Angel War
9 Um jogo perigoso parte: 02
Notas iniciais
O ser que Joseph segurava lembrava um sapo, porém a forma humanóide surpreendia.
—Vamos maldito fale!
Esbravejou ele enquanto a criatura sufocava.
—Um demônio menor. – Falou Miguel enquanto as ondas de energia de Joseph fluíam. – Aconteceu alguma coisa lá? Porque esse ai veio através de uma conexão interna.
Questionou Miguel.
Joseph ainda não entendia muito bem a visão de Elisa.
—Os mortos voltam?
Perguntou ele batendo o demônio na parede.
—Falaremos nisso depois. – Respondeu Miguel sacando uma adaga. – Você serve a quem?
Perguntou ele apontando a adaga ao demônio.
—Acham que eu revelarei o nome de meu senhor?
Respondeu entre dentes a criatura.
—Então não tem utilidade para nós.
Falou Joseph fechando o punho, Miguel então segurou.
—Você ainda não percebeu que liberou sua energia espiritual filho? – Indagou. – Se acertar esse golpe nessa coisa não somente ele como metade do prédio vão pro espaço.
Joseph então percebeu que uma força sobre humana corria por seu corpo.
—Como esperado de Miguel o grande general!
Zombou o demônio.
—Você não tem mesmo utilidade para nós.
Finalizou Miguel cortando a garganta do demônio e este por sua vez tornou-se cinzas.
—Joseph, você andou fazendo alguma coisa estranha?
Questionou Miguel preocupado.
—Não. – respondeu Joseph enquanto a energia começava a se dissipar. – Não que me lembre.
Miguel o fitou com olhos ameaçadores.
—Aquele demônio veio através de uma ligação. – começou Miguel. – Ligações com demônios surgem através de pactos ou possessões.
Joseph estava nervoso com aquela situação.
—Tá dizendo que eu fiz uma coisa desse tipo? – Perguntou ele, foi então que se lembrou do tabuleiro. – Espera, eu ia mesmo te falar uma coisa.
Começou ele enquanto Miguel guardava a adaga.
—O que?
Joseph então sentou.
—Primeiro me responda se os mortos voltam?
Miguel caminhou pelo apartamento.
—Os mortos não voltam. – Respondeu. – Quando a passagem terrena finaliza, eles passam a pertencer ao mundo espiritual, diferente dos anjos e demônios eles não podem mais interagir no mundo físico.
—Por quê?
Miguel então continuou.
—Anjos e demônios sempre foram espíritos, já os humanos são compostos de forma diferente, eles possuem corpo, alma e espírito.
Miguel não conseguia entender aquele questionamento.
—O corpo volta a terra, o espírito a Deus que o deu, porém a alma essa é eterna ela é a identidade de cada humano.
Joseph então compreendeu.
—Tenho uma amiga da escola, o irmão dela faleceu semana passada e ela começou a mexer com coisas estranhas.
Começou ele.
—Fala de ocultismo?
Perguntou Miguel.
—Mais ou menos, hoje trombei com ela e algumas coisas caíram e dentre essas coisas havia um tabuleiro de Ouija.
Os olhos de Miguel estavam aterrados.
—Você tocou no tabuleiro? – Questionou ele segurando Joseph pelos braços. – responda!
Joseph soltou-se.
—Calma ai. – Falou ele sem entender muito bem aquela reação. – Porque ficou assim de repente?
Miguel estava alarmado.
—Tabuleiros de Ouija são perigosos. – Começou ele. – As pessoas acreditam se comunicar com os mortos, mas na verdade elas acabam abrindo portais.
Explicou ele.
Joseph lembrou-se da sombra atrás de Elisa.
—Havia uma sombra enorme atrás dela.
Miguel botou as mãos no rosto.
—É mais serio do que pensei. – explicou preocupado. – Alguns demônios se aproximam do tabuleiro para se nutrir da energia espiritual dos jogadores, e depois disso eles escolhem o mais vulnerável.
Joseph estava preocupado.
