Notas iniciais
Mais um, flws.

Acordei com a incomoda luz do dia nos meus olhos. Como eu queria não ter acordado. Crianças estavam brincando na praça. Lembro-me quando eu o Frank ficávamos aqui.

Nós vinhamos aqui na praça de vez em quando, aqui era nosso lugar, para simplesmente descansarmos e ficarmos um com o outro.Estávamos sentados em baixo de uma arvore, de mãos dadas.

- Gee, o que vão pensar? — Ele perguntou, olhando para baixo. Esse era o problema de Frank, ele se preocupava muito com os outros, e agora acho que sei o porque.

- Nós dois vamos ficar juntos Fran, não importa o que eles pensem, eu não tenho vergonha disso. — Eu dizia.

- É por isso que eu te amo Gee, você não liga para a opinião dos outros, tem confiança. — Ele disse, arrancando de mim um sorriso.

Selei seus lábios, ficamos ali, abraçados em baixo da árvore, apenas um curtindo com o outro. Só ter ele ali comigo, fazia tudo parecer tão melhor, mas agora, eu teria que aprender a viver sozinho.

Pensar nisso e ter essas lembranças faziam lágrimas surgirem em meus olhos e minha vontade de chorar aumentar. Então levantei a cabeçar pra evitar o choro, eu não ia chorar, não em público.

Me levantei do banco, pois todas aquelas crianças da praça estavam me incomodando. Minha cabeça doía e meus olhos estavam vermelhos, eu estava fraco.

Fui em direção ao cemitério, eu estava um trapo, as pessoas me olhavam como se eu fosse um bêbado, um doente. Elas nem sabem o que eu passo, e espero que nunca saibam, ou nunca sintam como é. Eu não desejo isso a ninguém.

Cheguei ao cemitério, olhei para o céu e parecia que iria começar a chover, mas isso não me importava, apenas suspirei e segui ao tumulo do Frank. Me aproximei do tumulo e me ajoelhei. Eu já não tinha mais lágrimas, mas eu sentia uma vontade enorme de chorar.

Levantei a cabeça e comecei a falar. Sabia que ninguém iria me escutar, e quem escutasse ia me chamar de maluco, mas eu precisava, precisava disso.

- Por que meu baixinho? Por quê? Eu sei que era difícil bebê, mas por quê? Eu sei, eu sei que nunca devia ter te abandonado, sei que nunca devia ter ido embora, sei que deveria ter sido a gente contra o mundo. Me desculpa baixinho, me desculpa amor. Mas eu ainda não entendo, por quê? — Disse e comecei a chorar.

Soquei o chão e o choro ficou mais forte, eu queria morrer ali, eu não aguentava mais. A chuva começou a cair, mas eu continuei ali.

Resolvi sair daquele lugar que me matava por dentro, suspirei, me levantei e sai do cemitério. Doía, como doía, a cada dia parecia doer mais.

Peguei o caminho para a casa do Frank, suspirava pelo caminho e a chuva parecia ficar cada vez mais forte. Eu não sei o motivo, mas eu precisava visitar a casa dele, sentir o cheiro dele, talvez assim eu pudesse o sentir mais perto.

Cheguei a casa dele, e bati na porta, esperando que a senhora Iero ainda estivesse em casa. A porta se abriu.

- Gerard? O que faz aqui? Que cara é essa? — Perguntou ela preocupada.

- Me desculpa senhora Iero, me desculpa. — Falei.

- Te desculpar pelo o que? — Perguntou ela.

- Pelo seu filho, é culpa minha. — Respondi.

- Não Gee, não foi culpa sua. — Falou ela.

- Foi, eu nunca devia ter me mudado, nunca. — Falei.

- Gee... Como assim? — Perguntou ela.

- Não dá pra explicar, mas a culpa é minha. Eu... Eu poderia entrar? — Perguntei.

- Pode, você quer ir ao quarto do Frank, acertei? — Perguntou ela.

- Sim, posso? — Perguntei.

- Pode, tudo dele está lá, não mexi em nada. — Falou ela.

Subi ao quarto dele, estava tudo como ele gostava. A guitarra sobre a parede, a mochila na cadeira ao lado da cama. As revistas, o computador, os lápis sobre a mesa. Os posters na parede também. Um mural com fotos nossas. Uma gaveta cheia de cartas minhas. A cama desarrumada. Tudo, tudo do jeito como ele gostava.

Abri seu armário, e peguei sua camisa preferida, fiquei sentindo o cheiro dela, era tão maravilhoso, era o cheiro dele. Me sentei na cama dele agarrado a camisa, era como se eu pudesse senti-lo perto de mim. Fiquei ali, por horas e horas.

Começava a anoitecer e a porta do quarto do Frank se abriu, era a senhora Iero.

- Gee, está tarde. Não vai pra casa? — Perguntou ela, com uma expressão preocupada.

- Senhora Iero, eu posso dormir aqui? Por favor. — Pedi.

- Pode. — Respondeu ela.

- Obrigado. — Falei.

- Gee... Eu liguei pro Mikey, e pelo que ele me contou, você parece que não come durante todos esses dias, vai ficar doente. — Disse ela.

- Eu não sinto fome senhora Iero, obrigado. — Disse eu, olhando pra fora.

- Gee, não importa, toma um banho, desce e come. Se não eu não permito você aqui. — Disse ela.

- Tudo bem. — Respondi.

Fiz o que ela pediu, tomei um banho no banheiro do meu pequeno Frank, desci e comi a janta que ela preparou. Ela até disse que era bom jantar com companhia de novo.

Subi ao quarto do Frank mais uma vez, e me deitei abraçado a sua camisa. Adormeci lá, encharcando seu antigo travesseiro. Tudo ainda parecia um pesadelo pra mim.

Notas finais
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