Notas iniciais
Oi gente, demorei mas acho que nem tanto. Nesse capítulo teremos esclarecimentos sobre o passado da ka, espero que gostem. Ps.: A mulher da capa é a Ana. Ps.2: Capítulo dedicado a super fofa da Julia Souza pela linda recomendação. Amei de verdade

Capítulo 29.

No último capítulo....

― O que eu vim falar com o senhor não tem nada a ver com os seus “negócios”. ― Disse fazendo aspas com as mãos. ― Eu vim porque conversei com o Cobra e ele me disse que a informação que eu quero só o senhor vai poder me dizer.

― Do que você está falando...

Gael não conseguiu completar a frase pois no momento que Karina mostrou aquela foto o mundo dele parou.

― Pai, o que foi? ― A loira se preocupou ao ver o estado de choque em que seu pai se encontrava.

Gael encarava aquela foto sem acreditar. Porque isso? Porque ela sempre tinha que voltar para estragar a sua vida? Estava tudo tão bem, com ele, com a família e agora parece que tudo está vindo à tona.

― Pai, estou ficando preocupada.

― Eu... eu... Filha. ― Ele respirou fundo, pois não sabia como começar a falar sobre esse assunto com a sua filha. Era doloroso demais lembrar do passado. ― Ka, precisamos conversar.

― Isso eu percebi não é? Só não estou entendendo porque o senhor está tão... tenso.

― É que essa foto... Essa mulher que está na foto. ― Ele respirou fundo e se levantou da cadeira. ― Ela é... sua mãe.

― O que? ― A voz da mulher sou baixa e um tanto engasgada. Ela não sabia porque o pai falara aquela besteira, a mãe dela estava morta ou não estava?

― Essa mulher na foto, ao lado do Lobão e do Cobra é a Ana, a sua mãe.

― Pai, por favor me explica isso. Como assim aquela mulher é minha mãe? A foto que eu tenho da minha mãe não se parece com esta mulher. ― Os olhos da loira de encheram de lágrimas e mais uma vez ela pegou a foto que estava em cima da mesa. Olhando a loira da foto bem que podia se lembrar da outra foto que ela tinha guardada em suas coisas, mas so agora ela reparou nas semelhanças.

Agora, olhando melhor ela com certeza podia notar as semelhanças e isso fez com que um enorme desespero alastrasse sob seu corpo.

― A foto que você tem a Ana estava mais jovem, além do mais ela estava caracterizada para uma peça da faculdade, e nesta ela é só a mulher que me destruiu.―Riu sarcástico, mas quando viu a expressão confusa da garota se arrependeu. Não era assim que ele devia começar a conversa.― Filha, eu vou te contar o que houve.― Gael pausou a fala dando um suspiro antes de começara contar.― Eu conheci a Ana ainda na faculdade. Eu fazia direito e ela artes cênicas na USP. Ela era a mulher mais linda do campus e logo de cara eu me apaixonei.

Gael andava pelos corredores da faculdade com muita pressa. Ele tinha uma aula de Comunicação Jurídica e seu professor Marcos não tolerava atrasos. Ele sentiu quando seu corpo esbarrou em outro mais baixo e bem mais magro que o seu e viu seu caderno ir ao chão junto com mais alguns livros da pessoas desconhecida a sua frente.

― Me desculpe, não vi você. ― Ele disse. Quando levantou seu olhar viu de quem se tratava.

Era ela. A garota loira mais linda de todo o campus. Seus olhos tinham um tom verde quase azuis brilhantes e seu sorriso doce enfeitavam os lábios rosados perfeitamente.

― Não tem problema, estava distraída. ― E pela primeira vez ele pudera ouvir o som da voz da garota por quem ele nutria uma paixão platônica.

― As coisas começaram de repente entre a gente e eu ainda estava impressionado por poder fazer parte da vida dela, porque porra, ela era linda demais. Todos caíam sob os seus pés. Todos a desejavam e comigo não era diferente. Fomos nos aproximando e numa noite, quando eu a levei no cinema nós nos beijamos pela primeira vez.

Gael e Ana saíram rindo alto do cinema aquele dia. São Paulo estava fria, mas estando ao lado dela nada poderia ser mais quente. Ana passou as mãos sobre seus braços se abraçando ao sentir seus pelos se arrepiarem. A noite estava realmente bem fria.

― Toma aqui o meu casaco. ― O castanho disse tirando o sobretudo.

― Não se incomode Gael, eu estou bem. ― Ela retorquiu e sorriu terna novamente fazendo com que algo se ascendesse e esquentasse o coração do jovem rapaz apaixonado.

― Eu faço questão. ― Gael tirou seu sobretudo e se aproximou de Ana colocando seu casaco sobre os ombros da loira.

