Ótimo. Minha bicicleta foi roubada e eu ainda estou a quilômetros de distância da minha casa.

Comecei a andar pelas ruas para ver se eu conseguia achar algum ponto de ônibus, mas ai eu lembre que não estava com meu passe.

Esse dia pode ficar pi.... Quer saber, não vou falar isso não. É sempre que alguém fala isso que piora.

O pacote com o livro estava na minhas mãos, ele era bem pesado, mas dava para aguentar, afinal, não era como se eu pudesse largá-lo e sair andando como se eu nunca o tivesse visto. Peguei meu celular e vi que ainda eram 6:40 a.m, minha casa ficava á uns 45 minutos dali — de bicicleta -, e minha escola começava as 7:20 a.m.

Droga demorei demais!

Depois de um tempo a bateria do meu celular acabou.

Isso é super legal! Sem bateria, sem bicicleta! Viu? E é por isso que eu não queria falar aquela frase, mas como a bendita já tinha sido mencionada antes mesmo deu pará-la, aconteceu!! A melhor aluna da classe vai praticamente cabular a aula.

Ahhhhhhrrggg! Além de ter que ir para a escola a pé hoje, eu ainda tinha que ficar lá o dia inteiro. Infelizmente, a minha escola eram daquelas que duravam o dia inteiro. Isso é muito desgastante. Além do mais, eu queria ir logo para casa para poder devorar o meu novo livro.

Ouvi um zumbido atrás de mim, me virei e vi que tinha uma moto, da cor amarela com detalhes pretos, vindo em minha direção. Pensei que era apenas coincidência então fui para o outro lado. E para minha surpresa a moto foi para a mesma direção.

Parei e a moto parou junto. Comecei a correr da moto e ela continuava a me perseguir. Escutei o motor da moto parar mas mesmo assim eu continuei a correr, logo depois passos apressados atrás de mim, o livro pesado dificultava minha locomoção, mas eu não iria simplesmente largá-lo por aí, principalmente depois de eu tê-lo recebido como um presente.

Uma mão me agarrou o ombro e eu gritei, logo em seguida me virei se nem ter visto a cara do meu perseguidor e lhe dei um soco na boca do estômago. Este caiu e ficou arfando de dor.

— Urmf!

Na hora que dei o soco acabei deixando o livro cair no chão. O peguei rápido e fui me virar para correr novamente quando algo segura minha mão. Paraliso, a pessoa tinha um aperto forte.

Sai do transe e tentei tirar minha mão ali, mas a pessoa apenas apertava mais forte. Entre uma respiração e outra, o perseguidor consegue falar.

— Es... Espera. — pediu.

Não sei porque mas parei de tentar sair de seu aperto. Este afrouxou o aperto e levantou o rosto. Ele tinha os cabelos ruivos e os olhos azuis cobalto, sua pele era branquinha. Era o garoto de ontem.

— Você? — disse surpresa.

— Eu... — arfou mais uma vez, depois parou. Parece que se recuperou.

— Você é o menino de ontem.

— Aham, o menino do qual você acertou um soco. — disse seco. Ele tirou a mão do meu pulso quando percebeu que eu não iria fugir.

— D-Desculpa. Não sabia que era você. Não é todo dia que você é perseguida por uma moto. — disse superando minha recaída.

— Como se eu quisesse te perseguir. — dava para ver de foi sarcástico.

Me irritei com aquilo.

— Ah é? Bem não te pedi para que me perseguisse. Não preciso de pessoas metidas a besta na minha vida, além do mais, acho que você mereceu mesmo aquele soco. Passar bem. — me virei e comecei a andar novamente. Desta vez não ouvi passos atrás de mim.

Ainda bem.

Depois disso tudo aconteceu muito rápido, tive de piscar várias vezes para enfim notar que quase tinha sido atropelada por sua moto.

— Hey! — fuzilei ele com os olhos.

— Olha princesa, eu não tenho o dia todo. Meu pai tentou te ligar várias vezes, mas você não atendeu, então ele me acordou, coisa que eu não gosto que façam, e me mandou te procurar. Eu não estou a fim de ficar te arrastando, então ou você senta aqui e vem comigo — ele apontou para a traseira da moto -, ou você vai a pé. — disse sorrindo sarcásticamente.

