Angel Of Mine
7 Paraíso perdido.
Notas iniciais
Londres, 28 de Dezembro de 2040.
Narração em 3º pessoa.
Outra visita dos médicos, mais medicamentos, mais recomendações. Aquilo já estava irritando e muito Kaya, quem era eles pra mandar ela fazer alguma coisa? Ainda ela estava viva certo? Tinha todo o direito de querer que sua filha lesse seu diário, mas esses médicos irritantes simplesmente não entendia seu lado. Ninguém nunca entendia ela, aquilo era teimosia de sua parte, todos ali presentes via que aquele maldito diário estava fazendo mal, aquelas malditas lembranças quase causaram uma parada cárdio respiratório nela. O olhar de sua filha estava reprovador, Allie já havia ameaçado de jogar aquilo fora duas vezes.
– Ainda sou sua mãe, Alisson — disse Kaya irritada com sua única filha.
– Mas isso está te fazendo mal! Não vou continuar a ler isso de jeito nenhum! — o tom de Allie era mandão e preocupado ao mesmo tempo. Aquilo fez quase Kaya rir, sua filha tinha o mesmo gênio que o seu. Ou talvez de outra pessoa, talvez, não sei.
– Não sei porque isso é tão importante — Allie bufou e se sentou emburrada aos pés da mãe.
– Pra mim é mais que importante, se não quiser ler, deixe que eu leio, pegue ali os meus óculos. Se isso não for demais pra você — disse Kaya seca.
Alisson respirou fundo duas vezes e voltou a ler, com isso o coração de sua mãe se encheu de alegria e.... Tristeza ao mesmo tempo, só ela sabia como era ruim ter que lembrar de Jimmy assim, lembranças, lembranças. Até quando ela viveria apenas disto? No fundo ela ansiava por sua morte, ansiava pra estar ao lado de seu Jimmy. Kaya não merecia, claro que não, ninguém merece um final como o seu.
Algum lugar dos E.U.A, 22 de Janeiro de 2009.
Minha noite (ou madrugada, ah tanto faz. Foi muito boa ok?) fora um tanto estranha, boa.... Ok, foi perfeita, admito que não dormi, tirei alguns cochilos, passei metade de meu tempo observando ele dormindo, James é tão bonito! Ele parecia mais um anjo caído dormindo, ainda tinha as minhas dúvidas sobre isso, seu rosto tinha uma expressão serena, os lábios cheios estavam entreabertos, vermelhos e convidativos. Mas não me atreveria em acorda-lo só por causa de minhas vontades impulsivas, seus braços ainda estavam em minha cintura e de vez em quando ele me apertava e puxava para perto de si. Até dormindo Jimmy era mandão e possessivo, sorri e deitei minha cabeça em seu ombro, minha mão fora para seu cabelo, afagava delicamente as mechas macias de seu cabelo, afaguei seu rosto. Deus, como eu simplesmente amava esse rosto tão perfeito, não era apenas o rosto que eu amava, não mesmo.
Tirei minha mão de seu rosto quando ele se remexeu.
– Porque parou? Estava tão bom... — sua voz estava mais rouca que normal e pastosa de sono, simplesmente adorável.
Voltei a afagar seu rosto, ele suspirou e sorriu. Fazendo meu pobre coração bater freneticamente em meu peito.
– Achei que estava dormindo — falei afagando as maçãs de seu rosto.
– E estava, mas senti você me encarando e acordei — ele abriu os olhos e me encarou divertido.
– Você estava de olhos fechados, Jimmy — disse o óbvio.
– Mas eu sinto.
– Você é estranho.
– Eu sei.
Nós dois se encarava, ambos com expressões divertidas no rosto, ele me abraçou e beijou minha testa.
Eu realmente não sabia o que fazer, eu não sei se devo acreditar naquela história de romper noivado, mas quer saber? Foda-se, irei aproveitar esse momento com ele o máximo possível.
– Eu já lhe disse que vou romper meu noivado, Kaya. Agora por favor volte para o planeta terra — Jimmy disse baixinho, me tirando completamente de meus devaneios. Como ele me conhecia assim tão bem?
– Lê mentes também? — perguntei irônica.
– Você é muito fácil de ler, relaxe, não volto atrás com a minha palavra — seus olhos analisava atentamente cada reação de meu rosto, isso era realmente irritante as vezes.
– Mas você mal me conhece! Como vai romper algo de anos por algo tão incerto? — perguntei olhando em seus olhos.
– Sinto que não é incerto, Kaya. Pare de pensar nisso, vamos resolver tudo, certo? — a mão de Jimmy acariciava lentamente as maçãs de meu rosto. Céus, aquilo era tão bom.
– Tubo bem, James — eu suspirei.
De má vontade me levantei, não queria sair de seu lado mas precisava ir ao banheiro. Pulei ao banheiro, minhas emoções irreconhecíveis. Eu não me conhecia, por dentro e por fora, como isso aconteceu? Ele que fez isso comigo? Pensava me encarando no espelho, o rosto era de uma estranha — olhos brilhantes demais, pontos febris de vermelho nas maçãs de meu rosto. Depois que escovei meus dentes dei um jeito naquele caos que chamava de cabelo, me irritando com ele acabei fazendo um rabo de cavalo. Eu praticamente corri para sala, e por incrível que pareça ele ainda estava ali, sorrindo e me esperando e meu coração martelou, instável.
