Anata no Fantasy: Fairy Tales Hen
3 Capítulo 3 - Nada mais importa
Notas iniciais
Com o sol se pondo no horizonte, duas garotas ruivas, uma mais velha e outra consideravelmente mais nova, aparentavam estarem treinando no meio de um campo.
— Você está indo bem para alguém de sua idade. – Disse a mais velha, orgulhosa do que via.
E a mais nova, escancarou a boca com um inocente sorriso de criança, alegre pelo que ouviu.
— Aah! Sério mesmo?! Estou muito feliz, Lili! — Ela tinha em torno de 10 anos de idade, e suas características se assemelhavam perfeitamente às de Eien.
A garota chamada por Eien de “Lili”, caminha em sua direção e acaricia sua cabeça. A diferença de tamanho delas entregava que Lili tinha por volta de seus 17 anos de idade. Ela sorria tranquilamente enquanto passava a mãos sobe a cabeça da menor, que fechava os olhos aproveitando o cafune com um sorrisinho no rosto.
— É sério. Se continuar assim, poderá me superar quando tiver a minha idade. – Respondeu.
— Waaa! Esse é meu objetivo! – Eien não conseguia controlar a alegria.
Lili soltou alguns risos ao ouvir isso.
— Seu objetivo é me superar? – Perguntou com uma expressão alegre e surpresa.
— Não, não! Você entendeu errado! – Negou Eien. – Meu objetivo é ser forte como você! Eu nunca vou te superar, Lili... Você é a melhor que existe!
***
A batalha de Rafael havia terminado, e ninguém sabia o que dizer. Alguns segundos de silêncio mostraram-se presentes, até que Rafael se levantasse, e com um determinado olhar começasse a caminhar em direção à sua irmã.
Nesse ponto, as conversas paralelas voltaram a ocorrer.
— Rafa... – Disse Victória, preocupada com os machucados no rosto e no corpo do garoto.
— Estou bem, Vic. – Foi o que ele disse, sentando-se no chão encostado na parede. Foi mais como se ele desabasse seu corpo ali, cansado com o que tinha acabado de passar. Mas ele não estava expressando o olhar de alguém derrotado, muito pelo contrário, ele parecia mais empolgado ainda. – A próxima será a sua vez. Concentre-se na sua luta.
E ao ouvir isso, Victória respirou fundo e olhou direto para onde seu oponente estava, do outro lado daquele local. Hegel era o nome dele. Ele conversava com Sartre despreocupadamente, provavelmente falando sobre a luta que o irmão dela havia perdido.
A determinação explicita de Rafael, e a seriedade com que Victória olhou para seu oponente... Tudo isso afetou Eien e não tão pouco quanto, Dulci também. Era como se a importância que eles davam a isso não fosse algo que elas vissem todos os dias.
— O Hegel... – Comentou Dulci. – Em uma batalha corpo a corpo... – Ela parecia preocupada com Victória. Estava totalmente descrente que ela pudesse ter alguma chance contra aquele cara que tinha o dobro do tamanho dela. – Acha que consegue?
Mas foi repreendida pela própria Victória, que com firmeza disse
— O que eu tenho a perder?
— Você pode se machucar... – Disse Dulci.
— Se ela não estivesse pronta para se machucar, não teria chegado até aqui. – Dessa vez quem disse foi Rafael logo atrás.
Tanto Dulci quanto Eien não sabiam o que dizer. Ficaram os 4 em silêncio por uns instantes, até que ouvissem o chamado de Andersson; era a hora da segunda rodada.
— Pois bem... do Sexto ao Décimo das duas filas de antes, venham para as arenas.
Do Sexto ao Décimo, dentre os 5 confrontos, Tanto Victória, quanto Dulci e Eien estavam envolvidas. Para muitos dos novatos naquele momento, ouvir isso foi como ouvir a chamada para o futuro que eles almejavam. Alguns pareceram nervosos, como Laura e Victória, outros permaneceram centrados, como Judit e Hans, mas também houve um entre os 5, que sorriu sadicamente... Esse era Mikhail Tal.
