Amor & Ódio - FemmeSlash - Finalizada
1 Amizade Inesperada
Notas iniciais
Capítulo 1 – Amizade Inesperada
Eu andava pelos castelos de Hogwarts. Minha cabeça estava cheia com as palavras de Madame Máxime. Sempre fora a preferida dela, e isso não era novidade para ninguém, afinal, eu era a melhor da escola. Disso eu me orgulhava, mas não dava pra negar o nervosismo em meu estomago. Ser a melhor em Beauxbatons bastaria?
Ninguém poderia ver, eu nunca deixaria que vissem, mas não agüentava tanta pressão. Madame Máxime disse claramente que deveria dar o melhor de mim, mas como dar o melhor de mim sem saber o que me esperava?
Distraída como estava, acabei esbarrando em uma garota que estava vindo em minha direção com o rosto enfiado nos livros.
- Párdon – Respondi sem dar muita atenção.
- Ah – A morena disse ao me olhar nos olhos. – Me desculpe também.
- Você é a amiigá de Potter non? – Perguntei lembrando-me de velos juntos.
- Hermione Granger. – Disse, estendendo a mão.
- Bem, você deve saberr quem sou. – Respondi, mas parecia tão óbvio!
Hermione me encarou, também com ares de superioridade, como se dissesse: “Se enxerga garota, não é por ser uma campeã Tribruxo que é a rainha do Mundo”. Ela disse que precisava ir para a biblioteca e se retirou.
Continuei meu caminho pelo castelo, porém um cheiro diferente, um tipo de essência de flores me acompanhou pelo resto do dia. Só à noite, quando fui me deitar, percebi que era o cheiro de Hermione, e aquilo por algum motivo me incomodou.
***
A espera estava matando. Hoje era o dia das pesagens de varinha e só faltava Harry Potter para a pesagem, mas eu aproveitava bem o tempo de espera para conversar com o Cedrico. Ele se esquivava, mas estava decidida. Ele era muito bonito e merecia uma garota linda para lhe fazer companhia.
Quando Potter finalmente chegou, a repórter o chamou para uma entrevista e Cedrico fugiu de mim. Uma coisa que eu não conseguia entender, pois basicamente todo garoto de Hogwarts me desejava! Até autógrafos eu dava! Então porque ele era diferente? Resolvi deixar pra lá e comecei a conversar com o fotógrafo.
Olivaras avaliou nossas varinhas e em seguida tivemos uma seção de fotos, em que eu obviamente era a única que sabia posar para uma câmera. E respondemos a poucas perguntas sobre o torneio e nossas vidas.
A noite, como estava com uma forte dor de cabeça, foi até a ala hospitalar. La encontrei a morena, Hermione, sentada em uma cama meio impaciente, com os olhos um pouco vermelhos. Pedi uma poção para a enfermeira e ela fez algumas perguntas como alergias e etc. Mandou sentar-me em uma das camas que ela já voltaria.
Hermione me fitou e perguntou:
- Está doente? – Não parecia haver preocupação em seu olhar.
- Uma dorrzinhá en cabeça. – Não admitiria como minha cabeça estava a ponto de partir. – E vocé?
- Tive um problema com meus dentes. – Ela respondeu com um pouco de vergonha, e realmente, agora que ela falara, percebi como sua boca estava inchada. – Gostando da escola?
- Non é como Beauxbatons, lá temos melhorres... – Parei. O olhar dela tinha se tornado frio, e minha reação foi tentar ser amável, uma coisa nunca vista numa conversa com Fleur Delacour. – Mas Hogwarts tem jarrdins belos e os alunos legais tambá. – Completei sentindo-me uma idiota, mas ela sorriu.
- Hogwarts é um ótimo local para se estar. Como é Beauxbatons? – Ela parecia estar se esforçando tanto quanto eu.
