Angels In My Life
2 Capítulo 2: Oh My God
Notas iniciais
Quando o loirinho que finge ser emo conhece um anjo com um passado sombrio...
Boa leitura!
Roxas já estava de frente para os pinheiros quando sua consciência apareceu para perturbá-lo. “Talvez não seja boa idéia entrar aí, eu posso me perder”, pensava ele. Balançou a cabeça, dizendo para si mesmo:
-O que há de mais?É só um bosque comum, iguais a tantos outros.
Ignorando seu bom senso, adentrou os pinheiros. De repente o clima ficou mais frio e uma nuvem de névoa caiu sobre o bosque, dando um ar mais sombrio ao lugar. Orgulhoso demais para voltar atrás, avançou vários passos na mata escura, preenchida somente com filetes de raio de sol que atravessavam as copas das árvores.
Por causa da umidade do lugar, existia muito lodo ali, deixando o solo bastante escorregadio. Roxas caminhou cerca de quinze minutos até que parou. A sua frente estava uma depressão, meio que escondida pelos ramos dos pinheiros. O mais curioso era que havia um tronco caído ligando a parte de cima até a parte mais baixa do lugar, como um escorregador, só que de madeira velha e cheia de bichos.
Roxas se aproximou do lugar. Não pretendia descer lá embaixo, mesmo que seu instinto aventureiro-insano-recém acordado exigisse isso. Ajoelhou-se no chão frio e colocou a cabeça dentro do tronco caído, querendo ver o que tinha lá embaixo, segurando num dos galhos do tronco para se apoiar.
Tentou se aproximar mais, mas quando inclinou o corpo, o galho do tronco acabou quebrando, fazendo com que caísse dentro do escorregador improvisado. Desceu em alta velocidade, caindo de mau jeito no chão, batendo a cabeça e se cortando com algumas farpas soltas.
Massageando a testa, sentou-se no chão, olhando em volta. Ficou abismado com o que viu. A sua frente estava uma pequena clareira, cercada por rochas de um tamanho considerável, e no centro do lugar, tinha um pequeno casebre de madeira, abandonado e esquecido pelo tempo.
Roxas se levantou do chão, e esquecendo a dor, aproximou-se da construção. Adentrou, empurrando a porta, que rangeu devido à idade. O lugar estava vazio, com os cantos empoeirados e teias de aranha em quase todo lugar, exceto numa mesa de madeira bem no centro do casebre.
Roxas chegou perto e viu que a mesa abrigava um livro de capa de couro vermelha. O mais curioso era que, enquanto o resto do lugar apresentava denúncias de sua idade, o livro estava totalmente intacto e preservado. Tomando-o em mãos, Roxas pode constatar que a cor vermelha do couro não estava nem um pouco desbotada, que não havia teias de aranha por cima ou sequer um grama de poeira. Folheando as páginas que deveriam estar se soltando, notou que estavam totalmente inteiras quando deveriam ter sido comidas pelas traças.
Estranho. Por todo o livro havia várias palavras que Roxas não conseguia entender. Ainda assim, era um idioma familiar, e tinha certeza que se concentrasse sua mente naquilo, poderia entender uma coisa ou outra.
Estava pronto para tentar quando ouviu o barulho de pneus em contato com a estrada de terra perto dali. Sua mãe tinha chegado. Quanto tempo teria passado ali?Minutos?Horas?
Escondeu o livro dentro do casaco e saiu da cabana. Escalou o tronco caído com alguma dificuldade e voltou ao bosque. Mesmo que o lugar fosse escuro por si só, ainda assim Roxas pode notar a diferença da claridade. Estava bem mais escuro, apesar do tempo que parecia ter passado ali fossem apenas míseros minutos.
Atravessou o bosque com passos rápidos, sem temer escorregar. Algo o empurrava para frente, convencendo-o a não parar, e enquanto sentia o livro em contato com seu abdômen, sentia mais vontade de correr, como se o próprio livro quisesse mais do que tudo sair daquele lugar.
