Notas iniciais
Volteeeei! Bom, primeiramente quero agradecer a todos que vem comentado a fic e favoritando. Isso me ajuda muito pois pra mim é importante saber que estão gostando da história. Ontem recebi mais uma recomendação e eu fiquei muito feliz. Mari eu adorei o que você escreveu, obrigada de verdade. Sem mais delongas, vamos ao capítulo.

Capítulo XVIII


"Conto ou não conto?"


― Hein K, o que tem pra me dizer?― Pedro era uma pessoa muito curiosa e a cara da garota não estava das melhores então somado a tudo que vinha acontecendo a preocupação era visível.


― Nada Pê, só um trote idiota...


― Tem certeza?― Ele já estava se deitando na cama e Karina ainda pensava se devia dizer ou não.


Pedro estava com muitos problemas, e isso era visível e ela realmente queria contar mas talvez não fosse o momento certo pois apesar de ter sido uma ameaça grave ele merecia uma noite de sono e se ela contasse com certeza ele não dormiria. Então Karina se deitou ao lado do marido e agarrou sua cintura com os pequenos braços.


― Tenho amor...


― Repete!― O rapaz pediu sorridente e só ai ela se deu conta do que havia feito. Karina travou desviando o olhar. Estava sem graça. Pedro levantou o rosto da garota elevando o seu queixo fazendo-a olhar no fundos dos seus olhos castanhos.― Eu escutei o que você disse e ficaria imensamente feliz se repetisse mais uma vez.


Karina o fitou por alguns segundos mas não resistiu, logo abriu um sorriso dando um selinho no marido que sorria bobo.


― Se você insiste tanto... Amor.


― Boa noite Fable.― Deu um selinho na mulher e enlaçou seus braços por volta da cintura da loira que sorriu boba.


― Boa noite amor.


Assim deitaram de conchinha e logo a respiração pesada indicou Karina que ele já havia dormido. Pensou mais um tempo sobre o telefonema e resolveu conversar com Bianca antes. Quando as palpebras já se fechavam de sono seu celular apitou em uma mensagem.


" Tic Tac Tic Tac o relógio corre Karina, espero que tenha dado meu recado ao seu maridinho."


Karina congelou.


[...]


Olheiras profundas, uma cara cansada e o corpo dolorido. Isso tudo resumia Karina está manhã. Depois daquela mensagem a loira se levantou indo para cozinha, bebeu um copo d'água e ligou a tv já sabendo que não dormiria. Pegou no sono no sofá mesmo mas logo teve um pesadelo com o pai e o marido o que a fez acordar em um salto voltando para cama. Mesmo assim ela não dormiu direito essa noite.
Karina levantou-se e percebeu que Pedro já não estava mais no quarto. Tomou uma ducha rápida e colocou um short jeens e uma camiseta branca. Passou base e pó para esconder a cara cansada e desceu para o café.


― Provavelmente ele nem tomou café.― Murmurou percebendo a cozinha intacta.


Como não havia muita coisa para se fazer Karina fez ovos mexidos e pegou a caixa de suco de laranja que havia na geladeira. Depois que colocou tudo na bandeja seguiu para o escritório de Pedro e mesmo não estando perto o suficiente para escutar a conversa percebeu o quão irritado o marido estava.


― Mas que porra Dude já não disse que tem que resolver isso pra mim?


~Silêncio~


― Claro que não vou a Espanha hoje caralho, esqueceu do jantar?


~Silêncio~


Karina ouvia tudo que Pedro falava e se ela queria contar das ameaças sua vontade de falar ao ouvir aquela conversa se esvaiu. Não poderia colocar mas uma carga nele, não agora.


―Beto tu vai resolver essa parada e não to nem aí pra que método vai utilizar. Se quiser arrancar o pau desse filho da puta e enfiar em seus ouvidos me manda uma foto. Só limpa essa bagunça.


O coração de Karina estava acelerado. Ela estava assustada ao ouvir o jeito rude dele. Como poderia ser tão frio? Pensou.


― Acorda Karina ele é um mafioso. O que queria?― Murmurou ainda atrás da porta e não percebeu quando ela foi aberta de repente.


― O que faz aqui?― Sua expressão raivosa fez a garota estremecer. Pedro estava muito irritado pelo roubo na sua boate principal e queria sair para esfriar a cabeça mas quando viu a mulher em sua porta sua raiva aumentou.


