Animals
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Ao retornar a enfermaria, Hermione encontrou não só Madame Pomfrey, mais o Professor Dumbleadore cada um de um lado da cama de Damon.
– Então Srta.? Onde exatamente encontrou esse rapaz? — ele perguntou.
– Professor... Acho que se eu falar o senhor vai me achar maluca.
– Hermione, querida, se formos vistos por outros olhos, todos seremos taxados de estranhos por quem não entende em que mundo vivemos. E alias nada mais pode me surpreender — o professor deu uma piscadinha brincalhona por trás das lentes dos óculos meia lua.
– Tudo bem — disse colocados os livros que tinha em mãos na mesinha e se sentou na cama que ficava ao lado da de Damon.
Após respirar fundo ela começou a contar como havia encontrado Damon, desde o momento que o clarão tomou o céu, até quando chegou a enfermaria, omitindo é claro o segredo de Damon por enquanto. O professor ouvia tudo atentamente.
– Entendo — ele disse alisando a barba. — É só isso que tem a me dizer Srta.?
Mesmo sabendo que o professor sabia que ela ainda escondia alguma coisa, Hermione em seco.
– Não professor. Não tenho mais nada a dizer — tentou manter a voz firme.
Ele concordou com a cabeça e emendou em uma conversa com a enfermeira pra decidirem que iriam fazer em relação a Damon e como iriam ajuda-lo enquanto não soubessem o que fazer.
Hermione olhou para rapaz e suspirou aliviada. Ainda bem que o professor não a tinha pressionado a contar o que estava escondendo. Pegou o livro e o abriu.
Hermione ia para as aulas pela manhã e a tarde ficava com Damon. Ela já estava ficando preocupada pelo fato de estar quase sendo impossível achar algo que o ajudasse em livros. Ela não sabia mais a quem recorrer. Estava sendo um enorme dor de cabeça. Essa falta de informação a estava matando.
Olhou para Damon, desolada. Ele estava mais pálido que o normal e a febre era sempre muito alta. Se ele fosse uma pessoa normal ele já estaria morto há muito tempo. Mas mesmo ele sendo o que era as chances dele sair vivo estavam caindo a cada minuto que ele passava desacordado.
Ela suspirou fechando mais um livro e encostando sua cabeça sobre a cama que ela estava usando como escrivaninha. Esta se encontrava cheia de livros relacionados ao tema lobisomem e vampiro.
– Mas que droga – disse frustrada – não é possível que não haja nada.
Se levantou da cadeira e caminhou até a cama de Damon. Retirou o pano molhado que ele tinha na testa e substituiu por outro, isso estava ajudando a manter a febre dele um pouco controlada.
Ouviu a porta se abrir e olhou. Era o diretor.
– Sabia que iria encontrá-la aqui senhorita Granger.
– Eu estou tentando ajudá-lo diretor, mas não mais o que fazer – suspirou derrotada.
– Entendo – se aproximou dela – mas desistir não é uma qualidade dos grifinórios. Eu sei o que me esconde sobre esse rapaz.
– E eu sei que sabe senhor. Por isso não achei necessário te dizer – deu de ombros. – Mas o que vamos fazer? Ele não tem melhorado parece que a cada dia esta pior. Me sinto impotente em não conseguir achar uma solução.
– Madame Pomfrey também se encontra desse jeito. Mas dessa vez as respostas que tanto procura não se encontra em livros.
Ela girou rapidamente a cabeça em direção ao professor.
– Como assim. Tem que ter alguma coisa. Ele vai morrer se eu não achar algo logo – Hermione começou a se desesperar.
– Calma pra tudo se acha uma solução.
– Então existe uma?
– Não sei, mas pensando em minha sala me veio uma idéia a cabeça que talvez possa dar certo.
– Não custa nada tentar. Já não há mais nada a se fazer.
Ela ficou um tempinho em silencio perdida em pensamento. Só acordou quando ouviu os passos do professor se afastando.
– Espere diretor – ele parou a porta. – O que eu devo fazer?
– Use a lógica querida. O que um ser como ele mais precisa para viver?
Ela pensou um pouco. Dumbleadore sorriu quando viu os olhos dela se iluminarem ao ter entendido o que ele queria dizer.
– Ah. Como não pensei nisso antes – Hermione sentiu vontade de se bater.