—Para?
Miguel o olhou seriamente.
—Possuí-los.
Respondeu ele fazendo Joseph cambalear.
—Enquanto eu estava tentando encontrar minha fonte. – Começou ele. – Fui transportado a um corredor onde só havia uma porta de madeira, Ao abrir pude ver Elisa jogando esse tabuleiro e então a mesma sombra me disse que eu não deveria ter metido o nariz onde não devia.
Falou ele.
—Quando você tocou no tabuleiro acabou gerando uma conexão. – Continuou Miguel. –Seja lá quem for que esteja tentando passar por esse portal sentiu seu poder e agora te vê como uma ameaça a seus objetivos e não vai descansar enquanto não te matar.
Joseph sentiu um calafrio subir a espinha.
—Você disse que a viu jogando sozinha, a regra principal desse jogo é nunca jogar sozinho. – Falou Miguel. – Quando se joga em grupo a entidade alimenta-se aos poucos e demora a encontrar o mais suscetível, porém quando se joga sozinho é mais fácil de ser possuído.
Joseph estava apreensivo.
—Precisamos ajudá-la. – Falou ele segurando o ombro de Miguel. – seja lá quem for está se passando pelo irmão dela.
Neste momento o celular de Joseph tocou.
—Alô.
A voz de Elisa do outro lado da linha o deixou nervoso.
—A que horas? – Perguntou olhando para Miguel. – Ok, vou estar ai.
Ele então desligou.
—Deixe-me adivinhar. – Falou Miguel gesticulando. – Ela te convidou para fazerem o trabalho na casa dela?
Joseph calçou os tênis rapidamente.
—Sim. – falou ele olhando Miguel nos olhos. – Tem alguma arma com você, algo que eu possa usar?
Miguel estava surpreso com aquele rapaz, mesmo tendo presenciado coisas que deixariam qualquer um de cabelos em pé Joseph mantinha uma calma impressionante.
—Não é porque aprendeu a fazer sua energia fluir que vai ter domínio sobre ela. – Respondeu. – E a sua energia espiritual é bastante massiva...
Joseph estava cansado de tantos rodeios.
—Você quer que eu confie em você. – disse ele. – Mas não confia em mim!
Explodiu ele empurrando Miguel.
—Me diz quem você é General!
Miguel viu que não fazia mais sentido se esconder.
—Se você quer mesmo saber, sou um anjo Joseph. – Respondeu ele. – Um arcanjo para ser mais exato. Estou no Assiah para impedir uma desgraça!
Joseph sentiu o choque da revelação.
—Pelo que entendi anjos salvam vidas, então me ajude a salvar Elisa.
Eram mais ou menos 19:00 horas quando Joseph tocou a campainha de Elisa.
—Ola Joseph. – Respondeu ela abrindo a porta, estranhamente ela usava roupas um tanto insinuantes. – Pode entrar.
Tem alguma coisa acontecendo aqui.
Ele se lembrou do plano que havia traçado com Miguel.
“A situação e diferente do que viu aquele dia, esse demônio não é corpóreo, pelo menos não ainda.”
Elisa pediu que Joseph sentasse enquanto ela pegaria algo para ele beber.
Quando ela voltou Joseph sentiu-se estranho, a garota usava uns shorts curtos e apenas um top que deixavam o corpo esbelto a mostra.
—Sua mãe não está?
Perguntou ele enquanto ela sentava a seu lado.
—Vai trabalhar até tarde hoje. – Respondeu ela lançando um olhar sedutor ao rapaz. – Seremos só nos dois hoje.
Joseph se levantou em um salto.
—Vamos começar então.
Elisa aproximou-se.
—Que foi? – Disse ela se aninhando ao peito dele o fazendo corar. – Não vou fazer nada que você não queira.
Após dizer isso Elisa o beijou, um beijo quente que quase o fez perder a concentração.
—Elisa não!
Exclamou ele a empurrando, ele procurava a sombra, porém não havia a visto desde que entrara.