― E-eu...


― Eu não acredito que estava ouvindo minha conversa atrás da porta Karina.


É, ele estava irritado.


― Não é isso, é que...― Karina estava amedrontada. Pedro estava irritado e aquilo de corta o pau do homem que ela nem mesmo conhecia pairava em sua mente.


― Eu não quero saber de você ouvindo minhas conversas entendeu? Esses são assuntos meus e você não tem nada a ver com isso.


― Eu sou sua mulher Pedro, claro que tenho a ver com isso.― Karina elevou seu tom de voz o que deixou o rapaz mais irritado pela afronta. Pedro apertou o braço de Karina fazendo com que a mesma largasse a bandeja com o susto. Seu olhar raivoso fez a loira estremecer e encolher um pouco.


― Não me interessa se é minha mulher Karina. Não quero você metendo o bedelho nas minhas coisas ouviu? Dos meus assuntos eu sei lidar. E não haja com uma menina mimada porque isso me irrita.


Ele solto o braço da loira com força e saiu batendo a porta da sala com força. Karina ficou no mesmo lugar. Parada. Absorvendo tudo que aconteceu.


― Esse não é o Pedro. Não é o meu Pedro.― Murmurou sentindo os olhos marejarem, mas não ousou deixar a lágrima fugitiva cair. Simplesmente voltou ao quarto e pegou sua bolça saindo de casa na intenção de esquecer o acontecido dessa manhã.


Mansão Duarte, 08:45


Assim que Karina chegou foi recebida por Bete com um forte abraço e um lindo sorriso no rosto.


― Que carinha é essa menina?― Bete perguntou percebendo o olhar triste de Karina que sorriu fraco em resposta.


― Nada não Bete, o pai ta aí?


― Não, só a Dandara e a Bianca que estão tomando café.


Karina sorriu e foi em direção a mesa sentando-se ao lado da prima. Dandara e Bianca perceberam que Karina não estava muito legal mas não quiseram perguntar nada. Mas a mesma não conseguiu aguentar.


― Tenho uma coisa pra contar, preciso da opinião de vocês...―Respirou fundo e olhou pras mãos que tilintavam na mesa de vidro.― Recebi uma ameaça.


― Como assim Karina?― Dandara perguntou nervosa e Bianca tinha um olhar desesperado.


― Me ligaram ontem a noite... Eu já estava me preparando pra dormir aí o celular tocou e o cara do outro lado da linha disse que ia...― Karina sentiu um bolo formado na garganta e a vontade de chorar era grande. Respirou fundo mais uma vez e continuou.― Disse que ia matar o Pedro, o meu pai e o Marcelo.


― E... e o que o Pedro falou? Você contou pra ele?― Bianca perguntava sem parar pois sua preocupação era visível. Karina somente negou com a cabeça recebendo um olhar feio da prima.― Como não Karina? O Pedro precisa saber disso.


― Ainda não terminei. O Pedro ta cheio de problemas e não achei legal contar naquela hora. Estava decidida a contar hoje. Antes que eu pegasse no sono ainda ontem, me mandaram uma mensagem e eu acho que foi o mesmo cara da ligação.― Karina tirou o celular da bolsa e mostrou a mensagem para a madrasta e para prima que ficaram espantadas.


― Você mostrou isso a ele Karina? Pelo visto não né? Menina o que cê tem na cabeça?― Bianca falava exasperada e Dandara tentava conforta-la.


― Eu.. eu ia contar. Ia mesmo. Acordei decidida a fazer isso mas quando fui a seu escritório hoje mais cedo acabei escutando uma conversa nada agradável que ele tinha com alguém da Espanha. E ele me pegou ouvindo atrás da porta então discutimos feio e ele saiu irado. Fiquei com muita raiva dele. Ainda tô com muita raiva dele.― Karina despejou tudo e enquanto falava não parava pra respirar. De repente as lembranças da manhã vieram como uma paulada em sua cabeça e a raiva só crescia.


― K, tenta se acalmar ok? Eu sei bem como é isso, eu e o Gael já discutimos muito e eles estão num momento ruim nos negócios. Só respeita o espaço dele ta?


― Entendo perfeitamente Dandara e eu não queria irritá-lo e nem levar mais nenhum problema pra ele, mas ele gritou comigo e apertou meu braço. O olhar dele...― Não conseguia mais segurar. Ao lembrar no modo que Pedro a olhou mais cedo fez com que as lágrimas descessem uma atrás da outra.― Eu fiquei com medo. Pela primeira vez senti medo do Pedro.


