Andromeda
1 Capítulo 1 - Prólogo (1)
Andrômeda. Uma galáxia a milhões de anos luz da Via Láctea.
Em Andrômeda, há um sistema solar em que o que chamamos de Sol é o centro dele. E, também, um gigante campo gravitacional.
Em Andrômeda, os planetas do sistema solar são puxados para o Sol. Quando chegam a ele, são "evaporados". É um fenômeno que até mesmo os seres vivos da galáxia desconhecem. Mas, quando estes somem, outro planeta é criado. Totalmente diferente. Com seres vivos diferentes.
Em Andrômeda, os planetas não duram tanto tempo. Eles chegam no Sol em no mínimo 20 anos, e, no máximo, 30.
Em Andrômeda, existem várias tripulações espaciais. Equipes. Exércitos. Todos eles, visando seus objetivos, nessa galáxia totalmente misteriosa. Quando um novo planeta surge, ocorrem as chamadas Guerras de Dominação. Essas guerras consistem nos confrontos entre as várias tripulações para um simples e único objetivo: a dominação desse recém criado planeta.
São confrontos gigantes e muito temidos por populações de outros planetas. Afinal, são conflitos universais. Por outro lado, há varias pessoas que aclamam-os. Tanto os participantes deles, quanto os conflitos em si.
E, em Andrômeda, existe um planeta. Um planeta chamado Urus.
E é nele que nossa história começa.
[URUS]
[Cidade de Wolom]
Ao passar por aquelas portas de tipo saloon, o ar em volta de si já se alterava por completo.
Seus pés sentiam o rústico chão de madeira, algo que não havia se acostumado, mesmo sendo familiarizado com aquele bar.
— Bom dia, Vega.
A voz daquela ainda estranha mas adorada tartaruga de chapéu ecoava por seus ouvidos, fazendo levantar sua cabeça.
— Bom dia, Kame. Por que o bar tá vazio?
Foi se aproximando do balcão, colocando seus braços sobre ele. A tartaruga, limpando alguns copos quadrados, respondeu.
— A Dori disse que vai chegar atrasada. O Tio e o Mevo ficaram até mais tarde, e não faço ideia de onde aqueles dois patetas foram parar. E você, pensou em algo para seu aniversário? Ah, e beba um pouco de chá de rilo.
Terminando sua frase, a tartaruga colocou uma bebida em um copo que havia acabado de lavar.
Vega pegou o copo e foi analisando o líquido pouco a pouco.
— O aniversário é meu e eu que tenho que planejar ele? Eu preferia alguma surpresa planejada por vocês, ou sei lá.
Finalmente bebeu aquela estranha bebida e fez uma cara de desgosto. A tartaruga deu uma leve risada.
— Bem, eu sempre planejo meus próprios aniversários. Afinal...
—Era uma das tradições do seu planeta. Sua frase de efeito preferida, não é?
Colocou o copo de volta no balcão.
— Eu prefiro a da "eu vim de longe", mas gosto muito dessa também...
Aquela tartaruga, como sempre, tinha um estranho sorriso em seu rosto, como sempre. Vega nunca havia visto aquela criatura bizarra vinda de outro planeta fazendo outra expressão senão aquela.
— Kame, você prefere viver aqui ou gostava mais de sua vida em Rutan?
A tartaruga parou de limpar o copo e olhou para o jovem.
— Não há como comparar, Vega. Sua terra natal será sempre sua terra natal. Você nunca sentirá tão afeto a algum lugar como ela. Eu adoro conviver com vocês, mas minha vida em Rutan era...
Direcionou seu olhar para o copo que estava em sua pata.
— Única, sabe? Era a primeira vida que eu tive. Amigos, parentes...
Colocou seus olhos de volta para o jovem, e disse, com um tom zangado:
— Por que você está me perguntando isso? Quer que eu fique triste e comece a pedir que você pague as contas?
— Não, não, não!
Vega disse, com as mãos em sua cabeça.
— Era só curiosidade. Você sempre nos falou de como era Rutan, mas nunca sobre como sua vida era. Desculpe se te magoei...
— Não se preocupe, estou brincando. Você me ajuda bastante aqui, não teria motivo pra eu cobrar.
Kame olhou para o sol.
— Já não está na hora de você ir pra oficina?
Vega colocou seus olhos no mesmo lugar. Olhou para o chão e finalmente se lembrou.
— Caramba, é verdade, eu até me esqueci. Depois eu volto aqui, até mais, Kame!
Logo, saiu correndo pela porta e virou à esquerda.
— É sempre assim, não é...
A tartaruga riu e continuou limpando aqueles pequenos copos. Por outro lado, o jovem de cabelo bagunçado corria como se fosse o último dia de sua vida. Depois de pouco tempo correndo, finalmente chegou naquele tipo diferente de galpão.