– Boa sorte – ele disse saindo da enfermaria e fechando a porta atrás de si.
Puxando sua varinha dos cabelos – ela a tinha usado para segura-los em um coque – e apontou para um dos panos que tinha em mão e o transfigurou em um pequeno punhal. Erguendo o punho direito e com a mão esquerda ela aproximou o punhal do pulso ate sentir o metal frio contra sua pele. Olhou para Damon e fechou os olhos enquanto cortava o pulso.
Mordeu o lábio inferior para evitar que um gemido de dor saísse deles. Deixou que o punhal caísse de sua mãos e abrindo os olhos se curvou sobre Damon erguendo sua cabeça com a mão esquerda e aproximando o pulso que pingava sangue do rosto dele.
– É melhor que isso dê certo. Eu não sei mais o que fazer – disse quando seu pulso já se encontrava encostado contra os lábios dele. – Vamos rapaz. Reaja. – ela sentiu os olhos encherem de lágrimas ao ver que ele não tinha nenhuma reação. – Por favor Damon. Reaja.
Ela já estava desistindo e começou a afastar o pulso da boca dele, quando se assustou ao sentiu que uma mão grande segurou se braço e gritou quando ele cravou os dentes em seu pulso. Tinha doido a beça.
– Merda – disse mordendo os lábios fortemente evitando gritar novamente já que alguém poderia aparecer.
Apertou os cabelos negros dele quando o sentiu começar a sugar seu sangue com força.
– De... devagar...
Ela esperou alguns segundos e tentou afastar o pulso dos lábios dele, mas ele não deixou.
– Damon – disse firmemente – me solte.
Ele abriu os olhos escuros e com as veias escuras aparecendo ao redor deles e a encarou com os olhos predatórios.
– Me solte – tornou a dizer. Sentiu que já estava começando a ficar fraca. – Por favor.
Ele fez o que lhe foi pedido e ela caiu sobre os joelhos respirando rapidamente. Estava morrendo de medo que ele não parasse. Mal se agüentava em pé. Ergueu a cabeça e viu que ele a encarava. Lambeu os lábios sujos de sangue e os olhos voltaram a cor azul original.
Hermione se apoio na cama e impulsionou o seu corpo para cima, perdendo o equilíbrio ao perceber que suas pernas não agüentavam o seu peso. Se jogou na cadeira sobre o olhar atento dele e pegou uma das toalhas a colocando sobre o pulso. O estrago nele era muito feio depois daria um jeito nisso, primeiro tinha que estancar o sangue.
– Como se sente?
– É você que esta sangrando e não eu – a voz dele soou rouca e baixa pelo tempo sem ser usada.
– Me parece que bem – disse sarcástica. – Parece que o diretor tinha razão afinal.
Hermione se curvou e pegou sua varinha no chão. Retirando a toalha do ferimento. Damon a olhava sério enquanto ela fazia um feitiço não verbal e o sangramento parava. Ela olhou para ele.
– Então agora que você está mais lúcido poderemos saber o que aconteceu – a morena disse. – Como você chegou aqui afinal?
– Não sei. Não me lembro de muita coisa.
– A culpa provavelmente é dessa mordida de lobisomem em seu pescoço.
Ele levou a mão ao pescoço e se encolheu de dor.
– Mas o que? Isaiah eu vou te matar desgraçado.
– Você teve muita sorte de ter sobrevivido. Uma pessoa normal teria morrido assim que recebesse a mordida. Também levando em consideração a sua atual natureza – ela deu de ombros.
– E mesmo sabendo você não pensou duas vezes antes de colocar seu pulso na minha boca – disse irônico rolando os olhos.
– Era isso ou você iria morrer. Não custa nada me agradecer – ela retrucou.
– Não vou fazer isso – cruzou os braços, irritado.
– Sei que um dia vai. Não precisa ser hoje. Não tenho pressa.
– Onde eu estou afinal de contas? – Damon perguntou olhando ao redor.
– Hogwarts. Escola de Magia
– Nunca ouvi falar. Nem sabia que existia uma escola para bruxas. Onde fica? Foi o Stefan que me mandou para cá?
– Tenho certeza que nunca ouviu. Estamos na Inglaterra. E eu não sei quem é Stefan.
– Então como eu vim parar aqui?
Ela narrou tudo o que viu até aquele momento. Damon ficou pensativo por alguns minutos. Hermione deduziu que ele estava tentando se lembrar de tudo.
