Amores Doentios
3 Um estranho acontecimento
Notas iniciais
27-09-14 Segunda feira
09:08hs
Kath’s POV
Acordei devagar e olhei se Nick estava bem. Seu semblante estava relaxado, então me mantive despreocupada. Levantei-me delicadamente, empurrando seu braço que estava por cima de meu tórax. Nick se mexeu, mas não acordou. Fui ao banheiro, troquei-me e logo voltei até Nick.
– Acorda amor – dei-lhe um beijo – Vamos tomar café. Daqui a pouco eles tiram a mesa, e não podemos ficar sem comer...
– Ah – ele espreguiçou, levantando os braços – Bom dia!
– Bom dia, amor! – dei-lhe outro beijo – E aí, não vai me contar com o que sonhou?
– Ah, nada de importante...
– Lógico que é. Se não fosse você não estaria tão assustado ontem á noite.
– Não, esquece isso... Vamos tomar café. – Nick se levantou para se trocar.
Ele estava fugindo do assunto. Não me contava e fingia estar tudo bem. Algo o incomodava, e tinha a ver comigo. Mas foi apenas um sonho, se fosse algo muito preocupante ele me contaria.
Nick disse para aproveitarmos o dia. Hoje acaba nossa diária. Tomamos café e passamos o resto do dia na área de lazer, aproveitando meu último dia naquele lugar maravilhoso.
***18:45hs***
– Já arrumou sua mala? – Nick gritou do banheiro, com a escova de dente na boca.
– Estou acabando, só falta fechar. – eu disse, sentada em cima da mala e puxando o zíper – Me ajuda aqui!
– Você não costuma dobrar suas roupas? – ele disse voltando do banheiro. Veio até minha mala e fechou o zíper pra mim.
–Ah, ufa! Fechou. – eu disse, rindo. Não quero deixar esse quarto...
– Temos mais para ver, e tenho a certeza de que você vai gostar – Nick pegou minha mão – Você me acompanha?
– Foi por isso que me casei com você! – apertei suas mãos enquanto abria um grande sorriso.
Beijamos por um tempo, até que o serviço de quarto chegou para levar nossas malas para o carro. Acertamos a conta na recepção e entramos no nosso Audi.
– Não acredito que estamos indo embora. – entristeci.
– Voltaremos algum dia – ele sorriu pra mim e sorri de volta.
– Esqueci de passar no banheiro. A viajem será longa, então vou e volto logo.
– Te espero aqui.
Chegando lá, fiz minhas necessidades, lavei minhas mãos e fiquei parada por um tempo em frente ao espelho. Meus olhos brilhavam e eu tinha um leve sorriso estampado no rosto.
Até que um leve arrepio veio sobre meu corpo, e estremeci. Me senti observada. Porém me encontrava sozinha naquele banheiro. Pelo menos visualmente. Voltei a olhar pro espelho, para arrumar minha franja, e uma descarga disparou. Virei rapidamente em direção ao barulho, mas não havia ninguém ali. “Calma Kath, porque está tão assustada?” pensava. Peguei minha bolsa e fui até a porta. Eu girava a maçaneta, mas a porta se encontrava trancada. Virei á procura de janelas, mas todas eram pequenas demais. Tentei a porta novamente, sem sucesso. Então começou a ficar frio, até que os vidros e espelhos embaçaram. No meio do completo silêncio, um barulho veio do espelho, para o qual olhei e vi marcas de dedos. Já estava apavorada, queria sair dali. Cheguei mais perto para ver as tais marcas , quando algo muito forte puxou meu cabelo, me imobilizando contra a parede. Gemia de dor, e não conseguia me soltar por nada. Não via nada atrás de mim. Já estava desesperada, quando comecei a gritar.
– Está emperrada! – alguém gritou do lado de fora.
– Me tire daqui, por favor!
Estrondos vinham da porta, e quando a mesma se abriu tudo ali voltou ao perfeito estado. No mesmo instante, meu cabelo foi solto, e caí, batendo a cabeça no chão. Um moço do serviço de quarto veio até mim.
– Você está bem?
– Não sei bem. Algo... estranho aconteceu aqui. – eu olhava para os lados, apavorada.
– Parece estar tudo normal aqui. – ele disse, verificando todo o banheiro. De repente, a descarga novamente disparou.
– O que foi isso?? – perguntei assustada.
– É apenas a descarga, ela precisa de manutenção. Vamos sair daqui, te acompanho até a recepção.
– Agradeço sua atenção, mas vou sozinha. – dispensei
Levantei-me e, em todo o caminho até o carro o acontecido não saía de minha cabeça.
– Onde você estava? Porque demorou tanto? – Nick já estava impaciente e preocupado.
– Fiquei presa no banheiro. A porta emperrou, e demoraram pra me tirar de lá. – omiti algumas partes.
– Por que não me ligou? Eu ia até lá te buscar...
– Nem pensei nisso. Estava muito apavorada. – abaixei a cabeça, estava mentindo. Na verdade não havia como ligar.
– Pode se acalmar agora – Nick pôs sua mão em minha nuca – Por que sua nuca está molhada?
– Não está, não molhei... – respondi intrigada. Nick subiu sua mão até entre meus cabelos – Ai! Doeu!
– É sangue – ele olhava sua mão – Você deixou de me contar algo?
– Não. Na verdade, sim. Virei o pé enquanto corria de um lado para o outro, procurando um jeito de sair. Quando caí bati a cabeça no chão. – menti.
– Sorte sua que não machucou muito. Não precisa dar ponto, to esfolou um pouco. Só aconteceu isso? – ele estava desconfiado.
– Só isso. – menti novamente.
– Então, vamos embora. – Nick ligou o carro. Ele não era bobo, estava bem intrigado com essa minha história.
– Vamos pra casa. – finalizei.
Olhei as horas, que eram quase 20:00hs. Coloquei um cd qualquer pra tocar e fiquei apreciando a vista. Tínhamos uma longa viagem pela frente
***00:42***
– Ah amor, vamos parar em algum lugar. Está tarde, estamos com sono. É perigoso viajar com sono. – pedi para Nick.
– Já estamos quase chegando, só mais meia hora. Tem certeza de que quer parar?
– Sim. Seus olhos já estão minúsculos. Continuamos amanhã.
Paramos em um motel ali perto. Passamos uma noite divertida, e pegamos um sono bem pesado.
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