– Daqui umas horas vamos estar na Califórnia — Ele estendeu os braços, em um convite mudo para se juntar a ele outra vez.
– Eu nunca disse, que queria ir com vocês para Califórnia. Não sou muito fã de calor sabe — dei de ombros fingindo indiferença, fui para seu colo de boa vontade.
– Mas você vai adorar HB, lá é um paraíso perdido, acredite — o sorriso em seu rosto era adorável. Acho que foi por isso que eu não contrariei seus argumentos.
Como uma pessoa muda assim em apenas duas semanas? Onde foi parar aquela Kaya depressiva, suicida e drogada? Ou aquela Kaya decidida que não acreditava e se apegava fácil com as pessoas? Pois bem, acho que ela morreu.
Agora só deus sabe o que vai acontecer com essa Kaya aqui que tem um futuro tão incerto.
Depois de mais alguns beijos de tirar o folêgo e as provocações vindo de Jimmy, decidi ir para a cozinha e lá encontrei Johnny e Zacky procurando algo para comer, mas quando eles me viram o olhar deles brilharam, se eles estavam achando que eu iria cozinhar estavam muito enganados, não tinha me esquecido da enorme aranha. E não iria cozinhar com aquela pia transbordando de louça.
– O negocio é o seguinte: Lavem a louça e limpe os armários. Assim, quem sabe eu faço alguma coisa pra vocês comer, aliás chamem os outros e vocês limpa essa cozinha inteira.
Jojo e Zacky me olharam como se eu tivesse falado algo realmente insano.
– Nem pensar, não sou nenhum escravo pra fazer isso — disse Zacky emburrado.
– Então você vai ficar sem comer — dei de ombros.- Se caso, vocês mudar de ideia me avisem.
Não tinha se passado nem dez minutos e todos me chamaram de volta para cozinha; no final eles aceitaram de limpar a cozinha inteira. É claro que eu ri e muito, Matt e Zacky eram o que estavam mais emburrados, ambos tinham a cara fechada e resmungava, Brian, Jojo e Jimmy até que estavam se divertindo, não sabiam se brincavam ou se limpavam a pequena cozinha daquele ônibus, admito que estava meio apertado, também não é pra menos né com cinco grandalhões ali, digo quatro porque Johnny não conta.
Uma hora e meia depois a cozinha estava reluzente de tão limpa e arrumada.
Como combinado cozinhei para eles, fiz com boa vontade panquecas, ovos mexidos, waffles e biscoitos, e até fritei bacon para Zacky.
– Desse jeito vou acabar ficando igual ao Zacky — murmurou Brian de boca cheia.
– Eu também — concordou Matt.
– Calem a boca, vocês nunca vão ser como eu — falou Zacky girando os olhos.
– Não mesmo os únicos que te superam, Zacky. São os lutadores de sumô — Jimmy jogou um pedaço de biscoito em Zacky e riu de sua expressão.
Encarei eles com outro olhar, com toda certeza quem via de longe esses cinco caras diria que eram uns caras tatuados e mal encarados, as piores coisas possíveis, mas quem via de perto, o oculto e profundo de cada um deles via que eles eram mais que amigos, pareciam mesmo irmãos, uma família, e por incrível que pareça me sentia como um membro importante daquela família.
A minha família.
Huntington Beach 23 de Janeiro de 2010.
Santo deus, Huntington Beach era mesmo um paraíso perdido! Olhava fascinada para as praias de águas tão cristalinas e azuis quanto os olhos de Jimmy. As palmeiras quase cintilavam com suas folhas verdes, eram tão bonitas, de um verde fascinante. Ali era um lugar muito bom pra se passar a infância e a adolescência, eles tinha sorte.
– Aqui é mesmo bonito — falei olhando o rosto concentrado de Jimmy ao volante.
Ainda não sabia o motivo de Jimmy dirigir tão concentrado, era até engraçado ver sua testa franzida, seus olhos semi-cerrados e seus lábios meio crispados. Parecia que ele estava se esforçando para não fazer algo, eu já havia pedido para dirigir, porém ele negou dizendo que ele queria fazer aquilo. Eu não discuti com ele, estava me segurando para não rir de suas caretas.
– Eu disse que você ia gostar — ele beijou rapidamente minha testa e voltou a prestar atenção na estrada.
Eu e Jimmy estavamos....Juntos, sim estavamos juntos, era bem estranho na verdade, mas ao mesmo tempo muito bom, mas tudo isso iria acabar quando chegassemos na casa de Matt, ele tinha que manter as aparências. Tudo isso era uma puta frescura de Jimmy, era só terminar com ela e pronto, as vezes achava que essa girafa estava apenas me enrolando. Se Jimmy pudesse ficava comigo e com Leana ao mesmo tempo, mas como ele tem sanidade suficiente não diz nada disso.
– Você parece aquelas velhas, fica ai resmungando e falando sozinha. Você as vezes me dá medo.- murmurou Jimmy rindo.
