Depois de chegar em casa, nem fui almoçar e fui descansar, me joguei no sofá e até sorri de alivio, mas não deu nem cinco minutos que já era hora de ir para o trabalho. Me levantei e sai com minha mochila mesmo, as vezes eu faço as lições no trabalho quando a loja está vazia, ao sair do prédio me deparei na hora com...Gilbert??? O mesmo estava parada ao lado de um poste olhando o celular, fiquei o olhando para ele me reparar, demorou um pouco. Ao me reparar ele abria um sorriso gigante e dava um pulinho indo me abraçar.

-O que faz aqui na minha casa? -Pergunto enquanto ele me esmagava em seus braços.

-Eu nem sabia que você morava aqui! Aonde está indo? — Segurava meus ombros levantando uma sobrancelha.

—Trabalho. — Bufei e logo ele dava um leve sorriso colocando as mãos nos bolsos na blusa.- Que?

-Posso ir ficar com você? — Ficava todo animado.

Sorri e fomos juntos a loja. Eu trabalho em uma loja de roupas e minha chefe é absurdamente irritante! Ao chegar perto da loja ela estava lá, não sei o porquê. Uma das únicas coisas principais que eu sei dela é que ela tem a fama de ser falsa! Eu já havia percebido quando olhei para aquele rostinho bronzeado a primeira vez.

—Lizinha! –Ela tentava correr com os saltos enorme usando um vestido branco colado. – Hoje você vai até meia noite! Vai chegar novas roupas de marcas fabulosas e quero que arrume tudo para o Outono!

Ela se vira e anda para seu carro enquanto olhava seu celular. Eu tive vontade de arrancar meu sapato e jogar na cabeça dela!! Porque eu?! Mundo o que eu fiz para você?!

Passei a mão no rosto bufando, olhei de canto para Gilbert que me encarava sério, resmunguei e entrei na droga da loja, larguei minha bolsa debaixo do balcão e fui direto para trás da loja beber água, o próprio me seguia e parecia preocupado com meu estado... Completamente irritada a ponto de arrancar a cabeça de alguém! Ouvi ele rir bufado enquanto eu tomava um gole, olhei fria jogando o copo fora.

—Qual é a graça de me ver nervosa?

—Nada! – Logo ficava sério. – É que... Não esperava que sua vida fosse assim tão... difícil.

—Você ainda não sabe de nada.

Passei por ele e fui até a porta virando a placa para “aberto”, e o inferno começou logo quando fui para o balcão. A primeira cliente era uma mulher bem adulta já, Gilbert estava bem atrás de mim. Fiquei a observando e logo que ela se aproximou de mim olhou para Gilbert um pouco assustada.

—Que...Isso? –Ela apontava para ele.

—Com licença, senhora... Mas não se aponta assim para um pessoa. – Cruzei os braços a encarando.

—Mas ele é estranho!

—Ele é um ser humano... Claro que é estranho.

Ela se virou e simplesmente foi embora, aquilo era péssimo para a minha chefe. Eu precisa vender aquelas peças ridículas de garotas mimadas!

—Quer que eu vá para os fundos? – Gilbert apontava para trás.

—Se não se importar... – Me sentei no banquinho me deitando do balcão. – Eu juro que se eu ficar assim.... Eu durmo.

Ele riu e me levantou, resmunguei e o mesmo riu novamente. Ele foi para os fundos sem problemas, eu espero... Pelo menos ele entendia o que as pessoas achavam dele.

A loja estava vazia no final da tarde, fazia mais ou menos duas que ninguém estava na loja, então fui para os fundos junto a Gilbert que escutava música no chão. Cruzei meus braços de lado me encostando na parede e fiquei o observando, ele ainda não me notava e eu conseguia escutar seu rock dali, ele estava bem concentrado na melodia, assobiava, balançava a cabeça de um lado para o outro e cantava alguns trechos. Me aproximei lhe dando uma leve cutucada com o pé em seu quadril e que me olhava sorrindo.

—Então? Acabamos? – Se levantava animado.

—Tire esse sorriso do rosto, porque não estamos nem perto de terminamos está merda de turno! – Me irritei logo me sentando no chão e ele fazia o mesmo novamente.

—O tempo passa rápido, você vai ver. Não precisa ficar nervosa assim, vai piorar seu dia. – Ele me olhava nos olhos dando um leve sorriso.

—Olha, eu sei que já tive momentos muito! Muito piores! Mas... Eu cansei já dessas coisas, tudo dá errado comigo. Tudo.

—As coisas não vão se resolver assim, senhorita.

Olhei para ele um pouco surpresa depois de me chamar daquilo. Abracei meus joelhos e o escutei suspirar.

—Olha... Eu não quero ser grossa ou... estranha. – Desviei o olhar para o lado. – O que você? De verdade...?

Lentamente ele olhava para cima dando um leve sorriso, achei estranho da parte dele, bem... Eu não disse nada de engraçado, era somente uma curiosidade.