Involuntariamente seus dedos longos tocaram a pele macia e arrepiada da mulher fazendo com que ele se sentisse ainda mais vivo. De repente eles estavam próximos demais, de repente ele já podia ver o brilho no olhar da loira, de repente não havia mais espaços. Gael roçou seu nariz na ponta do nariz da loira e logo depois eles estavam se beijando de forma intensa, no meio de uma avenida sob a luz da lua.

― Tudo passou muito rápido para nós dois. Começamos a namorar e dois anos depois estávamos morando juntos. Eu já começava a comandar o tráfico do Rio a longa distância mas estava muito difícil controlar as coisas estando em São Paulo e assim que terminei a faculdade eu resolvi me mudar e mesmo ela não tendo terminado a faculdade Ana decidiu se mudar comigo, afinal ela alegava me amar tanto que não poderia ficar longe de mim. ― Dito isso ele riu, de forma amargurada transmitindo toda a sua raiva a cada palavra.

― Pai, eu já sei disso tudo. Você me contou sobre isso. Eu quero que você me diga em qual parte a minha mãe volta da terra dos mortos. ― Karina pedia impaciente e vendo o desespero da garota Gael resolveu continuar.

― Depois que nos mudamos ela logo engravidou e estaria tudo bem se as coisas não começassem a mudar. Ana arranjou um emprego numa cafeteria, pois segundo ela não aceitava de onde nosso dinheiro vinha. Ela saia cedo e só voltava tarde da noite e aquilo me preocupava pois ela já estava no sétimo mês de gestação. Até que um dia, sai de casa as nove da noite pensando em espera-la pra vir para casa e fui na tal cafeteria. Lá eu a encontrei conversando com o Lobão. ― Karina arregalou os olhos enquanto ouvia a parte desconhecida da sua história. ― Na época eu não o conhecia, não sabia quem ele era mas senti ciúmes. Brigamos feio e ela me garantiu que eles não tinham nada mas depois disso passei a desconfiar dela.

"Minha vida estava virando de ponta cabeça porque tudo que eu planejava e tentava botar em ação a máfia negra, que meses depois eu descobri ser comandada pelo lobão, sempre precipitava os meus passos e aquilo me deixava irado. Minha vida pessoal não estava boa e nem no meu trabalho. Logo o dia do seu nascimento chegou e foi o dia mais feliz da minha vida. Enquanto eu estava no quarto com a Ana, você já estava no berçário junto com as outras crianças. Lembro-me bem do que ela me falou naquele dia."

Gael estava sentado na poltrona, ao lado da cama onde sua mulher estava deitada. Ana tinha os olhos fechados e aparentava dormir tranquilamente. O moreno sorriu ao ver a mulher dormir depois de um parto difícil que durou longas nove horas, mas assim que pensou em tirar um cochilo o doce som da voz da mulher o chamou.

― Gael. ― Ela chamou e no mesmo segundo o homem estava parado ao seu lado.

― Diga meu amor.

― A Karina é sua filha. Nunca duvide disso.

― É claro que eu não duvido Ana. ― Ele respondeu convicto pegando na mão fria da loira que logo o afastou.

― Eu talvez não esteja aqui para vê-la crescer e me arrependo de tudo que fiz, mas a única coisa que eu amo verdadeiramente é essa menina. Me prometa que vai cuidar dela Gael. ― A voz da loira se embargava no choro fazendo com que o homem ficasse nervoso.

Ele não sabia o que estava acontecendo e a cada momento se sentia mais preocupado.

― Ana, meu amor porque está dizendo isso?

― Só me prometa Gael. ― Ela pediu e agora segurou a mão do homem com força.

― Eu prometo. ― Ele respondeu com um leve sorriso ao acariciar a testa febril da loira que logo em seguida pegou no sono.

― Naquela madrugada, após ela dar a sua primeira mama Ana desapareceu do mapa. Não tive notícias dela até descobrir tempos depois que ela trabalhava para o tráfico junto com o Lobão. Por isso a "matei", tirei-a da minha vida e da sua.― Depois que terminou de contar tudo Gael se sentiu mais leve, para ele era um fardo carregar essa mentira junto consigo.

Mas não se pode dizer o mesmo da jovem loira em sua frente. Karina estava desolada. Ela chorava aos soluços por imaginar a mãe a abandonando.

― Ela me abandonou pai. Ela me abandonou por causa daquele desgraçado.― Karina dizia entre lágrimas e logo depois sentiu os braços fortes do seu pai a abraçando.

― Karina, ela nunca mereceu ser sua mãe. Não pense nisso, lembre-se a Ana morreu.

― Sim, ela está morta. ― Karina afirmou limpando as lágrimas.

