Angel Rebel
14 Comemoração longe demais!
Notas iniciais
***QUINN***
–Quer cavar um buraco para se enterrar? -Rachel perguntou soltando meu braço e atacando a mesa onde uma pirâmide de taças havia sido montada.
A encarei.
–Não e por favor, não pega a taça dessa pirami...- Ela pegou.
–Relaxa, eu não vou destruir nada.
Me sentei na primeira mesa que achei a trazendo comigo. Seu silencio me assustava mais do que as mensagens de socorro que Brittanny me mandava.
–Quinn, seu nervosismo esta me irritando.
–Está é? Eu que vou ter que parecer muito interessada em costuras lá em cima. -Falei pegando sua taça.
Suspirou.
–Vou te ajudar, mas para isso você vai ter que me dar livre acesso a sua mente. -Sorriu.
Eu odiava esse sorrisinho do mal. Eu tinha vontade de soca-la quando ela sabia que ia ganhar.
–Ok, você sabe o que dizer? Ou que me mandar dizer?
–Claro. Passei muito tempo na sala do Sam e que vergonha Quinn, ele saberia dizer o que você precisa dizer.
–Jura? Não me diga.
Deu de ombros. Uma mão tocou meu ombro. Uma loira sorriu amigável
–Quinn Fabray?
Assenti.
–Reservei uma mesa lá na frente. Sou Carmen, Brittanny me avisou que um dos belos Fabray viria, mas não me disse que era tão bela assim.
Rachel a encarou com cara de nojo e não disfarçou.
–Eu sou Rachel Berry. -Se apresentou ficando a minha frente, deixando uma Carmen envergonhada.
–Oh, sim. Prazer. Bom, espero que estejam gostando. Qualquer coisa, é só me procurar.
Rachel continuava a encarando, ate ficarmos sozinhas de novo.
–O que foi isso?-. Perguntei confusa por sua atitude.
Me ignorou voltando a maldita mesa de taças e pegando a taça que poderia derrubar a maldita pirâmide.
–E sua querida namoradinha tem ciúmes de mim, e ela nem consegue me ver. Serio, ela é cega para o mundo dela?
Segurei a cabeça, vendo a casa ficar cheia. Rachel continuava do meu lado, ignorando o mundo e sorrindo sozinha. Estava pensando na hora que deixaria ela invadir minha mente e fazer sua vistoria. Ou posso subir naquele palco e forçar minha mente a se lembrar de alguma coisa que Brittanny tenha dito.
–Não vou te matar por te passar informações Quinn. Melhore essa cara. O que você poderia me esconder?
Segurei sua mão quando Carmen acenou com a cabeça. Rachel segurou a taça direito e me acompanhou.
–Pensei que ela viria nos chamar-. Rachel disse.
–Parou. -A encarei como se tivesse diante de uma criança de cinco anos. -Você vai ficar sentadinha aqui e me ajudar, ok?
–Primeiro, não sou uma criança, então pare de falar como se eu fosse uma. -Bateu de leve em meu rosto. -Segunda, não mande em mim quando eu já ofereci ajuda.
–Ok, só me ajude.
–Pode deixar. -Sorriu falsamente e não consegui conter o meu riso.
Me afastei, ouvindo sua risada baixa, peste! Eu queria voltar e faze-la engolir seu divertimento. Carmen me apresentou a algumas pessoas que formaram um pequeno circulo. Tiramos algumas fotos, falamos de coisas relacionadas a campanha e basicamente, era tudo o que Brittanny já havia dito que aconteceria.
Quando as luzes em fim baixaram e uma musica ecoou. Eu sabia que teria o meu tempo para subir naquele palco e ditar a campanha. Rachel acenou do lugar, quase provocativa.
Pode parar de se divertir com isso?
Sorriu. E mexeu a boca em um: abra a mente. Respirei fundo algumas vezes e então lhe dei acesso.
Satisfeita?
Muito.
Me sentia desconfortável, eu quase conseguia senti-la brincar com meus neurônios e evitei muita das vezes a olhar. Quando Carmen me chamou ao palco a encarei. Ela amava me ver nervosa.
Vamos lá, faça o seu trabalho.
Vamos conversar um pouco Quinn, não precisamos de pressa.
Respirei fundo e ela soltou uma gargalhada.
Ok, vamos lá loira.
Respirei fundo mais uma vez e apenas segui o que ela me mandava dizer. Não vou mentir que fiquei com medo dela me mandar dizer coisas totalmente diferentes do contexto. Confiar em meu anjo da guarda, era como confiar desconfiando. Mas os aplausos que ganhava e pelos olhares de satisfação dos nossos parceiros, parecia que eu não estava sendo uma idiota.
Me irritei duas vezes, quando ela me esqueceu, ou fingiu me esquecer e duas modelos já haviam entrado na passarela. Quase gritei quando se voltou a mim e ainda sorriu.
