An Impossible Love

7 I Can't Have You, But I Want Too


Notas iniciais
Oii, a pedidos de dona Luisa, cá estou eu atualizando *--* Espero que gostem ♥

Quando olhei na direção de quem tinha pronunciado as palavras, quase senti meu coração parar de bater. Blaine estava ali, parado de braços cruzados e com uma péssima expressão no rosto.

— Vou ter que perguntar de novo? – Novamente ouvi a voz dele e minha vontade era simplesmente abraçá-lo, pronto para nunca mais soltar.

— Blaine, até que enfim você apareceu. Eu estava sentindo sua falta, preocupado com você. – Falei com um sorriso enorme, mas fui ignorado por ele, que nem tinha seus olhos em mim.

A maneira fixa que ele encarava Sebastian chegava a assustar. Nunca o vi com um semblante tão carregado quanto aquele que estava em seu rosto agora. Senti até um arrepio com a maneira penetrante que ele encarava meu amigo.

— Fiz isso pelo bem de vocês dois, Blaine. Você sabe muito bem disso, além do mais... – Sebastian falava, mas fora bruscamente interrompido e eu cheguei a estremecer.

— Vai embora! – Ordenou com raiva, realmente eu nunca vi Blaine assim. – Depois eu me resolvo com você. Tenho coisas pendentes para o momento.

Sebastian disse um "se cuida" para mim, mesmo sendo ameaçado pelo olhar de Blaine e desapareceu. O silêncio se tornou horrível, eu nem mesmo conseguia olhar nos olhos de Blaine. Apenas me sentei e senti seu olhar em mim, senti também que o ar ficou mais leve quando ele se sentou ao meu lado.

— Então... – Comecei. Foi a melhor maneira que encontrei de quebrar o silêncio e admito que não foi uma atitude muito inteligente.

— Pode perguntar. Não vou mais fugir de você ou de suas perguntas. – Finalmente me encarou, então também o encarei.

— Por que foi embora? – Comecei com uma pergunta simples. Não conseguiria arrancar grandes coisas se fosse afobado.

— Porque eu fiquei nervoso, demais até... – Um olhar triste estampou seu rosto e aquilo me doeu. – E eu acabei tendo coisas para resolver.

— Que coisas? – Minha curiosidade é meu pior defeito. Odeio ser tão curioso.

— Coisas. – Repetiu ele. – Não se referem a você. Eu não cuido mais de Beth, entende? Precisei interferir no plano terreno para poder ajudar ela e isso me causou uma advertência das graves. Assim como a do Seb causou a perda do amor dele... – Soltou um suspiro.

— Como assim? – Confusão provavelmente estava estampada em meu rosto. O que ele queria dizer com aquilo?

— Estou irritado demais com ele para defendê-lo agora. – Blaine disse secamente. – O que mais quer perguntar?

— Por que você me beijou? Você gosta de mim? – Ele deu um sorriso fraco, negando com a cabeça e, por algum motivo, aquilo me incomodou. – Não gosta?

— Não. – Negou ele. – Eu te amo, Kurt.

— Oh... – Se eu estou surpreso? Mas é óbvio. Não consigo nem acreditar em uma coisa dessas. – Eu também te...

— Não, isso só vai deixar as coisas piores. – Novamente estava a tristeza em sua face e, mais uma vez, senti uma dor enorme me invadir.

As coisas com Blaine sempre precisam ser assim? Alegria absoluta ou uma tristeza destruidora? Por que sempre tudo com ele precisa ser aos extremos? Por que sempre estamos muito bem ou quase morrendo? Nunca vou entender, mas algo muito injusto deve ter acontecido com ele, caso contrário ele não agiria desse jeito e não seria tão repleto de segredos que se nega a me contar. A maior parte do que sei sobre Blaine eu descobri com Sebastian, pois eu conseguia comprá-lo com chocolate. Dá para acreditar que os anjos não são acostumados a comer? Pois é. Eu não sabia disso quando ofereci doce a Sebastian e então ele acabou se viciando. Sendo honesto, isso não é de todo o mal, até me ajudou bastante.