Entrando de fininho, disse, num tom elevado:
— Desculpe o atraso, perdi um tempo a mais falando com o...
Foi interrompido por uma chave de fenda passando de raspão, sendo seguido de gritos.
— VOCÊ SEMPRE FAZ ISSO, TODOS OS DIAS, NÃO É?!
Aquela grande figura de cabelos grandes e cinzas estava sentada em frente a uma motocicleta voadora. Um dos tipos mais comuns, que nem poderia ser chamada de voadora, sendo que só levita alguns centímetros.
— Peço... desculpa...
Ouvindo a resposta, a figura suspirou.
— Bem, amanhã é seu aniversário, então hoje eu vou te dar um desconto. Pega essa chave de fenda que eu joguei e traz um pino de subida.
Ouvindo as ordens, Vega foi apressadamente cumpri-las.
— A gente ainda tem pinos de subida?
Disse ele, enquanto procurava em diferentes gavetas.
— O último que eu vi estava nessa última da esquerda, acho...
A memória de um mecânico não falha. Logo, Vega deu os objetos solicitados ao homem.
Olhando-o de perto, podia ver seus detalhes. Seu grande monóculo, sua grande barba cinza e seu olho esquerdo cicatrizado o faziam lembrar bem de quem aquela pessoa era: Tim, o dono da oficina T.
— Ei, Vega, escute.
Vega organizava os equipamentos que estavam em cima de uma bancada.
— O que foi?
O barulho de parafusos parou.
— Você sempre disse que iria sair do planeta quando crescesse.
Tim virou seu rosto para Vega.
— Pensou melhor sobre isso, ou não?
Terminou de organizar aqueles diversos equipamentos sobre a bancada. Logo, soltou um suspiro e olhou para Tim.
— Eu me decidi que iria desde que eu era pequeno.
Tim levantou, despreguiçando suas enormes costas.
— Então me diga...
Direcionou um olhar afiado ao jovem.
— Por que você deseja tanto ir? Quer alcançar a fama? Glória? Quer ser um homem poderoso? Ou quer apenas superar o Verta e o Degon?
— Por que você está me perguntando isso?
— Dependendo de sua resposta, eu não te deixarei ir. Foi a missão que seu pai me deu, afinal.
— Você deixando ou não, eu...
Foi interrompido por uma voz mais alta.
— Responda a minha pergunta.
Vega olhou para Tim e, depois, para o chão. Ficou algum tempo olhando para aquele chão sujo que parecia que não havia sido limpado há decadas. Enquanto prestava atenção nesse detalhe, aquele forte cheiro de metal alcançava suas narinas. Era um cheiro que já era acostumado, mas, quando colocava sua atenção no vazio, percebia o quão desagradável aquele lugar era.
— Eu quero fazer um mundo melhor.
Disse, levantando seu olhar para Tim, continuando sua fala.
— Sim, eu também almejo a fama e a glória, mas não coloco elas acima de tudo. E também desejo superar tanto o Verta quanto Degon. Mas o meu sonho é criar um mundo pacífico, para que todos possam...
Foi novamente interrompido.
— Paz não existe nessa galáxia, Vega. Você sabe muito bem. Guerras espaciais ocorrem sem parar, e, um dia, todos nós morreremos por causa daquela maldita luz que vemos ali em cima. Por que você quer dominar tanto um planeta? Nada terá sentido no final. Seu planeta e seu nome serão apenas pequenos trechos na história, e nada mais do que isso.
Vega deu um soco naquela frágil parede de metal, se arrependendo, pois achava que doeria menos.
— E daí se não terá sentido, Tim? Eu não quero que meu nome tenha mais de duas páginas. Isso só será um detalhe a mais na minha jornada e nada mais. Eu quero que as pessoas que irão ao meu planeta tenham vidas felizes e aproveitem elas ao máximo, até ele ser consumido por aquela bola amarela. Eu não me importo com mais nada além disso.
— E depois? E quando ele ser consumido? Vai pedir desculpas aos habitantes e levará todos a outro planeta?
— Eu não tenho que pedir desculpas por isso. Afinal, não é minha culpa por termos nascido nessa galáxia que parece uma fila pra morte. E eu não vou obrigar todos a saírem do planeta quando ele estiver chegando na bola. Morrer junto das coisas que tem não é uma morte miserável. Muito pelo contrário.
— E nós, Vega? Eu, Kame, Tio, Mozi, Mazi, Dori... o que acontecerá com nós? Não falta muito tempo até Urus chegar naquela porcaria brilhante...
— Vão fugir para outro planeta. E, quando eu dominar um planeta, vou fazer uma mansão imensa só para... vo...cês...?
