Notas iniciais
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Os dias estava cada dia pior, quando Sebastian sumia para o quarto eu ouvia gemidos de Damian longos e sofridos, e quando ele estava comigo eu ouvia resmungos e arrastar da cadeira.

— Nós vamos sair. – Sebastian tinha uma mochila nas costas e um olhar sério, eu estava sentada na frente da janela tentando ignorar os gemidos que vinham do quarto desde que Sebastian tinha saído de lá.

— Sair? – a palavra parecia tão errada já que não tinha ido pra fora desde que cheguei, isso tinha quase três meses, e já faziam duas semanas que Damian estava lá.

— Sim, você parece tensa e doente, eu não aguento mais, vem. – sua voz firme estava calma, quase satisfeito de ter tomado essa decisão.

Pegue sua mão e saímos juntos, estávamos em um bosque enorme, com arvores altas, mas estava quente, era verão, aonde as chuvas era fortes, mas rápidas, e o vento era morno, andamos ao longo da floresta e eu quase podia ver um peso sair dos ombros dele a cada passo, logo ele me contava sobre as arvores, folhas e flores e suas propriedades, eu não podia está melhor, era como se estivéssemos saindo de uma atmosfera opressora, paramos perto de um lago, ao pé de uma arvore baixa, ele estendeu uma toalha e sentamos, ele logo tirou pães, sucos, bolachas, bolos, doces, e várias outras coisas e por último uma garrada de vinho.

— Você planejou isso? – eu não pude deixar de sorrir com isso.

— Eu estava sentindo sua falta, não tem sorrido ultimamente. – ele sorriu me beijando, mas o que ele falou lembrou do homem preso no quarto sendo torturado pelo mesmo que estava agora olhando para.

— Eu me sinto tensa. – tentei verbalizar o que estava sentindo de forma suave.

— Eu sei, aquele imbecil não consegue aguentar nada. – sua raiva era real e meu me senti pesar com aquilo.

— O que ele fez? – seus olhos eram sérios e por um momento fiquei esperando ele responder.

— Não importa quem ou o que ele fez, esquece isso. – ele foi em direção ao lago ficando de costas para mim.

— Tudo bem. – abracei ele por trás e senti ele beijar minhas mãos antes de meu puxar para frente em seus braços.

— Vamos comer. – ele beijou o topo da minha cabeça.

Comemos optando pelo vinho e logo estávamos deitados juntos na toalha nos beijando, havia tempo que ele se mantinha afastados e logo ele estava com desejo sobre mim e deixei que ele sentisse todo o meu, seus gemidos roucos se misturavam com o meu, e naquela floresta deserta me entregue mais uma vez a um homem mal que sempre foi bom pra mim.

Depois de um tempo vimos nuvens de chuva se formando e corremos para casa, fomos pegos por pouco entrando o que nos fez rir como não fazíamos a tempo, depois disso tentei manter a minha expressão melhor vendo que ele percebeu esse tempo todo minha tensão, no fim da terceira semana eu tinha contado dois dias sem alimentar Damian, Sebastian estava tenso e irritado, e sempre que eu olhava ele estava me vigiando, e a noite ele disse que iria sair, que não era pra mim abrir a porta pra ninguém e nem sair e muito menos ir para o quarto do fundo, eu concordei ficando calma no sofá e fiquei por uns bons trinta minutos esperando pra ter certeza que ele saiu, depois da certeza fui para a cozinha e fiz um lanche, fui para o quarto e fingi comer e ir deitar, no escuro fui para o quarto do fundo sentindo meu coração bater rápido.

— Damian. – a porta abrindo, minha voz, tudo parecia um estrondo naquele silencio.

— Selena. – a voz dele estava desnorteada.

A luz da Lua entrava pelas pequenas janelas iluminando um homem sujo e ensanguentada, tinha emagrecido e a barba e cabelo bagunçados e grande.

— Meu Deus. – senti meu peito apertar e meus olhos encherem de lagrima.

— Selena e você, ele pegou você também, ele machucou você? – sua voz preocupada falhou pelo tempo de gemidos que ele tinha todo dia com Sebastian.

— O que ele fez com você? – minha pergunta era retorica enquanto eu me aproximava com o lanche e o copo de suco.

— Nós temos que fugir, ele não vai machucar mais você. – me senti mal vendo ele daquele jeito enquanto eu era muito bem tratada e alimentada.

— Eu estou bem, vamos você precisa comer. – lhe ajudei a comer e contei que estava bem, evitando o fato que eu dormia com o agressor.

Eu me senti pior quando percebi que a cada ofensa para Sebastian eu sentia vontade de parar de lhe dar comida e ir embora, quando ele terminou eu jurei voltar, ele implorou para que eu o tirasse dali, que nós poderíamos fugir juntos, mas eu senti que não podia fazer isso, eu precisava pensar, deitei na cama tentando dormir, mas sabia que não conseguiria, ouvi a porta da frente abrir e fingi estar dormindo, Sebastian entrou no quarto, parou por um momento e eu imaginei ele parado me olhando, meu medo por ele saber que eu estava fingindo aliviou quando ele foi para o banheiro, ligou o chuveiro e senti meu peito apertar, o homem que eu dormia, que eu fazia amor, bom eu pelo meu lado fazia amor, me tratava bem, mas era um psicopata, que estava torturando meu ex namorado, eu sabia o que ele fazia quando saia, eu tentei mentir pra mim mesma dizendo que não, mas quando mancha de sangue, facas ensanguentadas chegavam em casa era difícil dizer que era coisa da minha cabeça, por mais que ele escondesse bem, eu vi, ouvi ele desligar o chuveiro, o barulho do guarda roupa e então a cama se mexeu, mantive a calma quando ele se aconchegou perto de mim, seus braços me puxando pra perto.

— Você é minha e eu nunca vou deixar você ir. – sua voz era rouca e baixa e suas palavras me fizeram perceber no que eu estava me metendo.