— Parece que é nossa vez também, Dulci. – Disse Eien, sorrindo meio despreocupada. – Você deveria se preocupar com sua própria luta.
— É verdade.
— Vamos todas juntas então. – Falou Victória.
— Sim. Boa sorte para nós 3! – Desejou Eien.
— Alias, quem são vocês mesmo? – Perguntou Rafael.
Só agora Eien e Dulci se lembraram que ainda não tinham tido a chance de cumprimentar Rafael. Mas quase não tinham mais tempo para isso, seus oponentes já estavam quase em suas respectivas arenas.
— Ahh, eu sou a Eien e ela é a Dulci. – Disse apressadamente, apontando seu dedo seguidamente entre ela e sua amiga. — Depois conversamos, Rafael.
— Certo... Boa sorte para vocês, se é que Veteranas precisam de sorte. – Disse tentando ser irônico, e logo em seguida olhou sério para sua irmã. – Vic, mostre para todos eles de onde nós viemos! Ele provavelmente vai te subestimar por ser uma garotinha, mas não faz ideia de que você é mais forte do que eu. Você consegue!
“Mais forte do que ele?” Pensaram Eien e Dulci quase que ao mesmo tempo.
— Lá vou eu. – Disse Vic, enfim caminhando em direção ao meio do local.
Elas foram juntas e chegaram em seus destinos, frente a frente com seus oponentes. Andersson se preparava para anunciar o começo das lutas, mas para a surpresa de todos, uma pessoa o interrompeu antes disso.
— Ei, um momento Sub-Comandante Andersson. – Era a voz de Tal!
O oponente de Eien, aquele rapaz que sorria sadicamente, levantava a mão enquanto chamava por Andersson, sem medo de qualquer consequência.
— O que foi? – Perguntou Anderssou.
— Eu tenho algo a propor... Se não for pedir demais. Gostaria que avaliasse meu pedido com lógica e imparcialidade. – Dizia com um sorriso confiante.
“Com lógica e imparcialidade”. Exigir isso do Sub-Comandante soava como se ele pudesse não avaliar o suposto pedido dele dessa forma. Todo mundo ficou surpreso ao ouvir isso, até mesmo Andersson. O juiz e responsável por aquele evento entortou levemente seu pescoço, um pouco intrigado.
— Diga. O que você tem a propor? – Proferiu ele.
E essa frase confirmava para Tal que ele poderia expor sua opinião. Ele pareceu feliz com a chance de se expressar, e não esperou para que falasse o que tinha em sua mente.
— Honestamente, esse evento poderia ser bem melhor aproveitado se feito da maneira que eu irei propor. Serei direto, minha proposta é que permita que usemos armas em nossos confrontos. – Expressou com um olhar e sorriso sadicamente perturbadores.
Era como se uma onomatopeia escrita “Espanto” sobrevoasse o local, representando o que muitos ali pensaram nesse momento.
— Armas? – Disse um.
— Ele disse usar armas? – Falou outro.
— A-Armas...? – Eien, sua oponente, não estava entendendo.
— Por que você acha isso? – Questionou Andersson.
— É simples... E bem lógico. Lutas de mãos limpas se tornaram coisa do passado. Hoje em dia, com exceção das habilidades de Entity, as Armas são os fatores principais em uma batalha. – Explicava enquanto semi-abria seus braços, como um gesto despretensioso. – As armas se tornaram parte de nós, muitos de nós devemos nossos estilos de luta às armas. Lutar de mãos limpas acaba inibindo o verdadeiro potencial que temos para mostrar. Nós novatos queremos te mostrar do que somos capazes o quanto antes. Eu aposto que muitos dos que estão aqui concordam comigo.
Essa era sua proposta, usar armas durante a luta. Todos olhavam para Andersson, ansiosos para saber o que ele diria. Caso isso fosse permitido, as coisas poderiam ficar bem mais sérias.
