Animal Instincts
18 Choro.
Notas iniciais
– Kurt, vá devagar, nós podemos bater desse jeito!
– Mas Blaine, minha casa pode está sendo roubada nesse exato momento!
– Eu sei meu amor, mas se batermos nós nunca chegaremos lá a tempo! A estrada está escura.
– Tem razão...
– Pare ali no acostamento, me deixa dirigir. Você está muito nervoso.
Kurt parou como Blaine pediu e trocou e lugar com o noivo.
– Blaine, e se realmente acharmos um ladrão lá dentro, o que vamos fazer?
– Nós iremos chamar a polícia, escondidos em segurança. – o moreno desviou sua visão da estrada para olhar o castanho rapidamente – Meu amor... – Kurt pareceu sair de algum pensamento e encarou Blaine – Eu sei que está nervoso, mas me promete que não vai tentar nenhuma loucura, eu estou aqui pra te ajudar e te proteger, se algo lhe acontecer, eu não me perdoaria...
– Eu... Eu estou com medo, Blaine. Medo de descobrirem algo do meu passado. Sei que sou errado, mas eu só queria conseguir tentar me reconstruir com você e não queria que nada desse errado.
– Nada dará errado, Kurtie, acredite em mim.
Blaine continuou dirigindo e o resto da viagem de volta foi um completo silêncio, só se ouvia a respiração de Kurt que parecia ficar cada vez mais ofegante a cada quilômetro mais próximo de sua casa. Anderson estava também muito preocupado, ele não tinha ideia do que fazer se encontrasse um assaltante lá. Ele só tinha a certeza que seria capaz de qualquer coisa pra deixar Kurt seguro, até mesmo tomar um tiro no lugar dele, se fosse preciso.
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Finalmente Kurt e Blaine chegaram à rua da casa do médico. Eles ainda estavam na esquina, umas três casas antes da certa quando Blaine estacionou o carro de repente.
– Blaine, o que está fazendo?
– Vamos a pé daqui, se o ladrão ouvir o barulho do motor do carro, ele poderia reagir e não sabemos se ele está armado. Pegue o seu celular e coloque no silencioso caso alguém ligue…
– Tudo bem…
Os dois foram praticamente na ponta dos pés, Kurt mal respirava de ansiedade enquanto Blaine fez questão de tomar a frente. Quando já estavam na casa vizinha, perceberam que não havia mais nenhuma luz acesa ou janela aberta como Jane havia dito.
– Blaine, será que já foram embora?– Kurt disse num sussurro.
– Eu não sei, isso está muito estranho. Porque o ladrão teria o cuidado de fechar a janela e deixar tudo como antes?
– E outra, como ele arrombou minha janela sem ao menos quebrar um vidro?
Um breve silêncio se instalou entre os dois como se eles estivessem esperando uma resposta para suas dúvidas. Porém, de repente, um choro baixo e abafado foi ouvido.
– Tem alguém chorando…
– Será que é lá dentro?
– Blaine, eu vou entrar!
– Eu vou com você!
O casal se levantou e Kurt pegou a chave que estava no seu bolso enquanto Blaine procurava alguma coisa no jardim para se defender, mas acabou não encontrando nada. Kurt respirou fundo e lentamente girou a chave na fechadura e depois a maçaneta. Assim que a porta foi aberta, o choro pareceu aumentar, porém ainda estava abafado. Blaine, que estava atrás de Kurt, se prontificou em logo achar o interruptor e acender a luz.
A primeira visão que tiveram foi de uma mulher amarrada e amordaçada numa cadeira. O choro era dela.
– Jane!
Kurt se apressou em ir tirar a mordaça da mulher que balançava a cabeça em negação parecendo avisar alguma coisa para o médico, mas mesmo assim ele foi até ela.
– Jane, o que está acontecendo? Eu recebi sua mensagem e vim correndo! Quem te prendeu aqui?
– Não fui eu quem te mandou mensagem Kurt!
– Não!
Blaine gritou de repente dando um salto sobre o intruso com uma faca de cozinha na mão. Kurt se virou assustado para olhar em quem Blaine havia pulado e quando viu, conseguiu identificar. Adam.
– O que você está fazendo aqui!
– Kurt, ele disse que queria vingança, ele me pegou de refém, pegou meu celular e te mandou aquelas mensagens se passando por mim pra te atrair até aqui!
– Me solta! Eu vou te matar Kurt!
Blaine estava segurando Adam no chão sentado em cima dele e tentando prender suas mãos também no chão. Adam tinha em uma de suas mãos uma faca grande que ele havia pegado na cozinha de Kurt e tentava de todo jeito se soltar ou acertar Blaine de alguma forma, porém o moreno era mais forte. Enquanto Adam desviou sua atenção por alguns momentos ao Hummel, Blaine aproveitou e acertou um soco certeiro na mandíbula do outro homem debaixo dele. O golpe o deixou zonzo por um tempo suficiente para o Anderson tirar a faca das mãos dele e jogar pra longe.