Pode prestar atenção aqui?
Deu de ombros voltou a me guiar. Eu só queria que tudo aquilo acabasse logo e que da próxima vez, Sam viesse. Prefiro me trancar em uma sala, a ficar diante de todas essas pessoas falando de alta costura. Coisa de Brittanny Fabray.
Seu nervosismo esta me deixando tão... encantada-. Rachel fingiu suspirar.
Dei de ombros dando minhas ultimas palavras, quando em fim, uma fila perfeita de modelos se juntaram a nós.
–Bom, essa foi a amostra da campanha. Espero que todos tenham gostado e consulte nosso catalogo. Posso garantir que fizemos um bom trabalho. -Carmen tocou meu ombro e lhe passei a vez, dando um passo atrás.
É claro que ela tocaria em você, apenas para ter certeza de que é real-. Rachel bufou.
Pode ficar quietinha agora?
Sorriu erguendo sabe se lá, qual taça de champanhe da vez. Me foquei em Carmen, seu agradecimento e as ultimas palmas. Mais fotos e me vi longe de todas aquelas pessoas repetindo a mesma coisa. Rachel continuava sozinha, sentada em sua cadeira quando a maioria já circulava pelo espaço, ou admiravam os modelos desfilando de um lado a outro. Resgatei uma taça na bandeja do garçom ao lado e me sentei a seu lado. Sorriu.
–Devo lhe dar os parabéns. Você foi uma excelente cópia.
–Devo agradecer, tirando as partes que você falava besteiras, me deixava nervosa ou criticava a formiga caminhando tranquilamente do seu lado. Você foi uma ótima porta-voz.
–Obrigada, mas não precisava. Sei que sou boa nisso.
Gargalhei.
–Bom, agora vamos beber e beber.
–Boa ideia. Mas você me parece um pouco fora do lugar.
Bufou. Sim, ela poderia estar quase ficando bêbada
–Esqueci que minha forma humana é uma comedia. Fraca demais para o meu gosto.
Me deixou para trás caminhando entre as pessoas em busca do som alto. Eu não podia deixa-la sozinha, por isso a puxei algumas vezes de pessoas que a puxava para uma dança que para mim, era forçada. Levei alguns tapas e socos, mas logo ela percebeu que devia me obedecer.
–Eu estou bem, pode acreditar.
–Quantos dedos tem aqui? -Fiz o dois.
–Quantos tem aqui? -Ela me mostrou o dedo do meio e me deu as costas.
Você devia estar cuidando de mim. Pensei sem intenção de chegar a ela. Que parou para me encarar.
–Posso me divertir uma vez? Se não me quer dançando com essas pessoas agradáveis-Sorriu a um adolescente que passava por ela. -Dance comigo então
Legal.
–Eu não sei dançar.
–Posso te ensinar. -Estendeu a mão. -E não me olhe como se eu fosse te comer...literalmente. Você tem dois segundos, um...do...
–Não me faça me arrepender.
Sua mão segurou a minha com firmeza e me jogou no meio de muitas pessoas e luzes que piscavam. Não era porque eu gostava de farra e diversão, que eu merecia um anjo que para mim, veio de Vegas e não do céu. Sua mão segurou firme minha cintura e quase como uma adolescente, isso se não fosse, nunca perguntei sua idade e como toda mulher, eu apostaria que ela mentiria a sua. Como em um passe de magica surgiu um copo em suas mãos
–Levando em consideração o seu tamanho. -Falei. -Seu corpo não aguenta tanta adrenalina assim e ainda mais o álcool
Gargalhou.
–Quando se tem uma vida privada, qualquer adrenalina faz seu corpo reviver. Relaxe ,pare de dar um de “Santinha” e dance. E eu não vim de Vegas.
–Já falei...
–Já vi sua mente. E eu achando que eu mentia bem.
Segurei sua cintura quando quase caiu.
–Mas você mente e muito.
–Ok, então vamos mentir juntas a base de champanhe. -Soltou o copo e resgatou a garrafa da bandeja de um baixinho. -Você não fez burradas hoje, então vamos comemorar.
***RACHEL***
Quinn parou de bancar a santa, coisa que ela não era mesmo e resolveu comemorar. De alguma forma estava me sentindo estranha, algo dentro de mim me mandava aproveitar bastante. E era o que eu faria, mesmo tendo um trabalho ardo nas costas.
Nesta manhã, deixei alguns documentos na mesa de Sam e de verdade, esperava que ele pelo menos entendesse o recado. Sam nos levaria a empresa de Sue, comentaria pelo menos. Alguma ele teria que fazer, ou achar estranho já que Quinn não colabora. Puxei a quarta taça de champanhe de sua mão
–Depois você acha que a bêbada sou eu-. Comentei, seu rosto estava corado pela bebida.
Me puxou pela cintura. Ela não devia fazer isso dessa maneira.
