Amor por acaso.
2 Um dia nada fácil.
Notas iniciais
Ajeito-me no banco e vejo ao meu lado uma camisa dobrada. A camisa é de Liam. Ele deve ter deixado para mim. “Sr. Olhos verdes riquinho garanhão” tentando ser gentil, ah ninguém merece.
Saio do carro e vejo Liam sem camisa se molhando com uma garrafa de água, lembro-me de guardar essa garrafa dentro da minha bolsa caso precisássemos. Não posso acreditar que ele mexeu na minha bolsa! Quem ele acha que é? Eu nem o conheço. Isso não vai ficar assim.
–Posso saber onde arranjou a garrafa? Aproximo-me e cruzo os braços.
–É minha garrafa, guardo no carro caso eu precise. Ele me olha confuso.
–Sua garrafa? Essa garrafa é minha! Estava dentro da minha bolsa! Quem te deixou mexer na minha bolsa? Eu digo, quase gritando.
–Sua? Ela é minha! Estava no meu carro! Pare de ser infantil garota. Ele diz grosseiramente.
–Te daria um beijo agora se fosse sua. Por favor né! Bato o pé e vou até o carro a procura de minha bolsa.
Vasculho a parte da frente do carro e acho minha bolsa. Aquele idiota vai se ver comigo! Abro minha bolsa quase rasgando e... Ah não. Aquela não é minha garrafa. Só agora me dou conta do que falei há alguns minutos atrás. Viro-me com a cabeça baixa, um pouco desajeitada.
–Bem... Você... er... Você estava certo. A garrafa é sua. Bufo e sai o mais rápido possível tentando escapar de seu olhar orgulhoso.
–Ei, acho que você me deve algo. Ele diz parando na minha frente.
–O que? Eu não prometi nada.
–Então você não é uma pessoa de palavra? Ele abre um sorriso.
–Não! Eu... Eu só estava brincando. Tento passar por ele, mas ele me empurra contra o carro.
–Me largue! Grito o empurrando, ou pelo menos tentando empurra-lo.
–Por quê? Acho que você me deve desculpas. Ele abre um sorriso pervertido.
–Não te devo nada! Grito e chuto entre suas pernas. Sai andando e o vejo apoiado nos joelhos se retorcendo. Uma alegria se expande dentro de mim. Não é que os golpes de meu pai deram certo? Dou a volta no carro, abro à porta do branco traseiro e pego a camisa de Liam. Visto-me e dou volta novamente passando por ele.
–Obrigada pela camisa! Digo andando em direção a mata.
–E aonde você vai? Ele diz entre gemidos de dor.
–Vou procurar ajuda.
–Eu vou com você. Ele caminha atrás de mim mancando.
–Não preciso de você.
–Ah não? Então talvez eu possa te deixar aqui sozinha e ir à procura de ajuda, e quando eu achasse alguém, rebocaria meu carro e deixaria suas coisas aí na estrada. Que tal? Ele diz e para.
–Ótima ideia. Digo e continuo andando.
–Lisa! Não seja infantil! Ele grita, mas já estou longe demais.
Caminho por cerca de 30 minutos e nada. Sento-me em uma pedra na beira de um lago. Me passa pela cabeça que eu ainda não tinha fiscalizado meu celular. Ah céus, como sou burra. Pego meu celular no bolso de trás da minha calça e tento ligar para meu pai. Nada. Sem sinal nenhum. Que droga. Deito-me sobre a pedra e fecho meus olhos sentindo o calor do sol que reflete em meu rosto. Fico ali por alguns minutos até que sinto uma sombra. Ah não. Liam de novo.
–Liam o que você está fazendo aqui? Já disse que não preciso de você! Levanto-me meio tonta por conta do sol. Não é Liam que está na minha frente. Dou alguns passos para trás assustada.
–Quem é você? Não chegue perto de mim! Paro e observo o cara na minha frente. Ombros largos, malhado. Cabelos escuros e curtos, olhos castanhos.
–Eu sou Logan. Eu vi você ali e pensei que poderia pedir ajuda. Ele sorri.
–Eu sou Lisa. Ajuda? Bem, eu é que preciso de ajuda. Você mora por aqui?
–Não, minha moto pifou ali perto. Eu estava indo visitar alguns parentes e estou perdido. Você está sozinha? Ele se aproxima.
–Não, eu estou com.. er.. Um amigo. Nosso carro também pifou e estamos esperando por ajuda.
–E onde está seu “amigo”?
–Ah, bem, ele deve estar perto do carro.
–Posso me juntar a vocês? Eu olho para os lados, tentando ganhar tempo para pensar. E se Liam não gostar? Ah que se foda.
–Claro. Venha, eu te mostro onde estamos.
Vou andando na frente e Logam caminha atrás de mim. Vejo Liam mexendo no motor. Sem camisa e sujo de graxa. Mesmo depois da briga, acho que ele mexe um pouco comigo.
Ele nos avista e levanta uma barra de ferro em sinal de alerta.
–Calma! Esse é o Logan. Ele também está perdido. Eu disse que ele poderia ficar conosco.
–Ah, você disse? E não pensou em me perguntar antes? Ele bufa.
–Se não me quiserem aqui está tudo bem. Olha eu vou continuar caminhando pra tentar achar ajuda...
–Está tudo bem Logan. Eu o interrompo. –Você pode ficar. Temos comida.
Vou até minha bolsa na frente do carro e pego os pacotinhos de biscoito que comprei para a viagem.
–Aqui. Entrego um pacote para Logan e fico com um.
–Ali tem mais. Digo a Liam e me encosto-me à porta.
–Obrigado. Diz Logan.
Começa a escurecer e eu resolvo entrar no banco traseiro. Logan me acompanha depois de muito oferecer ajuda a Liam que está decidido em consertar o carro sozinho.
–Aqui é bem mais quentinho do que lá fora. Logan se senta ao meu lado e sorri.
–É. Retribuo o sorriso.
Ele me observa por uns segundos e então ri. Eu coro.
–O que? Digo baixinho.
–Nada, só estou observando o qual bonita você é. AH NÃO, outro “Sr. Olhos Castanhos garanhão” .
–Obrigada. Você também não é tão ruim. Sorrio e ele também sorri.
Ficamos em um silêncio constrangedor até que resolvo sair e ver como Liam está.
–Oi. Digo timidamente me aproximando de Liam que está debruçado sobre o capô.
Ele me olha com aqueles olhos verdes apaixonantes.
–Lisa, me descul...
–Tudo bem, eu que fui idiota. Aproximo-me mais de Liam. Estamos bem próximos.
–Por que você faz isso? Ele olha para cima e depois volta a me olhar.
–Isso o que?
–Me deixa assim, estressado e ao mesmo tempo... Ele para respira fundo.
–Ah... Liam...
Eu não sei o que dizer. Ele está se declarando? Oh, não.
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