Kurt ainda terminava de soltar Jane da cadeira enquanto isso.
– Jane, vai lá pra dentro, se esconda! Eu preciso ajudar Blaine e não quero que você acabe se machucando também!
A mulher assentiu atônita e correu para direção onde Kurt apontou, entrando na primeira porta aberta que encontrou.
Kurt tentava ajudar Blaine, mas não via como, já que os dois estavam atracados no chão trocando socos e tapas.
De repente, num momento de distração do casal, Adam se desvencilhou de Blaine e conseguiu correr e recuperar a faca. Pegou Kurt pelo colarinho e o arrastou até a parede mais próxima para encara-lo. Blaine ficou estático, ele lembrou-se da cena de quando seu irmão assassinou seu pai. Ele viu que não tinha o que fazer. Qualquer movimento brusco, Adam podia muito bem afundar a faca na barriga de seu noivo e seria tarde demais.
Kurt alternava o olhar entre os olhos cheios de ódio de Adam e os olhos, agora vazios e indecifráveis, de Blaine.
– Finalmente terei minha vingança Kurt, agora eu tenho você exatamente onde eu queria!– Adam encostou a ponta da faca no coração do castanho — Porém não vou lhe matar assim tão rápido, primeiro eu vou te torturar, do mesmo jeito que você fez comigo…
Adam estranhou o silêncio e que o olhar de Kurt estava apontado pra outro lugar, por isso olhou pra trás. Ele encontrou um Blaine ainda parado e sem expressão alguma no rosto.
– Parece que no fim o seu namoradinho é um covarde, não é mesmo?
– Ele não é simplesmente meu namoradinho Adam…– Kurt pela primeira vez falou — Ele é meu noivo e eu o amo, sendo ele covarde ou não.
Ao ouvir aquilo, Adam ficou com mais ódio ainda e encaixou o seu antebraço no pescoço de Kurt, o sufocando enquanto ainda empunhava a faca em direção ao coração do castanho com a outra mão.
Foi nesse momento que Blaine pareceu despertar e viu que Kurt se debatia tentando se soltar, mas ele não tinha muita saída, pois se conseguisse se livrar do antebraço do loiro, com certeza ele ganharia uma apunhalada direto no peito no mesmo instante.
– Adam…– Blaine disse de repente assustando o loiro e seu noivo — Adam…?
O loiro afrouxou levemente o seu antebraço e olhou pra trás na direção do moreno que agora tinha uma expressão completamente relaxada pra quem estava assistindo ao noivo ser quase assassinado. Kurt o olhou também tão confuso quanto Adam.
– O que você quer? Não vê que estou ocupado tentando torturar e matar seu noivinho?
– Eu tenho uma proposta pra te fazer…
Blaine tomou um passo à frente e no mesmo momento Adam apontou agora a faca na direção do moreno que apenas levantou as mãos em sinal de rendição com um meio sorriso no canto da boca.
– Ei calma, eu não vou tentar nada contra você, eu só quero conversar… Pode abaixar essa faca.– Adam o encarou por incontáveis minutos, até que finalmente abaixou o utensílio — Obrigado! Deixa eu te ajudar a prender ele pra podermos conversar melhor, ou você pode se distrair e ele se soltar.
Blaine se virou e buscou a cadeira, as cordas e a mordaça que antes prendia Jane. Posicionou na frente de Adam e foi pegar Kurt, segurando firmemente suas duas mãos pra trás. O conduziu até a cadeira sentando ele nela e o amarrando logo em seguida. Kurt, como estava muito confuso com aquilo tudo, nem tentou reagir a Blaine e se deixou prender na cadeira. Blaine estava estranho, Kurt tentava de todo jeito encontrar seus olhos para tentar decifra-los, porém era em vão. Depois de amarrar o castanho na cadeira, Adam por precaução foi conferir se os nós do moreno estavam de fato bem apertados ou era apenas um disfarce.
O loiro examinou e contatou que os nós de Blaine estavam mais apertados que os seus e aquilo de certa forma lhe deu um pouco mais de confiança em Anderson. Depois de amordaçar o cardiologista, Adam sem soltar a faca por um momento sequer, caminhou até Blaine ficando de frente pra ele e cruzou seus braços.
– Então, o que você quer conversar? Espero que seja algo realmente muito interessante pra me interromper.
