Angel Rebel
2 Isso é um sonho
Notas iniciais
***RACHEL***
- Eu não gostei dessa chegada.
- Shh. Vem, ela está no segundo andar.
Ajeitei a roupa e segui Santana até o segundo andar, pelas fotos no apartamento ela era casada. Ainda bem que não era uma criança. Crianças geralmente me mandam por inferno em dois segundos e elas não sabem o quão poderoso é esse pedido.
- Como ela é? Não vai me dizer que a morena da foto, porque ela tem uma cara de...
Santana me encarou.
- Tá, já me calei.
Dois passos, e paramos na porta do último quarto. Cruzei os braços e esperei Santana abrir a porta. Eu não sei por que ela enrola tanto, geralmente eu entro sem bater.
- Já sabe o que tem que fazer não sabe?
Assenti.
- E o que você tem que fazer? -. Ela insistiu.
- Ajuda-la com os problemas da vida dela.
- E?
- E não fazê-la desistir de mim até a missão terminar-. Eu já havia decorado esse discurso.
Apertou minha bochecha com força.
- Boa garota.
- Sabe, eu vou ter que morar aqui?
Segurou a maçaneta me encarando.
- Sim, ou tem outro lugar?
- Tenho-. Droga, eu não devia ter contado. — Quer dizer... ah Santana, eu passei a maior parte da minha vida aqui. Eu...
- Se habituou. Rachel isso é errado-. Me olhou seriamente.
- Não é uma coisa gigantesca, é um apartamento simples e pequeno-. Encolhi os ombros.
Abriu a porta, uma luz fraca iluminava o enorme quarto.
- Isso é grande. — Sussurrei.
Santana fez sinal de silêncio. Me aproximei da cama, reconheci uma das garotas no porta retrato na estante. Brittanny Fabray. Santana me puxou desfazendo meu sorriso bobo.
- Pode prestar atenção aqui?
- A garota da foto, ela é incrível. Uma vez a garota que eu ajudei me comprou um vestido feito por ela, só que aí ela caiu na real, pegou o vestido de volta e fez como todos os outros, me dispensou.
- Não estou a fim de ouvir suas manipulações Rachel.
- Eu nem gostava dela, era complexada demais-. Comecei a divagar.
- Rachel! Foco.
Me juntei a ela, fizemos uma inspeção no quarto e Santana me levou há dois dias atrás.
- Perdemos duas companhias. — Uma voz gritou.
Segui Santana pelos corredores iluminados.
- Onde estamos?-. perguntei olhando ao redor.
- Na empresa dos Fabray.
- E o que estamos fazendo aqui?
A porta se bateu atrás de nós.
- Que droga Sam! Onde falhamos dessa vez?
Santana me virou em direção à voz.
- Eu vou cuidar dela?-. Perguntei só para garantir.
Assentiu.
- Ah meu deus, está falando sério? Então ela não é...
- Não Rachel, aquela é a namorada dela, Harmony.
- Harmony tem muito bom gosto. — Me aproximei, a examinando.
Quinn Fabray, esse era seu nome, pelo menos era isso que estava escrito na caneta que segurava. Estava visivelmente nervosa. Peguei os papéis em sua mesa, sem entender uma palavra sequer.
-Aff, não entendo nada disso-. Joguei os papéis para cima e eles caíram perfeitamente na mesa, como estavam antes.
Me sentei na cadeira a sua frente, a vendo gritar.
- Liga para Harmony, diz que vou buscá-la mais tarde. — Falou ao telefone.
- O que vamos fazer? — O grandão perguntou.
- Não sei. Precisamos pensar, criar algo que passe os Sylvester’s, só isso, o resto que vá para o inferno.
- Algo me diz que ela vai usar muito essa frase comigo-. Gargalhei e Santana me puxou da mesa.
Voltamos ao quarto.
- Ai. — Reclamei.
- Já sabe que ela tem problemas.
- Ah sim, já sei. Mas não sei nada de cálculos, como vou ajudá-la?
Bufou elevando as mãos para o céu.
- Olha, eu não gosto de receber ordens, só estou aqui porque você sabe o que vai acontecer comigo.
- Bom, já te apresentei a sua nova parceira. Tenho os meus afazeres. Não peque-. Me avisou.
Sorri. Impossível.
- Eles estão te vigiando, cuidado com o que diz e o que pensa. Uma rejeição e está de volta.
- Sim senhora. Pode deixar que essa eu tiro de letra.
Bufou e sumiu.
...
