Angel War

41 Caminhos predestinados


Notas iniciais
Depois das situações adversas de Londres nossos heróis tentam reverter as coisas a seu favor.

O helicóptero balançava um pouco, porém, nada comparado ao balanço nas auras de cada um dos presentes ali.

—não era mais fácil irmos voando de uma vez, Chegaríamos mais depressa.

Disse Salatiel enquanto a aeronave começou as manobras de aterrissagem.

—Nem todos somos anjos garoto, Por mais poderoso que seja Joseph ainda é humano, tem seus limites.

Respondeu Miguel ainda tentando assimilar tudo o que aconteceu a algumas horas atrás.

—O que faremos agora irmão?

A pergunta de Raphael o pegou de surpresa.

—Não sei ainda Rapha… Você sentiu não foi… a extensão do poder daquele homem?

Michael então tomou a palavra.

—Gaspar sem dúvidas está em nosso nível em poder de combate, ou até mesmo mais poderoso.

Todos os outros olhos se viraram para ele, alguns com surpresa outros com certa censura.

—Michael…

Rosnou Raviel enquanto a porta do helicóptero se abria.

—Todos precisam saber, nós os arcanjos sabemos muito bem de onde ele tirou tanto poder… Sangue de demônio.

Joseph no momento só queria encontrar Inoue.

—Não sei onde ou como ele se fortaleceu… Só posso dizer que vou pará-lo.

Disse com as mãos no rosto.

—Só quero encontrar Inoue agora, o restante eu penso depois.

Disse enquanto a porta se abriu e um dos soldados estendeu a mão, no uniforme a bandeira do Brasil junto a uma outra deram a Joseph certo alívio.

—Sei que não é a melhor hora, mas sejam bem vindos a Páris.

Disse o soldado em português com um sotaque francês.

Joseph segurou sua mão com um sorriso terno.

—Obrigado amigo, poderia me informar onde a área médica fica?

O soldado então começou a orientá-lo gesticulando com as mãos por onde ele deveria seguir.

Miguel observava a distância junto com os outros arcanjos.

—Vamos nos dividir imediatamente, Raphael, leve Salatiel e Zafkiel com você e descubra qualquer coisa sobre os apóstolos ou a profetisa.

Começou ele enquanto mantinha os olhos em Joseph.

—Mikael e Raviel, procurem Samael, ele está fraco, ferido e desnorteado é nossa chance de abater ele.

—Entendido.

Responderam eles todos de uma vez enquanto tomavam direções opostas, porém Raviel ficou ao lado do general por mais uns minutos.

—E Você, o que vai fazer agora?

Perguntou ele enquanto Miguel se virava em direção a um hangar.

—Tentarei contato com Salvador a respeito do paradeiro da peça, não perderemos um minuto sequer, quando Joseph encontrar Inoue e estiver descansado vamos nos encarregar disso.

Raviel conhecia aquela atitude, conhecia Miguel a milênios, ele não queria perder território para Gaspar, permitir que uma peça da chave caísse nas mãos do inimigo? Impensável.

Porém, os apóstolos precisavam ser localizados, reunidos e protegidos a todo custo. Não se sabia muito sobre eles, apenas que poderiam mudar a maré da guerra drasticamente, e tanto Gaspar quanto Samael não poderiam colocar as suas mãos sobre eles.

Samael, Miguel sabe que ele fará de tudo para se vingar e é apostando nisso que planeja dar cabo nele aproveitando a oportunidade, um problema a menos.

—Agora sim você está agindo como o Miguel que conheço.

Disse Raviel indo em direção a seu parceiro de missão.

Joseph finalmente encontrou o galpão onde a área médica funcionava.

Ele então aproximou-se de uma moça que aparentava ser uma espécie de recepcionista.

—Bom dia?

A mulher olhou para ele um pouco confusa, ao que parecia, diferente do soldado que o cumprimentou no helicóptero, não eram todos que falavam sua língua.

Ele então gesticulou para uma mesa onde havia um bloco de notas, ele não sabia ao certo o que escrever e então teve uma idéia.

Apontou para a caneta que estava no bolso do jaleco da mulher, que a entregou e então escreveu apenas duas palavras no bloco de notas, esperando muito que não precisasse de alguém que fosse como um intérprete.

Ele ergueu a folha do bloco e entregou a ela.

Após ler, a mulher pareceu entender de imediato e fez sinal para que ele a acompanhasse.

Passaram por algumas enfermarias e enfim chegaram a uma onde haviam apenas três pessoas deitadas nas macas.

A mulher caminhou até a última maca, gesticulou com a mão chamando Joseph e entregou o papel em suas mãos.

—Inoue Hikari.

Disse ela apontando o nome de Inoue que ele escreveu.

Joseph sentiu um aperto sufocante ao ver as condições de Inoue.

Um dos olhos estava completamente inchado, fechado, havia faixas em suas costelas e vários curativos espalhados, a cabeça enfaixada.

—O que fizeram com você?

Ele então lembrou-se do diálogo que teve com Raviel no caminho.

—Vou ser bem sincero e direto com você Joseph.

