Amor ou Obsessão/ LIVRO II: Os gêmeos de Tara
31 Epílogo: O Legado de Ferro e Riso
Dez anos haviam se passado desde que a sombra de Silas fora dissipada pelo perdão. O pátio de treinamento de Tara, outrora um lugar de tensões silenciosas, agora ecoava com o som metálico de espadas de madeira e o riso franco 0 definia a nova era do reino.
Marcos, agora um homem de trinta anos, exibia a postura impecável de um Conde de Mônaco e a força bruta de um Príncipe de Tara. Ele não era mais o jovem ressentido que chegara em busca de vingança; tornara-se o pilar estratégico da família, dividindo seu tempo entre a diplomacia do Sul e a defesa do Norte.
No centro do pátio, a pequena Anastácia, de dez anos, bufava de frustração. Com os cabelos castanhos escapando das tranças e o rosto sujo de terra, ela tentava desesperadamente acertar um golpe no tio.
— De novo, pequena princesa? — Marcos disse, desviando-se de um golpe desajeitado com a facilidade de quem espanta uma mosca. — Se você lutar contra um invasor com essa lentidão, ele terá tempo de tomar o chá da tarde antes de você encostar na armadura dele.
Anastácia avançou com fúria, mas Marcos apenas girou o corpo, fazendo-a perder o equilíbrio e cair sentada na poeira.
— Oh, que queda majestosa! — Marcos soltou uma gargalhada sarcástica, apoiando-se em sua espada de treino. — Digam aos bardos para comporem uma canção: "A Queda da Princesa que Queria Ser Guerreira, mas Acabou Abraçando o Chão".
— Não tem graça, Tio Marcos! — Anastácia gritou, embora um sorriso teimoso tentasse aparecer em seu rosto enquanto ela se limpava.
O Olhar da Alcateia
Na varanda superior, toda a família observava a cena, uma imagem de unidade que parecia inabalável pelo tempo. Luan e Maya, sentados lado a lado, assistiam à filha com uma mistura de orgulho e diversão.
— Ele é duro com ela — comentou Luan, rindo baixo ao ver a filha tentar dar uma rasteira em Marcos, apenas para ser erguida pelo colarinho como um filhote de gato.
— Ele a ensina a não ser arrogante — rebateu Maya, encostando a cabeça no ombro do marido. — Anastácia tem o temperamento de Michael, mas a língua afiada de Marcos. É uma combinação perigosa.
Ao lado deles, Michael e Catarina, de visita oficial de Mônaco, observavam a interação. Michael, com o rosto mais maduro e em total paz, cruzou os braços sobre o peito.
— Quem diria que o rapaz que queria nos matar se tornaria o melhor mentor que nossos filhos poderiam ter? — sussurrou Michael para a esposa.
— O sarcasmo dele é apenas uma capa para o quanto ele a ama — Catarina respondeu, observando Marcos ajustar a pegada de Anastácia na espada com um cuidado quase imperceptível. — Ele deu a ela a força que o pai dele nunca soube dar a ninguém.
A Sabedoria dos Patriarcas
Sentados em suas cadeiras de balanço, Dominic e Ester eram o retrato da plenitude. O Velho Leão, agora com noventa anos, mantinha o olhar afiado, enquanto Ester segurava sua mão, observando o ciclo da vida se renovar.
— Olhe para ele, Ester — murmurou Dominic, apontando com o queixo para Marcos, que agora ajudava Anastácia a levantar-se com um sorriso de aprovação. — O sangue de Silas pode ter dado a ele a vida, mas foi o nosso teto que lhe deu a alma.
— Ele escolheu a luz, Dominic — Ester sorriu, vendo o neto de alma e a neta de sangue em harmonia. — E a luz escolheu ficar.
Lá embaixo, Marcos bagunçou os cabelos de Anastácia e a puxou para um abraço rápido.
— Chega por hoje, pequena fera. Vá lavar esse rosto antes que sua avó ache que você estava cavando raízes na floresta.
— Amanhã eu vou te derrubar, tio — prometeu a menina, correndo em direção aos pais.
Marcos ficou sozinho no pátio por um instante, olhando para o brasão da família Mackenzie entalhado na pedra. Ele não era apenas um príncipe por decreto; ele era o guardião do riso de uma família que aprendera que o amor era a única coroa que realmente importava.
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