***QUINN***
Tateei a cama e não achei meu lençol, virei do outro lado e meu travesseiro sumiu. Bufei, estava realmente cansada, mas precisava trabalhar. Abri os olhos, me sentei na cama de costas para janela, coloquei meus chinelos e segui para o banheiro. Tomei um longo e relaxante banho, meu radio estava chamando. Devia ser Sam me apressando. Me enrolei na toalha e voltei ao quarto, abrindo o guarda roupa e pegando o rádio.
- Fala.
- Está cinco minutos atrasada.
Bufei.
- Estou quase chegando. Não se preocupe.
- Sue voltará à empresa hoje.
Puxei o terno.
- Eu sei, mas aaaaaaaaaaaaaaaaaaah-. Gritei deixando o radio cair.
Meu coração devia estar batendo no cérebro, minha cabeça de repente parecia pesada. O aparelho se desmontou no chão. Fechei os olhos contando ate três e os abri. Nada havia mudado.
- Quem... é você?
Havia uma garota sentada na minha poltrona, vestido preto, salto alto, cabelos negros caídos de lado, segurava um pirulito de dado, desses bem achados nos cassinos de Las Vegas, abriu um sorriso.
- Sou seu anjo da guarda. — Sorriu, um sorriso nada convincente.
- O que?
- Seu anjo da guarda.
Gargalhei.
- Boa piada. Não me lembro de ter parado em nenhuma boate de strip-tease noite passada.
Me encarou.
- Você dá a sorte de eu não poder fazer nada. A faria se arrepender de suas palavras.
- Como? Jogando pó de pirlimpimpim em mim? Ah não, isso são as fadas que fazem. Me diz aí, nós não...?
Se levantou me encarando.
- Eu vou para o inferno por isso, mas vou te fazer calar a boca.
Gargalhei. Mas a voz não saiu. Toquei a garganta e tentei gritar, mas nada. Ela sorriu.
- Ótimo. Agora vamos conversar. — Voltou a se sentar. — Eu preciso de você e você precisa de mim, certo?
Neguei.
- Certo. — Falou. — Não se preocupe, sua voz vai voltar. É o seguinte, me jogaram na terra porque não me comportei muito bem nesses últimos anos e eles se revoltaram, aí para eles poderem me perdoar eu precisaria ajudar alguém e esse alguém é você. Então sim, eu preciso de você e você precisa de mim.
Sorri sem humor. Ela estalou os dedos e minha voz voltou.
- Você é minha alucinação.
- Não sou não. É sério loira, eu não quero ter que te orientar em nada, mas eu preciso muito da sua colaboração.
- Eu não quero... — A voz sumiu de novo.
- Não diga isso.
Peguei minha roupa e segui para o banheiro. Eu estou sonhando, é isso. Estou sonhando, um sonho ruim, uma linda mulher, mas um sonho ruim.
- Obrigada pelo linda. — Gritou do quarto. — E isso não é um sonho.
Passei as mãos no cabelo, peguei minhas pastas e desci. Ela estava me seguindo.
- Vai pra luz espírito.
Gargalhou, passando o pirulito para o outro lado da boca deixando um volume na bochecha esquerda.
- Essa foi boa. Mas não.
Abri a porta e segui para o elevador. Olhei para trás e ela não estava. Ótimo. Sonho, sonho, sonho. Segui para o estacionamento, peguei meu carro e comecei a respirar melhor.
- Esse carro é incrível. — A voz veio do banco de trás me fazendo frear a todo vapor. — Quer nos matar? Ou melhor, quer se matar?
- Co-como entrou aqui?
- Dispensei o elevador. Agora se não me engano, você está atrasada.
Desci do carro.
- Sai.
Balançou a cabeça.
- Sai da droga do carro.
Algumas pessoas passavam e me encaravam. Ela continuava me encarando.
- Não quero tirá-la a força. Sai agora.
- Dra. Fabray, tudo bem?
- Tudo sim Puck. Só quero que essa mulher saia do meu carro.
Puck me olhou estranho.
- Posso pedir um táxi para você-. ele ofereceu.
- Isso, peça um táxi para ela-. Sorri vitoriosa.
- Doutora Fabray... não tem ninguém no seu carro.
A desgraçada sorriu marotamente.
- O que? -. Arregalei meus olhos.
- Não tem ninguém no seu carro. Me desculpe, mas...está alcoolizada?
Ah droga. Era só o que me faltava.
- É melhor aceitar os fatos-. A morena falou, olhando para as unhas distraidamente..
Eu queria socá-la, assim iria aceitar os fatos.
- E então... — . Puck voltou a chamar a minha atenção.
- Obrigada Puck, tenha uma boa manhã-. Porque a minha seria péssima. A minha começou muito mal, droga!
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