Eu girei os olhos e ignorei seu comentário, não estava afim de conversar, não queria pensar que daqui alguns minutos vou ter que fingir que nunca toquei em Jimmy. Eu achei que iria ser fácil, mas caralho, estava doendo e muito.
Jimmy parou o carro, mas estavamos no meio do nada praticamente, ele desceu e venho pro meu lado. Vi o carro dos outros seguindo em frente, nenhum parando para saber se tinha acontecido algo errado, filhos da puta. Jimmy abriu a porta do carro e ficou ali me encarando, sem fazer nada, apenas me encarando com aqueles olhos azuis questionadores, as sobrancelhas estavam arqueadas, deixando com ar de superior e cara bravo. Eu sorri amarelo pra ele.
– Eu já disse pra você se acalmar, sua velha ranzinza — seu rosto estava retorcido em uma carranca feroz. Achei que ele estava mesmo bravo comigo, mas depois sorriu.
– Mas eu to calma, e escuta aqui eu não sou velha e muito menos ranzinza — falei apontando o dedo em seu rosto, a parte de ranzinza poderia ser verdade. Mas não vamos comentar sobre isso.
Ele abaixou meu dedo e me puxou para um abraço, me aninhei em seu peito e fiz o que mais adorava, respirei fundo. Tragando todo seu cheiro, trazendo para meu pulmão que aceitou aquilo de boa vontade seu cheiro era bom, era tabaco turco e meio apimentado. Eu gostava do jeito que pinicava meu nariz aquelas duas combinações estranhas me faziam bem.
– Está tão calma que não para de fazer essa coisa estranha de me cheirar — Jimmy riu e afagou meus cabelos, segundo ele isso que eu fazia de ficar o cheirando era estranho, as vezes parecia uma viciada em cocaína. Talvez eu fosse e minha droga fosse ele.
– Hmmmmmmm — murmurei não dando a mínima para seus xiliques, meus lábios estavam ocupados demais em seu pescoço. O Mordi com delicadeza.
– Kaya...- suspirou Jimmy, sua mão já estava em meus cabelos, sabia que tinha uns três segundos para morde-lo e deixa-lo marcado no pescoço. E assim o fiz, o mordi com toda força que eu tinha.- AI! Kaya.
Jimmy riu e me puxou.
– Me desculpe — disse fingindo inocência.
– Você é má e merece ser castigada. Vem aqui sua maléfica — Jimmy me puxou pela cintura, sua boca me beijou com vorazcidade, me deixando completamente sem ar. Mas ele se soltou de mim tão rápido quanto venho, me deixando tonta e com gosto de quero mais.
– Melhor irmos logo. Eles podem desconfiar — Jimmy sorriu com malícia quando viu meu olhar furioso por ter parado o beijo.
Ele entrou no carro e arrancou, não fiz questão de olhar em seu rosto, mas sabia que ele tinha uma expressão divertida. Ele riu quando eu bufei e fiquei amuada em meu canto.
– Minha pequena — disse ele docemente.- Não vamos nos atrasar, se Leana imaginar que você venho comigo ela vai surtar, e não estou nem um pouco afim dela arrumar confusão com você por minha causa.
Sorri com seu tom de voz e sua aparente preocupação comigo, cheguei perto dele e beijei docemente sua bochecha, me recostei de volta no banco, satisfeita com o sorriso meio bobo que tinha em seu rosto.
Fiquei olhando a paisagem e tentei me acalmar meu coração. Cada dia que se passava eu me apaixonava mais e mais por esse projeto de poste. O engraçado era que nenhum de nossos amigos disse algo contra, pelo contrário. Matt bufou um "finalmente", Brian idiota como sempre disse "usem preservativos, crianças." Johnny foi mais convincente "eu já sabia" e logo em seguida girou os olhos e voltou a jogar alguma coisa idiota em seu notbook e Zacky para minha grande surpresa "Estava mais que na hora de vocês dois se acertarem." Logo depois deu um sorriso estonteante.
Eu adorei essa aprovação deles, me fazia sentir que não estava invandindo o espaço deles ou alguma coisa do tipo, era bom. Mas só deus sabe o que vai acontecer nesse paraíso perdido que se chama Huntington Beach.
Suspirei pesadamente quando o carro parou em frente a uma enorme casa branca.
– Vá na frente — eu disse sem olha-lo.
Jimmy entendeu meu recado e saiu do carro sem olhar para trás, mas de alguma forma eu sabia que ele também estava decepcionado por se separar de mim sem ao menos um beijo. Sai do carro e peguei minhas novas malas, mas porque diabos eu peguei aquilo se nem ao menos eu sabia onde ficaria? Essa história toda de ficar morando de favor com algum deles estavam me irritando, eu era tão independente, nunca precisei de ninguém. Mas o mundo gira não é mesmo? E olhe onde estou agora, em um lugar que nunca vi na vida com cinco caras desconhecidos que me bancavam. Fiquei mais irritada quando ouvi o grito estridente e fino demais de Leana, ah tinha certeza que nesse momento ela estava abraçando Jimmy e vice-versa. Tive vontade de vomitar ao pensar isso, irritada o suficiente para não querer ver a cara de ninguém entrei de volta no carro e fiquei ali, emburrada com a bosta que eu chamava de vida. Uma batida áspera na porta do carro fez eu pular de susto, mas era apenas Brian, seu olhar estava curioso, as sobrancelhas arqueadas. Eu sorri e dei um tapa no banco do motorista, queria que ele entrasse ali e conversasse comigo.
