And There’s... Her!
1 Capítulo Único
Mesmo sua mãe dizendo que ama seus três filhos igualmente, quando ela está meio bêbada, ela simplesmente revela:
“Eu não ligo para Audrey”, ela não diz por maldade. Ela liga para Audrey... Esperamos.
Mesmo no mundo mágico, Audrey sempre fora comum.
Literalmente comum. Cansativamente comum. Seu maior destaque talvez fosse seu TOC em limpeza. Ela era do signo de virgem com ascendente em capricórnio, era quase uma mini adulta, seus pais nunca tiveram que ter muito cuidado, Audrey parecia ter se auto educado.
Ela teve a graça de morar na mesma rua que a fenomenal Nymphadora Tonks, e cresceu ao seu lado, e também estudou ao seu lado, mesmo ela sendo da Corvinal e Nymphadora da Lufa Lufa. Dora, por alguma razão, gostava dela, mesmo Audrey não tendo nada de interessante para oferecer. Bill e Charles Weasley também gostavam dela, ou talvez gostassem de brincar com Dora e acabaram se acostumando com a presença de Audrey. Ela também servia para ser o personagem chato em seus mini peças, RPG e outras brincadeiras no parquinho próximo a casa das duas.
“Eu estou sempre certa e vocês devem me ouvir, sem questionar”, Audrey era o grilo falante do grupo. Ela sempre sabia quando algo ia acabar em detenção ou em algum machucado, mas ninguém a escutava.
Seria adequado dizer que ela coadjuvante até mesmo de sua própria vida, já que nada acontecia nela. Nymphadora sempre tinha uma nova detenção, Bill estava sempre com algum problema, Charles estava sempre com alguma ideia mirabolante que provavelmente levaria a todos para uma grande enrascada, mas Audrey... Audrey só queria fazer seus trabalhos e ir dormir mais cedo. Ela estava acostumada a sempre chegar tarde demais nas conversas de grupo:
“Então nós vamos nessa festa e...”
“Vocês vão numa festa?”, indagava Audrey, interessada.
“Não”, Nymphadora, Bill e Charles se viravam bruscamente, quase quebrando seus pescoços.
Ela realmente preferia as festas de família regada a suco e bolo em vez das festas de música barulhenta que Nymphadora tanto amava, regadas a drogas e bebidas. E sim, ela realmente gostava de ler aqueles livros de novecentas páginas. Audrey passava horas se divertindo sozinha com seus quadrinhos e tentativas frustradas de inventar feitiços inúteis e os momentos altos de sua vida era quando Dora, Bill ou Charles a arrastavam para alguma aventura maluca.
Pelo menos podia se destacar na beleza, mas... Não. Audrey também era irritantemente comum com seu castanho morto e sem graça, seus olhos castanhos e sua fisionomia comum de qualquer britânico. Ela não tinha nada que se destacasse, nenhum tipo de atributo exótico ou nenhum talento absurdamente admirável. Ela só era a garota do sexto ano que surtou quando pularam em cima de uma poça de lama ao lado dela.
Após Hogwarts, ela fez um curso de História Bruxa e lecionou em alguns cursos de História, resumindo sua vida em noites de filmes cults que ela não entendia absolutamente nada e séries de ficção cientifica que a faziam parecer uma viciada em drogas em abstinência.
“Você tem que conhecê-lo, ele é o cara mais doce do mundo”, ela e Nymphadora andavam pelas ruas de Londres, com a futura Auror lhe relatando como ela se apaixonou por um cara que é um lobisomem. “Desculpe, eu aqui falando de relacionamentos... Marshall não falou mais com você?”
Audrey deu de ombros.
“Não... Eu não ligo na verdade, eu só quero encontrar alguém que eu não precise passar por toda essa fase torturante de conhecimento e pular logo pra frase em que nós podemos simplesmente ficar em casa e comer”. Audrey só teve dois namorados, o primeiro foi o estranho bibliotecário de uma biblioteca que ela frequentava perto do centro. Ele não era o ser mais empolgante da face da terra, mas serviu para tirar a virgindade de Audrey, aos vinte e três.
Ela parecia uma adolescente ansiosa quando forrou uma toalha em cima da cama e conferiu meticulosamente se as camisinhas não estavam furadas umas quatro horas antes do homem chegar.
O segundo era Marshall, e ela se apaixonou loucamente por ele, mas aparentemente ela o fez perceber que ele era gay.
Bem, a vida de Audrey era um fracasso completo, ela nem se abalava mais.
Ela dava aula para jovens da sua idade e ainda assim não sabia lidar com eles, sendo diariamente escrachada. Era complicado, Audrey não gostava muito de adolescentes quando era uma, imagine adulta. Quando a ascensão da segunda Guerra Bruxa apareceu, ela parecia assistir tudo de longe: sua melhor amiga tornar-se uma Auror e casar-se com nada menos que um lobisomem! E Bill, com seu trabalho incrível em Gringotes e seu affair com uma meia veela (que surpresa, senhor William), Charles simplesmente sumiu pelo mundo para tratar de dragões (Droga, Charlie!) e Audrey simplesmente comprou um Chalé no meio do nada e esperou a Guerra acabar.