Depois de Dandara e Bianca tranquilizarem Karina as três foram ao shopping atrás do vestido para o jantar afinal elas também iriam. Foi uma tarde longa e divertida para as mulheres e depois de comprarem o vestido, fazerem o cabelo, almoçarem e comprarem os acessórios cada uma voltou para sua casa. Na verdade, Bianca e Dandara pra mansão e Karina para sua casa. A loira não queria conversar com Pedro e muito menos confrontar aquele olhar. Se pudesse nem voltaria mais para casa, mas aquilo era um casamento e os problemas tem que ser resolvidos de frente e não fugindo.


A casa estava silenciosa e Karina ficou arrepiada. Foi em direção ao escritório do marido que tinha as mãos enterradas nos cabelos e um olhar cansado. Não passou meio segundo e os olhares se encontraram fazendo a loira correr para o seu quarto.
Não demorou e Pedro entrou no quarto também vendo a noiva guardando as coisas no closet.


― Eu não estava te vigiando Pedro. Se é isso que quer saber.― Disse ríspida trombando em seu ombro saindo do closet.


É, ela estava irritada.


― Eu sei K... Me desculpa por hoje mais cedo tá? Sei que me descontrolei com você.― Ele sorriu fraco vendo a loirinha andando pelo quarto procurando por algo. Parecia nem prestar atenção no que ele dizia.― Karina você me ouviu?


― Ouvi Pedro e eu entendo que esteja cheio de problemas, mas quero que entenda meu lado também. Naquela hora eu tava indo levar um café pra você e não nego que ouvi parte da conversa, mas sinceramente não foi minha intenção.― Ele tentou interromper mas Karina não deixou e se aproximou mais dois passos dele, dando uma distancia segura para os dois.― Você simplesmente foi um estúpido comigo Pedro, um grosso. E eu quero sim fazer parte da sua vida e nela inclui seus problemas. Mas se quiser se enterrar neles e não dividir comigo eu não posso fazer nada.


― Eu sei que você ta certa e eu me arrependo muito. Acabei descontando algo que não era com você.― Seu semblante triste e cansado fez Karina sentir pena. Mas isso não diminuíra a mágoa que ela estava.


― Olha, eu só peço que você se controle. Não quero você descontando os SEUS problemas em mim. Eu tô aqui para o que você precisar e você sabe, mas no momento eu não tô muito afim de conversar. E é claro que eu te perdoo só quero que agora me deixe szinha ok?― Ele assentiu recebendo um selinho de Karina que seguiu para o estudio. O lugar dava paz a garota e como estava tarde não poderia mais fotografar.


[...]


Pedro esperava Karina terminar de se arrumar sentado a beira da cama. A loira passou que nem um furacão pegando algo no criado mudo e voltou ao banheiro demorando mais alguns minutos.
― Mulheres.― Bufou ainda irritado pela demora.― Vamos Karina, você já está a duas horas aí dentro.


Como esperado Karina não respondeu então ele se sentou na cama mexendo no seu celular.


― Vamos?― A doce voz embriagante soou atrás de si e assim que levantou o olhar Pedro sorriu. Que sua mulher era linda todos sabiam, mas hoje estava especialmente linda. Ainda mais usando um vestido vermelho.


― Você está linda.― Se levantou indo na direção da loira que sorriu em resposta. Os olhares se encontram e ele plantou um beijo no topo da cabeça da jovem que sorriu.― Ainda está com raiva de mim?― Perguntou fazendo bico o que fez a mulher rir fazendo-o sorrir. Ele adorava o som da risada dela.


― Não estava com raiva, apenas magoada. Mas respondendo a sua pergunta eu não estou mais magoada contigo. Agora podemos ir.― Pedro fez um sinal para que Karina esperasse e entrou no closet a procura de algo. Voltou com alguma coisa na mão entregando a esposa.


― Nesse tipo de festa, que só tem mafiosos as mulheres casadas usam um bracelete. Pra os marmanjos tarados antes de encostar já saibam que ela tem dono.― Pedro abraçou a cintura de Karina ficando de frente a ela e a loira sorria colocando o tal bracelete.


― E o que marca os homens casados para as piriguetes não cair em cima hãn?