— Eu quero você, Kurt, mas eu não posso te ter. O universo já me provou isso mais de uma vez. – Blaine estava cabisbaixo, pude jurar até mesmo ter visto uma lágrima escorrendo por seus olhos. – Eu preciso ir...

— Quando você volta? – Me levantei e agarrei seu braço quando ele também levantou.

— Eu não vou voltar. – Disse sem muita firmeza. – Acredito que isso seja um adeus...

— Eu me nego a dizer adeus a você. – Falei já aos prantos. – Não, você não pode fazer isso comigo, por favor...

— Eu preciso. Vai ser o melhor para nós dois. – Afirmou com a cabeça, se aproximando de mim e me abraçando.

Me grudei nele como se minha vida dependesse disso, chorando como nunca. Meu coração estava doendo a cada batida mais, não sei nem explicar como isso é possível. Eu queria ter o poder de prender Blaine aqui para que ele nunca mais fosse embora, mas sei que ele desapareceria feito pó, então não iria adiantar de nada prendê-lo.

Quando nos afastamos do abraço não consegui me aguentar, me aproximei e o dei um selinho demorado. Sabia que não era o momento para um beijo clássico de filme, sabia que ele me afastaria, fora que nem tinha clima para isso.

Lágrimas rolavam pelo rosto de nós dois, ambos sabíamos o que aquilo significava e provavelmente a dor era igual para nós dois. Decidi então que não era justo eu ser egoísta a ponto de pedir para que ele ficasse. O meu amor falava mais alto do que minha vontade de ter ele ali comigo para sempre.

Ele mais uma vez me encarou, me deu um último selinho e sussurrou um "adeus", sumindo em seguida. Queria eu dizer que fiquei chorando feito uma criança na minha cama, mas a verdade é que eu apenas me escorei nela e me botei a pensar. Eu poderia ter esperneado, mas de que adiantaria forçá-lo a ficar aqui contra sua vontade?

Não vale a pena fazer alguém infeliz só para que você fique bem. Isso nunca vale a pena. Estava tão imerso em pensamentos que nem mesmo percebi quando caí no sono, só descobri isso porque fui acordado nem um pouco delicadamente por alguém se atirando em cima de mim. Abri os olhos e vi que era Sebastian.

— Que maravilha acordar sendo sovado que nem um pão caseiro. – Falei irônico, coçando os olhos e vendo ele sentar-se ao meu lado. – Você parece feliz. Se acertou com Blaine?

— Sim. – Disse em meio a um sorriso. – Precisamos conversar.

— Sobre? – Não estava com muita vontade de ter uma conversa agora, mas como ele sempre me animava, resolvi arriscar e ouvi-lo.

— Muitas coisas. – O sorriso desapareceu de seu rosto. – Eu tenho permissão de te contar as coisas que aconteceram, já que eu tenho certeza que você não ligou os pontos como mandei.

Me botei a pensar sobre o que ele poderia estar falando. Será que era sobre o garoto pelo qual Blaine fora apaixonado um século atrás? Porque se fosse, eu realmente não tinha ligado ponto nenhum, nem tinha pensando em como fazer isso.

— Você era o garoto. – A simplicidade em sua voz me assustou mais do que as palavras em si. Sebastian era sempre tão direto. – Por isso não fui a fundo nos detalhes. Bom, não era exatamente você, era o você de cem anos atrás. E o acidente que vocês sofreram foi de bonde e não de carro.

Se estou chocado? Claro que estou. Que história toda é essa? O meu "eu" da minha vida passada estava interligado a Blaine? Isso explicaria o motivo de ele ter se apegado tão rapidamente a mim, da mesma maneira que me apeguei a ele. Mas eu não entendi ainda uma coisa...