– Claro que é interessante! Aposto que você vai gostar…– Adam balançou a cabeça esperando que ele continuasse e então Blaine mais uma vez deu um passo à frente ficando perto demais do loiro — Vamos fazer um acordo, você me deixa matar Kurt e depois nós dois fugimos juntos…
Ouvindo e assistindo àquela cena, Kurt deu praticamente um pulo na cadeira e começou a resmungar algo com sua boca amordaçada e os olhos arregalados. Afinal, o que diabos deu em Blaine?!
– O que? Como assim você matar Kurt?– Adam também estava chocado com aquilo.
– Isso mesmo! Ele fez o mesmo comigo, olhe…– Blaine com uma mão abriu os primeiros botões da sua camisa revelando sua tatuagem com uma cicatriz quase imperceptível - A diferença é que ele fez essa tatuagem pra tentar disfarçar e me embebedou pra eu achar no dia seguinte que eu estava tão louco na noite anterior a ponto de fazer uma tatuagem…– Agora o moreno arriscou alisar o ombro de Adam de forma sedutora — Depois de ele fazer isso tudo comigo, você acha mesmo que eu iria me casar com ele? Eu estava apenas esperando a oportunidade perfeita pra enfim me livrar dele!
Adam estava boquiaberto com tudo aquilo e Kurt agora chorava. Blaine o estava enganando esse tempo todo para apenas mata-lo no final? E todas aquelas palavras bonitas na praia? Todos os momentos? Todas as suas transas cheias de amor e carinho? E o noivado? Era tudo uma grande mentira e ele foi mais uma vez tolo por acreditar naquilo tudo!
– Sabe Adam…– agora Blaine subia sua mão lentamente do ombro até o pescoço e nuca do loiro e falava perigosamente próximo a boca de Adam — Desde aquele outro dia que você veio aqui, eu te achei bem interessante…
O choro de Kurt piorou ainda mais vendo aquela cena. Blaine estava mesmo se insinuando para Adam na sua frente?!
Quando os dedos de Blaine se entrelaçaram entre os cabelos da nuca de Adam, o loiro praticamente se derreteu nas mãos do moreno e sem ele perceber ou sentir, Blaine conduziu lentamente a faca que ainda estava em uma de suas mãos do loiro para trás à medida que colava mais os seus corpos. A poucos milímetros da boca de Adam, Blaine fez um corte profundo na lateral do pescoço do loiro com seus olhos fixos ao dele.
– Seu desgraçado, filho de uma puta…
Adam o xingou sem forças antes de cair no chão aos pés de Blaine.
– Você achou mesmo que eu estava lhe dando alguma condição? Parece que a puta aqui é você! Desgraçado!
Kurt no mesmo momento parou de chorar e ficou sem reação. Ele estava assustado com o que Blaine tinha acabado de fazer. Seu noivo tinha um olhar estranho para Adam caído do chão. De repente ele subiu o olhar na direção de Kurt e lá estava aquele brilho outra vez.
– Kurt! Está tudo bem?– o moreno se apressou em desatar os nós das cordas — Kurt?
O castanho não conseguiu dizer nada, ele apenas se levantou da cadeira, tirou a mordaça com os olhos fixos em Adam no chão. Ele abaixou e tocou no pescoço para verificar se ainda tinha pulsação.
– Graças a Deus… Mas o que eu vou fazer agora?
– Kurt me perdoe, eu posso dar um jeito nisso e...
– Blaine, o que deu em você? Você pareceu outra pessoa! Eu estou assustado, não sei mais se consigo acreditar em você!
– O que? Como assim?
– Aquelas coisas sobre estar me enganando pra conseguir sua vingança, você estava falando sério?
– Kurt, é claro que não! Eu disse aquilo apenas pra enganar o Adam, porque você acreditaria nisso!
– Você estava muito estranho, sombrio... Não era você.
– Mas sou eu agora amor, e confie em mim. Eu jamais seria capaz de te fazer mal algum. Eu te amo.
Kurt mesmo um pouco desconfiado, apenas assentiu e voltou a olhar Adam pensativo. Depois ele se resolveria com Blaine.
– O que vamos fazer agora?
– Eu não toquei na faca, então podemos dizer para a polícia que ele tentou se matar cortando o pescoço, mas eu o impedi. Porém ainda pegou do lado. E Jane pode nos ajudar...
– Céus, a Jane! – Kurt levantou rápido e foi procurá-la pela casa, mas antes parando no caminho – Blaine ligue pra emergência! Urgente! Adam está perdendo muito sangue e se ele morrer será muito pior!
Kurt foi procurar Jane enquanto Blaine pegou o celular no bolso discando o número da emergência.
– Emergência, boa noite, em que posso ajudar?
– Pelo o amor de Deus, eu preciso de uma ambulância urgente, meu amigo está perdendo muito sangue!
– Me dê o seu endereço e nós já estaremos à caminho!
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