Angel

1 Number One


Notas iniciais
A história da Angel é exclusivamente minha (ainda que eu tenha pegado alguns personagens da Kiera emprestados), e se eu identificar qualquer tipo de cópia ou plágio não hesitarei em denunciar. Espero que gostem da história, porque ela foi criada com muito, muito carinho. Ah, eu recomendaria essa história exclusivamente para todos aqueles fãs (podemos dizer até que) frustrados com os últimos dois livros da série; The Heir e The Crown. Na minha história, reescrevi de acordo com o verdadeiro desejo dos leitores vorazes da série A Seleção tinham e realmente queriam como o desfecho dessa trilogia. PS: A fanfic também será postada no site Spirit.

"Tonight I wanna give it all to you

In the darkness

There's so much I wanna do

And tonight I wanna lay it at your feet

'Cause, girl, I was made for you

And, girl, you were made for me" — I Was Made For Lovin' You, Kiss.

— Qual é, Re-ren? Não pode ser tão ruim assim. — provoquei-o, com a verdadeira intenção de lhe roubar um sorriso. E dera certo. Eu não o chamava dessa maneira há algum tempo, mas a garantia de um sorriso quando o fazia era quase sem margens de erro.

Ele levantara calmamente as áureas azul-claras por um instante, pondo-se a recostar as costas na cabeceira da cama, mais uma vez. Bagunçou os fios castanho-claro-meio-louros antes de esconder o belo rosto dentre as palmas da mão. Eu sentira uma leve pena da situação que ele se encontrava, muito embora pudesse imaginar diversas maneiras de ser um problema bem pior.

— Ah, Angel... você sabe que é! Essa ideia é tão insana que chega a ser patética. Meus pais enlouqueceram de vez... — interrompi-o, ainda encarando o rapaz.

Ahren sabia, mais que qualquer um — incluindo-me também — sobre a importância d´A Seleção para a família Schreave, exclusivamente tratando dos próprios pais dele. Crescera ouvindo a perfeita história de como America e Maxon haviam cruzado o caminho, um do outro. Era uma tradição de séculos, onde cada herdeiro do trono, de vinte em vinte anos, realizava um grande evento no qual acharia o amor da vida dele. Como nos contos de fadas de qualquer garotinha de sete anos escuta antes de cair nos braços de Morfeu, a doçura e sensibilidade desse concurso era tao romântica que parecia realmente envolver até alguma espécie de mágica — do amor —. E nunca havia dado errado. A tradição parecia sempre, formar os mais perfeitos dos casais e firmar laços de amor inquebráveis — e eternos — entre cada um dos governantes que participavam dela.

— Você é o príncipe, Ahren. — abriu os lábios rapidamente, muito embora não tenha nem tido tempo para se expressar. Ergui a mão, em busca de um prolongado momento de silencio vindo dele. Dei continuidade ao meu discurso, cautelosamente. — Você sabe disso. É seu dever cuidar do reino, da economia... do povo. É dever da sua família, que está há anos no trono, dar continuidade à linhagem real dessa maneira. E a Seleção é uma tradição na sua família há gerações, não ouviu tia Meri...?

Foi a vez dele me interromper, muito intempestuoso.

— É claro que ouvi mamãe! Mas, raciocine comigo, que as probabilidades de um concurso para encontrar uma esposa dar errado... são infinitamente maiores daquelas de dar certo. — Ahren não só era bom em matemática como sentia também grande paixão por incógnitas numéricas. Mas realmente conseguia pensar pelo lado da matéria em horas como essas? Revirei os olhos pela exatidão em suas palavras; eu não tinha duvida que ele fizera cálculos para comprovar seus argumentos. — Por qual razão em um número incontável de pessoas, milhões de mulheres... a certa estaria entre as trinta e cinco loucas que viriam aqui para casa? — debochou. E eu não aguentei, desatando-me em risadas. Estava tentando aguentar forte ao lado de Ahren e seus direitos de escolher uma esposa de maneira mais... convencional, contudo America viera conversar comigo horas antes do tal anúncio, pedindo meu total apoio no momento e eu só havia conseguido me manter em uma posição cautelosa.

— Isso eu não faço ideia, bobalhão... mas o que eu sei, é... que uma dessas trinta e cinco loucas vai se casar com você. — e ri, sem parar, novamente. Caí para trás. Foi a vez do príncipe de revirar os olhos claros, antes de me puxar para um abraço. O melhor que eu já havia recebido; os abraços dele eram os melhores que eu já havia recebido.

Os braços dele eram torneados pela musculação, e os ombros e costas largos; Ahren era um homem muito bonito, mas eu nunca admitiria isso para ele. O quase-louro estava com a cabeça apoiada no meu colo, os ouvidos colados no coração. O rapaz gostava de ouvir as batidas do meu; costumava dizer até, que era aonde reencontrava o seu eixo de paz. E tinha certeza que ele era o meu também, e nas batidas do coração dele, eu encontrava a minha.

— Detesto admitir, oxigenada, — revirei os olhos. Ah, vai se ferrar... eu era cem por cento natural! Todavia, tivesse descolorido o cabelo algumas vezes para pintá-lo de roxo.— mas realmente acho que você está certa, sabe? Não gostaria de ser obrigado a fazer uma seleção, contudo a situação não me dá a opção de negá-la. — Fechou os olhos antes de prosseguir, puxando grande quantidade de ar pelas narinas. Ele estava cansado. — Vou aceitar e fazer esse concurso, de uma vez por todas.