― Nada ué!― Respondeu cinicamente e Karina revirou os olhos.


Os dois desceram juntos e rapidamente já estavam no carro. No caminho conversavam como tinha sido o dia um do outro e Karina contou sobre as peripécias no shopping. Ela ainda queria contar sobre a ameaça mas ela não achava o momento certo ainda, mas mesmo assim isso ainda a perturbava.


Assim que chegaram o manobrista pediu a chave do carro de Pedro que o entregou. Entraram no enorme salão de festa e o olhar de Karina varreu o local em busca de algum conhecido. Logo seu olhar se encontrou com o pai e ela sorriu indo em direção ao mesmo seguida por Pedro que não tirava as mãos da sua cintura.


― Filha você está linda.― Se abraçaram e Karina sorriu. Sentiu um arrepio repentino e aquilo a estremeceu. "O que foi isso?"


― Obrigada pai, você também está um gato. Cadê a Bi e a Dandara?


― Foram ao banheiro. Não sei que mania vocês mulheres tem de ir ao banheiro juntas.― Resmungou Gael fazendo Karina rir. Logo Marcelo se juntou a Gael e Pedro e eles engataram uma conversa que Karina não quis ouvir. Pediu licença a todos e Pedro a olhou esquisito. "Como ele é ciumento!" Pensou antes de sair em busca da sua prima e madrasta. Karina parou perto do bar e pegou um martini. Sentiu uma quentura em volta de seu corpo e logo ouviu um sussurro ao seu pé de ouvido.


― Está linda!


― Cobra, que surpresa!― Sorriu sem vida mas ainda curiosa pelo fato do seu ex estar numa festa para mafiosos.― O que faz aqui?


― O mesmo que você. Bebendo, conversando. Me divertindo.― Vendo a expressão irritada da loira logo ele tratou de reverter a situação.― Meu padrinho é dono do bufê contratado. Ele está cobrindo a festa e me convidou.


Karina achou aquilo estranho mas nada comentou. No momento.


― Então, cadê a Jade?― Karina não queria sustentar uma conversa mas sabia que Cobra não sairia dali então puxou um papo qualquer antes de sua saída estratégica.


― Ela não quis vir. Cadê o seu maridinho?


― Estou aqui.― Pedro apareceu assustando tanto Cobra quanto Karina que mesmo com o susto sorriu ao vê-lo ali. Cobra manteve uma expressão fechada e não sorriu para Pedro que fez o mesmo.

― Então eu já vou K, depois nos falamos.


― Não posso deixar você um minuto que os urubus já caem matando né?― A expressão de raiva que Pedro fazia fez Karina sorrir, em seguida de um selinho no marido.


― Deixa de ser bobo amor, ele não fez nada.


― Você pode falar isso umas mil vezes e mesmo assim a sensação vai ser a mesma.―Pedro sorriu no meio da frase e Karina o olhou confusa por não saber do que ele falava.― Quando você me chama de amor eu me sinto tão bem. Tao seu.

A loira não continha o sorriso e seus olhos brilhavam. As vezes, mesmo não percebendo Pedro era romântico e eram nessas pequenas atitudes que ele a ganhava cada vez mais.


― Mas você é meu.― Karina puxou Pedro pelo colarinho do terno e deram um beijo intenso ali mesmo, no meio do salão e todos em volta pararam para observar. Percebendo isso Karina se afastou envergonhada e Pedro agarrou sua cintura possessivamente fazendo-a sorrir mais uma vez. Ela adorava o modo como ele arrancava seus sorrisos mais bobos.
O jantar começou e o salão foi dividido entre várias mesas com muita gente da pesada sentada. Karina sentou numa mesa conde seu pai, Dandara e Bianca estavam sentando ao lado da prima. Conversavam e se divertiam durante o jantar e um velho gordo subiu ao palco batendo na taça chamando a atenção de todos os presente.

― Olá, boa noite!― Todos responderam em uníssono logo voltando ao silêncio.― Todos sabemos o motivo de estarmos aqui hoje, estamos dando inicio ao Mercado Negro, que acontecerá daqui a dois meses na cidade de São Tomé, interior do Ceará. Todos sabemos as regras para os participante mas irei retomá-las. Nada de brigas e nem mortes. Do resto pode tudo. Quem tiver projetos e quiser apresentá-los peço que por favor me procure ao final da festa para apresentá-los. Agora, sem mais delongas. Vamos a festa.


