Angels In Heaven

11 Cap. 11 – Nasce mais um anjo no paraíso


Notas iniciais
Penúltimo cap...

Cap. 11 – Nasce mais um anjo no paraíso

Senti enfiarem uma agulha em meu braço e logo um líquido percorreu pelas minhas veias. Acho que era soro, não sei. Minha barriga doía insistentemente, parecia que nenhum remédio que eles me dessem ia acabar com aquela dor. Pensei logo em meu bebê. Perder os dois homens da minha vida era ruim, mas perder minha filha já seria demais para mim.

- chamem o cirurgião! Ela vai ter o bebê! – ouvi uma enfermeira gritando com a outra.

Essa enfermeira parecia um anjo, me dizia a cada minuto para ficar calma (como se isso fosse possível) e tentava a todo instante me deixar acordada. Acho que se eu fechasse meus olhos eu nunca mais acordaria.

Logo um médico apareceu e mandou me transferirem pra sala de cirurgia. Ouvi ele comentando que meu parto seria cesariana. Ai, como eu queria que tudo tivesse sido como planejei, eu estaria em casa e quando minha bolsa estourasse o Gerard me levaria pro hospital e eu teria um parto normal. Pena que nem tudo acontece como planejamos não é mesmo?

Enquanto eu me debatia de dor, me colocaram em uma maca e me levaram para outra sala. Passando pelo corredor eu pude ver Mikey através do vidro, deitado em uma cama cheio de aparelhos. Aqui me feriu ainda mais. E se ele estivesse mesmo morto? Como eu viveria daqui pra frente?

Não tive tempo de pensar e senti outra pontada, dessa vez ainda mais forte. Quando olhei para meu corpo, vi que eu estava sangrando muito e aquilo não era normal.

- Mikey!!! Mikey!! Eu quero ver o Mikey!! – eu gritei antes de sentir outra agulha entrando na minha veia.

Uma enfermeira me deu uma injeção que fez o mundo girar e eu ‘apaguei’ na mesma hora.

Acordei com uma chata dor de cabeça e com meu corpo inteiro doendo. Só me dei conta que minha enorme barriga havia sumido quando passei a mão pelo meu braço e arranquei o soro. Aquilo me deixou em pânico.

- meu bebê!! Onde está minha filha?? – eu comecei a gritar e chorar até que uma enfermeira apareceu.

- fique calma, a senhora não pode ficar nervosa.

- como não posso?? Onde está minha filha?? – eu repeti a pergunta chorando.

- ela está bem, calma.

Quando ela disse isso eu finalmente me acalmei. Deitei na cama novamente ainda chorando.

- e onde ela está? Eu quero vê-la.

- ela está na incubadora. A senhora poderá vê-la mais tarde. Agora descanse.

Eu senti meus olhos pesarem e acabei dormindo contra a minha vontade.

------ Flashback ------

- amor, eu preciso te contar uma coisa. – eu disse tentando desviar a atenção dele pra mim.

- hum... – ele continuava com a cara enfiada no desenho que estava fazendo.

- é importante. Olha pra mim. – e ele virou a cadeira e olhou pra mim esperando eu começar a falar – sabe aquele exame que eu fiz na semana passada?

- sim. Aquele que você sempre faz pra ver se está tudo bem.

- bom, na verdade não foi um exame tão rotineiro assim...

- como assim? Aconteceu alguma coisa? – ele se levantou assustado.

- toma. Veja você mesmo. – eu entreguei o papel com o resultado a ele.

Percebi que ele tinha lido o que eu queria quando ele deixou escapar um sorriso.

- você... você...

- é, meu amor. Eu estou grávida.

- eu vou ser pai!!! Meu Deus!!!

Ele me abraçou e me levantou saltitando de alegria. Nunca tinha o visto tão feliz antes. Ele me beijou e eu comecei a chorar de felicidade.

------ Fim do Flashback ------

Assim que eu acordei de novo, percebi olhando pela janela que já era noite. O quarto em que eu estava era claro mas com uma aparência animadora. Ao meu lado havia um vaso de flores e vários presentinhos. Dentro do vaso havia um cartão. Eu o peguei e comecei a ler.

“Para a mais nova e mais linda mamãe do mundo,

Que teve a anjinha mais linda do universo,

Nossos parabéns e votos de felicidade!

Com amor,

My Chemical Romance”

Comecei a chorar como uma criança que cai da bicicleta pela primeira vez. Meus amigos estiveram ali e eu estava dormindo. E Mikey, como ele estaria?

Não demorou muito pra eu descobrir. Kary abriu a porta do quarto e entrou que nem um foguete. Ela correu e me abraçou chorando. Eu pensei no pior mas logo vi que estava tudo muito bem.

- Kary...

- ah Marie... que susto você nos deu menina!! Eu quase morro do coração!

- eu estava com saudades de você também, amiga.

- ah me desculpe. – ela sorriu. – você está linda! A mamãe mais linda do mundo!

- foi o que eles escreveram no cartão. – eu mostrei o cartão a ela.

- eu já sabia. Fui eu que ajudei o Frank a escrever. Ele estava com bloqueio de criatividade. – comecei a rir.

- então você e o Frank....

- sim!!!! Estamos juntos!!! Ele é maravilhoso, eu amo aquele anão de jardim!! – comecei a rir e senti uma dor na barriga por causa dos pontos que levei.

- minha filha. Você já a viu?

- sim. Ela é linda!! Como você!! Mas é tão pequenininha ainda... parece uma bonequinha de porcelana.

- eu quero vê-la, Kary! Ainda não pude ver minha própria filha!

- Marie, acho que você não deve sair daqui ainda. Você não pode sair andando por aí.

- me ajuda. Por favor.

Mesmo reclamando, ela me ajudou a sair da cama e ir pro corredor. Com cuidado ela me levou até a frente da sala das incubadoras. Eu olhei minha filha pelo vidro. Ela era tão pequena, tão frágil e ao mesmo tempo tão perfeita. Aquela cena me doeu o coração. Queria que o Gerard estivesse ali para vê-la também. Mas sendo nosso anjo, ele já devia ter-la visto bem antes de mim.

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