– Qual é o seu nome? – ele perguntou por fim.
– Hermione Granger.
– Damon Salvatore – acenou com a cabeça.
A porta da enfermaria se abriu e por ela passou uma senhora de vermelho e branco.
– Olha só quem está acordado – ela disse.
– Boa tarde Madame Pomfrey.
_Srta Granger – a cumprimentou. – Então conseguiu achar um jeito de ajudá-lo? Cada vez mais estou surpresa com a Srta. Então rapaz – se aproximou dele – como se sente?
– Normal – ele deu de ombros.
Ela o examinou.
– Sim definitivamente você está normal. Tudo ok.
– Então o nosso convidado melhorou! – uma voz soou as costas da enfermeira.
Dumbleadore estava em pé com os braços para trás das costas.
– Quem é o senhor? – o moreno perguntou arqueando a sobrancelha.
– Alvo Dumbleadore. Diretor dessa escola.
– Hum.
–Srta Granger acho que já está na hora de você ir. Precisa descançar.
– Mas... Professor. Eu não posso ficar só mais um pouco. Quero conversar mais com ele.
Ele a olhou com os olhos brilhando por trás das lentes dos óculos e por fim disse.
– Por que não. Só não demore a voltar para o seu dormitório. Precisa mesmo descansar. Madame Pomfrey dê uma olhada no pulso da Srta Granger por gentileza. Vou pedir para trazerem comida para vocês. Amanha teremos que conversar Sr Salvatore – disse a Damon que concordou com a cabeça;
Ele saiu da enfermeira.
– Deixe-me ver o seu pulso Hermione.
Ela fez o que lhe foi pedido e recebeu um olhar de reprovação da enfermeira.
Assim que ela recebeu o curativo e a enfermeira se afastou, um elfo apareceu trazendo uma grande bandeja de comida. Hermione pegou a bandeja e arrumou em cima da mesa de cabeceira.
– O que é essa coisa? – Damon perguntou com os olhos arregalados.
– Eu não sou uma coisa Senhor. Meu nome é Lipsy. Sou uma elfa domestica.
– Não ligue pra ele querida. Ele nunca viu um elfo – disse a morena para a pequenina enquanto mexia em um prato pegando umas batatas. – Tome. Obrigada por nos trazer a comida querida – sorriu para ela.
A elfa meio receosa pegou as batatas com os olhos cheios de lagrimas.
– Obrigada Senhorita.
– De nada meu bem. Pode ir. Se precisar eu te chamo.
Ela sorriu grandemente e sumiu em um “pop”.
– Esse tipo de coisa realmente existe? – Damon perguntou finalmente.
– Sim. Mais no mundo bruxo existe coisas realmente mais perigosas que um elfo doméstico. Muito mais perigosos.
– Acho que estou ficando louco. Aquela quantidade de Bourbon que eu tomo deve estar afetando o meu cérebro já morto – ele disse ironicamente.
– Com certeza, já que álcool faz mal para o cérebro — Hermione retrucou sarcasticamente.
Ela foi até os pés da cama dele e puxou a mesinha móvel.
– Sente-se – pediu.
Resmungando ele fez o que foi pedido. O lençol escorregou mostrando o seu peito nu. Hermione sentiu suas bochechas esquentarem.
– Que foi boneca? Nunca viu um homem sem camisa? – perguntou sedutor.
– Cale-se criatura – ela arrumou a mesa e colocou a bandeja sobre ela. – Bom apetite – pegou um dos pratos e se sentou na cadeira.
Ele ficou olhando para a bandeja.
– Não tem algo vermelho e viscoso não?
– Não.
Damon deu de ombros e retirou a tampa que havia sobre o prato. Quando o cheiro da comida chegou ao seu nariz sua boca salivou e seu estomago roncou e isso não era natural já que não tinha fome por comida humana.
– Eu não estou bem. Nada bem – disse.
– Isso eu já percebi. Vamos arrumar um jeito de descobrir o que esta acontecendo com você, mas peço que tenha paciência. Agora coma.
– Irritante – reclamou antes de pegar o garfo e levar à comida a boca.
Hermione o olhou através dos olhos estreitos, mas não disse mais nada. Mais uma coisa ela tinha certeza. Ele iria lhe dar muito trabalho.
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