—Parece que seu professor te ensinou bem. – Falou Elisa com uma voz distorcida. – Esta me procurando?
Os olhos da menina tomaram a cor vermelha enquanto ela avançou contra Joseph.
—Merda! – Gritou ele enquanto a garota o pressionava contra o chão.
—O que houve, não parece estar com medo. – continuou o Demônio. – Vou te matar aqui e com certeza mestre Samael ira me honrar.
Joseph nunca havia ouvido aquele nome.
—Então Samael anda tão fraco das pernas que manda lixo em uma missão?
O demônio se voltou para ver quem falava e então viu Miguel aos pés da escada com o tabuleiro nas mãos.
—Você precisa disso não é afinal a transição não está completa.
Falou Miguel apontando a adaga em direção a peça de madeira.
—Não seu maldito!
Exclamou o demônio avançando furiosamente contra ele.
—Agora Joseph! – Gritou Miguel queimando o tabuleiro com as mãos.
O demônio sentiu um corte profundo quando Joseph o golpeou.
—Hora seu monte de merda, não vê que está golpeando a sua...
A criatura congelou ao ver que Elisa estava amparada por Joseph.
—Cale a boca seu desgraçado. – Falou ele golpeando o demônio com a espada mais uma vez o transformando em um monte de cinzas. – Você fala demais.
Miguel sentou-se na escada aliviado.
—Graças a Deus que tudo correu bem.
Elisa despertou e então notou que Joseph a apoiava.
—Joseph, o que faz aqui ele quer te matar vai embora, por favor, vai embora...
A garota estava em prantos quando sentiu braços a envolverem.
—Shhh, acabou.
Falou Joseph.
—Há quanto tempo ele estava te oprimindo?
Indagou Miguel.
—Desde que meu irmão morreu semana passada. – falou ela aos prantos. – uma garota da escola me disse que havia uma maneira de falar com o Diogo e eu sentia tanta falta dele.
Joseph tirou o casaco e a cobriu.
—Não acredite em tudo o que dizem, a Kátia é uma satanista declarada Elisa, na certa te usou para alimentar essa coisa.
Elisa chorava nos braços de Joseph e um barulho na área de serviço a lembrou de algo importante.
—Minha mãe! – Exclamou ela. – está presa lá atrás.
Miguel foi o primeiro a abrir a porta e então avistou a mãe de Elisa amarrada e amordaçada.
Depois de solta, a pobre mulher tratou de abraçar a filha ternamente.
—Não se preocupe agora tudo acabou.
Falou Joseph comovido com a cena.
—Gostaria que não comentassem o que aconteceu aqui nesta noite. – Falou Joseph. – Para nossa segurança.
Ambas concordaram e agradeceram a eles.
Quando estavam saindo Elisa chamou a Joseph.
—Eu queria agradecer, e também te fazer uma pergunta. – começou ela enquanto Miguel preparava o carro.
—Diga sou todo ouvidos.
Respondeu ele.
—Agora sei que os mortos não voltam, mas como você descobriu? – indagou. – Como soube o que estava acontecendo?
Ele então deu um sorriso.
—Você acredita em Deus?
Perguntou ele olhando para a jovem.
—Sim acredito.
Respondeu ela.
—Com certeza foi ele quem me trouxe aqui pra te ajudar.
Quando ele entrou no carro tratou de perguntar algo importante a Miguel.
—Quem é Samael? – questionou. – O que ele tem haver comigo?
Miguel estava apreensivo.
—Tenho alguns amigos que estão chegando amanhã na cidade, quando chegarem vai ter uma resposta ao seu respeito e te contaremos quem é Samael, até lá só o que precisa saber é o seguinte: O mundo que você conhece está correndo um grave risco e nos precisamos impedir isso custe o que custar.
Joseph somente balançou a cabeça em afirmativa, aquela já havia sido uma noite turbulenta demais.
Porém, o fato de ajudar alguém fez ele se sentir muito bem, e pela primeira vez em anos Joseph sentiu-se útil.
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