Amor outra vez

1 Uma volta inesperada


Notas iniciais
Espero que gostem ♥ ♥

Havia três semanas que ele buscava incessantemente uma solução, uma cura, para a paralisia de Charles. Podia não ser um médico, mas, sabia que uma possível solução estava a anos luz.
Colocou os óculos de lado e, pressionou os olhos cansados pela luz do laboratório na mansão Xavier.
Talvez fosse hora de ir pra cama. Olhou o relógio, três da manhã. Levantou-se e saiu da enorme sala fechando a porta atrás de si. Atravessou o longo e quieto corredor até a escada, desceu-a. A luz do quarto de Charles ainda estava acesa. Ele vinha tendo dificuldades para dormir.
Cuba, Erik, Raven, Moira, Shaw... eram tantas coisas e tantos nomes com que se preocupar. Às vezes, a noite, ele podia ouvi-lo gritar. Não era o único, Alex e Banshee também acordaram sobressaltados mais de uma vez. Só que não havia nada a fazer. Chegaram a bater na porta do professor, passar a noite em claro. Sem nunca achar uma solução.
"Se ao menos eu achasse uma cura"
Pensará consigo mais de uma vez.
Abriu a porta do seu quarto. E pegou uma muda de roupas na cômoda, ao fechar a gaveta derrubou algo de cima dela.
Jogou o pijama em cima da cama e esticou a mão para o pequeno caderno de capa de couro. Um dos primeiros cadernos de anotação. Um sorriso nostálgico cruzou seu rosto, foi então que viu. Ali estava, uma foto, dele ainda novo, terminando seu doutorado, ao lado da única mutante que conhecera antes de Charles. Não que qualquer um soubesse disso, especialmente na época. A garota de 13 anos sorria na foto, com sua cara de boneca.
Como esquecera? Como pudera esquecer?
Ela era a solução, Thea... uma risada sonora cruzou seus lábios. Não, nada nessa ideia era certo. Mas, ele vira essa menina curar seu avô do câncer em dois meses. Desde então cinco anos haviam se passado...ela poderia ter aprimorado seus poderes. E, mesmo que não, dois meses era pouco tempo comparado com uma vida imobilizado....sim, valia a pena tentar.
Olhou para a foto da menina mais alguns segundos, se perguntando como a apagara de sua mente.
"Na minha memória você não passava de uma criança, Thea, como estará você agora?"
Apertando a foto entre os dedos saiu do quarto e bateu na única porta que emanava luz.
***
Theresa sorriu para o espelho enquanto acertava cuidadosamente cada cacho cinzento de cabelo. Aos dezoito anos ela era a maior matemática do país e, se tudo desse certo, ela seria a mais nova professora de Harvard em apenas algumas horas.
Ajeitou a blusa branca de seda com mangas bufantes até os cotovelos e a saia verde esmeralda que caia suavemente até seus joelhos. Ela usava uma meia calça fina, e saltos pretos em estilo boneca. Seus brincos de perola haviam sido um presente de formatura dos pais.
"Vai dar tudo certo. " — Tentou se convencer.
A verdade era que tinha medo. Não de não ser boa o suficiente, porque isso, tinha certeza, era. Tinha medo por ser mulher, por estar nos anos 60. Sabia que a vida acadêmica, especialmente para mulheres, era difícil. Sabia que sua mãe, dona do melhor café da região, era uma raridade. Mulheres não trabalhavam, principalmente com nada que fosse território de homens. E, matemática era. O pior de tudo... ela era a melhor.
Se bem que com suas habilidades ela poderia ser a melhor em qualquer coisa. Talvez, devesse ter feito medicina, sair curando pessoas, e viver da fama que isso traria. Quem sabe, abrir seu próprio braço religioso, fazendo "milagres".
Respirou fundo e saiu do quarto no segundo andar da casa, tipicamente suburbana, dos arredores da cidade universitária de Harvard. O que era extremamente conveniente considerando que seu trabalhava lá, e que ela pretendia fazer o mesmo.
Bom dia, mãe
Ela cumprimentou a mulher baixa e loira na cozinha.
—Boa dia, meu bem — ela disse com um sorriso — chegou um telegrama pra você!
—Um telegrama?
Deve ser urgente, querida
—Mãe, nada de urgente acontece na vida de uma matemática de 18 anos
—Você é bem mais que isso
A mãe lhe atirou um olhar que claramente gritava: invés de passar sua vida pensando em números, você podia passar seus dias literalmente salvando vidas.
Ela nunca entendera seu gosto por números.
Números salvam vidas, sabia?
—Você lê mentes agora por acaso?
Riu uma risada cheia.
—Não, mas isso seria muito legal"
Enquanto a mãe ria, e Thea pegava um torrada na bancada da pia, abriu o telegrama.

" T. Preciso de ajuda. Urgente. Procure Charles Xavier nas pág. Amarelas. — Hank"

Por um minuto seu coração apertou. Hank. Há quantos anos não ouvia esse nome. Ele era a única pessoa, além de sua família que sabia de suas habilidades. E, era a única outra pessoa como ela que conhecia. Haviam sido grandes amigos, mas, o tempo os afastara, como muitas vezes faz.
Só que isso não foi a única coisa que lhe chamou atenção enquanto lia aquela pequena mensagem.
"Charles Xavier"
O especialista em genética. Lera tudo que o último escrevera. Sim, mesmo que não afirmasse com todas as letras e palavras, ele sabia que pessoas como ela e Hank existiam... o que amigo estaria fazendo com Xavier era uma questão ainda sem resposta.
A curiosidade tomou conta de Thea, e, ela correu para a sala dos fundos onde sabia que as páginas amarelas estariam.
***
A mãe, já acostumada com o mente caótica da filha, não se preocupou em entender porque a menina correra sala adentro, após o telegrama. Sabia que tudo lhe seria dito quando fosse a hora.
***
Ali estava. O número de telefone impresso em tinta preta.
Xavier, Charles F.
Só havia um.
Discou o número e esperou.
alo?
A voz familiar a preencheu.
Hank?
Thea.... graças aos céus você ligou.
***

Notas finais
deem sugestões! façam comentário! xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.