Quem esse garoto pensa que é para tentar me atropelar e depois me mandar sentar atrás dele em sua moto? Sinceramente, estou farta de ser uma pessoa rodeada de imbecís.

— Não. — apertei o livro mais ainda em meus braços.

Ele desfez o sorriso e me olhou com uma cara confusa.

— Como é?

— Está surdo? Eu disse que não. Prefiro ir a pé do que ficar um mero segundo com um idiota feito você. — disse mais convicta do que antes.

Pude ver ele corar de raiva. Ele botou o capacete e antes de ir embora disse alto por causa do som do motor:

— Então princesa, vai ficar sem carona.

Ótimo, outro idiota no mundo.

— Como se eu quisesse!! — gritei, mas acho que ele não ouviu.

Urgghh, que ódio, odeio pessoas assim. Parece até um bad boy. São os tipos de pessoas metidas e arrogantes.

Tentei esquecer que quase havia sido atropelada por um idiota e fui andando até um ponto de táxi.

Não ia dar tempo de voltar em casa, trocar de roupa e ainda ir para a escola. Então resolvi ir direto para a escola, minha roupa não estava tão mal assim, e de qualquer maneira eu não ligo muito para o que os outros pensam, eu ja estava acostumada a ser ignorada e a engolir sapos, que por sinal eram bem, bem grandes.

A minha sorte é que só tinha um táxi lá, um carro amarelo com uma faixa xadrez nos lados. Avistei um homem que estava fumando em um banquinho perto do carro, então supus que era o taxista.

Me aproximei do homem, ele era careca e negro, olhos verdes, um homem fortinho e alto, usava uma blusa larga branca e a calça preta. Seu sotaque era carregado e se podia ver que era Austríaco.

Acho que sequestraram um astro do basquete. O que esse cara está fazendo aqui?!

Assim que ele me viu indo em sua direção abriu um sorriso e jogou o cigarro num cinzeiro ali perto — que estava exatamente em uma mesinha de cimento em um canto na parede.

— Hey menina, em que posso te ajudar?- falou no sotaque carregado.

— Preciso de uma carona até minha escola, WisternHigh.

— É um pouco longe, vai custar um pouco caro. — se levantou e dirigiu-se ao táxi.

— Nao se preucupe, eu posso pagar. — falei entrando na veículo.

Ele apenas sorriu, deu de ombros e entrou no carro. Assim que fechou a porta, se acomodou ao banco de couro preto, ligou o rádio e colocou o sinto ele meteu o pé no acelerador, fazendo com que saíssimos do local cantando pneus, o que me tirou o fôlego e alguns gritinhos histéricos quando ele atravessava os sinais em alta velocidade, ziguezagueava os outros veículos e as pessoas nas ruas do Brooklyn.

Ele percebeu minha agitação quando me viu pelo retrovisor e deu uma gargalhada.

— Assustada menina? — gritou com o bom humor estampado na voz, por trás da música alta que acompanhava aquele momento desesperador. Estava tocando um Rock pesado que eu não conseguia descobrir de quem que era, e até que a música era boa.

Nota mental: descobrir de quem é essa música e adicioná-la àminha lista de reprodução.

Ao passar do tempo fui me acostumando às viradas rápidas e os deslizamentos.

Estou seriamente pensando em convertí-lo em meu motorista pessoal. Assim eu nunca vou me atrasar para lugar nenhum.... Se bem que fazer isso me faria uma patricinha.... Vou apenas então pegar carona com ele.

— Desculpa, mas até agora eu não sei o seu nome. — falei por trás de uma outra música, parecia ser um Reggae, que por sinal também estava um pouco alto.

— Bart! — gritou, mas não consegui ouvir direito. Ele disse Baety?

— O que?

— Bart! — ele abaixou a música e agora nós já podíamos conversar e ouvir calmamente a música sem ter que gritar para falar um com o outro. — Na verdade, meu nome é Baertius, mas não gosto muito dele, então o pessoal me chama de Bart. E o seu pequena? — perguntou.