— Usar armas nesse tipo de atividade não é possível. É muito perigoso. Eu disse que matar é proibido. – Foi a resposta de Andersson.
— E quem falou em matar?! – Retrucou Tal. – Não vou matar essa garota, eu prometo. Se eu matasse ela eu certamente seria executado por vocês aqui. – Ele dizia com tanta naturalidade que assustava.
Eien nem sabia o que dizer, estava com os olhos arregalados de surpresa. E não é pra menos que Dulci, Victória e Rafael também estivessem. Até mesmo Thomas e Jefferson estavam surpresos, com exceção apenas de Jove, que olhava como se achasse a ideia interessante.
— Se você não vai matar ela, por que iria querer usar armas? – Manifestou-se um dos novatos que estava nos fundos da arena. Era o Artur Sílva, um jovem de 16 anos com um cabelo marrom e mechas loiras que caiam sobe sua testa.
— Ué...? – Tal não entendeu a pergunta. – Eu disse que não iria mata-la, mas não disse que não iria fazer todo o resto que conseguisse fazer.
Mais uma frase para o espanto de todos. A Onomatopia que sobrevoava o local havia dobrado de tamanho. Aquele cara estava além do que eles imaginavam.
— Você...! – Dulci não havia conseguido engolir essa. – Com- Ela nem mesmo teve chance de concluir sua frase, pois foi interrompida pelo mesmo.
— Armas não servem apenas para matar... Eu garanto que não vou mata-la. Você tem minha palavra. Mas não garanto que ela não vá se machucar muito. Mas afinal, é isso que significa ser um Aventureiro. Estamos lidando com crianças aqui? Se essa pirralha não tem culhões para uma luta de verdade, ainda que nas regras de Pontos por Hits e sem poder tirar a vida, por favor arrume outro oponente para mim.
Não tinha como ser mais provocativo. Era um insulto direto a ela. Eien não sabia o que fazer ou dizer, ela apenas permanecia em silêncio, espantada. Olhou para Andersson para ver o que ele faria a respeito após ouvir isso.
— Isso está totalmente fora de questão. Essa é minha resposta, e essas são as regras. Obedeça ou saia daqui. – Ditou o Sub-Comandante, rigidamente.
O martelo foi batido, e Tal não parecia ter aceitado. Eien olhava para ele com um olhar triunfante, feliz por ver alguém tão convencido se dando mal. 1 segundo havia se passado, e então...
— Sub-Comandante Andersson... – Mais uma mão havia sido levantada. – Por favor, aceite a proposta dele! – Era Victória!
“O que?!” Eien não estava acreditando no que estava vendo.
— Até você...? – Disse Andersson, um pouco aborrecido.
— Se... Não estivermos preparados para nos machucarmos... Nunca sairemos daqui. – Foi o que ela disse. – Eu também possuo uma arma, e ela me ajudaria muito nessa luta. Como pode ver, sou apenas uma garota... Em uma disputa de força com Hegel, eu não me sairia bem.
— Eu já disse que não. – Voltou a repetir, com presença. – Obedeçam!
E foi apenas de ouvir isso, que mais uma mão se levantou! Dessa vez era Judit Polgar, a oponente de Dulci!
— Sub-Comandante Andersson, não nos trate como crianças. Viemos para cá para almejar o topo. Se nossos oponentes não estão dispostos ao risco de se machucarem, coloque contra nós oponentes que estejam, e por sinal desistam dos que não estiverem dispostos. Achei essa ideia de lutar de mãos limpas, totalmente desprovida de conteúdo. – Dizia a garota, desapontada. – Como você disse, habilidades de Entity estão liberadas. Então não faz sentido proibir armas, já que Entity é algo totalmente superior e muito mais perigoso do que meras armas.
Por essa ninguém esperava. Era realmente um bom argumento. Entretanto, para Eien, nada mais estava importando...
