Anabela - Retormada ao Trono
1 O Retorno
Nunca soube de onde vim ou o que faço aqui. Sinto que não pertenço a esse mundo. Não existe mais magia em viver, conseguimos tirar os encantos da vida. Cada dia era uma surpresa nova e hoje em dia é tudo exatamente igual.
Sempre houve guerra, nunca foi diferente, daria tudo por um dia de paz. Onde crianças podem brincar felizes nas ruas sem seus pais temerem, onde jovens podem voltar tarde para casa sem seus pais acharem que algo de ruim aconteceu. Imagine um mundo onde só existisse o amor... Seria perfeito, sem mais nem menos.
Sinto que sou diferente e que tenho uma predestinação a seguir. Minha avó sempre fala ‘’ Honre seu nome e suas qualidades, não confiastes em ninguém, nem mesmo em sua sombra. O que tiver que ser feito você fará. ‘’ Nunca entendi ao certo o que ela queria dizer com isso, ela já era uma senhora de idade avançada, então não dava muita ideia para o que ela dizia.
Parece loucura, mas aos 10 anos de idade já sentia que não era igual a todos, detestava ficar sentada em frente à TV assistindo desenhos, gostava de ficar sentindo o perfume das flores, gostava de ouvir os passarinhos cantando, adorava ver o amanhecer e o anoitecer. Não vou falar muito do passado, estamos no presente agora e é nele que tenho que me concentrar.
Tenho dois amigos que vivem comigo desde os 09 anos, Julia e Gustavo. Somos os três mosquiteiros, nada e ninguém nos abalavam (pelo menos eu achava isso). Até uma garota chegar à escola e transformar a minha vida em um inferninho. Nomeavas-se Fernanda, morena de cabelos escorridos, olhos cor de mel, parecia um anjo quando à vi. Porém em dois minutos que estive conversando com ela, percebi que ela era desmiolada, era louca.
Deixei-a para lá e fui para casa, onde encontrei tudo revirado, parecia que um furacão tinha passado por ali.
– O que aconteceu aqui? – Gritei. Não obtive resposta, então gritei mais uma vez.
– O que houve aqui? Mãe?
Decidi subir até o quarto dela, estava tudo bagunçado, livros fora da estante, roupas jogadas em toda parte, tudo desarrumado. Não sabia o que fazer, estava muito preocupada, até que encontrei uma pista, que acredito não ser um bom sinal.
Era a aliança de minha mãe, após o falecimento de meu pai ela nunca tirava a aliança para nada. Fiquei me perguntando o motivo da aliança estar jogada no chão. Preocupada, liguei para minha avó, ninguém atendia. Com o coração apertado e os olhos cheios de lagrimas, liguei para a policia.
Eles me falaram para ficar calma, pois tudo daria certo. Não senti muita firmeza na voz do policial, acho que era porque eu conseguia sentir o perigo. E de repente, em minha mente começa a lembrar de muito, muito, muito tempo atrás, quando meu pai ainda era vivo. Foi onde me coração ficou mais apertado e decidi ir até a casa da minha avó.
Ao chegar, bati desesperadamente na porta.
– Vó, vóóóóóóóó – Gritava feito uma louca.
Lembrei que ela guardava uma chave reserva embaixo da madeira da escadinha que ficava ao lado de fora. Abri a porta, estava tremula, tudo parecia normal, nada estava desarrumado como na minha casa, muito pelo contrário, estava tudo em ordem. Fiquei espantada, porém mais calma.
– Vó, cheguei em casa e não encontrei minha mãe. Estava tudo uma bagunça, roupas no chão, louças quebradas, quadros queimados, flores amassadas. – Não consegui segurar minhas lagrimas, foi onde chorei mais ainda.
– Tenho certeza que algo aconteceu a ela. Por favor, me ajude. – Soluçando de tanto chorar, implorei. – Encontrei a aliança dela jogada no chão.
– Ela nunca larga a aliança! – Exclamou minha avó.
– Eu sei, por isso estou mais preocupada.
– Tem algo que eu quero te dizer, porém você não está completamente pronta para isso. Só estou te contando isso porque as circunstancias estão implorando.
Senti medo na voz de minha querida avó.
– Diga-me, o que te afliges?
– Você é especial! Você faz coisas extraordinárias! Você é a cura, é a dor, é a alegria, a tristeza, é o mal e o bem. Não a nenhum mortal mais poderoso que você. Você está em perigo e tenho certeza que capturaram sua mãe para obrigar ela a falar onde você está.
Olhei para a cara da minha vó e fiquei revoltada, pois não era hora de fazer brincadeiras tolas. Na hora que iria começar a falar poucas e boas parar ela, o telefone toca.
– Alô!
– Olá Anabela – A voz me soava muito familiar.
– Quem fala?
– Ora, ora, ora. Não se lembra mais de mim?
– E deveria?
– Eu acho que sim. Chegue perto da sua avó e pronuncie este nome ‘’ Lee ‘’ e fale que temos velhas contas para acertar.
– Vó, um tal de Lee disse que vocês tem velhas contas para acertar. – Com um ar irônico as palavras saíram de minha boca.
Após contar a ela sobre isso, ela ficou paralisada e suas únicas palavras foram:
– Forca.
Fiquei me perguntando o que significaria isso. Percebi que ela ficou muito abalada depois que contei para ela sobre esse tal de Lee. Ouvi passos subindo as escadas, era minha avó. Segui-a até o quarto e notei que estava fazendo as malas.
– Para onde está indo?
– Estou salvando sua vida. – Respondeu grosseiramente.
– Vai parar de procurar sua filha? – Gritei.
– Acalme-se Bela, temos que procurar ajuda urgentemente. Sua mãe estará bem enquanto não te acharem.
– O que isso tem haver comigo??? – Confusa respondi
– Exatamente tudo! Lembra que disse que você era especial?
Não deu tempo de retrucar, ela agarrou no meu braço e fomos direto ao ponto de ônibus mais próximo. Não vi qual ônibus pegamos e nem para qual lugar ele ia. Só sei que demoramos no mínimo umas 3 horas para chegar ao nosso destino.
Ao chegarmos, minha avó larga minha mão e corre em direção a um homem que parecia estar a nossa espera. Escuto ela dizer bem baixinho para ele:
– Ele voltou.
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