- Ah, lá tambá e ótimo. Temos vistas ótimas e professorres exemplarres. Não tenho do que rrreclamar, mas sintoo muita faltá de lá. Você pelo menos está em casá. – Tinha mesmo saudades de lá, mas enquanto falava me questionava como essa garota de cachos armados fora do comum conseguia me fazer falar.
Nesse momento Madame Ponfrey trouxe minha poção e foi conversar com Hermione. Tomei e me senti melhor na hora e acabei dando um sorriso, que foi em direção a Hermione, fazendo-a olhar como se fosse chamada. Fomos dispensadas e saímos para os corredores. No momento que ela ia virar o corredor e eu ia descer para os jardins ela disse:
- Até que você não é tão ruim Fleur. – Olhei para ela interrogativamente. – Você sabe, com essa aparência de “não estou nem ai, você fede”. – Como minha expressão não mudou, ela acrescentou:
- Vejo você amanhã. – E se foi, dando um pequeno aceno.
Fiquei parada no mesmo lugar e quando finalmente me movi, percebi que gostaria que Hermione me achasse legal.
***
Nos encontramos nos outros dias e conversamos por horas, e eu sempre tentava ajudar ela em suas lições, pegando uma sala ou outra vazia e levando livros. Ainda não entendia porque Hermione queria fazer simulados para esse tal dos N.O.M.’s, afinal faltava mais de um ano para ela ter esses exames. De qualquer jeito, desisti de tentar entender esse lado dela.
Nós nunca éramos vistas juntas, já que Madame Máxime com certeza me proibiria falando que ela só queria informações do Torneio para o Harry Potter. Eu não me importava muito, mas Hermione fez questão de proibir a questão “Torneio Tribruxo” entre a gente, e eu não discordei.
Não conseguia entender como conseguia achar Hermione minha melhor amiga em apenas alguns dias e sempre queria mostrar meu melhor lado para ela. Eu já sabia a vida dela toda e ela a minha! Foi uma conexão imediata e intensa e que ambas precisavam. Mas alguma coisa me dizia que isso era errado, mas não consegui entender o que nem por que.
***
- Non acrredito! Você nem aparrece! Ele nem deverria serr campeon parra começarr! – Madame Máxime gritava em alto e bom som. Eu estava com uma cara brava também, mas pela parte em que falava de Harry e Hermione. Ela me dissera que eram só amigos! Que nunca sentira nada além de um amor de irmão por ele!
Minha expressão de raiva foi substituída por espanto quando percebi que estava sentindo ciúme de Hermione Granger. Depois pensei que isso era natural, afinal éramos amigas e amigas sentem ciúmes de outras pessoas. Mas o que importava mesmo é que ela mentira pra mim.
Fui em direção a sala que iríamos estudar aquela noite e esperei por ela. No momento que entrou consegui ver que estava com raiva e envergonhada. Mas não dei tempo nem para ela respirar e já fui logo perguntando por que ela mentira. Ela me encarou por dois segundos e seu rosto adquiriu um semblante de decepção. E de repente ela se retirou.
Fui atrás dela, mas foi difícil de encontrá-la. Ouvi seu choro e percebi-a em uma passagem secreta agarrada as pernas.
- Petite, pardon. – Eu disse me sentando ao seu lado. Não queria que ela chorasse.
- Eu pensei que você seria a única que não acreditaria naquela bruxa da Rita Skeeter e você me vem com essa? – Ela disse em meio a soluços.
- Como você querria que duvidásse de um jorrnal? E vocês passon tanto tempo juntos... – Eu disse com sinceridade, mas pareceu que não era o que ela queria ouvir.
- Eu venho me enganando pensando que poderia ser sua amiga Fleur Delacour. Você trata todos mal, só a mim que não. Do que adianta? Comigo você é um anjo como sua beleza, com os outros você é um demônio como...
- Como o que Herrmion? Fala! – Eu disse balançando seu braço, a raiva tomando o lugar da pena.
