Angel War
16 A última noite.
Notas iniciais
Uma semana havia se passado desde que vendera sua alma a Samael, neste meio tempo a descoberta da chave de Murdered havia deixado Miguel apreensivo.
—Parece que ele está começando a assimilar. – Começou Raphael sentando-se ao lado de Miguel. – Talvez ele consiga enfrentar Samael.
Miguel soltou uma lufada de ar.
—Queria ter essa certeza... Sabe Raphael, acredito que o fato de Samael ter possuído o corpo de Alex nos trará grandes dificuldades.
O olhar de Miguel era distante, tristonho.
—Você apegou-se a ele não é? – Indagou o anjo ao irmão de armas. – Estas entristecido por toda essa dor que ele carrega?
O grande general deixou cair uma lagrima.
—Humanos não deveriam sofrer, pelo menos não era esse o plano...
Raphael o abraçou.
—As consequências do livre-arbítrio, a grande espada de dois gumes. – Disse ele enquanto segurava os ombros de Miguel. – O homem escolheu esse caminho, só nos cabe tentar leva-los de volta para casa.
O Celular de Miguel tocou, ao atender reconheceu a voz de seu informante.
—Certo, há que horas?
Joseph escutava com atenção enquanto Michael lhe instruía a respeito da técnica de combate dos anjos.
—Diferente dos humanos comuns. – Começou ele. – Os exorcistas utilizam a técnica de combate dos anjos.
Ele então pediu que Inoue se aproximasse.
—É por isso que pedi a ajuda de Inoue, para que você possa compreender melhor.
A garota posicionou-se em sua posição de luta habitual, a perna direita posicionada a frente, firme, enquanto a esquerda girava em uma meia-lua perfeita até posicionar-se atrás de seu corpo, a mão direita acompanhava a perna a frente, aberta enquanto que a esquerda fechava-se em punho próxima a cintura.
Joseph percebeu que o corpo de Inoue possuía um porte atlético, ele supunha que era fruto do trabalho de exorcista aliado aos exercícios matinais.
—Essa é a postura de combate dela, uma técnica passada entre as gerações de sua família. – Inoue deu uma risada ao analisar que Joseph não tirava os olhos dela. – graciosa e letal.
—Achei que a força bruta e a velocidade de um exorcista vinham de forma natural, sem precisar de algo a mais.
Disse Joseph enquanto apertava as faixas nas mãos.
—Tudo o que fazemos em combate advém de nossa energia espiritual. – falou a garota. – não importa o que façamos, se quiser mesmo lutar contra demônios vai precisar usar a energia espiritual, sem ela será somente a força humana.
—Como devo utilizar a energia neste caso especifico, digo, combate corpo a corpo?
Michael então explicou.
—Você precisa moldar em torno do corpo, principalmente na região que vai utilizar. – as mãos do anjo ganharam um brilho amarelo. – Aqui estou usando uma quantidade razoável para você visualizar, o ideal é que você a mantenha de forma mínima, evitando que seu adversário a veja.
Finalizou ele enquanto a energia dissipou.
—vamos ver na pratica. – Michael gesticulou para Inoue. – Inoue, acerte aquela arvore com sua força comum.
A garota aproximou-se do vegetal e se posicionou e em seguida desferiu um golpe, com a mão esquerda, forte o suficiente para derrubar um homem.
Joseph impressionou-se com a técnica da garota.
Michael então deu um meio sorriso.
—Agora acerte a arvore com a sua verdadeira força.
Inoue riu e repetiu o mesmo golpe, porém, para surpresa de Joseph a arvore se despedaçou caindo ao chão com um grande estrondo.
—Tá legal, isso foi incrível.
Ela aproximou-se de Joseph e posicionou o corpo do garoto em uma postura parecida com a dela.
—A técnica de combate dos Hikari consiste em infligir dano ao oponente, ao mesmo tempo visando uma defensiva rápida e eficiente.
Ela falava próximo a seu ouvido e isso fez seu corpo arrepiar.
—Você já aprendeu a fazer a energia fluir Joseph. – Prosseguiu Michael. – Agora vai aprender a controlar esse poder. – disse ele observando Joseph. – Lembre-se, só precisa moldar a energia conforme a sua vontade, porém, não quero que ela seja visível.
Joseph então concentrou-se e sentiu a sua energia fluindo através do corpo.
—Ótimo, agora tente controlar o fluxo.
***
Samael reuniu-se com seus generais, os seis caídos de sua mais inteira confiança.
—Meu lorde. – Começou um deles, possuidor de cabelos grisalhos e olhos cinzentos, a barba lhe dava um toque de elegância. – Quais medidas devemos tomar em primeiro momento?
—Meu caro marques, acredito que a busca pelo cristal dos anjos pareça ser a prioridade do momento.
Respondeu-lhe Paimon de uma forma soberba.
—Como sempre Paimon demonstrando sua arrogância.
Interrompeu o próximo, velho de longas barbas negras.
—Concordo contigo, meu companheiro.
Respondeu o primeiro.
—Marques Leraie, Duque Agares. – Começou Samael atraindo a atenção de todos. – acredito que o rei Paimon, mesmo sendo inconveniente, esteja dizendo a coisa certa. Entretanto, existe um pequeno empecilho em nossa jornada. – prosseguiu enquanto levantava.
—Joseph Christopher.
Ao pronunciar o nome de Joseph, Samael sentiu um certo desequilíbrio.