– Tudo bem o que está acontecendo? — perguntou ele antes de se sentar.
– Não quero entrar lá — indiquei com a cabeça a casa de Matt.
– Tudo isso por causa de Leana, tenho certeza — Brian riu, claro que era por causa de Leana, sempre era por causa dela.- Então você vai ficar aqui a noite toda e não vai conhecer Gena, a esposa de Zacky por causa de Leana? Nossa muito maduro de sua parte, sério.
Eu não sabia o que me irritou mais, o tom ironico de Brian ou a verdade que ele jogava na minha cara. Acho que era os dois.
– Em parte você está certo, mas eu não sou obrigada a ficar lá depois que conhecer essa tal Gena — murmurei azeda, só de pensar em ficar no mesmo ambiente em que Leana me sentia nauseada.
– Tudo bem, também não quero ficar aqui. Posso te levar pra qualquer lugar que você quiser de Huntington Beach.
Brian tentou não olhar em meus olhos quando disse tudo isso, parecia querer esconder algo. Que estranho.
– E porque você não quer ficar? — perguntei curiosa.
– Minha ex-namorada está ai — Brian bufou.- É uma bosta ter uma ex que é irmã da esposa do seu amigo, devia ter pensando nisso antes de namorar com Michelle. Mas eu não sabia que ela seria essa desgraça que é em minha vida.
Ual, eles eram tão amigos que cada um pegava uma irmã. Que maravilha.
– Então vamos lá e fingir ser namorados e que depois que sairmos daqui vamos transar loucamente em alguma praia — falei ironicamente saindo do carro, fiquei curiosa de saber quem era essa tal ex-namorada de Brian.
Andei e observei o lindo e imenso jardim que tinha ali, havia vários tipos de flores, uma mais bonita que a outra. Mas o que me encantou mesmo foi as cerejeiras, fez eu me lembrar de minha mãe que adorava aquela árvore, lembro que meu pai havia plantado uma em nosso quintal e dado a ela de presente de casamento. Romântico não? Um marido dar a mulher uma árvore de presente, eu não achara mas minha mãe simplesmente adorou e ficou radiante com o presente. Cerejeiras me trazia boas lembranças, por isso que eu gostava delas. Brian passou o braço em meu ombro e observou as cerejeiras comigo, em total silêncio.
– Sabe — disse ele.- Acho que você iria gostar de morar em frente a praia, já que você adora observar paisagens.
– Sim, adoraria — falei distraida
Ainda não tinha entendido seu tom casual, estava afundada em lembranças e distraida demais pra saber onde ele queria chegar com aquele assunto de praia e paisagem.
– Então vem morar comigo, todos nós sabemos que você está curiosa pra saber onde vai ficar, mas ninguém ainda decidiu nada. Então te dou a opção de escolher — ele deu de ombros, mas vi que seu gesto indiferente não correspondia com seu olhar ansioso.
E porque não escolher ele? Seria maneiro morar com ele, pelo que eu vejo Brian é o único solteiro entre os quatro.
– Espero que tenha um quarto de hóspedes — falei sorrindo.- E que você tenha paciência com sua mais nova moradora maluca.
O sorriso de Brian foi mais que satisfeito, aquilo era estranho. Porque ele fazia tanta questão que eu fosse morar com ele? Não iria saber da resposta tão cedo, ele não me deu tempo pra pensar. Quando entramos na casa, ignorei o olhar curioso de Jimmy e o olhar de repulsa e nojo vindo de sua noiva que segurava a cintura dele possessivamente, eu sorri para ambos e apertei Brian que entendeu meu recado, seu braço que estava em meu ombro fora para minha cintura e apertou ela delicadamente contra seu corpo quente, aquilo fora estranho e bom... Ele olhava pra outra direção, seus olhos estavam fixos em uma mulher loira que estava de costas, quando ela se virou vi que ela era gêmea de Val. Só que duas vezes mais estranha e sem nenhum senso de moda.
– Santo deus, Brian — disse pasma.- Com tanta mulher e fã te desejando você escolhe logo essa?
Ele sorriu torto e girou os olhos.
– Vamos conhecer Gena, você vai gostar dela e passar longe da Michelle — ele me puxou outra vez, me levando pra longe de Jimmy e de sua ex.
Ele me levou até onde Zacky estava. Ao seu lado tinha uma mulher loira (estava começando a achar que esses caras tinha fetiche por loiras) mas essa era bonita, linda na verdade seus grandes olhos azuis estavam muito bem maquiados e combinavam perfeitamente com seu vestido preto. Cara, ela parecia uma boneca feita de porcelana, Zacky tinha bom gosto, mas não foi apenas isso que me deixou admirada por ela, toda vez que Gena olhava o cara ao seu lado tinha uma expressão apaixonada em suas feições, no rosto de Zacky também. Eles formavam um casal mais que perfeito, o que eles eram ainda não encontrei um nome pra definir.