{...}

Karina chegou em casa no fim do dia cansada e ainda triste. Na sua cabeça ela se lembrava de cada palavra que o seu pai lhe dissera. Essa história era tão estranha e cheias de lacunas e mesmo tentando ignorar ela não conseguia imaginar a mãe a abandonando. Por mais que o seu pai defendesse a tese da mulher ter sido uma ótima atriz e o ter enganado por tanto tempo Karina não conseguia aceitar isso completamente.

Quando a loira chegou ao quarto viu uma mala em cima da cama e seu coração se acelerou. "O que é isso?" se perguntou angustiada. Logo o marido saiu do closet carregando algumas peças de roupa nas mãos.

― Ah, você chegou.― Ele disse simples lhe enviando um sorriso tranquilo.

― Pedro, o que é isso?― Disse apontando para a mala feita.

― Isto é minha mala Ka.

Karina o olhou irritada, ela já sabia que era uma mala, óbvio, só não sabia o porque do marido a estar fazendo.

― Vou viajar Ka. Preciso resolver alguns problemas fora do país.― Ele disse ao se aproximar da mulher.

Pedro segurou o rosto da loira com carinho e lhe selou os lábios demoradamente. Isso fez com que o coração da jovem se acelerasse. Pra ela era bom demais te-lo ao seu lado e logo agora, num momento tão difícil ele iria ter que deixa-la.

― Poxa amor, porque logo agora?― Perguntou sem nem tentar disfarçar a tristeza que sentia.

― É, eu também não queria viajar, mas temos tantos problemas Ka. ― Pedro suspirou profundamente e sentou-se na cama puxando a mulher para sentar-se ao seu lado. ― Mas algo aconteceu. O que houve pequena? ― Ele foi incisivo ao perguntar não dando brechas para a garota negar se algo realmente houvesse acontecido.

A loira soltou o ar lentamente pela boca e apoiou a cabeça no ombro do marido. Ela precisava falar, tinha que desabafar com ele porque não aguentaria segurar isso até sua volta.

― Fui no meu pai hoje.― Começou a contar.― Mostrei aquela foto que você encontrou na gaveta do escritório do Lobão.― Pedro assentiu para que ela continuasse e nesse momento a loira se ajeitou na cama tirando a cabeça do ombro do marido fitando agora seus olhos castanhos.― Pedro, o meu pai disse que aquela mulher da foto é... Ela é a minha mãe.

Karina despejou a bomba não se importando com delicadeza. Pedro estava visivelmente confuso encarando a mulher em busca de esclarecimento, afinal todos conheciam a historia da mulher do Gael, bom pelo menos achavam que sim.

A loira explicou a situação para o marido que ouviu atentamente a cada detalhe. Vez ou outra ele afagava o rosto da loira que a cada momento se mostrava mais fragilizada pela historia do seu passado.

― Eu sempre achei estranho o fato da mulher do Gael ter sumido e simplesmente terem a dado como morta sem nenhuma explicação coerente.― Ele disse por fim mostrando sua surpresa.

― É. Meu pai me explicou que na época ele pagou propina a um delegado e alguns promotores para que eles fechassem a investigação.― Ela deu um longo suspiro antes de voltar a falar.― Mas mesmo com tudo isso ainda acho essa historia estranha Pedro. Pelo que o papai falou a Ana nunca o amou, mas se ela fosse tão desumana assim teria me tirado dele e me levado junto. Acho que ela me deixou com ele porque sabia que com o Gael eu estaria protegida.

{...}

No dia seguinte Pedro levantou antes do Sol nascer. O jatinho alugado já estava pronto no aeroporto e ele precisava começar o quanto antes essa viajem. O castanho passaria uma semana fora resolvendo os problemas fora do pais, mas agora vendo-a dormir tão tranquilamente por um momento quase desistiu.

A noite havia sido longa para o casal, Karina não conseguia dormir e das vezes que pegava no sono algum pesadelo a perturbava de maneira tão intensa que ele teve que sacudi-la para acordar. Nesse meio tempo a garota tomou três calmantes e só lá pelas três da manhã que ela conseguiu dormir e Pedro, bom ele só ficou ali, deitado ao lado da mulher amada velando o seu sonho para que nada a perturbasse.

Depois do banho gelado Pedro pediu para que os seguranças levassem sua mala para o carro. Sentou-se ao lado da mulher e fitou o seu belo rosto. As bochechas levemente coradas e a pequena abertura em sua boca estavam lhe convidando para um beijo, ele sorriu. Queria poder acordá-la e mima-la até ter que ir, mas o do jeito que a noite foi longa isso não seria legal, Karina precisava descansar, não só o corpo, mas também a mente.

― Eu amo você. ― Ele sussurrou. ― Vou sentir sua falta pequena. ― Disse e selou os lábios da mulher num beijo casto.