–É minha noite. Posso comemorar?-. Sussurrou em meu ouvido.
–Claro que pode. -Virei o liquido da taça na boca. -Mas espero do fundo do meu coração que você se lembre amanha, que fez duas garotas idiotas felizes. -Fora eu. -E que fez quase um strip aqui, e também, achou a Carmen linda. Essa parte eu discordo de você
Gargalhou em meu pescoço.
–Esta mentindo... de novo-. Beijou o local
–Eu espero que esses fotógrafos tenham registrado isso. E me aguarde, vou ficar insuportável se isso acontecer.
Deu de ombros voltando a dançar de maneira que no meu dicionário é crime. Da ultima vez que dancei assim, assinei minha passagem ao inferno. Outra musica agitada e apenas me girava no lugar, já estava com o cabelo completamente solto..
–Quer continuar aqui e ser primeira capa amanha, ou prefere que eu te leve pra casa?-. Perguntei.
Segurou meu rosto com as mãos e beijou minha testa e foi descendo pelo meu rosto.
Vamos lá, acorde.
–Quinn! Não brinca assim, sabe que depois não paro.
Sorriu.
–Isso é legal... não é? Você faz isso comigo.
Eu?
–Cala a boca. Você bebeu demais.
Segurei sua mão e quase a arrastei dali. Eu devia deixa-la se despedir de algumas pessoas, mas acho que ela bebeu o suficiente para apenas falar besteiras.
–Taxi. -Uma morena duas vezes maior que eu, chamou.
Assim que o carro parou, empurrei a dois metros de altura delicadamente, jogando Quinn lá dentro e ouvindo os gritos histéricos ficando para trás.
–Isso é urgente. -Gritei da janela. Passei o endereço e a encarei ao meu lado.
Só então senti a tontura e uma sonolência Mas duas bêbadas já era demais.
–Por que... me tirou de lá?-. Perguntou com dificuldade.
–Porque eles não contrataram strippers ou palhaços.
Bufou e depois sorriu.
–Sabe... há muito tempo não me divirto assim.
–Percebi.
Minutos depois, mais rápido do que eu pensava. Estávamos na porta do hotel. Dispensei a ajuda do motorista e a arrastei comigo para o elevador. Quinn mudava de humor a cada segundo. Uma hora me olhava e ria, na hora estava seria.
–Você colocou alguma coisa... na minha bebida-. Acusou.
–Coloquei Quinn. Eu trabalho na empresa do álcool e adivinha? Fiz uma garrafa especial pra você Por isso só você ficou bêbada depois de beber quase um estoque inteiro.
Puxou meu braço me presando na parede do elevador.
–Isso... não é engraçado.
–Eu sei. Me promete que não vou ser obrigada a faze-la dormir?
Tapou meu rosto com a mão. Meu deus, ela cobriu meu rosto. Bati em sua mão
–Pare com isso!
As portas se abriram e a deixei para trás alguns passos, mas precisei voltar quando ela pediu ajuda.
–Eu devia deixa-la ai.
–Esta tudo girando. Eu...não posso ficar bêbada. Faço coisas...ridículas-. Soluçou.
Enfiei a mão no bolso do seu casquinho para pegar a chave. Ela gargalhou.
–Pare de me tocar sua tarada.
–Quinn! -Gargalhei sem me aguentar. -Deixa de ser retardada. Eu quero a chave, ok?
Assentiu segurando riso, mas foi inevitável. Na quarta tentativa consegui pegar a bendita.
–Vá dormir bêbada retardada. -Indiquei a cama.
Mas fui surpreendida quando minhas costas se chocaram contra a porta e senti o estalo da fechadura, constando que ela se fechou. Quinn tinha os olhos fechados e respirava bem perto. Perto demais.
–Quinn?- A chamei em um sussurro.
Suas mãos apertaram minha cintura de leve e isso me meu corpo inteiro tremer.
–O que esta fazendo?-. Consegui perguntar.
Não respondeu. Mas sua mente me mandou informações demais. Quinn pensa mais em mim, no que nela mesma?
–O...o que você esta fazendo?-. Voltei a perguntar.
Respirei fundo, tentando me concentrar.
–Uma coisa que eu quero há muito tempo-. Colou seu corpo no meu.
Encara-la não era uma boa ideia. E deixa-la me beijar, eu não podia, mas...
–Vai...se lembrar que me beijou amanha, ou vamos culpar o álcool?-. Perguntei quase cedendo.
Deu de ombros, essa era a primeira vez que eu via uma Quinn completamente diferente daquela que eu gostava de irritar. Esse era a Quinn que de maneira completamente sem noção, estava sendo ela.
Que se dane! Vou para o inferno mesmo. Só espero que amanhã ela se lembre do que estamos prestes a fazer.
Foi a ultima coisa que eu pensei, antes de colar meus lábios nos seus.
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