Notas iniciais
Capitulo final, quem gostar e quiser mais historias assim comenta ai...

Com isso ele fechou o poço e tudo ficou silencioso, senti meu corpo se arrepiar, então eu chorei, abracei o moletom que tinha ficado na minha mãe e continue chorando até que não tinha mais voz, lagrimas secaram e tudo que eu fazia era sentar me manter em pé, o frio era intenso devido a agua que ai até o tornozelo, coloquei o moletom e tentei encontrar alguma coisa pra me ajudar a subir nas paredes, mas nada era lisa, não sei quanto tempo fiquei lá, comecei a ouvir vozes de tempo em tempo, elas me diziam muitas coisa, me incentivavam a continuar aguentando, desistir e deitar na agua e deixar o frio tomar conta, gritar por ajuda, ria de mim por ter confiado nele, por ter me apaixonado por ele, por achar que ele nunca me machucaria, por pensar que ele poderia me amar, eu estava entre a consciência e a loucura, quando ouvi pneus de carros e uma sirene, pensei que era coisa da minha cabeça quando o barulho aumentou e ficou perto o suficiente para ser acima de mim, meu coração acelerou quando ouvi as portas do carro abrir e ouvi dois barulhos, se fosse policiais ele os mataria, procurei nos bolsos do moletom as pedras, eu esperava ser pedras, que tinha pegado no fundo do poço, ouvi conversa e então silencio, comecei a jogar as pedras na tampa tentando chamar atenção, quando ouvi um barulho em cima, a poeira caiu no meu rosto e a claridade me cegou por alguns segundo.

— O que? – o homem que me olhava tampou a luz e consegui ver que não tinha mais de trinta anos.

— Me ajuda. – foi tudo que consegui fazer.

Em minutos ele jogou um balde com uma corda tive que usar a pouca força q tinha pra segurar e ele me subiu, me ajudou a sentar no banco da frente do carro.

— O que aconteceu com você? – ele me olhava com pena e preocupação.

— Temos que ir embora. – meu corpo tremeu lembrado do que tinha acontecido comigo.

Desde que estava no poço parei de usar o nome dele e aqui agora na frente da casa memorias dele voltavam com força total.

— Meu parceiro está lá dentro, nós já vamos. – ele sorriu gentil.

— Não, ele vai matar ele, temos que ir embora agora. – minha garganta doía e meu medo fez ele olhar com os olhos arregalados para mim.

— Fique aqui. – vi o policial sacar a arma, tentei ir atrás dele, mas meu corpo doía.

E assim ele entrou, minha mente estava em pânico, eu tinha que fazer alguma coisa eu tinha que fazer alguma coisa e num impulso peguei uma arma que estava no porta luvas do carro e entrei, nunca tinha segurado uma arma e aquilo era estranho, quando entrei pela porta vi a seguinte cena, Sebastian debruçado sobre um corpo ensanguentado, o policial gritava para ele sair de perto e levantar as mãos, mas ele parecia totalmente indiferente, a casa estava uma bagunça e parecia que ele tinha destruído tudo, entrei devagar quando o polícia ameaçou atirar, tentei pensar no que faria e num impulso ouvi um disparo, fechei os olhos com medo, ouvi um barulho de algo acertando o chão e abri os olhos de novo, aos meus pés estava o policial, com um olhar assustado me olhando, senti meu peito apertar, o que eu tinha feito, tudo por aquele monstro, eu me tornei uma assassina.

— Selena. – a voz dele causou arrepio.

— Fique aonde está. – eu gritei apontando a arma para ele.

Ele me olhou como se eu fosse um animal assustado pronto para atacar.

— Selena abaixa a arma. – sua voz era calma.

— Não, eu matei um policial, eu sou uma assassina. – minha mente tentava registrar e eu comecei a tremer.

— Me entrega essa arma. – ele deu um passo em minha direção.

— E tudo sua culpa. – eu gritei mais uma vez dando um passo pra trás. – Você e um monstro e olha o que me fez fazer, me sequestrou, me usou, sequestrou Damian e matou ele, me prendeu num lugar escuro e frio, me largou lá, eu implorei pra você e você me deixou. – minhas lagrimas agora tinham voltando com força total.

— Selena eu morri esses dias, você me abandonou, eu ia te tirar de lá, eu não sei viver sem você, se acalma e vamos conversar. – seus braços estavam esticado.

— Não, você não vai mais bagunçar minha cabeça de novo, você não me ama, você só quer me usar e eu como uma tola deixei. – senti a verdade me atingir.

Era minha culpa, ele era um monstro, eu sabia, mas eu preferi fechar meus olhos e fingir que estávamos bem, que o importante era me tratar bem, eu nunca pensei em quem ele poderia machucar, até isso atingir uma pessoa próxima a mim, eu era o monstro.

— O que eu fiz, eu matei uma pessoa, ele podia ter família, filhos, uma esposa, sonhos, eu matei ele, por sua causa, mesmo depois de tudo que me fez eu tentei defender você. – eu virei a arma pra mim e senti meu corpo tremer com a verdade.

— Não, não Selena, sou eu, eu fiz isso, eu sou o monstro, mantem a arma em mim. – sua voz era desesperada.

— Porque elas não param. – minha voz era desesperada e minha outra mão foi pra cabeça.

— O que? – seus olhar confuso ficou fixo em mim enquanto ele dava mais um passo.

— As vozes, elas estão certa eu sou um monstro, eu matei uma pessoa por você, matei Damian, eu não aguento mais. – tremi encontrando o cano da arma no meu pescoço e senti o frio do metal.

— Não me deixa Selena, por favor, me perdoa, eu nunca mais vou te machucar, mas por favor solta a arma, me dá ela. – seu olhar tinha uma agonia que fez meu coração doer.

Seria sempre assim, essa dor.

— Nós não podemos mais viver assim. – falei olhando para ele, e ouvi dois disparos.

Meu corpo caia rápido em direção ao chão, senti meu peito doer, agora era de forma literal e física, a arma esquecida agora no chão, fiquei de barriga pra cima e olhei para o corpo ao meu lado, Sebastian tinha se aproximado e eu atirei em seu peito e logo depois no meus, os olhos dele demonstravam dor, mas mesmo assim ele se aproximou de mim se arrastando.

— Está tudo bem, eu estou aqui. – seus braços se enrolaram em meu corpo.

— Isso dói. – falei e ri um pouco o que piorou a dor.

— Logo vai passar, eu prometo. – seus lábios tocaram o meu de leve.

— Agora tudo está acabado. – minha voz parecia lenta demais.

— Sim, tudo acabou meu amor, descanse. – ele me puxou para perto dele e deixei meu corpo virar em direção a ele.

— Me desculpe fugir. – minha mente agora parecia apagar por alguns segundos.

— Não, eu machuquei você, mesmo quando eu prometi não fazer isso, me perdoa. – a voz dele parecia distante.

— Não importa mais. – levantei minha mão com custo e acariciei o rosto dele.

— É claro que importa, você é tudo para mim, e mesmo na morte eu nunca mereci você. – senti algo molhado e vi seus olhos úmidos por lagrimas.

— Não importa porque eu sempre amei você. – senti meus olhos fecharem.

— Eu também te amo, eu sempre amei mesmo que do meu jeito errado, eu amei você. – essas foram as últimas palavras.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!