois dessa festa, é bem provável que eles ajeitem os bonecos para não perseguir os outros, não é?
—É... Você deve ter razão...—Olhou com o rosto pálido para a pilha de presentes, abaixei-me rapidamente, esperando que ele não tenha reparado.—Alí, olha...!
—Olhar o quê? Você está bem...?—Perguntou o outro guarda, com um tom levemente preocupado.
—Nada, eu pensei ter visto... Deixa para lá.—Abaixou o olhar, Samantha havia voltado, estendia um bolo em suas mãos.—Ahaha, não obrigado, diferente desse aí—Fitou o outro guarda que terminava o refrigerante—eu estou trabalhando e é insensato pegar coisas da festa.
—Tudo bem! Tio Jeremy, posso subir nas suas costas?—Aquela garota era sobrinha dele? Ou era só mais uma criança que denomina qualquer adulto "tio" ou "tia"?
Jeremy riu baixo e colocou a garota nas costas, que ficava rindo como se divertisse mais do que nunca. Via outras crianças rodando ele (Menos um que estava mais quieto brincando com Magle um pouco recluso), parecia que ele tinha jeito com crianças, e de certo modo, foi a primeira vez que fiquei feliz por ter feito todo aquele esforço para poder mantê-lo vivo. Um riso falho e abafado escapou da minha boca, devido a caixa de som danificada, acho que em outra situação, poderiamos ter sido amigos, não é?
—Está na hora dos parabéns!—Toy Freddy e Toy Bonnie apareceram com um enorme bolo em mãos, as outras crianças correram apressadamente até elas.
Até que eu reparei algo sobre as configurações deles: Eles pareciam ser mais céticos aos adultos, e de manhã só ficavam os observando. Será que era um tipo de modo agressivo mais "light"? Ignorei isso por um extante. O menino que brincava com Magle olhou para cima tímido ao ouvir um chamado por Jeremy:
—Mike, não seja tímido, vem com a gente!
O mesmo seguiu os outros um pouco relutante. Jeremy o colocou no ombro como fizera com as outras crianças e foi seguindo os bonecos, um pouco mais radiante, mas ainda cansado. Via as crianças seguindo os novos animatrônicos bastante animadas, a mãe de Samantha segurava a sua mão, até que ela olhou para trás e se soltou da mão da mãe, aproximando da caixa onde Puppet ficava e tocava animadamente. Sentia os olhos dela brilhando de curiosidade, mas não conseguia compreender de primeira o que era tão impressionante.
—Mama, tem alguém atrás da caixa...—"Droga...!" Pensei, logo olhei para cima, a ponta da minha orelha. Fiz um movimento para baixo, mas parecia ser tarde de mais, sentia fome, raiva de Freddy e desesperado para que ela não se aproximasse.—É um amiguinho como os outros?
"Filho da puta", esse foi o único adjetivo que me passou em mente sobre Freddy, e então havia sacado. Ele não faria um dos bonecos atacarem alguém. Era bem mais articuloso e perverso. Ele faria com que EU atacasse alguém. E todo o controle que eu possuía havia sido modificado por alguma coisa. Me afastei levemente, mas os passos dela se aproximavam de curiosidade e doçura.
—Mama, olha! Ele está dodói!—Ela me olhou com um ar de pena.
—Oh, droga...—Jeremy colocou o chamado "Mike" no chão e andou até Samantha, a puxando levemente para trás.—Não se aproxime dele, ele está... Hum... Com defeito, e é velho.
—Tio Jeremy, ele não é velho, só não tem quem amar! Tadinho!—Falou birrenta, tirando a mão de Jeremy da frente e se aproximando mais e mais. —Qual o seu nome?
—"Foxy, o pirata".—Saiu falha, como o esperado, mas parecia até compreensível, ela deu um sorriso tão inocente que me fez lembrar as antigas crianças que conhecia antigamente, o que me fez sentir-me grato e ao mesmo tempo assustado.
"Eu não quero fazer isso, eu não posso fazer isso!"
—Olha! Olha! Ele fala também!—Apontou, Jeremy correu para poder impedí-la de se aproximar mais, eu estava com medo de fazer alguma coisa. Eu não iria, eu definitivamente não poderia...
Mike correu até Samantha e agarrou seu braço curto, seu rosto parecia completamente rubro, será que ele gostava dela, não no sentindo romântico, mas sentia algo forte por ela? Observando bem, ele parecia ser uns dois anos mais velho no máximo que Samantha.
—S-Sammy, Jeremy falou para não se aproximar daquela coisa, é melhor voltar...—Ambos estavam muito próximos, sentia a engrenagem começar a girar de uma forma absurda, o que causava um rangido suspeito.—E olha, é hora do parabéns! Não acha que é melhor deixarmos esse... Err... Sei lá... Para lá, vamos...
—Mike, você também tem que voltar, não é seguro crianças ficarem perto dessa coisa.—Jeremy advertiu, de certo modo me olhando com medo, será que era por não ter nenhuma lanterna na sua mão? Ele achou que eu iria atacar? É ele poderia estar tecnicamente certo...—Agora vão, eu vou... Guardar essa coisa.
—Não! Me solta Mike!—Ela estava me defendendo, o que me deixava de certo modo em choque. Vi ela soltando da mão de Mike e correndo na minha direção e prestes a me abraçar. Seus braços se abriram de pura caridade e sua pele pálida mostrou o rubor de sua face com um sorriso estridente.
Eu ia atacá-la, sentia isso, mas eu não queria, não podia fazer isso....
E então aconteceu.
Mas foi tudo tão rápido e ao mesmo tempo... Inesperado.