— Ótimo. — concordei, enrolando seus quase-cachos com as pontas do dedo. O cabelo dele estava em uma altura média, um pouco diferente do que ele normalmente tinha; que era curto, bem curto. E eu até que gostava desse novo estilo. — Você vai deixar seus pais felizes.

Fui ignorada. Mas senti os lábios roçarem em meus cabelos.

— Com uma condição. — sem resposta, optou por prosseguir:

— Quero que me prometa uma coisa, Angel. — olhou-me profundamente, enquanto formava um pequeno bico com os lábios. Dei um tapinha nele e pus-me a acariciar a barba rala e loura, que por ali crescia.

— Hum. — respondi, cerrando bem de levinho os olhos. Ele notara que eu estava brincando, mas optou por não entrar na brincadeira comigo.

— Você ficará do meu lado, no palácio, até o momento da escolha oficial da minha esposa.

Pareceu-me mais uma afirmação, do que, de fato, uma pergunta.

Gelei. Enquanto milhares de pensamentos iam e vinham na minha cabeça em milissegundos. Raiva. Ódio. Egoísmo. Decepção. E por mais que meu maior desejo fosse negar essa proposta — e ele sabia do meu maior sonho, além de saber que era impossível realizá-lo presa a esse castelo —, odiei a mim mesma por proferir as seguintes palavras:

— Eu prometo.

A luz diurna atravessava a varanda aos poucos, iluminando a cabeceira da cama até a altura de seu pé, junto de meus dedinhos.

Sentia-me confortável exposta de tal maneira aos fortes raios solares de Angeles; a capital do país era sempre muito quente e ensolarada. Mas minhas pálpebras estavam ainda meio coladas, uma às outras, pela rígida claridade. O mais simples dos movimentos, como forçá-las a abrir pareciam exigir um esforço descomunal. Eu transpirava de maneira pouco perceptível, contudo as gotículas de suor que se acumulavam pela região da minha testa estavam me incomodavam bastante. Eis a razão: encontrava-me presa; no melhor dos sentidos. Ahren, em algum momento da noite, recostara o rosto na direção de minha nuca e cabelos, deixando os membros inferiores misturarem-se com os meus; criara uma bagunça enlaçada de pernas. Seus braços pressionavam-me contra o próprio, não me dando muita escolha — mas não que eu fosse relutar o seu toque, de qualquer maneira — senão abraçá-lo de volta. A coberta escondia boa parte de nossos corpos, e era uma das causadoras de tamanho calor; joguei-a longe.

Criei coragem para abrir os olhos, de uma vez por todas e recordar-me das situações vividas da noite passada até o momento atual. Passando os olhos pelo local, não demorei mais que cinco segundos para reconhecer aquele espaço; os aposentos reais de Ahren, o seu quarto-escritório-particular. As paredes azul-escuras, bem escuras contrastando com alguns poucos artigos luxuosos — ainda que bem simples para um príncipe herdeiro; Ahren era um homem simplório — e as pilhas de livros pela mesa e biblioteca particular dele, não deixavam confundir.

Senti-o inspirando profundamente contra mim. Passeei o olhar até encontrá-lo, e arrependi-me de ter demorado tanto a admira-lo. Ele estava ainda sem camisa alguma, trajando apenas o short do pijama — que tia Meri tanto gostava que usasse, ainda que o próprio detestasse — e dormia profundamente, sorrindo. A luz do Sol passeava contra os músculos dele, ressaltando-os de maneira que fazia com que parecessem esculpidos de tão belos. Brilhavam um pouco até. O abdômen trabalhado e repleto de curvas com gominhos era coberto por uma leve camada de pelos louro-claros, como sua barba. Os cabelos quase-louros ficavam dourados contra o Sol, lindamente. Ele repousava como um anjo, contra mim.

Eu vestia a camisa do pijama dele, notara ao pressionar meu corpo para a direção frontal, desfazendo o nó de nossos corpos. Já deveríamos estar no Salão de Jantar para o café da manhã, afinal, eram quase oito e meia e já havíamos perdido muito a hora. O despertador, localizado na cabeceira em meu lado, estava desligado. Havia feito de propósito para que não chegássemos há tempo no café! Idiota.

Olhei para Ahren — tentando soar o mais brava possível, mesmo que estivesse repousando —, e perdi o ar por um momento. Ele era muito, muito bonito mesmo. Mas com o coração apertado por deixá-lo sozinho naquela enorme cama, ergui o corpo para longe, tratando de vesti-lo para o café. E eu fui, sem acordá-lo... ontem havia sido um dia cheio — e estressante — para o pobre príncipe; merecia um pouco de paz para descansar.

Encostei a porta bem de leve, como se tal cuidado acabasse por anular o fato de que eu apenas saira do quarto do Príncipe, horas depois de entrar. Alguns guardas — a maioria nem teve a sensibilidade de disfarçar — seguraram uns poucos sorrisos recheados de segundas intenções, enquanto eu, por minha vez, tratava de não corar. Desci a gigantesca escadaria com um pequeno flash de uma última promessa que eu havia feito à ele. Só havia vindo-me a cabeça naquele instante. A única que eu fizera e pretendia quebrar, por culpa dos meus sonhos e liberdade.

Determinada, eu estava decidida a roubar a Scooter de Eadlyn por alguns poucos dias. Eu precisava de um tempo para mim mesma, e fugir — naquele momento — me parecia uma excelente opção.

Notas finais
Espero que tenham gostado, de verdade! Escrevi com muito carinho! Comentem, favoritem e critiquem! Só expressem as suas opiniões e me deem um feedback! Um beijão, AmericaBooks
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.