Assim que o homem saiu do palco, uma mulher com longos vestidos azuis subiu para cantar. A atenção de Pedro estava voltada na conversa de Marcelo e Gael mas quando escutou aquela voz ele se arrepiou virando-se para o palco e vendo que era ELA lá em cima. Karina percebeu que seu marido enrijeceu ao seu lado e olhou na direção que o mesmo estava ficando gélida. O que ELA fazia ali? A noite não estava sendo legal.


― Ta tudo bem Pê?― Karina percebeu o desconforto do marido e aquilo a incomodou profundamente.


― Ta tudo sim. Vou ao banheiro.― Pedro saiu rapidamente da mesa e Karina direcionou um olhar triste para Bianca que a olhou confusa.


― O que foi K?


― É ela, lá no palco cantando. É a Vicki.― Se Karina estava triste com isso? Com certeza sim, mas ela não era a mesma menina boba de antes e não demonstraria fraqueza e nem insegurança na frente do Pedro. A coisa que os homens menos suportavam eram mulheres inseguras e Karina estava muito madura em relação a isso. A loira respirou fundo e tomou um gole do seu martini e não demorou para que Pedro voltasse se sentando ao seu lado, ainda com um semblante preocupado.


Vicki cantou mais duas musicas e depois que ela desceu do palco uma musica romântica soou fazendo com que Karina o chamasse para dançar, ele aceitou meio relutante mas mesmo assim não negou.


― Eu sei que cê ta assim por causa da presença dela Pê. Mas não precisa se preocupar Pode me contar.― A loira tentava ser compreensiva mas por dentro fervilha de ódio. Não queria pensar que seu marido. Seu homem ficou tão abalado por outra mulher. Era frustrante.


― Só não sei o que ela faz aqui. Mas não se preocupa tá? Se depender de mim eu nem falo com ela.


Acho bom. Pensou mas não disse, na verdade disse algo completamente diferente.


― Tudo bem amor, não precisa se preocupar comigo. Eu sou sua mulher agora e ela não me preocupa. Estamos juntos e isso é o que importa.― Pedro ficou feliz com a atitude madura da esposa mesmo sabendo o que a presença de Vicki poderia causar. Sorriu beijando a sua linda mulher mas foram interrompidos por um pigarreio.


― Oi gente. Será que você me concederia a honra Pedro?― A garota veio chamar Pedro pra dançar e o mesmo tinha as mãos firmes em volta da cintura de sua mulher.


Essa mulher veio do quinto dos infernos pra me atormentar? Só pode. Karina pensou novamente e já estava começando a se irritar. Mas não deixaria sua insegurança transparecer na frente dela.


― Vicki, essa é minha esposa Karina, K essa é Vicki, uma amiga.― Pedro fez as apresentações com muito desconforto e Vicki sorriu calorosamente para Karina que retribuiu a falsidade.


― A famosa Karina, que bom que a conheci. Pedro comentou de você.


Comentou? Isso foi provocação.


― Espero que tenha falado bem né amor. O engraçado é que ele não comentou de você pra mim mas tudo bem né? Vou deixar vocês dois dançarem.― Karina foi para dar um selinho nos lábios do marido que apertou sua cintura com força prolongando o beijo. Ela sabia que ele havia feito isso para lhe passar segurança mas mesmo assim ainda estava abalada pela presença da mulher ali. "Não vou demorar. Pometo". Pedro sussurrou no ouvido da mulher que sorriu em resposta saindo do lugar.


Karina foi se sentar a mesa mas seus olhos vez ou outra passavam pelo marido que dançava com a ex. As vezes ele sorria para ela e aquilo a incomodou muito.


Pedro estava incomodado com a presença de Vicki ali, a ultima coisa que queria era ter problemas com a mulher por conta disso, mas a atitude madura de Karina o deixou um pouco mais tranquilo. Dança vai, dança vem Pedro ria das coisas que Vicki dizia e a garota estava adorando ter um pedaço dele com ela. Apesar de ele ter dito que não a queria ela sabia que ainda existia um resquício daquela paixão ali.


― Como anda o casamento?― Perguntou sem nenhuma vontade, mas com curiosidade na voz.


― Estamos muito bem na verdade. A Karina é uma mulher incrível.― Seus olhos passearam o salão e ele notou que ela não estava na mesa e nem no bar. Onde será que aquela garota foi? Pedro ainda procurava por Karina enquanto Vicki tagarelava algo que ele não prestou atenção.