Chegou à borda do bosque mais rápido do que esperava, mas não pensou nisso, e como se alguém sussurrasse em seu ouvido, entrou em casa antes que pudesse ver o carro de sua mãe, temendo que ela suspeitasse de algo. Subiu as escadas e entrou em seu quarto, escondendo o livro dentro do seu guarda-roupa, logo descendo as escadas novamente para deitar no sofá e ligar a televisão, fazendo parecer que tinha passado a tarde inteira ali.
A porta da sala abriu de repente, e sua mãe apareceu, indo direto para cozinha, carregando algumas sacolas com compras para o restante do mês.
-Olá, querido. — Disse ela sorrindo, enquanto voltava ao carro para trazer o restante das sacolas.
Roxas, respondendo com um tímido “oi”, foi até o carro ajudá-la. Na maioria, as sacolas traziam lanches, comidas congeladas, algumas frutas, verduras e alguns produtos de higiene.
Uma hora depois, quando já tinham arrumado tudo, se sentaram a mesa para jantar pizza congelada. Foi só aí que Roxas percebeu que tinha passado cerca de quatro horas dentro daquele bosque.
-Então, você está um pouco suado, querido, onde esteve?- Marye perguntou de repente.
-Eu... Ham... Estava fazendo uns exercícios. Sabe como é, quero ficar sarado pras meninas, entendeu?-Roxas respondeu, dando um sorriso falso, mas que conseguiu enganar sua mãe.
-Entendo.
-Bem... Eu vou pro meu quarto, estou um pouco cansado e vou dormir cedo hoje.
-Pode ir, querido. — Ela falou, sorrindo e voltando a comer enquanto Roxas se levantava e deixava o prato na pia, depois indo para seu quarto.
Quando já estava em sua zona segura, sozinho, tirou seu pijama do guarda-roupa, com os olhos passando pelo livro, meio que soterrado pelas várias camisas. Algo lhe mandava abrir aquele livro imediatamente, como se uma pessoa estivesse novamente sussurrando em seu ouvido. No entanto, sua consciência dizia para adiar aquilo o máximo que pudesse.
Roxas balançou a cabeça, e pegando seu pijama, entrou no banheiro. Despiu-se e entrou debaixo do chuveiro, aproveitando a sensação que a água quente lhe trazia enquanto descia por suas costas. Após tomar banho e de ter se trocado, abriu o guarda-roupa e dele tirou o livro.
Sentou-se na cama e abriu a primeira página. Bem no centro desta, estava escrito algo incomum, numa caligrafia inclinada bastante bela, como aquela que vemos em convites de casamento chiques.
Roxas aproximou mais o rosto do papel para entender. De alguma forma, conseguia entender algumas coisas dali, apesar de não fazer idéia de que língua era aquela. Talvez sua mãe soubesse. Levantou-se da cama para sair do quarto e pedir ajuda a ela, mas quando tocou na maçaneta da porta, que estava fechada, algo o fez recuar.
“Você não vai querer contar a ela”- soou uma voz na sua cabeça.
“Por que não? Ela é minha mãe, eu posso confiar nela.”-Roxas pensou, recuando e caindo sentado na cama.
“Vai por mim, é melhor não”
“Quem é você?”
Não houve resposta. Roxas foi até o banheiro, abriu a torneira e com as mãos, fez uma concha, enchendo-a de água. Jogou em seu próprio rosto. Estava enlouquecendo? Não era possível. Uma coisa é você falar consigo mesmo, outra é você ter absoluta certeza de estar falando com outra pessoa quando deveria estar sozinho em seu quarto.
Tinha certeza de que fora outra pessoa que respondera. Podia ser um fantasma, mas ou invés de se assustar ou perguntar em voz alta, sentiu-se estranho, como se aquela voz fosse familiar, como se a conhecesse há vários anos. Não sentiu medo, só quis saber de onde a voz vinha.