— Você está muito pensativo. Qual a dúvida? – Perguntou me olhando.

— Hoje ele disse que me amava. Se ele me ama e eu também o amo, o que nos impede de ficarmos juntos?

— Nossos destinos são traçados no momento em que nascemos, Kurt. Ele sabia que você sofreria um acidente e sofreu durante todo o seu crescimento. – Explicou-me. – Vendo que meu melhor amigo já havia sofrido demais para um anjo, eu me meti no plano terreno e te salvei do acidente, eu literalmente me atirei em você, mas como eu não estou bem "vivo", apenas senti uma dor no corpo. Sei que agora deve estar pensando o motivo de eu não ter salvo sua família, mas eu realmente não pude. Foi tudo tão rápido, que as ferragens se cravaram em mim ao invés de você. – Eu o encarava pasmo. Aquilo parecia um pesadelo, mas o abracei mesmo assim. – Por que está me abraçando?

— Porque você me salvou e se machucou só para ver seu melhor amigo feliz. – Esclareci. – Mas se Blaine sofreu uma advertência por ter se metido em plano terreno, você também sofreu, não?

Seu olhar se tornou triste. Me perguntei mentalmente se não foi uma má ideia ter tocado no assunto e acabei por descobrir que não foi uma má ideia: Foi péssima.

— Não precisa falar... desculpa. – Falei, desviando meu olhar do dele.

— Lembra que antes de te beijar eu falei que tinha o meu humano? – Assenti. – Eu não tenho mais... Desde que te salvei. Essa foi a minha punição. Ele não pode mais me ver...

— Eu sinto muito, Seb. – Mais uma vez o abracei. – Seria demais perguntar qual foi a punição de Blaine? Isso tem algo a ver com o motivo de ele ter partido?

— Ele quer assumir a minha punição, pois agora ele finalmente teve a chance de te dizer adeus, coisa que da última vez não pôde. Ele não pôde nem dizer que te amava e agora ele conseguiu. – Eu apenas assenti, mais uma vez. – Não se preocupe, eu não vou permitir que ele faça isso.

— Permita. – Me exaltei. – Você merece ser feliz, Seb. – Ele sorriu triste.

— E eu vou ser. Por isso mesmo que não posso permitir que ele faça isso. Eu vou virar humano. – Seu sorriso novamente aumentou. – E quero convencer Blaine a fazer o mesmo, mas acho que não tenho força o suficiente para isso. Precisarei deixar essa tarefa em suas mãos.

Em minhas mãos? O que Sebastian tem na cabeça para pensar que Blaine iria me ouvir já que até agora preferiu não ligar muito para o que eu quero ou penso?

Sebastian permaneceu mais um pouco comigo, me prometendo que convenceria Blaine a voltar nem que fosse para um último abraço, mas não deixei minha esperança crescer muito. Eu sabia das chances que tinha de aquilo acontecer e sabia dolorosamente que eram poucas. Fiquei pensando sobre o que faria para convencer Blaine, o que o diria, se o abraçaria ou apenas falaria, se o beijaria ou apenas diria que o amo.

Como sempre minha mente é um turbilhão de perguntas, sensações e sentimentos, coisas que nem sei explicar ou entender o motivo de me perturbarem tanto. Apenas sei que dói não ter o controle das próprias emoções ou do que vai acontecer no dia de amanhã. É estranho e não de um jeito normal, e sim de um jeito sufocante.

É doloroso como só perder alguém pode ser e nisso eu posso dizer que tenho experiência. Perdi minha mãe quando era criança, perdi meu pai, minha madrasta e meu meio irmão três anos atrás, perdi Blaine e agora estou a ponto de perder mais uma pessoa, talvez a mais difícil de se recuperar:

Eu mesmo.

Notas finais
Ops... alguma sugestão para o andar da fic? Sempre aceito ideias ♥ Bjo ♥