Amor, uma droga necessária

3 Capitulo 3 - O limite que cruzamos


Notas iniciais
Boa Leitura!

POV. Bela

Soquei com força a porta do apartamento de Edward. Ele conseguiu me tirar do sério de vez. Alguns segundos depois, a porta se abriu. Ele usava apenas uma calça de moletom, estava sem camisa e com os cabelos bagunçados. Eu me lembrava de gostar quando ele ficava assim, com aquele ar de garotão. Mas agora, tudo o que eu queria era dar um tiro nele.

— Bela?! — questionou surpreso, com um meio sorriso.

— Quem você pensa que é, Edward? — perguntei, entrando no apartamento sem pedir licença. — Quem você pensa que é para tentar manipular a minha filha? — bradei.

— Mas do que é que você está falando? — questionou confuso.

— Acha mesmo que com esses seus joguinhos e viagens caras vai me impedir de noivar com o Jake? Está muito enganado! — berrei, jogando minha bolsa sobre o sofá.

— O que a minha filha tem a ver com o seu noivado patético? — Edward revirou os olhos.

— Você acha mesmo que pode comprá-la e afastá-la de mim? — perguntei, enraivecida.

— Comprar? Caso você não tenha notado, desde que nos separamos eu quase não vejo a Renesmee. Essa viagem era para nos aproximar — explicou.

— Não inventa papinho furado pra cima de mim, Edward. Você viu no meu noivado uma ótima oportunidade para levá-la — acusei.

Ele soltou uma risada alta.

— Não vou negar. Foi uma ideia esplêndida. Admito: sou um gênio — sorriu arrogante. Dei um passo à frente, ameaçando bater nele, e ele recuou. — Mas eu só queria passar um tempo com a Nessie.

— Pois eu não acredito em você! — gritei.

— Faça como quiser. Agora volte pro seu garotão e pare de me encher — ele respondeu, irritado.

— O Jacob tem 25 anos, Edward. Ele não é nenhum moleque — rebati.

— Tanto faz. Não me interesso pelo moleque — disse com desprezo.

— Seja como for, a Nessie não vai — falei firme.

— Como é? Você vai proibir a Renesmee de viajar comigo por causa do seu noivado idiota, Isabela? — berrou, levantando-se.

— Não. Vou proibi-la porque você se aproveita das pessoas! — gritei de volta.

— Você é uma egoísta!

— Egoísta é você, que acha que é dono de mim e da Renesmee — rosnei. — Está muito enganado.

— Por mim, você pode ir pro inferno com seu noivinho palerma, mas a Renesmee é minha filha e eu vou levá-la comigo! — desafiou.

— Então vamos ver! — retruquei, fervendo.

Percebi então o quão perto estávamos. Sua respiração feroz batia contra meu rosto. Meu coração disparou, minhas bochechas arderam. Edward me analisou com cautela, os olhos suavizados, e sorriu de canto.

Quando senti sua mão tocar minha cintura, acordei para a realidade e recuei bruscamente.

— Fica longe de mim — mandei. — E pare de tentar influenciar a Renesmee com suas babaquices.

Ele suspirou, passando as mãos pelos cabelos.

— Querendo ou não, ela também é minha filha.

— Infelizmente — rebati. — Continue assim e você nunca mais vai vê-la.

— Está me ameaçando?

— Entenda como quiser — respondi, pegando minha bolsa e virando as costas.

Saí batendo a porta. Fui até o carro chorando de ódio. Edward ainda conseguia despertar uma Bela que eu achava estar morta há muito tempo.

POV. Jacob

Minha boca estava tão perto da dela que eu sentia sua respiração fraca e seu cheiro doce me atingir em cheio. A vontade de beijá-la era absurda. Uma parte do meu cérebro gritava: vai logo, seu palerma. A outra, mais consciente, berrava: perigo, sai daí.

Afastei-me para encarar seu rosto. Ela estava de olhos fechados e, quando percebeu meu afastamento, abriu-os confusa.

— O que foi? — perguntou, inocente.

— Não posso fazer isso, Nessie… sua mãe…

— Jake, eu… eu nunca… — seu rosto ficou vermelho e ela abaixou a cabeça.

O entendimento veio como um soco.

— Você nunca beijou ninguém? — perguntei, surpreso.

Ela era linda demais, não tinha nada de adolescente comum. Era uma quase mulher, com curvas, feições meigas e um olhar doce, mas intenso.

— Não — negou, voltando a me encarar.

— Mas você tem 16 anos…

— Eu sei que parece ridículo, mas nunca quis que meu primeiro beijo fosse de qualquer jeito… com qualquer um — explicou. — Ainda mais com garotos da minha idade.

Fiquei ali, lutando comigo mesmo.

— Sua mãe jamais pode saber disso — alertei.

Ela assentiu séria, mas deixou escapar um sorriso.

Aproximei-me novamente, segurando seu rosto entre as mãos. Rocei levemente meus lábios nos dela, esperando uma reação. Nada. Apenas olhos fechados e entrega.

Movimentei meus lábios devagar, ensinando, sem língua. Apenas sentindo. Ela aprendeu rápido, me acompanhando, e não estava nada mal.

Minhas mãos desceram até sua cintura, tentando acalmá-la enquanto ela tremia. Continuei o beijo, incapaz de parar.

Dois motivos me impediam de interromper:

Eu não queria que ela achasse que tinha feito algo errado.Eu simplesmente não conseguia parar.

Senti suas mãos em meu pescoço, seu corpo mais próximo. Suspirei fundo, lembrando que Bela podia chegar a qualquer momento.

Afastei-me, encerrando o beijo com um selinho. Ela manteve os olhos fechados, sorrindo, até abri-los.

— Uau… — sussurrou.

— Gostou?

— Foi como eu sempre sonhei — disse, envergonhada.

Sorri, admirando seu jeito, quando a porta se abriu revelando Bela, claramente abalada.

POV. Renesmee

Depois daquilo, eu me sentia flutuando. Meu primeiro beijo ainda reverberava em mim. Eu estava feliz, atordoada, tomada por sensações novas.

Mas precisei esconder minha expressão quando minha mãe entrou.

— Renesmee — ela parou à minha frente.

— Mamãe, você foi brigar com o papai?

— Escute com atenção — pediu. — Se quiser viajar com seu pai, não vou impedir. Se quiser ficar, vou entender.

Suspirei.

— Posso pensar um pouco?

— Claro — ela sorriu.

Sentou-se ao lado de Jake e lhe deu um selinho rápido. Aquilo me incomodou.

— Vou para o meu quarto — avisei.

— Te amo, minha linda — disse, me abraçando forte.

— Também te amo, mãe.

Subi as escadas rápido. Entrei no quarto, fechei a porta e me joguei na cama, girando e sorrindo sozinha.

Eu tinha dado meu primeiro beijo.

E tinha sido um sonho.

Notas finais
Comentários?