Com o livro em mãos, sentou-se com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Voltou a abrir a primeira página, se esforçando para ler o pequeno conjunto de palavras que tinham ali, como uma pequena introdução ao livro. Lá tinha:
“Anjos não podem matar.
Anjos não podem querer
Pois se querem, eles matam.
E matar os fará sofrer.
“Que estranho.”, Roxas pensou, passando para a próxima página.
Assim que o fez, Roxas sentiu o ar de seus pulmões irem embora. Tudo ao seu redor ficou escuro, silencioso, parado. Um desespero profundo o atingiu, assim como a tristeza. Sentiu vertigem, enjôos e acabou por desmaiar.
Quando acordou, sentia-se tonto. Tentou se por de pé, mas estava tão sem equilíbrio que voltou a cair novamente. Olhando em volta pela primeira vez, teve certeza de que estava sonhando.
O lugar onde estava era totalmente irreal. Estava numa campina de grama alta que chegava até ao joelho, florestas cercavam toda a campina, exceto no lado norte, aonde havia um penhasco que dava no mar. Era noite, mas a lua iluminava tão bem quanto o sol.
Uma brisa salgada, mas agradável, não parava de correr ali, vinda do mar. O lugar era silencioso de um modo desesperador. Não haviam sons vindos das orlas das florestas, muito menos o barulho das ondas. Tudo que havia para se ouvir era o barulho do vento chacoalhando a grama.
No mesmo instante Roxas se sentiu perdido, sozinho, desesperado de um jeito que nunca tinha se sentido antes. Pôs-se de pé e se beliscou, checando se aquilo não era um sonho, ou melhor, um pesadelo, e mesmo que fosse, parecia muito real para sê-lo.
Foi aí que Roxas avistou uma enorme pedra próxima ao penhasco. Como não tinha notado algo daquele tamanho antes?Esquecendo-se dos sentimentos ruins, andou até ao enorme pedregulho que estava ali, no meio do tempo.
Tinha cerca de 3 metros de altura por 1,50 de largura, imponente, emanando uma estranha sensação de hostilidade, que foi ignorada, claro. O loiro já estava a dez passos de distância do monumento quando ficou boquiaberto novamente.
Preso por correntes no alto da pedra estava um rapaz, quero dizer, não um rapaz, mas um anjo. Sim, um anjo de carne e osso. Estava suspenso do chão pelos braços longos. Aparentava ter cerca de 18 anos, rosto belo e estranhas lágrimas tatuadas abaixo dos olhos. Tinha um cabelo ruivo de cor viva, espetado para várias direções, e atrás de si havia asas de tamanhos surpreendentes, também vermelhas.
Vestia somente uma calça de cor clara, deixando o restante do corpo a mostra. O mesmo estava num estado lastimável. Havia cortes por toda sua extensão, no peito, no pescoço, no rosto e até em seus pés. Tinha uma expressão sem traços, impassível, como se estivesse morto.
Inocentemente, Roxas se aproximou dele e tentou colocar seu ouvido no peito do anjo, tentando ouvir seu coração. Seria possível que ele estivesse vivo?
-Ei, está fazendo cócegas. –Riu uma voz, fazendo Roxas sobressaltar-se e se afastar de repente.
Levantou o rosto e notou que tinha sido o anjo que falara. O ruivo agora sorria ternamente, observando a reação do loiro, que começava a enrubescer violentamente.
-Não se acanhe, chegue mais perto. Há muito tempo estou esperando que alguém aparecesse nessa droga de lugar. -Voltou a falar o anjo, ainda sorrindo. Roxas notou que sua voz combinava exatamente com a que tinha ouvido mais cedo.
-Quem é você?O que quer de mim?Onde estou?-Perguntou Roxas, atropelando as palavras, fazendo o anjo rir do menor. Era tão atrapalhado!
