Amores Congelados - Filha Do Gelo
4 Capitulo 1
Já fazia um ano que eu não converso direito com Mike e Charlie. Eu os tinha perdoado, mas não completamente, se eles tivessem me dito de uma vez eu iria aceitar, mas não, eles me enganaram e eu fui a idiota que acreditava que tinha pelo menos duas pessoas que me amavam.
Mas aquilo agora era apenas o passado, eu já estava acostumada a ser ignorada por todos, principalmente meus pais, os únicos da minha família que realmente pareciam se importar comigo eram os meus irmãos e a minha avó, só que ela já havia falecido. Eles eram lindos, ambos loiros como eu que puxamos da nossa avó, mas um tinha os olhos verdes do meu pai e os olhos castanhos da minha mãe, o que fazia com que fosse fácil identificá-los. Eu era a única com os olhos ametistas na família, o que fazia de mim a aberração da família, ou como eu mesma gosta de falar, a Ovelha Negra da família, esse termo é menos pejorativo.Voltando com meus irmãos, eles tinham apenas alguns segundos de diferença, o mais velho era de olhos castanhos, o seu nome era Hennry, ele era branco com sardas no rosto e nos ombros, o que eu acho extremamente charmoso. O mais novo era os de olhos verdes, seu nome era David, e tirando os olhos, eles eram exatamente idênticos. Eles já tinham 11 anos mas eram verdadeiros Gênios, nossa diferença de idade era de 6 anos, tinham um QI maior que 170, o meu era igual, mas eu podia ser lerdinha as vezes, mas o fato era : eles já eram extremamente inteligentes nessa idade.E eu estava testando eles naquele exato momento para ver se eles estavam decorando fórmulas ou se eles sabiam mesmo.Eles estavam sem livro algum ou calculadora.— Quanto é 2765 x 489?Um minuto tinha se passado e David foi o primeiro a resolver.— 1352085.— Correto. Quanto é a raiz de 3321?— 57.62811814... — respondeu Hennry em alguns segundos.— Muito bem, o que é 2πRf na física?— Pfff, é sério? Eu pensei que você fosse perguntar algo mais difícil para nós Lexy. — falou David.— Só responda maninho.Ele me lançou um olhar de "fala sério" e respondeu perfeitamente, eu estava impressionada, nem física eles tinham aprendido ainda.— 2πRf na física é a velocidade no Movimento Circular Uniforme ( M. C. U. ). Satisfeita?— Perfeitamente. — sorri para ambos.— Você não cansa de treinar a gente não? — perguntou Hennry.— E quem disse que estou treinando vocês? — ergui a sobrancelha, agora eu conseguia fazer isto.— Quem você acha que está enganando? Sinceramente, ainda somos crianças mas temos a inteligência de Einstein. — falou Henrry sorrindo zombateiramente.— Ok vocês me pegaram.— Sério mesmo? — perguntaram ambos esperançosos, eu ainda acho isso meio esquisito. Brincávamos sempre de quem conseguia decifrar o outro, o que tinha mais pontos no fim do mês ganhava.— Só que não. Ainda falta muito para vocês me ultrapassarem. — disse eu bagunçando o cabelo de ambos. — Tem é que comer muito feijão com arroz para isso.— Quer dizer que se nos esforçarmos mais poderemos tirar você daqui? — perguntou David.Eu os olhei espantada, não achei que eles sabiam sobre aquilo. Era para ser um segredo, não era para eles saberem, mas quando olhei em seus olhos pude ver que não iria fazer a menor deferência, eles ainda gostariam de mim.— Bem.... se vocês se esforçarem... — esbocei um sorriso triste.Eles começaram a festejar, eles podiam ter uma mente brilhante, mas ainda eram crianças, isso não se podia negar.Fui para meu quarto para fazer minhas lições, fiz a de Álgebra primeiro e terminei em meia hora, depois fiz a de Química Avançada e como era um pouquinho mais complexa que a Química normal, eu demorei uma uma hora e meia. E foi assim por diante, terminei minhas lições e tomei um banho quente no meu banheiro, e é claro que eu fiz minha turnê enquanto estava lá. Sai de lá com uma calça de moletom bege e uma blusa de manga curtabranca, ainda secando meu cabelo e dei de cara com minha mãe, o que me fez levar um susto, já que ela quase nunca entrava no meu quarto.Ela estava usando um coque bem preso, seus cabelos eram ruivos o que destacava em sua pele algumas das sardas que meus irmãos puxaram.— Alexya.— Mãe.A tensão pairava no ar, mas nenhuma de nós se atreveu a dizer uma palavra até eu interromper o silêncio constrangedor.— Precisa de algo?Ela ficou me encarando por alguns segundo e por fim falou.— Preciso conversar com você.— Agora? Eu tenho que ir no super mercado para comprar minha comida, já que vocês provavelmente vão jantar, e não vão deixar eu comer com vocês. — falei andando em direção à porta, quando eu cheguei perto do corredor ela resolveu falar de novo.— É por isso que eu quero falar com você. Quero que você jante conosco hoje.Eu a olhei pasma.— Como é? — minha pergunta quase não saiu.— Se arrume, hoje nós vamos jantar com a família de um sócio do seu pai. Quero você impecável, o filho deles vai estar lá e se você conseguir conquistar o coração dele, você terá sido pelo menos útil, a família deles é muito rica, ajudará a empresa é a família muito bem, assim você garantirá também a empresa deles para seu pai.A fitei por alguns segundos, tentando processar o que acabara de ouvir. Minha cabeça já fervia em raiva, mas mesmo assim consegui falar normalmente.