A semana em que o Pedro esteve fora se passou rápida. Karina de todos os jeitos tentava não pensar em seus problemas focando-se apenas no trabalho. Fizera algumas fotos de paisagem já pensando em uma futura exposição. Em casa à noite sempre conversava com o marido via Skype e mesmo com muito trabalho a distraindo com certeza era a melhor parte do dia. Bianca estava começando a se relacionar com alguém que não queria contar a prima então mesmo com o tempo para elas saírem isso era bem difícil de se acontecer.

Já era noite de sexta-feira e no dia seguinte Pedro voltaria, mesmo morrendo de saudade Karina se segurava porque naquele momento ela estava o vendo do outro lado da tela.

― E onde você está agora? ― Ela perguntou sorrindo.

― Estou no quarto do hotel meu amor. Aqui na Rússia faz tanto frio que não dá nem vontade de sair. ― Ele afirmou brincalhão.

― Não curto muito o frio, apesar que a Inglaterra onde morei durante esses quatro anos eram poucos os dias de Sol. ― Karina mexeu em seus cabelos loiros, jogando-os para trás.

― O que acha da gente jantar? ― Karina franziu o cenho não entendendo.

― Como?

Ele mostrou o prato que acabara de pegar mostrando uma massa com algum molho branco.

― Cadê a sua comida Ka? ― Ela agora entendendo a brincadeira apenas riu e pegou o prato de lasanha que estava em cima da cama.

― Bom apetite. ― Ela disse sorrindo.

― Bom apetite. ― Pedro falou ao dar a primeira garfada em sua comida.

No Dia Seguinte, logo pela manhã Karina foi com Maria ao mercado, ela sabia que Pedro só chegaria a noite e ela já tinha tudo planejado. Faria um jantar romântico para o seu homem e teriam uma longa noite de sexo.

A ideia era fazer um medalhão de salmão com alcaparras e endro na manteiga e para acompanhar um cuscuz marroquino com hortelã.

Depois de preparar o salmão ela foi para o quarto e procurou algo descente para vestir, já que a lingerie da noite já estava escolhida.

As sete em ponto Karina já estava devidamente arrumada. Ela vestia um conjunto de cropped e saia na cor preta. O cropped era curto e o decote maravilhosamente desenhado acentuando bem seus seios redondos e duros, a saia ia até acima do umbigo e seguia grudada no corpo da garota chegando um pouco abaixo do joelhos. A cintura fina estava bem destacada naquela roupa. Nos pés, calçava um sapato de salto fino preto e dourado e como estava com os cabelos soltos e maquiagem leve colocou apenas um brinco para completar o look. Estava pronta e linda.

Não demorou muito para que o som do carro entrando na garagem chamasse a sua atenção, assim saiu rapidamente do quarto seguindo para cozinha. Ela que faria tudo aquela noite, nessa noite Karina servir seu marido, de todas as formas e maneiras possíveis ou que o mesmo quisesse.

A loira fitou a mesa de jantar e viu tudo completamente arrumado, o cheiro da comida estava divino e por mais que tenha feito algo simples, não duvidada se estivesse realmente delicioso. Karina foi até o pequeno bar e de lá tirou um vinho Guido Porro de 86. Um dos melhores que tinha em casa. Assim que pegou a garrafa ouviu a porta se abrindo e mesmo sem pôr os olhos no marido o cheiro de loção pós barba, perfume amadeirado e cabelos molhados invadiram o ambiente, esse era o cheiro de Pedro e que a não muito tempo a loira descobrira que era o seu preferido no mundo.

Pedro entrou na cozinha, por sentir o cheiro da comida e assim que colocou os olhos na mulher sorriu. Ela estava linda, parece que mais linda do que da última vez que a vira. Nas mãos ela segurava uma garrafa de vinho e seus olhos azuis piscina tinham um brilho que ofuscava todo o ambiente.

― Eu senti sua falta. ― Ela disse baixo com um sorriso que não saia dos lábios.

― Você nem imagina a falta que eu senti de você pequena. ― Pedro falou ao se aproximar da mulher em seguida a prendeu em um abraço apertado inalando o cheiro de flores do campo que emanavam em seus cabelos. ― Acho eu estou ainda mais apaixonado por você.

― E eu por você. ― Ela respondeu rindo fraco.

Notas finais
Bom, certamente esse não é nem de longe o melhor capítulo mas ele serviu para alguns esclarecimentos e é com certeza um ponto alto para alguns acontecimentos que virão. Tenho tudo planejado mas o tempo não está sendo meu amigo. Sei que alguns sabiam ou desconfiavam sobre a Ana estar viva, mas será que todas vocês imaginavam? haha Eu amodoro seus comentários e sei que não respondi todos mas garanto que os li, como eles me animam bastante peço que continuem comentando isso me inspira muito. Até o próximo, prometo não demorar (muito).