—Ele está sob a proteção dos arcanjos meu lorde. – O demônio que falava encontrava-se na penumbra, somente seus olhos amarelos podiam ser vistos. – Creio que mata-lo será uma tarefa demasiada difícil.
—Uma ótima observação, rei Baal. – respondeu Samael com uma certa alegria em ver aquele ser presente ali. – Saiba que você é da mais suma importância no meu exército.
—Deixemos claro, “meu lorde”, que servimos ao “senhor” por ordens de nosso verdadeiro mestre. – declarou cheio de ironia o quinto demônio, na forma de um velho. – que isso fique sempre em pratos limpos.
—Como sempre rebelde e de boca torpe, Vassago. – Rosnou o caído enquanto o ancião tomava a forma de uma criança
—Desculpe-me se de alguma forma fui inconveniente, meu lorde.
Respondeu a estranha presença curvando-se.
—Receio que este príncipe idiota o tenha enfurecido, meu lorde. – respondeu o último, saindo da penumbra, sua forma era aterrorizante consistia em um lobo com cauda de serpente e cabeça de coruja. – Talvez devêssemos lhe ensinar boas maneiras.
—Por hora, é melhor poupar as energias meu querido marques Amon. – Samael estava profundamente chateado pelo atraso do marques. – creio que você tenha um ótimo motivo pelo seu atraso.
Amon riu e tomou a forma humana.
—Meu lorde, descobri o que os arcanjos estão procurando. – Começou ele enquanto ria. – Realmente a lembrança de Gabriel que lhe faltava era a mais preciosa.
Todos levantaram e o observaram com atenção.
—Como esperado do grande Amon. – Elogiou Samael. – Conte-me.
***
Joseph sentia-se entediado e Inoue compartilhava deste sentimento.
—Devo mesmo ficar enfurnado aqui? – questionou ele olhando a noite paulista pela janela. – Preciso relaxar, ou vou enlouquecer.
Inoue deu uma risadinha.
—Bom, minha intuição militar me diz que o correto e você permanecer escondido aqui. – ela caminhava pela sala graciosamente. – Porem, eu também tenho dezoito e sei que é muito chato ficar trancado em casa.
—Já esperávamos algo do tipo. – Interrompeu Raphael surgindo do nada.
—Cristo, quer nos matar de susto?
Perguntou Inoue exasperada.
—Sei que você entende os riscos de sair não é Joseph? – A pergunta de Miguel era intimidadora. – está disposto a assumir a responsabilidade?
O general de Atziluth encarava o garoto nos olhos.
—Sim estou. – A resposta rápida de Joseph surpreendeu a todos. – Miguel, talvez essa seja minha última noite como um jovem normal... Eu preciso disso.
Miguel e os outros anjos trocaram alguns olhares.
—Pegue isso. – Miguel então lhe passou um colar. – não perca isso, parece um simples adorno, mas, na verdade é uma espada use-a se tiver problemas.
Orientou o líder.
—Deixem os celulares ao alcance, Salvador está na pista de uma obra de Murdered que se encontra no museu de artes, ao que parece neste quadro encontra-se a pista inicial do mapa para a chave.
Orientou Raphael enquanto Joseph vestia uma jaqueta e botava um boné.
—Pode deixar, estaremos atentos.
Raviel então tomou a palavra.
—Evitem lugares óbvios, e se notarem qualquer movimentação suspeita nos avisem e retornem para cá imediatamente.
—Pode deixar. – Inoue pegou seu casaco. – Vamos nos cuidar.
Foram as suas últimas palavras antes de sair.
—Será que agimos corretamente? – questionou Michael
Raviel soltou uma gargalhada.
—Eles fugiriam de qualquer maneira.
***
Joseph e Inoue decidiram primeiramente ir ao cinema para assistir um filme que ambos esperavam há muito tempo.
Os dois agiam como se já se conhecessem há anos, como velhos amigos.
—Tem uma coisa que quero te perguntar já tem um tempo. – Começou Joseph enquanto os dois saiam da sala de cinema.
—Pode perguntar. – respondeu ela tomando seu refrigerante. – Também tenho um monte de coisas pra te questionar.
O garoto riu.
—Bom, não há muitas coisas pra se saber de mim. – eles então entraram em uma lanchonete. – Porque está aqui, porque está se envolvendo nisso?
Os olhos azuis de Joseph se fitaram em Inoue e isso á perturbou um pouco.
—Hmmm, poderia dizer que isso envolve a todos os seres humanos e que estou tendo uma atitude nobre, mas, não é somente isso...
Eles então fizeram o pedido.
—Na verdade eu acreditava que era por isso, pelo menos é o mais obvio.
Disse Joseph recostando-se na cadeira. Inoue respirou fundo.
—Antes de mais nada não vai ficar se gabando pelo que vou dizer, até agora me sinto uma idiota toda vez que penso nisso. – ela estava visivelmente nervosa.
Joseph não estava entendendo muito bem o que ela tentava dizer.
—Você está me deixando confuso.
Disse ele coçando a cabeça.
Inoue estava visivelmente envergonhada.
—Bom... Digamos que... Digamos que... – Ela então resolveu dizer de uma vez. – Estou me sentindo atraída por você.
A pergunta pegou Joseph de surpresa.
—Você? – Questionou ele enquanto o rosto começava a queimar.
Uma explosão na cozinha da lanchonete os interrompeu.
—Está sentindo isso? – Perguntou Inoue preparando-se.
—Sim estou. – Respondeu Joseph tirando o colar de dentro da camisa. – Tem um demônio lá dentro.
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