– Gena essa aqui é a Kaya. Kaya essa é Gena — aprensentou Brian com um sorrisinho estranho no rosto.
– Olá — disse tímida.
Santo deus, que história circulava entre essas mulheres sobre mim? Acho que nem quero saber.
– Olá — falou Gena dez mil vezes mais confiante que eu.- Zacky me falou muito sobre você.
Estranho mesmo era saber que Zacky pensava em mim, o mais estranho ainda era saber que ele falou de mim pra sua esposa, tsc tsc tsc.
– Falou das apostas que ele perdeu? — perguntei tirando sarro da cara do Porpetinha.
– Foram poucas — disse ele exibido.
– Zacky, de dez apostas que fizemos você ganhou apenas quatro — girei os olhos.
Brian e Gena riram.
Fiquei ali com eles, Gena era legal e parecia que não estava nem um pouco afim de se juntar a Val, Michelle e Leana que estavam em uma conversa animada com Jimmy e Matt, admito que tentava não olhar pra eles. Seria legal se Jojo estivesse aqui, na verdade nem sabia onde ele estava, depois perguntaria a Brian sobre o paradeiro do Gnomo. E acabei descobrindo que a única que sabia de toda a verdade era Gena, o que circulava entre as outras era que eu era uma das mais novas roadies contratada pelo Avenged Sevenfold, ainda me perguntava como essas mulheres não sacou que eu iria morar com Brian e que nunca fiz porra nenhuma que os roadies fazem nos shows, muito burras e lentas, pelo que eu percebi a única que apoiou tudo desde o começo fora Gena, acredita que Zacky ligou pra ela um dia depois deles terem me encontrado? Pois é se eles ficaram comigo fora por causa de Jimmy, Gena e em parte Zacky. Caramba, Zacky, isso é inacreditável. Tenho motivos para gostar de Zacky e sua esposa, tenho muitos motivos e Zacky viu isso pelo meu sorriso, tive vontade de abraça-lo e agradecer a ele, mas vi pelo seu olhar cheio de sarcasmo que esperava por isso, então não daria o braço a torcer. Depois de descobrir isso e mais algumas coisas eles foram para casa, me despedi tristemente dos dois, mas Zacky reclamava e dizia que tinha saudade de sua casa, sua esposa e seus cachorros. E saiu puxando Gena, ele nem ao menos esperou eu me despedir de Gena direito, gordo sem educação. Não estava gostando de ficar apenas na companhia de Brian, eu realmente não sabia o real porquê acho que era por causa de seu olhar a cada minuto ficasse em sua ex-namorada, estava começando a achar que ele ainda gostava dela, e não sei porque isso me incomodou tanto. Sai de perto dele, queria muito usar um banheiro, como sou orgulhosa não parei pra perguntar pros donos da casa onde ficava a porra do banheiro, então fiquei algumas malditas horas tentando achar um banheiro. E agredeci os céus quando finalmente encontrei.
Me olhei no espelho estava apresentável até, olhos bem maquiados ainda sem indicíos de borrões, apenas o coque que eu havia feito estava bagunçado e se desmachando então resolvi solta-los meus cachos cairam em meus ombros, pesados e mal feitos. Estava com preguiça de arruma-los sai do banheiro, ninguém iria me olhar aqui então ficará assim.
– Você fica linda de cabelo solto — Jimmy me pegou de surpresa enquanto eu fechava a porta distraida.
– Santo deus, Jimmy. O que você tá fazendo aqui? — perguntei assustada, me virei de frente a ele, em seu rosto havia um sorriso zombeteiro.
– Vim te ver — ele deu de ombros despreocupadamente, ele me prensou discretamente na parede. Ele e sua mania de me deixar encurralada e sem opções de sair de seu lado.
– Jimmy sua noiva pode aparecer aqui...
– Ela já foi — disse ele me cortando.
– Mas mesmo assim, o que Valary vai pensar? Ela é amiga da Leana lembra? — falei olhando-o com censura quando seus braços se fecharam em minha cintura.
– Você se preocupa demais com que os outros vão pensar — ele riu quando tirei sua mão de meu quadril.- Mas mudando de assunto, você vai mesmo morar com Brian? — perguntou ele, o que era aquilo em sua voz? Incomodo? Assenti sorrindo, aquilo de alguma forma me deixava feliz, parecia que Jimmy estava com ciúmes.
– Isso vai ser bom, eu acho — olhei seu rosto, as sobrancelhas estavam franzidas e os lábios meio crispados, eu já conhecia aquela expressão ele queria dizer algo porém ficou calado e guardou pra si mesmo.
Eu sorri e abracei ele, ficando nas pontas dos pés a qualquer momento alguém iria aparecer e isso tornava as coisas mais divertidas.
– Claro que vai ser bom, você vai poder me visitar, tenho certeza que Brian não vai se importar — falei me balançando em seus braços, as vezes me sentia uma criança aninhada nos braços de um adulto.
– Pensando por esse lado é bom mesmo — ele sorriu e me apertou fazendo eu parar com meu balanço irritante.- Já sabe o que vai fazer com sua nova vida?