Raviel demonstrava preocupação.

—Ela não está…

Joseph não conseguiu finalizar a frase.

—Não, ela não está morta, porém foi por muito pouco… se eu demorasse um minuto a mais.

Agora ali, diante de uma Inoue indefesa e machucada ele sentia uma profunda tristeza.

Ela então começou a despertar.

—Joseph!

Gritou ela exasperada, tentando levantar depressa, porém os ferimentos não permitiram e ela gemeu de dor.

Joseph a fez deitar novamente.

—Shhh, está tudo bem, estou aqui.

Disse ele enquanto uma lágrima solitária desceu na sua face direita.

***

Amon cuidava dos ferimentos de Samael enquanto Alec terminava sua barreira pelo esconderijo.

—Mestre, precisaremos de mais algum tempo até as feridas cicatrizarem, considerando que somente Alec e eu permanecemos ao seu lado diria que é melhor que fiquemos fora dos holofotes por enquanto.

Samael fitava as paredes sujas e repletas de musgo daquele fétido local.

—É o mais sensato a se fazer, considerando que Miguel com certeza vai começar a me caçar como um cão sarnento também, aquele maldito oportunista.

Alec aproximou-se.

—Porque não sonda Masters e tenta descobrir alguma coisa sobre Joseph Christopher meu senhor?

Samael segurou o rosto de Alec com força o apertando.

—Como sabe disso?

Amon interferiu segurando o braço de Samael.

—Meu senhor, tanto Caim, quanto nós dois já sabíamos, porém mantivemos segredo absoluto com receio de um golpe vindo dos outros generais, que infelizmente se concretizou…

Amon sabia que Samael estava cada vez mais instável.

—Mestre, o senhor entende os riscos deste assombroso fato, o menino Masters ainda reside em seu interior, precisamos usar isso de alguma forma a nosso favor.

Samael soltou Alec que respirou aliviado.

—Vou me retirar, preciso de um tempo sozinho, mantenham guarda e …

os olhos vermelhos faiscaram no escuro.

—Espero que não estejam cogitando me trair também, não pensem que me pegaram de guarda baixa uma segunda vez.

Amon estava curvado e Alec tratou de fazer o mesmo.

—Em nenhum momento pensamos nisso meu senhor, somos leais a você.

Respondeu o mago com cautela.

Samael virou de costas e caminhou rumo a penumbra.

Após ter certeza que seu mestre não estava mais no recinto, Amon deu tapa na cabeça de Alec.

—Você enlouqueceu durante esse período preso?

Alec estava suando de tanto nervosismo.

—É claro que não, mas precisava mostrar a ele que nós já sabemos que Alex ainda divide o corpo com ele.

O mago olhou no rosto de Amon.

—Queria arriscar que ele descobrisse sozinho depois e acreditasse que planejamos traí-lo também?

Alec caiu pesado no chão, recostando-se na parede úmida, estava faminto, exausto.

—Sou tão leal a ele quanto você amon, mas não estamos na melhor das situações agora… De caçadores passamos a ser presas, caçados por Gaspar e pelos arcanjos.

Amon colocou-se à frente dele.

—Apenas meça suas palavras, se quer viver.

***

Solomon Riley era um jovem bilionário na Europa, porém ninguém imaginava os segredos que os olhos verdes turquesa guardavam, os cabelos loiros eram fartos em sua cabeça, delicados cachos bem aparados.

—Solomon, recebi noticias frescas de nossos informantes.

Anunciou a mulher de pele cor de ébano ao adentrar no aposento. Os cabelos negros e fartos estavam cobertos por uma espécie de turbante, deixando apenas alguns cachos descerem teimosamente na testa.

A sua pele era macia e brilhosa, os lábios cheios e os dentes perfeitamente alinhados, seus olhos delineados cintilavam um castanho escuro sedutor.

—Diga-me, Úrsula.

Instruiu ele sentando-se em uma poltrona e apontando a outra vazia a sua frente

Ela então sentou-se.

—Samael foi traído pelos seus, os arcanjos tem em seu poder a primeira peça e…

Ela deteve-se para tomar um gole de chá.

—E?

Os olhos curiosos de Solomon arquearam-se.

Úrsula sorriu.

—Estão em busca dos apóstolos, o objetivo é impedir que sejam mortos por Samael ou Gaspar.

Finalizou ela levando a xícara mais uma vez a boca com uma elegância quase ensaiada.

Solomon levantou-se e sorriu.

—Como esperado de Miguel, bom minha cara Úrsula creio que devemos começar os preparativos para nosso encontro com Joseph Thiago Christopher.

Disse ele aproximando-se de um quadro.

—O destino o trará até nós.

Solomon então dirigiu-se até a porta.

—Onde vai?

Indagou Úrsula.

Solomon estava sério agora.

—Preciso ver como ela está.

Úrsula assentiu.

Solomon seguiu pelo imenso corredor até chegar a uma porta decorada com entalhes de flores.

Ele então bateu.

—Entre.

Respondeu uma voz feminina.

—Como vai, Sarah?