-Hum... Eu sou Axel, também é um prazer te conhecer também. Eu não quero nada de você, exceto que você me tire daqui e me ajude. Pode fazer isso por um pobre anjo?
-Mas...
-Por favor?- O anjo mudou de estratégia, fazendo sua voz ficar mais agradável e melodiosa de se ouvir, cerrando um pouco mais os olhos. Roxas, do estado surpreso e assustado passou para o estado envergonhado. O anjo estava dando em cima dele?
-Eu... Eu... Se você é um “pobre” anjo, por que está preso aí?-O loiro perguntou, desviando o olhar do ruivo.
Axel pareceu ser pego de surpresa, mas logo voltou a sorrir, e cerrando os olhos novamente, disse:
-Você quer sair daqui, não quer?
-Claro.
-Se você não me tirar daqui, nunca vai poder voltar para casa.
-Mas...
-Dá valor a sua vida?
-Sim...
-Você não vai conseguir sobreviver aqui por mais que um dia.
-Mas se você está preso, deve ter feito algo ruim, mas anjos não fazem nada ruim, a não ser que você não seja um anjo.
Axel bufou e revirou os olhos, meneando a cabeça e pensando “mais um dos que acham que somos perfeitos...”
-Está vendo essa coisas enormes e cheias de penas pregadas as minhas costas?Não são só pra enfeite, sabia?
-Eu não confio em você. Se eu te soltar, assim que você estiver livre você pode vir me machucar.
-Pelo amor de Deus!O que eu tenho que fazer pra convencer você a me soltar?
-Jure pela sua vida que nunca, jamais, em hipótese alguma, irá me machucar.
-Hmph. Eu juro pela minha vida que jamais farei mal a esse loirinho que se recusa em me tirar daqui e que cora toda vida que sorrio pra ele.
Roxas voltou a corar, desviando o olhar e se colocando de costas para o anjo que tanto o envergonhava.
-E aí?-Axel perguntou, trazendo seu humor brincalhão de volta.
-Como eu te tiro daí?-Perguntou Roxas, emburrado.
-É só você tocar as correntes, mas não vai conseguir fazer isso se estiver de costas pra mim, loirinho.
-Pare de me chamar assim.
-E como eu chamo?Não sei seu nome.
-É Roxas.
-Roxas é?Loirinho, você gosta de roxo, heim?
-Cala a boca.
Roxas se virou para Axel, e se aproximando do ruivo, o bastante para que corasse mais do que já estava, se colocou nas pontas dos pés, estendendo os braços. Seus dedos estavam a poucos centímetros do metal frio quando deu um pulo e tocou as correntes. No mesmo instante, todas as correntes que prendiam Axel a pedra de alguma forma simplesmente evaporaram em pequenas bolinhas de luz, melhor explicando.
Roxas pulou para trás para que o maior não caísse em cima dele, observando quando o anjo caiu de joelhos na grama alta, para depois desabar com o corpo todo. As enormes asas cobriram seu corpo, e tudo que se podia ouvir agora era sua respiração pesada e ofegante, como se a anos tivesse submergido na água e só tivesse voltado a superfície agora.
-Você está bem?-Roxas perguntou, se agachando ao lado de Axel, enquanto esse tentava se sentar, sem força nos braços.
-É falta de costume. Depois que você passa séculos na mesma posição, tudo fica bastante confuso, mas daqui a pouco eu melhoro, não se preocupe. -Axel respondeu, conseguindo aos poucos se colocar sentado.
-Não me preocupo. Só quero voltar para casa o mais cedo que eu puder. — Mentiu Roxas. No fundo da sua consciência, lá embaixo, num cantinho soterrado por outros sentimentos, havia a súbita preocupação pelo anjo ruivo que acabara de conhecer num lugar que ainda julgava ser irreal. Claro que, se dependesse dele, nunca revelaria isso a ninguém.
Notas finais
posto o proximo cap. em breve,viu?
reviews,please.
abraços!
Fale com o autor