“Se não estivermos preparados para nos machucarmos... Nunca sairemos daqui.” Repetia em sua mente, a frase que Victória havia dito, que tanto havia lhe surpreendido. Também não era novidade para ela que tanto Victória quanto Rafael, possuíam e demonstravam algo que mexia com o interior da ruiva. Ela se sentia estranha... Se sentia mal. Era como se ela... Tivesse inveja. Só que, isso não era algo apenas deles. Tanto Tal, quanto Judit, e provavelmente muitos outros novatos ali, possuíam essa mesma coisa, essa mesma essência. Essa mesma ambição.
Sim, nada mais estava importando. Lógica e argumentos eram coisas triviais diante dos sentimentos daquela garota.
“Lembre-se do por quê viemos para cá!”
“Isso é só o começo!”
“Se não estivermos preparados para nos machucar... Nunca sairemos daqui.”
“Nunca sairemos daqui...” Dessa vez era o que ela pensava, com a cabeça abaixada diante de todos aqueles indivíduos. E sem que ela pudesse impedir, mais lembranças de frases impactantes transbordavam em sua mente.
“Quero ver, tente não chegar atrasada amanhã.”
“Sabe, ultimamente você está diferente...” Tinham sido as frases de Dulci.
E por ultimo... Uma lembrança de mais fundo, bem mais fundo... De um lugar que era realmente especial para ela. Diferente das outras, essa era uma frase dela...
“Meu objetivo é ser forte como você!”
Ela havia entendido. Nada mais importava além de seus sentimentos.
— Novatos... O Q- Adersson provavelmente aplicaria uma grande bronca neles, mas foi interrompido, dessa vez, pela própria Eien.
— Tudo bem... – Dizia com um tom sério. – Sub-Comandante Andersson, se eu estou disposta a lutar, você não pode me impedir. Além de que, o argumento do Entity é realmente forte.
— Você... – Dizia ele.
— Fique tranquilo, ninguém vai morrer.
— Eien... Então... – Falava Dulci.
— Tal, eu aceito o desafio. – Proferiu com confiança e calma, embora seu interior estivesse pegando fogo.
— Hrum – Andersson acabara de dar uma tosse seca para se recompor, meio sem jeito. – Bom, irei permitir que vocês lutem já que a Eien está de acordo. Para Victória e Judit, se seus oponentes não concordarem, lutarão sob as regras originais.
— Sem problemas, eu aceito. – Disse Hegel.
Só faltava Dulci responder.
— E então? – Perguntou Judit. – Vai encarar?
— Não me entenda mal, garota... – Dizia Dulci, com confiança. – Não é como se eu tivesse algum problema com isso. Na verdade, acho que me deixar usar minha arma foi ainda pior para você.
Sobre os outros 2 novatos, Laura não possuía armas, então não aceitou que o Veterano que a enfrentaria usasse sua arma contra ela. E sobre Hans, ele tinha uma arma, mas seu oponente não, então nada feito.
Os embates foram atrasados por mais alguns minutos para que tanto Dulci quanto Eien e Hegel fossem pegar suas armas.
— Certo, então, sem mais enrolações...
Se preparava Andersson, para finalmente anunciar.
Nesse curto período entre o início e o Fim de sua frase, Tal manipulava duas facas em suas mãos, quase que brincando com elas, com seu sádico sorriso.
Eien, em contraste, segurava 1 adaga, sorrindo de emoção, com seu interior pegando fogo.
Victória tinha um bastão de madeira com pontas de ferro nos dois lados, e Hegel uma longa e pesada espada.
Judit, possuía, estranhamente, linhas quase que transparentes enroladas em seus braços, frente a Dulci... Que se aquecia... Com um chute assustador que dera no ar, tão potente que uma rajada de vento era formada a cada golpe. Suas armas eram... Botas de aço... Em um formato de patas... Patas de Urso. Patas metálicas de Urso!
— Comecem!
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