Pisquei atônita, aquela pergunta dele me fez cair na real, o que eu iria fazer com a minha vida? Ah meu deus estava tão envolvida com Jimmy que tinha me esquecido completamente de pensar em minha própria vida.
– Kaya? Pelo amor de deus! Dá pra voltar pro planeta terra? Eu só te fiz uma pergunta — Jimmy me balançou delicadamente, fazendo eu sair de meus devaneios.
Ri de seu desespero.
– Estava pensando em sua pergunta — falei de modo tranquilo.- Ainda não sei o que vou fazer, arrumar um emprego talvez, voltar pra faculdade, essas coisas que pessoas normais fazem.
– Posso pagar a sua...
– Não, não pode — neguei antes mesmo dele terminar sua frase, só de pensar em Jimmy pagando algo a mim já me sentia enjoada.
– E porque não? — perguntou ele.
– Porque você e nem ninguém tem obrigação alguma em me bancar, posso trabalhar, Jimmy. Será fácil achar um emprego aqui. E depois quem sabe posso alugar algum lugar que dê pra mim pagar e sair da cola do Brian — falei completamente absorta em meus pensamentos.
– E esquecer completamente de mim e dos outros — resmungou Jimmy.
– Claro que não! — disse ofendida pelo que ele disse.- Vocês são minha família agora, como posso esquecer a minha família?
Mesmo dizendo aquilo tudo irritada Jimmy sorriu, me abraçou e beijou o topo de minha cabeça.
– Não sabe como me faz feliz dizendo isso, tenho certeza que pra eles você também faz parte da família.
– E pra você? — perguntei arqueando a sobrancelha.
– Acho que meu amor por você não é algo fraternal — Jimmy conseguiu tirar meu fôlego com aquelas simples palavras e com seu sorriso. Céus, era um sorriso tão bonito, ele sorria com seus lábios perfeitos e com seus olhos azuis da cor do céu. Era um sorriso encantador.
– Isso é bom — consegui dizer depois de algum tempo. — E você fica tão linda com esse olhar meio perdido — Jimmy me olhava daquele jeito abrasador, me deixando tonta ( talvez eu ficava tonta porque geralmente quando ele me olhava assim eu prendia a respiração) exatamente do jeito que ele gostava que eu ficava: Lesada e completamente entregue a ele. Quando senti seus lábios aos meus, um grande e estranho alívio tomou conta de mim — foi como se toda a dor e preocupação que eu sentisse sumisse com o beijo de Jimmy — o fato era que estava substítuindo heroína por Jimmy, era pessímo, eu sei. Substituir drogas por pessoas é a mesma coisa que um alcoólatra trocar vinho por veneno. Mas perdi a minha pose de garota racional quando Jimmy intensificou o beijo, não me importando mais que ele fosse minha mais nova droga. Isso não era pra estar acontecendo, pensava ofegante enquanto os lábios de Jimmy estava em meu pescoço. Isso não era mesmo pra estar acontecendo, havia prometido que não o beijaria enquanto estivesse com Leana. Mas quando dei por mim já estava me agarrando com ele, seus lábios estavam nos meus outra vez, dessa vez ele me beijava urgentemente. Cara, você tinha que ter uma bola de cristal pra beijar Jimmy, seus beijos eram bipolares, a cada minuto estava de um jeito. E nesse momento estava completamente calmo, estava lento, tão lento que eu sentia um imenso frio na barriga. Sua lingua explorava cada canto de minha boca sem pressa alguma, me deixando completamente sem ar, meu corpo estava mole em seus braços. Sua boca chupou a minha com volúpia e lentidão, me deixando completamente quente e arrepiada, estava enlouquecendo. Ainda me perguntava como estava conseguindo acompanha-lo, admito que estava adorando conhecer esse lado dele, lado calmo de Jimmy era muito mais atrativo que o lado hiperativo e apressado, esse lado estava me excitando de um modo que eu nunca imaginei que um dia eu poderia ficar, excitada apenas com um beijo! Suas mãos estava assim como seu beijo, as vezes estavam em minhas nádegas ou quadril, lateral do meu corpo ou em meus seios, ali era o lugar que ele ficava por mais tempo. Ele me enlouquecia.
– Jimmy — falei quebrando nosso beijo.- Preciso proucurar Brian, e vamos parar com isso estamos no meio de um corredor.
Disse de má vontade, não queria saber de Brian agora ou qualquer outra coisa, apenas queria ficar ali com Jimmy, nada mais importava.
– Ele já deve ter ido embora, acho que todos já foram — Jimmy riu.- Posso te levar se quiser, Matt e Valary nem vão perceber, eles deve estar muito ocupados para escutar alguma coisa.
Ri de seu cometário malicioso.
E não havia ninguém mesmo na casa, como eles saiam assim e nem avisava nada? Povo mais sem educação credo, eu e Jimmy saimos tranquilamente da casa, juntos e de mãos dadas. Eu balançava nossas mãos no ar, Jimmy riu de meu gesto de adolescente apaixonada, e quando entramos no carro continuamos de mãos entrelaçadas, ele apenas soltava pra trocar de marcha, estava tão fascinada com a visão que tinha de Huntington Beach que era duas vezes mais bonita de noite e olhar isso estava me dando tanto sono. Cara eu sentia muito sono, era tanta coisa pra absolver em um dia só, esse caso mais que enrolado com Jimmy, morar na Califórnia. Ai deus, que pelo menos as coisas aqui deem certo, pelo menos uma vez dê certo. Por favor...