- Como sua alma Fleur! – Ela disse, fazendo seu braço soltar-se do seu aperto.
- Bam saberr que você pensa ássim. – Eu disse levantando-me. Quem ela pensava que era? Vire-me e lancei-lhe um feitiço e observei ela segurar a perna, onde sangue saia do corte que a fiz. Em seu rosto, uma lágrima escorria. Em meu rosto, nada se via.
***
A primeira tarefa era amanhã e eu estava com medo e nervosa. Madame Máxime dizia que eu já sabia o que ia enfrentar e isso era uma vantagem, visto que os outros competidores não faziam idéia. A vida transcorria normalmente, mas algo faltava. Eu sabia bem o que era.
Todas as vezes que Hermione passava nos corredores, junto de Harry Potter obviamente, virava o rosto que se tivesse passado perto de um Trasgo. Eu não fazia diferente, mas isso doía. Mesmo que eu não quisesse admitir nem pra mim mesma. Fui para a sala de aula que freqüentávamos e levei um livro para passar o tempo.
Tinha a impressão que estava sendo observada, mas ao olhar para os lados não vi nada, só uma sombra através da porta. Corri e ao encarar o corredor vi apenas uma gata e sua sombra.
***
A manhã de terça-feira amanheceu e com ela todo medo. Já decidirá o que fazer com o Dragão, e agora só faltava colocar em prática. Desejei que Gabrielle estivesse aqui. A manhã fria passou com muita rapidez e eu não sabia até quando conseguiria ficar composta. Mas acabei descobrindo, foi quando me encaminhei para a barraca dos campeões. Agradeci intimamente por não ter comido nada, se não já estaria no chão a minha frente.
Quando entrei na barraca Ludo Bagman já esperava e me cumprimentou animadamente. Acenei a cabeça em agradecimento e fui para um canto da barraca e sentei-me em alguma coisa. Krum, Cedrico e depois Potter chegaram. Não conseguia olhá-los e só sabia quem era pela voz animada que os cumprimentava.
Bagman nos explicou algumas coisas e eu tirei o Verde-Gales com um número 2. Fitei a miniatura do dragão e não consegui saber qual era minha emoção. Nem sabia se tinha uma no momento.
Na hora que Cedrico foi para a arena comecei a andar pela barraca. De repente Hermione veio para minha mente e desejei-a por perto. Fiz uma promessa a mim mesma: Se sobrevivesse ao dragão pediria perdão e não reprimiria mais nenhum sentimento em relação a ela.
Cedrico havia conseguido, então ouvi meu nome. Comecei a tremer e tentei me controlar, mas foi em vão. Entrei na arena para encarar centenas de rostos e tive vontade de tampar os ouvidos. Tudo estava muito alto, mas parecia estranhamente cinza. Um rosto se destacou na multidão. Hermione.
Fui decidida até o dragão e lancei o feitiço que minha vó me ensinou, que somente quem tem sangue de veela poderia lançar. Funcionou e fui direto para o dragão. Quando estava quase pegando o ovo ele despertou e senti minha saia em chamas. Lancei um jato de água em mina saia e finalmente coloquei as mãos no ovo. Ouve um barulho ensurdecedor da arquibancada e vi alguns homens indo deter o dragão.
Minha perna e braço sangravam e vi Madame Maxime vindo em minha direção com um sorriso radiante. Ela me levou para outra barraca, onde cuidaram dos meus ferimentos. Estava feliz, mas a sensação de enjôo não me abandonara completamente.
Assisti de relance o próximo “confronto” e visualizei Hermione junto com um ruivo perto da barraca esperando o Potter. Cheguei perto dela e murmurei em sua orelha:
- Ma encontrre naquelá passagem secrretá quando todos estiverrem dorrmindo. – Senti um arrepio vindo dela quando meu hálito chegou a seu pescoço. Com um sorriso no rosto, voltei para Madame Máxime para logo depois descobrir a data da próxima tarefa.
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