Audrey só parou de comer queijo torrado com apenas a cabeça exposta em tanto cobertor e dar berros de susto com seu gato quando recebeu uma carta de Nymphadora, pedindo sua ajuda, e como a coruja trabalhou duro para achar Audrey, ela recebeu a mensagem tarde demais. Não teve chance de se despedir de sua melhor amiga e nem lutar na maior batalha que já houve no mundo bruxo.
Sim, Audrey perdeu o maior evento bruxo em décadas.
“Ah, Audrey, este é meu irmão Percy. Lembra dele?”, A Toca, o lugar que ela frequentou muito na infância, estava explodindo de gente por conta do enterro de Fred Weasley. Ela olhou o homem ruivo mais alto que ela e Charles, e a forma arrogante de seu rosto.
“Na verdade, não” sorriu a mulher, apertando a mão dele rapidamente. Ela não parecia muito digna de ser olhada por ele, pois sequer recebeu um sorriso. “ Não tive muito contato com seus outros irmãos...”
“Eu me lembro de você” disse Percy, crítico. “Você chorou no meu aniversário de sete anos porque derrubaram suco em você”.
Charles gargalhou, mas Audrey congelou seus olhos no nada, lembrando-se do terror em sua alma com o suco de uva impregnando-se nela. Agradeceu Percy mentalmente por humilhá-la (como se ela precisasse de ajuda para isso) na frente de Charles, por quem tinha uma GRANDE quedinha quando eram mais novos.
Mas nas semanas que ficou em Ottery St. Catchpole, ela teve que conviver com Percy, não só ele, como todos os Weasley. Ela dormia na casa dos Tonks, que agora era só de Andrômeda e tinha certeza que aquele sentimento horrível de que algo estava faltando nunca mais sairia de dentro dela. Para não confiar em sua memória, ia escrever tudo que sabia sobre Nymphadora e dar para seu filho quando ele fosse mais velho. Queria que ele visse o quão incrível ela era.
Durante as semanas que se passaram, ela pegava Percy lhe dando olhares estranhos e longos, e ela tinha certeza que ele estava planejando matá-la, já que o homem era rabugento, mal humorado e sempre tinha algo para criticar. Ela até que achava engraçado sua personalidade rabugenta, mas tudo tem limite. Entretanto, ele estava intrigado com aquela garota que ele tinha dificuldades em lembrar o nome (assim como toda a família).
“Você não quer sair comigo um dia desses?”, questionou Percy quando ela fora até a A Toca despedir-se de todos. Ela uniu as sobrancelhas, confusa.
“Por que?”
“Como assim por que?”
Percy estava tentando parecer mais alto, mas ele estava falhando miseravelmente.
“Ah... Como um encontro?”
Audrey sentiu um pouco de decepção, mas havia algo em Percy que a deixava nervosa.
“Sim, o que você tinha pensado?”
Ele parecia prestes a se irritar, por algum motivo ofendido.
“Não sei, o que você tinha pensado?”
Ela segurou sua bolsa, ainda admirada em como os Weasley eram estranhos.
“Olha, isso é um sim ou não?”
Indagou o homem, definitivamente irritado.
“Depende, o que vamos fazer nesse encontro?”
Ela cruzou os braços, como se discutisse um negócio.
“Não sei, eu não tive muitos encontros... Você teve?”
Percy não queria dizer que todos os encontros que teve foram um fracasso de dimensões gregas.
“Essa é uma pergunta bem íntima”, ela arrumou seus óculos, “Mas sim, eu já tive muitos encontros”
Ela só teve um.
“Bem, então você deve conhecer muitos programas legais”
Programas, Merlin, Percy! Ele sentiu-se com cinquenta anos, quis sair correndo.
“Sim... Sim, claro, muitos”.
Audrey surtou internamente, com um sorriso tranquilo.
“Bem... Eu te mando uma carta?”
Percy finalmente respirou aliviado após a pressão social enorme.
Audrey assentiu, também tendo sequelas por aquela situação social. Eles não se encontraram, demorou mais alguns meses para isso acontecer de fato. Ela o achava muito ignorante e impaciente e Percy achava assustador como ela tinha seríssimos problemas com higiene e ele jurava que ele limpou o garfo por debaixo da mesa antes de realmente usá-lo.
Ela não teve muitos conselhos de relacionamento já que sempre que tentava conversar com Bill sobre Percy ele passava mais de dez minutos rindo da cara dela, dizendo que a junção dos dois era a coisa mais genial que a vida poderia ter feito.
Resumidamente, Audrey e Percy se entenderam um dia, e coisas boas saíram desse relacionamento.
“Lá está... Ela!”, Molly estaria ficando velha ou ela e toda a família Weasley tinha dificuldades em lembrar de seu nome? Provavelmente a segunda opção. Ela não era a pessoa mais memorável do mundo, às vezes as pessoas simplesmente esqueciam que ela estava lá. Tudo bem você não se lembrar do nome dela, mas você sabe quem ela é.
Impossível de ser esquecida, mas difícil de ser lembrada.
Essa é a coadjuvante de grandes protagonistas, a facilmente esquecível, mas memorável... Hum...
Qual o nome mesmo?
Notas finais
Mas pesquisando no tumblr, eu gostei muito de ver que a maioria do fandom adota ela como oriental e eu achei sensacional.
Na verdade, é mais preferível, trás mais diversidade pros Weasley! o/
Enfim, espero que gostem...
Beijos!
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