― Ta ouvindo Pedro?


― Hãn? O que você disse?― Pedro não estava interessado em nada que Vicki poderia dizer, no momento ele só queria encontrar os olhos azuis da sua esposa em meio a tantos castanhos do lugar.


― Eu sei o que cê ta procurando Pedro e já encontrei. Olha ela ali dando mole pro moreno gostoso.― Vicki apontou para o outro lado da pista onde a visão de Pedro não alcançava. O rapaz se moveu mais um pouco quando a viu dançando e rindo ao lado de Cobra. Algo fervilhou por dentro e ele se soltou de Vicki indo em direção a Karina. A mulher segurou seu braço firmemente fazendo ele se virar contra ela.―Se importa tanto assim Pedro? Você tá gostando daquela loira sem sal? Até eu percebi que ela é uma vadia só pelo olhar. Neném você merece coisa melhor.


― Melhor tipo você? Essa pessoa egoísta que só pensa em si mesma e a qual não contou dois tempos em me abandonar?― Pedro estava com raiva. Não com raiva da Vicki e sim da sua mulher dançando com outro. Ele tinha certeza que aquilo era provocação de Karina por ele ter dançando com Vicki.― E nunca mais chame a minha mulher de vadia ta me ouvindo? Ela não é da sua laia.


Pedro se virou indo em direção de Karina e Cobra a rodopiava fazendo-a rir intensamente. Cobra segurava a cintura da loira de um jeito forte e protetor e quando a musica estava pra acabar rodopiou-a duas vezes segurando com uma das mãos deixando-a cair levemente.


― Que porra é essa aqui?― Pedro estava profundamente irritado e Karina se lembrou do Pedro que viu de manhã. O sorriso no rosto dela sumiu e estremeceu ao lado de Cobra que ainda tinha as mãos em sua cintura.― Qual a parte de ficar longe da minha mulher que você não entendeu caralho?― Pedro puxou o braço de Karina bruscamente trazendo-a para si e a expressão de Cobra também não era a das melhores.


― Ah você é um idiota mesmo né? Deixa sua mulher sozinha numa pista de dança e não quer que ninguém chegue nela? Vá se catar otário.


Pedro se preparava para dar um soco em Cobra mas Karina segurou seu braço ficando as unhas em sua pele.


― É melhor parar com a palhaçada né Pedro? Isso foi só uma dança e você viu. Melhor a gente voltar pra mesa.― Pedro não disse nada só saiu arrastando Karina pelo braço e a mesma enquanto caminhava pelo salão recebeu um olhar e um sorriso sarcástico de Vicki.


Vaca. Karina pensou pois sabia que a culpa de Pedro estar assim era dela. Alguma coisa ela fez disso a loira tinha certeza. Assim que chegaram perto da mesa Pedro soltou o braço da mulher e sentou na cadeira de cara amarrada. Karina também não deu atenção a ele, conversava com Dandara e Bianca animadamente até que sentiu vontade de ir ao banheiro.


Chegando no banheiro Karina fez suas necessidades e depois de lavar as mãos resolveu retocar o batom.

― Ora ora ora querida, o Pedro brigou muito com você?― Vicki entrou no banheiro e se recostou na pia ao lado de Karina que não deu muita atenção a garota.


― Não havia motivos para ele brigar comigo.― A loira respondeu simples arrancado altas risadas da outra. Karina odiava que rissem dela e na verdade já estava perdendo a pouca paciência.


― Realmente você não conhece mesmo o marido que tem não é? Pedro é uma pessoa possessiva Karina, claro que ele não gosta de dividir nada com ninguém, e você, daquele jeito, flertando com aquele cara com certeza ainda vai render briga. Só um conselho de amiga.


Flertando? Ah sua vadia! Karina já estava a ponto de bater na garota mas respirou fundo e contou até dez para não se rebaixar.


― Pedro só ficou com ciúmes, isso é normal quando a gente gosta de alguém. Acho até fofo esse lado dele.― Vicki recomeçou a rir e Karina de novo começou a perder a paciência fechando os punhos sobre o mármore da pia.― Eu posso saber qual é a graça?


