Angel War
23 Segredo Revelado.
Notas iniciais
Samuel Castilho assumira o mais alto cargo na sociedade humana, o Marechal celeste, líder supremo do conselho das almas.
Esforçou-se a vida inteira para guardar o segredo dos dois mundos e de suas criaturas, mas, agora, assistia aterrado na televisão todo seu esforço ir por água a baixo.
—Santo Deus, dai-me forças.
Um clarão na sacada do palacete antigo fez os cinco exorcistas de sua guarda pessoal ficarem a postos.
—Ele já havia ouvido antes mesmo de falar, caro amigo.
Um anjo adentrou na sala, sua luz era demasiada forte, como o sol ao meio dia, seus cabelos eram curtos e loiros, seus olhos dourados cintilavam as seis asas que abriam-se em suas costas identificavam sua hierarquia.
—Sua excelência. – Disseram os homens curvando-se, ele, porém, os advertiu veementemente que não fizessem tal sacrilégio.
—Curvem-se somente diante de Deus. – respondeu o anjo. – Sou somente um servo dele como vocês.
Samuel ergueu-se.
—A quanto tempo, querubim Catan. – Falou ele aproximando-se. – Eu sabia que ele não me deixaria.
Catan olhou-o nos olhos.
—Deus nunca abandona seus filhos. – respondeu ele com uma voz calma. – Porém, seus filhos vivem virando as costas para ele.
O Velho sentou-se.
—O que faremos, o segredo foi revelado. – disse Samuel apontando a televisão. – Quais são as ordens, como iremos abafar?
Catan escondeu suas asas e assumiu a forma humana.
—Não iremos abafar, não existe mais essa possibilidade. – respondeu ele entregando um protocolo ao Marechal. – Essas são as ordens vindas de Atziluth.
O choque foi profundo.
—Iremos ativar o código Ângelus?
Catan balançou a cabeça em afirmativa.
—Exatamente, e lembre-se. – O semblante do querubim era sério. – Miguel e seu grupo possuem autonomia total.
O marechal celeste chamou o seu assistente.
—Prepare uma vídeo conferencia com os líderes mundiais agora. – ordenou. – O código desta crise é o Ângelus.
O jovem não pode esconder seu medo.
—Mas... senhor...
—Agora!
Gritou ele.
Catan então fitou a televisão.
—Iniciem a evacuação imediata.
***
Raphael observava aterrado a cena.
—Não posso acreditar nisso.
Miguel custou a acreditar no que via.
—Ele voltou à vida? – indagou perplexo. – Isso é impossível!
Michael falava em seu celular, até mesmo os demônios agora estavam sem saber o que fazer.
A dor queimava em seu peito quando Samael despertou em meio a poeira e o escombros, frutos de um ataque insano de Joseph.
Como isso é possível... Como ele reviveu?
O processo de cura acelerada estava lento, o que significava que o ataque havia sido feito por energia negativa.
Samael levantou-se devagar, haviam alguns pedidos de socorro, os quais ele não deu a mínima importância.
—Já estou cansado de esconder... — a armadura surgiu em seu corpo. – Esses insetos já viveram tempo demais!
A onda de energia varreu o restante dos prédios.
—O conselho começou uma evacuação total da cidade. – Falou Michael com notável espanto. – Não há mais o que esconder Miguel, Atziluth declarou guerra a Samael.
O general observava Joseph parado no lugar onde minutos atrás o verá morrer.
—Isso significa que falhamos em acabar com isso sem envolver vidas inocentes... – As lagrimas escorreram pelo seu rosto. – Fracassamos.
Inoue observava sem entender o porque de Joseph disparar um ataque daquele porte sem importar-se com as vidas que seriam perdidas.
—Você enlouqueceu?
Indagou aproximando-se, Joseph voltou-se para ela um sorriso maligno em seus lábios.
A energia estática formou-se rapidamente em seu punho.
—O que você pensa que está fazendo!
Gritou Raviel saltando com Inoue no exato momento em que o punho relâmpago de Joseph cravou-se no chão.
—Ele... Atacou-me?
As lagrimas vieram em torrentes.
—Não é o nosso Joseph, tem alguma coisa acontecendo aqui.
Ágares e Paimon arremeteram contra ele.
—Quem você pensa que é para atacar o mestre dessa forma!
Berrou Paimon furioso golpeando Joseph com sua espada, porém, o garoto defendeu-se com o braço, quebrando a espada.
—Mas que...
Ele não pode terminar a frase Joseph o acertou com um soco poderoso na nuca destruindo o que sobrava do museu.
—Maldito, como ousa!
Gritou furiosamente Ágares partindo com tudo para cima de Joseph.
—Joseph, não!
Gritou Miguel, mas, para a surpresa de todos, Joseph desviou com facilidade daquele ataque.
—Im... Impossível...
Disse Raphael aterrado com a cena, depois de desviar com facilidade do golpe, Joseph segurou o pescoço do demônio o levantando.
—V... Você... O que é você?
Questionou o duque, e a única resposta obtida foi o punho relâmpago de Joseph atravessando seu peito por varias vezes seguidas.
—Pare... – Inoue estava completamente aflita com aquela cena. – Para com isso Joseph!
Joseph lançou o corpo do demônio sem vida ao chão enquanto o vento encarregava-se de levar as cinzas.
—Não... – Paimon estava aterrorizado com a cena. – Fique longe de mim!
Gritou ele inutilmente enquanto Joseph avançou sobre ele, o demônio tentou correr, porém, Joseph o acertou com um chute nas costas.
—Pare Joseph! – Inoue continuava em sua tentativa desesperada de parar a barbárie.
Joseph pisou sobre a cabeça de Paimon e, puxando os braços do príncipe para trás, prosseguiu com sua carnificina.
—Pare, eu imploro! – gritava o demônio totalmente envolto pela dor. – Poupe-me!
Com um puxão, Joseph arrancou os braços de Paimon, deixando os anjos estarrecidos e perplexos com a cena.
—Não precisa ver isso. – A voz de Raviel era pesarosa quando fechou os olhos de Inoue.
Paimon respirava acelerado, havia perdido seus dois braços e muito sangue.
—Maldito... V... Você é um... Desgraçado!
Joseph abaixou-se, e com um movimento brusco arrancou a cabeça do demônio.
Um grito aterrorizante seguiu-se enquanto a sede por sangue de Joseph prosseguia.
***
Luiza deixará a xicara de porcelana cair com estrondo ao chão, um noticiário urgente mostrava a cidade de São Paulo em um verdadeiro caos.
O helicóptero da emissora sobrevoava o que sobrou do museu de artes.
No titulo da matéria, uma frase dizia: Estranhos seres lutam em São Paulo.
Porém o que realmente chamava sua atenção era a figura conhecida de pé gritando ensandecida.
—Joseph?
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