Angel War

26 O amargor da derrota.


Notas iniciais
A batalha em São Paulo chega ao fim e os nossos heróis tem de lidar com o sabor amargo da derrota. Tem uma boa surpresa no final, espero que gostem!

Os arcanjos dominaram rapidamente a situação, as tropas da Fé eram habilidosas com trajes de combate resistentes que lembravam armaduras avançavam contra as tropas inimigas.

—O que será que está havendo lá? – Questionou Michael enquanto varria uma horda de demônios com um mar de chamas. – Miguel não apareceu até agora.

—Não consigo sentir a presença de Samael por perto. – Raphael estava visivelmente intrigado. – Será que fugiu? – Os olhos estreitaram enquanto um sequencia de raios atingiu um grupo de demônios que massacrava um pelotão de soldados. – Ou será que finalmente conseguiu matar Joseph?

E foi ai que algo inesperado aconteceu.

—Homens do Assiah. – A voz de Samael era audível em todos os cantos. – Aqui vos fala aquele que ira exterminá-los.

Uma nevoa escura envolveu o exercito de Samael enquanto ele falava.

—Vocês já dominaram sobre a terra por tempo demais, desde os seus ancestrais, Adão e Eva tudo o que vocês fizeram foi destruir tudo aquilo que botaram essas mãos desprezíveis!

Os sobreviventes que haviam alcançado a zona de segurança estavam aterrados.

—Agora Ele vai saber o quão infeliz escolha foi criar seres como vocês, ingratos, desprezíveis, assassinos, roubadores, mentirosos e traidores!

Joseph estava abismado com cada palavra que Samael dizia.

—Ele está fazendo uma guerra psicológica nos humanos. – Miguel estava apreensivo – É bem a cara desse maldito, vai fazer com que eles percam a fé e a esperança. – Enquanto eles avançavam em meio à ruinas da cidade a voz do caído penetrava em seus ouvidos, arrogante e ameaçadora.

-Por quê?

Perguntou Inoue.

—alguém sem esperança é mais fácil de abater.

Respondeu Joseph que entendia mais que qualquer um o que era perder a esperança.

—Porém, vou ser benevolente com vocês por agora. – Samael estava alcançando seu objetivo. – Deixarei que enterrem seus mortos, hoje São Paulo caiu... E em breve Londres cairá também.

A nevoa sumiu levando consigo as tropas de Samael e assim sua voz calou-se enquanto centenas de rostos dividiam as mais variadas expressões.

Medo, desolação, choque, angustia, tristeza, eram algumas delas.

Miguel e Joseph alcançaram os outros enquanto os primeiros raios de sol pontilhavam no horizonte.

As tropas desoladas da Fé já faziam as contagens de seus mortos enquanto os exorcistas preparavam os seus para serem levados até a base do conselho.

—Já existe uma contagem parcial? – perguntou Miguel enquanto Raphael respirou fundo.

—Os exorcistas já terminaram a contagem... Vinte baixas. – Começou o arcanjo o seu relato. – Entre os soldados da fé já passam de trezentas baixas e continuam contando.

Inoue levou as mãos a boca enquanto lagrimas caiam de seus olhos, uma tentativa frustrada de esconder o grito.

—Me desculpem eu...

A garota correu em disparada e Joseph foi atrás dela.

Inoue entrou no que havia sobrado de uma casa fazendo com que Joseph a perde-se de vista.

—Inoue!

Gritou ele na tentativa frustrada de que ela fosse responder, porém, a cena que viria a seguir o fez cair de joelhos rendido aos prantos.

As equipes de resgate retiravam dos escombros o casal de idosos que ele havia visto horas antes desse pesadelo começar e foi ai que percebeu que o que mais temia estava concretizado agora.

—Me... – O choro era sincero. –Perdoem-me... Perdoem-me...

***

Já havia se passado uma hora desde que Inoue havia corrido e Joseph ainda a procurava.

—Onde você se meteu? – o coração do jovem estava aflito afinal, se para ele já era difícil vivenciar aquilo tudo quanto mais a ela. – Preciso te encontrar logo...

Ao passar em frente a uma casa destruída pode ouvir uma melodia melancólica em um piano.

Quem poderia estar tocando piano em uma hora dessas e num lugar como aquele?

Vencido pela curiosidade Joseph adentrou na casa e para sua surpresa lá estava Inoue sentada à frente de um piano que havia sobrevivido à desgraça que sobrevirá naquela casa.

A melodia era calma, penetrou no coração do guerreiro o fazendo se acalmar, e assim ele ficou por vários minutos sem dizer palavra enquanto a exorcista prosseguia em sua musica.

Um movimento de Joseph a fez parar de tocar.

—Não sabia que você tocava...

Disse ele olhando-a a certa distancia.

—Toco pra acalmar minha alma. – Respondeu ela. – Por favor, não chegue perto de mim agora.

Joseph conseguia entender perfeitamente que ela estava vulnerável e não gostava disso.

—Sua musica acalmou a minha alma também, e sabe, ela vive perturbada desde que me entendo por gente... – Ele queria poder abraça-la. – Inoue... Sei que isso tudo é surreal par nós agora pouco vi algo que... Algo que me fez sentir horrível.

—O que tem em você?

Questionou ela sem virar-se para ele, os olhos fitos no piano.

—Gostaria de saber... Afinal deveria estar morto, mas...

—Não estou falando disso! – O corpo dela estremecia e ele pode perceber que ela estava chorando. – Quando Samael te atravessou com aquela maldita espada senti como se meu mundo estivesse desmoronando, e agora porque estou te vendo meu coração acelera de tanta alegria e alivio que já não consigo controlar a vontade de te abraçar e...

Num instante Joseph havia a abraçado por trás.

—Eu estive na porta do inferno sabia? – Questionou ele. – E você, sua voz, seu, sorriso foi à razão pra eu conseguir voltar... E você vem me perguntar o que eu tenho? – Ele girou o banco a fazendo ficar de frente para ele, os olhos castanhos dela brilhavam enquanto Inoue Hikari chorava ante seu amado. – O que você tem que me fez voltar da morte só pra te dizer que eu te amo?

Ela o abraçou apoiando a cabeça do rapaz em seu peito.

—Seu idiota... – Disse ela rindo enquanto acariciava seus cabelos. – Você não viu que eu ia te dizer isso primeiro? – Ele levantou a cabeça pra ver o rosto dela. – Joseph, eu vou te proteger dessa sua escuridão como você me protege da minha, vou ser a sua musica pra te acalmar, seu ombro amigo onde poderá chorar... Serei o que você precisar.

Ele não pode dizer nada mais nada e então seus lábios se tocaram pela primeira vez.

Notas finais
O que acharam do inicio desse romance? será um atrapalho ou um elo que os fortalecerá para o que está por vir?