– Hey, acorde Bela Adormecida — a voz de Jimmy estava muito próxima de meu rosto.
– Ah não, Jimmy. Me deixe dormir — falei me remexendo no banco... Que por sinal estava muito mais mácio e espaçoso. Me levantei em um solovanco, estava em uma imensa cama king size, agora sabia porque estava sentindo um calor desgraçado, estava coberta. Mas que diabos, o que significava aquilo tudo?
– Como você não queria acordar, chamei Brian, ele me ajudou a trazer você aqui pra cima — Jimmy me encarou divertido, ele beijou a ponta do meu nariz, me fazendo rir.
– E como não acordei? — uma pessoa normal acordaria, certo?
– Não sei — ele deu de ombros.- Você morre dormindo.
Ignorei seu comentário sobre meu sono pesado.
– Brian saiu e não estou gostando nada de deixar você aqui sozinha — a testa de Jimmy estava franzida e seu olhar mostrando que internamente ele estava lutando com o que era certo e com o que era errado. Ou seja: o certo era ele ir embora e ficar com Leana, e o errado era ele ficar aqui comigo.
E como sou muito idiota o convenci a ficar com Leana, fui mais que idiota, admito, mas quer saber? Foda-se não ficarei com o Jimmy enquanto ele tá comprometido ainda, e ele vivia reclamando disso. " As vezes você é certinha demais, Kaya."
Pensando por esse lado eu era mesmo certinha, mas como uma boa menina criada em uma cidade não podia aceitar ficar com uma pessoa comprometida. E sim eu me acho careta por pensar desse jeito.
E foi assim disse pra Jimmy ir pra qualquer lugar que sua noiva estivesse. E ele foi, de má vontade mais foi, e agora eu estava sozinha naquele enorme apartamento, fazendo um pequeno tour pela "humilde residência" do Brian, super humilde mesmo, não sabia o porquê de ter três salas, uma apenas pra jogar vídeo game, outra pra assistir filmes, e uma de jantar essas pessoas ricas não sabem como gastar mesmo, e quartos tinha uns três ou quatro. Depois iria escolher um, mas quando vi o quarto dele desejei muito que fosse o de hóspedes. A cama era três vezes maior daquela que eu estava deitada a uns dez minutos atrás, era muito bonito, mas não fiquei muito tempo admirando aquilo, acabei resolvendo tomar banho em seu banheiro, estava pouco me fudendo se ele chegasse e me pegasse na maior folga em sua jacuzzi. Enquanto enchia a banheira tentava não pensar onde e com quem Jimmy estava...Mas o caralho, Kaya. Não dá pra parar de pensar nesse Jimmy e viver um pouco sua vida? Meu inconciente gritava em minha cabeça, irritado. Sim, claro que dava pra parar de pensar nele, se ele estivesse aqui do meu lado iria parar de pensar nele numa boa, respondi no mesmo tom para a voz em minha cabeça. Caralho, sou muito madura mesmo, pensei enquanto tirava minhas roupas e entrava na banheira, me senti relaxada de imediato quando meu corpo entrou em contato com aquela água morna. Tenho um fato pra contar pra vocês: nesse lugar ou se toma banho frio ou morno, aqui é um calor do caralho. E mais relaxada do que nunca fechei os meus olhos e pensei como seria dali pra frente, primeiro conheceria Huntington Beach, depois iria procurar um emprego. É claro que eu não iria viver nas custas deles por tanto tempo assim, me sentia a pessoa mais desabilitada possível quando alguém me bancava, pode parecer orgulho, mas não é vai por mim, não é mesmo. E se caso tudo isso desse certo voltaria a fazer faculdade de psicologia, sei que isso soa irônico, uma pessoa com tantos problemas querer se tornar psicologa pra resolver os problemas dos outros. Mas isso sempre fora o meu sonho, sempre quis ajudar as pessoas, e isso não mudaria só porque eu estou completamente fudida não quer dizer que eu não posso ajudar ninguém. Era estranho também pelo fato de meus pais não ter nada a ver com essa área, minha mãe era professora de ballet clássico e piano, meu pai chef de cozinha em um restaurante no centro de Toronto, quando disse que iria fazer faculdade de psicologia achei que os dois não iria aceitar a minha decisão (Já que os meus avós fizeram a mesma coisa com eles.) Mas pelo contrário, os dois sorriram e me abraçaram, me parabenizando. Meu pai até brincou comigo dizendo que eu iria ouvir todos os seus problemas sem reclamar, minha mãe riu. Me lembro disso tão nitidamente, a cozinha parecia até mais feliz, era como um grande espelho refletindo a minha alegria e dos meus pais, era até bonito de ver como os dois se amavam ainda.
Mas como tudo em minha vida, aquela repentina alegria não durou muito.