—Não entendo porque está rindo... – Falei fria o encarando.

—Porque a pergunta? Sou apenas um ser humano... – Me olhava cerrado ainda com o sorriso fraco.

Nessa hora eu escutei alguém chamar do balcão e logo me levantei saindo dali. Gilbert foi estranho essa hora.

“Sou apenas um ser humano.”

Aquilo parecia tão... irônico.

. . .

As oito e ponto fechei a loja, desci as cortinas das vitrines e comecei a trocar as roupas. A encomenda das roupas de outono haviam chegado, tinha alguns casacos de couro pesados e eu tinha que arruma-los em cabides separados com isso meus braços ficaram cansados com o peso dos couros. Novamente estranhei Gilbert, ele não saia lá de trás já havia passado algumas horas desde quando comecei a arrumar a loja. Fui até aonde ele estava e fazia a mesma coisa, só que dessa vez fazendo algum desenho... Eu não esperava esse talento dele, bem, talvez ele não tenha esse talento, pode estar fazendo rabiscos para passar o tempo, mas confesso que fiquei curiosa. O observei por um tempo, ele parecia calmo e contente, eu sinceramente achava difícil permanecer nesse estado por tanto tempo.

Depois de colocar as roupas de outono na loja inteira, fui tomar um pouco de fôlego, sai da loja e fiquei na calçada olhando para o alto... Para o longe. Já estava de noite e o céu estava um pouco nublado com somente algumas estrelas brilhando fraco naquele céu escuro... Tão escuro. Eu achava incrível olhar para o breu da noite, era emocionante pensar que eu estava olhando para o universo, como sempre... Eu comecei a me fazer várias perguntas sobre isso.

Será que existe algum tipo de vida além daqui? Não digo somente extraterrestres, ou talvez até um outro tipo de alienígenas. Talvez um paraíso. Eram tantas perguntas na cabeça. Será que quando eu morrer irei parar lá em cima junto as estrelas e meus ente queridos? Eu esperava que isso fosse possível. Uma leve brisa comecei a soprar e estava gelada, então logo voltei para dentro exausta!

Eu esperava que Gilbert estivesse pelo menos atrás do balcão, mas não, o mesmo estava sentado e encostado em uma parede perto do armazém de roupas... Porque ele não saia de lá? E porque ainda está desenhando? Ah! Esquece! Isso são perguntas estúpidas! Andei até o balcão e quando eu chutei minha bolsa da faculdade logo me lembrei da lição para amanhã! Rapidamente peguei minhas coisas fazendo muito barulho com os matérias já que “ninguém” estava por perto. Lição de matemática e filosofia! Eu estava com tanta dor de cabeça que nem sabia mais o que eu estava estudando, minha cabeça ia explodir... Eu estava exausta. Como sempre.

. . .

(Gilbert on)

A humanidade era estranha para mim desde quando eu a olhei lá de cima. Mesmo ela sendo estranha, era surpreendente e eu tinha curiosidade de como ela havia se transformado tão rapidamente, mas... Eu achava que esses humanos fossem um pouco mais gentis, ao contrário da mesma.

Liza.

Com todo aquele tormento sobre “demônio”, eu achava que não ia sobreviver com toda aquela grosseria e ignorância do humano. Um ser com uma mente genial, mas um comportamento vergonhoso para ele mesmo, mas cá estou, sentado na loja de minha colega.

Eu não sabia exatamente o que ela estava fazendo aquele momento, mas desde que ela esteja segura... Tudo bem para mim ser ignorado, magoado ou até mesmo ferido. Eu tinha escolhido essa missão e eu não vou desistir por uma coisa tão simples, que seria a própria raça humana. Tudo aquilo era novo para mim!

Depois de escutar mais algumas músicas e terminar meu desenho, coloquei o celular e o caderno junto ao lápis no meu lado, me levanto e estranho o silêncio... Eu esperava que ela estivesse arrumando as coisas para o outono, o verão estava no seu tempo final, daqui em algumas semanas a brisa fria tomara conta da América. O silêncio era atordoante eu ainda olhava para o pequeno corredor que dava a sala principal da loja e logo em seguida que dei um suspiro um pequeno ronco quebrou o silêncio. Em pequenos e silenciosos passos andei até o balcão e me deparo com uma cena relaxante. Liza estaria dormindo em cima de seus deveres, como uma pequena garotinha tendo seus sonhos no paraíso do sono profundo, eu sorri vendo que elas estava dormindo profundamente bem... Ela estava exausta, mas me senti um pouco mal de não tê-la a ajudado com a organização do outono. Lentamente fui em sua direção, me agachei um pouco para ver se ela estava mesmo dormindo pesado. Confirmado, estava até dando pequenos roncos. Com cuidado peguei o caderno debaixo dela, era uma lição de filosofia e a última pergunta de seu dever era.

“Devemos acreditar em um mundo além do nosso? Como acha que ele deveria ser?”

Sorri de leve olhando o rosto adormecido de Liza, então... Respondi para ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.