— Alexya. — disse sem pensar duas vezes. Ele era legal, diferente de certo ruivo.

— Bem, Alexya.... Aonde já ouvi esse nome? — murmurou para si mesmo.

— Sou filha dos donos da Eco Gramel.

— Ehhh!! Puxa menina, você tem uma baita de uma família. Se me permite perguntar — olhou para trás por um momento e eu assenti -, se você tem tanto dinheiro por que está em um táxi em vez de um chofer? Ou uma limusine talvez.

Uma gota apareceu na minha cabeça.

— Não, não. Minha família pode ser assim, mas eu não. Prefiro a boa e velha bicicleta, mas ela foi roubada hoje de manhã, e eu tinha escola, já que a minha casa é longe, não iria dar tempo de ir lá e voltar, além do mais eu tenho e livro grosso e pesado. — disse mostrando meu livro.

— Ai que bom. E eu aqui pensando que você era uma riquinha esnobe e mimada. — disse com uma voz fina.

Pera, o que?

— Você é... — não consegui terminar a frase com medo de lhe ofender.

— Gay? Aham. Menina, eu não sei você, mas acho que essa sociedade é uma bela de uma merda. Dizendo que homens tem que ficar com mulheres, e etc etc. Dizendo que isso não é amor, que é apenas modinha, curiosidade ou prazer e tals, que ela vá a merda!

Bart começou a tagarelar sobre a sociedade a apontando todos os seus defeitos. De repente eu não aguentei mais, eu comecei a rir.

— Do que está rindo menina? — perguntou confuso.

— É que eu acho que nós vamos nos dar muito bem. — falei ainda rindo.

Bart abriu um grande sorriso.

E ele começou a tagarelar novamente e ficamos conversando sobre diversas coisas. Descobri que Bart, apesar de ser gay, não gostava de se vestir como mulher, ele falou que não era só porque era daquele jeito que iria mudar os seus gostos para moda masculina, mas apesar disso ele respeitava os que faziam isso. Ele tinha apenas 24 anos, tinha um namorado e eles estava logo planejando se casarem e adotarem uma criança. E como eu pensava, ele era Austríaco.

Chegamos em minha escola minutos depois e eu o paguei, ele me deu o número do seu telefone e disse que se eu precisasse dele era so ligar, seja para uma carona ou para conversar. Peguei meu livro e ai dei rumo a escola apressadamente pois faltavam apenas 3 minutos para o sinal tocar. Me dirigi aos meus armários e peguei um caderno, alguns utensílios para escrever como:

2 lápis;

1 caneta;

1 borracha;

1 apontador;

1 lapiseira;

4 marca textos;

1 régua.

Consegui dificilmente encaixar meu livro no meu armário e corri para a sala, faltavam 30 segundos. Saí em disparada pelo corredor já vazio.

25 segundos. Subi as escadas correndo.

20 segundos. Por "sorte" do destino acabei tropeçando e derrubando meus materiais.

Por sorte — nossa, quanta sorte eu estou tendo hoje — tinha um garoto ali, tinha os olhos verdes esmeraldas os cabelos pretos e a pele morena. Usava uma calca jeans preta, uma camisa de algodão verde.

Arthur.

Ele veio na minha direção rindo um pouco e eu corei, mas virei a cara para pegar meus materiais antes mesmo sequer dele conseguir avançar um metro, peguei tudo e fugi dali rapidamente antes que ele conseguisse me alcançar.

10 segundos. Já estou no corredor da minha sala.

4 segundo. Estou já na porta virando a maçaneta.

0 segundos. Estou já dentro da sala ofegante, e como sempre, todos me ignoram, então eu vou direto para a minha carteira e fico rezando para que aquele dia acabe logo.

Notas finais
Oiiii FPL's ( Fanaticos Por Livros ) como vão? Pois é, acabei de consertar o capítulo e está bem melhor que antes. Eu estou a amando escrever esta história para vocês. E então, o que acharam? Romance? Amizade? Ou apenas conforto. Vão ter que continuar lendo para saberem. Só qui, em Amores Congelados. (P.s. se houver erros de português me avisem sim? Ah e não deixem de votar e comentar. ) Bjjss guys! Bruna.