Os problemas no coração de meu pai acabaram piorando, e ele era teimoso demais não queria passar no médico, então minha mãe saiu de seu emprego pra cuidar dele. Eu realmente não sei muito bem o que aconteceu já que eu estava na faculdade, e depois da morte dele minha mãe entrou em estado catatônico, ela as vezes ficava muito calada, em outras tinha uma agitação impressionante. Mas o pior era que ela quando estava assim parecia mais uma morta-viva, seus olhos ficaram opacos, seus belos cabelos loiros também, minha mãe podia estar viva mas não tinha mais aquela essência que deixava Elena Scodelario deslumbrante, faltava algo ali, faltava alguém. E depois de alguns meses ela só piorou, vi que seu estado já tinha passado de catatonia, já tinha virado esquizofrenia, eu tinha medo de deixa-la sozinha, passava noites em claro, as vezes tentava convence-la de se internar, mas minha mãe era teimosa. Negava dizendo que estava tudo bem, então um certo dia tive que ir buscar a certidão de óbito de meu pai, ela se recusou a ir, fui com pressa, sentia que algo de ruim iria acontecer. E não é que aconteceu mesmo? Quando cheguei em casa minha mãe estava em sua cama com um frasco de calmantes em mãos...
Abri meus olhos, me assustei com o rumo de meus pensamentos, não queria reviver aquilo outra vez, ou muito menos lembrar de tudo que aconteceu depois do enterro de minha mãe, com as lembranças venho a dor, senti a famosa falta de ar. Meu coração ficou palpitante, aquela mesma sensação... Eu precisava de heroína, precisava já, agora. Precisava sentir aquele "orgasmo abdominal" que essa droga causava, eu mordia meu lábio com força, já podia sentir o gosto de sangue em minha língua. Deus, estava tendo uma recaída? É isso mesmo? A quanto tempo não sentia isso? Sai daquela banheira o mais rapido possível, meia cambaleante, minhas pernas estavam fracas, escorreguei no chão, bati meu rosto no piso molhado, droga ficaria um hematoma. Me enrolei na toalha, e fui para o quarto de brian, não me importei de pegar uma de suas enormes camisetas da VU vesti ela rapidamente, fui para sala e lá fiquei andando de um lado pro outro, meu cabelo estava pingando, senti minhas costas molhadas, não me importei. Eu só queria que aquele estado de abstinência passase, ou que Brian chegasse logo, já estava me arrenpendendo de ter jogado aquela minha ultima seringa fora... Quando ouvi a porta se abrindo e vi Brian entrando nela corri para seus braços, não me importei que peguei ele de surpresa, ou muito menos que tinha uma cadelinha em mãos. Ela resmungou, Brian riu e colocou ela no chão e me abraçou.
– O que aconteceu dessa vez? — perguntou ele. — Nada, apenas me abraçe — disse quase sufocando ele com o meu abraço, o cheiro dele invadiu minha narinas. O dele também era bom, era uma mistura de Marlboro e menta, uma delícia.
– Um "nada" precisa de abraços? — perguntou ele, seu indicador levantou meu queixo, ele analisou bem meu rosto, depois arqueou a sobrancelha, estava intrigado. Assim como Jimmy, Brian me conhecia muito bem.- Não, aconteceu algo, e quero que você me conte. Vamos, Kaya. Sou eu lembra? Seu psicologo particular .
Ri de seu termo, claro que era assim com ele, tudo que eu sentia despejava pra cima de Brian. Então assim eu fiz, falei tudo o que havia acontecido, e ele apenas ouviu, as vezes franzia a testa ou arqueava sua perfeita sobrancelha. Seu silêncio estava me incomodando, geralmente ele sempre dizia algo.
– Antes da gente te encontrar você pensava muito nisso, não é? — perguntou ele de repente.
Assenti positivamente, isso corroia meus pensamentos antes de encontra-los, me torturava e cada vez que pensava mais, me drogava mais e isso acabou se tornando um ciclo mais que vicioso.
– Então pare de pensar nisso, já percebeu que isso não te faz bem? Não quero ver você mal, Kaya — sua voz estava séria, assim como seu olhar.
– Vou tentar, não é fácil. Isso tudo é culpa minha — suspirei e me joguei no sofá. Nada iria tirar de minha cabeça que a morte de minha mãe foi culpa minha, inteiramente minha.
– Sabe que eu não entendo? Como uma viciada em heroína fica assim tão na boa, nenhum viciado fica tanto tempo sem drogar — ele falava com ele mesmo, sentou do meu lado.
– Talvez seja porque eu fico ocupada demais com vocês e esqueço disso — dei de ombros, minha cabeça fora pra seu colo, o sono estava começando a vir outra vez.
– Seu cabelo ta molhando minha roupa — ele bufou e tentou tirar minha cabeça de seu colo.
– Foda-se, depois você toma banho — disse antes de dar um imenso bocejo.
– Você é folgada demais pra seu tamanho — ele riu e afagou minha mechas molhadas.
– Eu sei que você me ama — falei fechando meus olhos.
Cai na inconciência nos braços de Brian, não entendi muito bem o que ele disse, aquela conversa foi um pouco estranha. Na verdade meu dia hoje fora estranho, mas nada disso importa eu quero pelo menos ser feliz aqui nesse lugar com esses caras que mudaram completamente minha vida.
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