Quando ela estava para me abraçar, minha boca abriu e eu estava prestes a pular em cima dela, quando vi Jeremy puxando o braço de Sammy para trás e ele indo em minha direção, minha boca cravou em sua testa e o empurrou para o chão, enquanto mordia fortemente sua cabeça. Via o se debater no chão tentando tirar-me de cima dele, mas mesmo que eu quisesse não conseguia, minha boca havia ficado presa e minha mandíbula parecia ter quebrado devido o impacto com seu crânio e eu via tudo vermelho.
A garota chamada Samantha ficava gritando coisas que eu não ouvia, mas quem pareceu mais abalado com isso foi Mike, que me olhava com um horror familiar de tantos que eu já vi, seu rosto estava completamente pálido. O menino vomitou e começou a gritar correndo da Caverna e aparentamente em pânico, alguém que parecia ser seu responsável o seguiu desesperado, o outro segurança fazia força para tirar a minha boca da cabeça de Jeremy, que goufava sangue. Ao conseguir, pediu para levarem-me para o depósito e me tiraram do chão, via Samantha puxarem os braços deles, mas não surtiu efeito. Meu focinho havia manchado de sangue de um inocente.
Ouvi de longe o cara balançando o corpo de Jeremy desesperado.
—Hey, cara! Fala comigo, por favor...! Alguém chama um médico! Jeremy, você está bem, fale alguma coisa...! JEREMY!
Logo me jogaram no depósito com brutalidade, eu estava ainda em choque. Jeremy havia sido morto? Não sabia pois não fiquei para descobrir, mas pelos gritos do outro guarda era bem possível que sim, o que me fez sentir extremamente culpado. Puxei meu corpo para a parede e apoiei minha cabeça sobre minhas pernas, com a mão a cabeça puxando-a, como se quisesse tirar aquilo de mim, enquanto o gancho rasgava o que restava da vestimenta.
O gosto do pedaço da cabeça dele ainda empestava a minha boca e eu não conseguia ficar triste ou feliz, por mais que eu tentasse, era mais um tipo de catatonia e medo. Eu só podia gritar e gritar. Destruir de vez minha caixa de voz e se eu tivesse sorte, destruir-me. E assim eu o fiz, gritei, mais gritei tão alto que o uivo poderia ser ouvido da festa que estava caótica por apenas uma falha.
"CHEGA!" Eu gritava "Eu não quero mais isso!" Berrava ainda mais.
Uma sombra estava acima de mim, levantei o rosto fracamente.
Ao reparar que era Freddy se aproximando, levantei-me na hora, rangi os dentes e apontei meu gancho para a ponta de seu nariz, ele simplesmente riu, o que me deixou mais irritado.
Eu queria matá-lo, esfolá-lo e espancá-lo! Eu sentia tanta raiva naquele momento que não era como se eu pudesse resumir aquele sentimento. Não me aguentei e gritei, acho que se eu pudesse estaria chorando de raiva ou meu rosto estaria em chamas de tanto ódio:
—Qual era a necessidade disso?!—Senti-me chorando aos poucos.—Que tipo de brincadeira é essa, seu doente?!
—Puff... Apenas um modo de tentar lhe dar uma lição, mas confessa...—Deu um riso abafado.—Isso foi hilário... Eu sinceramente imaginei que acabaria matando uma de suas amáveis crianças... Mas foi tão irônico que chega a ser engraçado. Você fez tanto para protegê-lo e agora... Você não consegue nem tomar conta de você mesmo, como pode proteger outra pessoa? Chega a ser engraçado. Pobre Jeremy....
—Idiota...!—Chutei a poeira no chão e logo o olhei, não com raiva, mas desafiante.—Eu... Eu irei... Eu ainda irei proteger alguém.—Falei declarando de certo modo, guerra com o tom de voz choroso.—Eu ainda salvarei alguém de você, não importa quem. Eu conseguirei, e quando eu conseguir isso, eu matarei você e trarei Bonnie e Chica de volta a sanidade!
—Sanidade? Você acha que um de nós possuí isso? Até você deve ser tão louco quanto eu.—Riu.—De qualquer modo, vou entender isso como um desafio.
—Se a carapulça serviu...—Cerrei os olhos.
Eu não iria deixar com que esse jogo doentio de crianças amaldiçoadas usadas para criar bonecos demoníacos devoradores de pessoas continuasse. Eu iria continuar lutando, não importasse quanto tempo, aquilo iria acabar. Eu tinha toda certeza do mundo para isso. Não queria ver mais pessoas morrendo por minha causa ou pela dos outros. Eu só queria fazer as crianças felizes e tudo acabou desse jeito caótico e talvez incorrigível. Minha boca não fechava mais, o que dificultava ainda mais para falar.
Ainda assim, com toda essa energia pesada e tanta tragédia em menos de quatro semanas dês que o Freddy's reabriu... Eu não poderia desistir de um modo tão idiota. Eu ainda iria me vingar de Freddy, fazê-lo pagar da mesma moeda.
Mas havia uma verdade em tudo que ele falou. Talvez eu e Freddy não sejamos muito diferentes, ambos temos princípios e ambos fazemos o possível para cumprí-los. O pior era que ele sempre saía ganhando nesse quesito. Por causa dele eu matei uma pessoa a atoa e provavelmente traumatizei duas crianças. De qualquer modo eu declarei entre unhas e dentes apenas uma coisa: Não importasse quantas vezes eu passasse por esse ciclo sem fim de mortes, eu ainda iria conseguir fazer com que tenha ao menos um sobrevivente que saía lúcido daquele lugar. Essa era minha meta de "vida" e eu faria qualquer coisa para realizá-la.
Esse era meu único objetivo.
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