Suas palavras paravam enquanto as lágrimas daquele homem que poderia ser considerado gigante perto de uma pessoa normal escorriam de seus olhos. Mesmo daquele que estava sempre fechado. Aquela cena foi como um soco no coração de Vega. Ver aquele homem muito mais velho que ele derramando pequenas gotas de água era algo que nunca poderia nem imaginar.
— Você tem certeza, não é?
Dizia Tim, enquanto limpava as lágrimas com suas grandes mãos. Vega retomou sua compostura.
— Você sabe que eu não vou mudar de opinião. Não até eu cumprir o meu sonho.
Um silêncio se manteve, mas o homem gigante o rompeu.
— Está dispensado por hoje. Vá preparar sua festa.
— Você vai?
— Não. Me encontre aqui amanhã quando acordar.
— Certo. Até amanhã!
Vega fez seu usual gesto de despedida e saiu daquele grande galpão. Tim se virou novamente para a moto e voltou a arrumá-la.
Logo, Vega se encontrava com aquela rua pequena com uma considerável quantidade de pessoas. Seus olhos encontravam o céu de cor laranja e aquela grande bola luminosa. Seus pés encostavam aquele chão parecido com o chão do bar da tartaruga, mas esse chão era mais duro e robusto. Afinal, estava em cima de uma gigante pedra, assim como toda a pequena cidade de Wolum.
Voltando seu olhar para a rua, as pequenas casas de madeira escura que via todo dia não pareciam ter mudado, mesmo seu aniversário sendo em poucas horas. Logo, sentiu uma mão em seu ombro.
— Bom dia, garoto. Feliz aniversário!
Outra mão foi colocada em seu outro ombro, e uma voz diferente foi ouvida.
— Está ficando mais velho, não é, "Norte"?
Se virou para trás e uma pessoa recém chegada teria tomado um susto. Acharia que teria dois clones em sua frente. Muito pelo contrário: Eram os gêmeos Mozi e Mazi. Eram alguns anos mais velhos que Vega. Cabelos arrumados e loiros. Rostos encantadores. Roupas combinando. A única coisa que se diferenciava era os olhos: os de Mozi eram azuis e os de Mazi verdes. Podemos dizer que são os gêmeos com uma das melhores genéticas de Andrômeda.
— O meu aniversário só é amanhã, e... "Norte", Mazi? Sério mesmo?
Os gêmeos riram. Mazi tirou a mão do ombro de Vega e colocou em sua cintura, e, disse:
— Eu sempre te chamarei de "Norte", garoto. Até quando você morrer.
Mozi fez a mesma coisa que o irmão, também colocando a mão em sua cintura.
— Eu sempre digo pra ele que o "Norte" é algo antigo, mas ele insiste em te chamar assim...
Os gêmeos riram, enquanto Vega fazia uma expressão de vergonha, com a mão em sua cabeça.
— Já estão indo pro bar, não é?
Os dois falaram ao mesmo tempo:
— Sim, sim.
Mozi: E não era pra você-
Mazi: -estar na oficina?
— O velho me liberou mais cedo. Provavelmente foi meu presente de aniversário adiantado. Bem, vamos indo, então.
Vega virou para trás e começou a andar em direção ao bar, enquanto os gêmeos simplesmente o seguiam.
Chegando novamente naquelas portas estranhas, os três entraram um de cada vez naquele bar não mais habitado por uma só pessoa como Vega havia visto.
Lá, de frente pra tartaruga, estava aquela mulher considerada perfeita por todos os habitantes de Wolum, Dori, a empregada do Kame Bar. Uma mulher jovem, com longos cabelos escuros, olhos castanhos e um sorriso que poderia deixar qualquer homem, até mesmo o maior da galáxia, de joelhos. Seu jeito de fazer as coisas, sua personalidade e sua voz, tudo que existia naquela jovem mulher era um fator para ela ser considerada a mulher perfeita para todos os homens. O Kame Bar era o que era por causa de Dori.
Logo, o coração dos gêmeos quase saltou pela boca, e foram correndo até a mulher. Disseram ao mesmo tempo, num tom elevado, se ajoelhando perante a mulher:
— BOM DIA, DORI!
Ela olhou para eles sem muita reação.
— Ah, err... bom dia, gêmeos!
Ao terminar, soltou um sorriso. Colocou seus olhos em Vega, que ia se aproximando do balcão.
— Bom dia para você também, Vega!
— Bom dia.
A tartaruga ficava em silêncio, observando a competência daqueles dois ajoelhados.
— Levantem, seus patetas...
Ouvindo aquela voz exótica, ambos deram um pulo, e, novamente, disseram ao mesmo tempo:
— BOM DIA, SENHOR KAME!
Dori e Vega riram levemente, assim como a tartaruga. Logo, Kame disse, com um sorriso em seu rosto:
— Bem...
Colocou suas patas no balcão.
— Vamos planejar a festa do Vega.
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