― Você. Tão iludida e bobinha. Você acha mesmo que o Pedro gosta de você? Ai meu Deus tem muito que aprender.― As duas se encarava mas Karina não disse nada, estava mais interessada em ouvir qual seria a próxima provocação da morena.― O Pedro sempre me amou Karina e isso não vai mudar. Ele ainda come na minha mão e só basta eu estalar os meu dedos pra ele estar em meus pés de novo.


― Você esta certa. Ele pode ainda te amar, coisa que eu duvido. Mas com quem ele está casado? Com que ele se deita todas as noites? Quem ele fode gostoso em cima da cama e divide uma casa? Ah, acho que pra todas essas perguntas existe somente uma resposta né?― Karina tinha um sorriso vitorioso nos lábios o que fez Viki bufar de raiva e a loira sorrir em resposta. A loira já ia saindo do banheiro mas Vicki resolveu fazer uma ultima provocação.


― Pode ser que ele seja casado com você Karina, mas a mulher que povoa seus sonhos. A mulher que tem seu coração. A mulher que ele anceia quando se deita com você, nós duas sabemos a resposta né?― Karina perdeu a fala e saiu do banheiro ainda irritada.


Quando chegou a sua mesa o olhar de Pedro se fixou nela enquanto bebia seu champanhe.


― Está tudo bem K?― Perguntou preocupado ao ver a cara nada boa da mulher.


― Tudo ótimo. Será que dá pra gente ir embora? Esse jantar pra mim já deu.


Pedro somente assentiu em resposta e foi se despedir de algumas pessoas. De longe Karina viu Viki se aproximando do marido e o abraçando apertado. Pedro retribuiu o abraço um tanto constrangido e olhar de Karina baixou sentindo a tristeza e o peso das palavras que ouviu agora a pouco no banheiro.


Ele nunca vai te amar Karina.
Ele nuca vai te amar Karina.
Ele nunca vai te amar Karina.


Sua mente gritava e a garganta da loira já se fechava em um nó querendo se formar.


― Vamos?― Karina acenou para a prima e a madrasta e deu um beijo no pai antes de sair. Assim que chegaram do lado de fora tiveram que esperar o manobrista trazer o carro e o vento frio fez a loira se arrepiar, se abraçando e esfregando os braços.― Toma, pode vestir meu terno.― Pedro vestiu Karina com seu terno sem desviar o olhar da loira.


― Você nunca deixou de gostar dela né?― Karina perguntou e a tristeza em seu olhar não era possível esconder.


Pedro não teve tempo de responder a pergunta pois os sons de tiros fizeram ele acordar dos devaneios. Karina instintivamente se agachou e Pedro a puxou para trás de um carro sacando uma arma. Começaram a atirar contra eles e Karina tremia de medo vendo o marido revidar os tiros. Lágrimas se formavam em seus olhos e quando alguns dos seguranças começaram a revidar os tiros ajudando Pedro Karina viu o sangue escorrendo pelo braço do marido.


― Pedro você está ferido.― O mesmo continuou atirando ignorando completamente a afirmação de Karina. A adrenalina em seu corpo o impedia de sentir dor então, no momento para ele não fazia diferença.― Pedro, vamos. Você está ferido merda.― E ele continuou a ignorar a mulher que tremia de medo. Os tiros foram cessando e Pedro se levantou quando percebeu o carro com os caras que atiraram nele se distanciou.


― Vamos Karina, a gente tem que ir pra casa.― Karina o seguiu enquanto Pedro conversava com Gael e Marcelo que saíram para ver a confusão.


― Uma escolta de seguranças vai com vocês até em casa ok? Amanhã esteja lá em casa pela manhã pra gente conversar sobre esse atentado.― Gael disse a Pedro e Karina enquanto plantava um beijo no alto da cabeça da filha.


Atentado? Karina pensou e logo se lembrou da ligação e das mensagens. Se antes estava com medo agora se sentia culpada.
Pedro entrou no carro e Karina fez o mesmo completamente calada e entorpecida pelos acontecimentos. Recebeu ameaças. Brigou com o marido. Vicki reapareceu, e agora esse atentado.


Meu casamento nunca será normal.

To be continued...

Notas finais
Misericórdia! Esse foi o maior capítulo que eu escrevi, de todas as fics que eu tenho ou tive. Mas adorei escrevê-lo e espero que vocês também gostem. Se estão gostando já sabem? Comentem/Favoritem/Recomendem. Acho que falta eu responder alguns reviwes do capítulo passado mas saibam que assim que tiver tempo respondo todos. Beijos!