— Não me leve a mal, mas prefeito ficar em casa morrendo de fome do que fazer-ma coisa idiota como essa. Aliás sabe o que você está me lembrando?Aquelas madrastas malvadas que levam o marido junto para o mal caminho e que obrigam a filha deserdada a conseguir o coração do pobre rapaz cujo pai é podre de rico para fazer com que a família se de bem. E quer saber mais? Eu não sou mais aquela menininha indefesa que era obrigada a fazer tudo para agradar os pais, cujo quais nem ligavam para a minha existência.— Alexya! Você quer por favor calar a boca!? — a voz de minha mãe saiu estridente e chorosa e eu só parei de tagarelar quando notei que ela estava chorando. — Eu espero você lá em baixo em meia hora. — ela limpou as lágrimas e foi embora.Eu odiava fazer alguém chorar, mas minha mãe não tinha motivos para chorar, eu apenas tinha dito a verdade. Quando ela tenta me usar desta forma, ainda mais por causa do poder da família dos outros, bem, digamos que eu não suporto isso e digo coisas bem cruéis, mas mesmo assim, era a primeira vez que a via chorar. Provavelmente o choro era falso, ela provavelmente sabia que eu não suportava fazer alguém chorar.Desci para a cozinha para pegar um pouco de dinheiro no pote de biscoitos para ir no supermercado — ignorando completamente o pedido daquela velha bruxa -, mas antes que eu pudesse chegar perto da sala, eu ouvi um grito fino, que parecia ser de um dos meus irmãos.Corri para a sala e vi minha mãe batendo em meus irmãos. E aquilo ascendeu uma raiva tremenda em mim. E no mesmo momento o ambiente ficou gelado, minha mãe se virou em minha direção com o olhar espantado. Mas depois que me viu seu olhar se suavisou. — Vai me escutar agora? Ou vai querer que eu machuque mais seus irmãos? — sua voz saiu fria e calma. Mamãe nunca tinha encostado um dedo sequer neles, então porque agora? — Você é mesmo um monstro! Bater em mim é uma coisa, mas neles já é demais. Você não é digna de ser uma mãe. É uma bruxa do capeta que atazana minha vida. E a única coisa que me faz ainda ficar ainda são eles, então se você encostar mais um dedo neles eu te mato. — Você não poderia. — falou ela tremendo, e depois começou a rir zombateiramente. — Antes que você encoste em mim eu mato seu preciosos irmãozinhos. — Sua.... — Ah ah ah — disse ela com um dedinho em negação. — Você vai me obedecer, não vai mais me maltratar, e vai começar a me chamar de mamãe. É para começar você vai se vestir apresentavelmente para esse jantar. Olhei para meus irmãos que estavam com a pele vermelha nos braços e cheios de lágrimas nos olhos. Senti várias lágrimas de raiva e tristeza descerem pelo meu rosto. Subi correndo para colocar um vestido preto longo com um decote V nas costas, sandálias pretas de salto, botei uma maquiagem leve com sombra branca e um gloss rosa. Ainda tinha as marcas das lágrimas no meu rosto, mas elas desapareceriam depois de um tempo. Peguei minha bolsa preta e coloquei minha carteira, meu celular e outras coisinhas dentro dela, e sai porta afora. Desci as escada com meu país e minha mãe me esperandoe meus irmãos já no carro. Aquela seria a última vez que eu os via sofrer. Aquela seria a última vez que eu veria meus irmãos chorarem. Aquela seria a última vez que eu deixava minha mãe sair impune. Se é guerra que ela quer, então guerra é o que ela terá.
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