Amor ou ódio?
20 Capítulo 20 - Hospital
- ...o que você fez? – Magali perguntava como já não imaginasse a resposta do seu amigo.
- Ham... eu estava tentando conversar com o Cebola, mas ele não deixou, eu insisti, ele me deu um murro, e depois eu lhe dei outro murro, e ele me deu outro, e ele me deu outro, e depois ele me deu outro, e... – Cascão estava explicando a Magali e a Mônica como se envolveram na briga, mas estava demasiado atrapalhado, por isso Mônica lhe tapou a boca:
- Hey hey! Isso me baralha a cabeça! Resumindo e concluindo, você brigou com o Cebola, né? – a dentuça falou, já farta da atrapalhação do sujinho – e eu sei que o Cebola me magoou profundamente... no amor... mas ele não merecia. Cascão... vai ser o primeiro a visitar Cebola, para lhe pedir desculpas... e sinceras! De verdade, Cascão!
- Mas... eu... mas... – Cascão ainda se tentou desculpar, mas não tinha palavras na boca.
- Nada de mas nem meio mas! Você vai ser o primeiro... – parecia que Akanin tinha voltado. Mônica estava mandona. E ainda interrompeu a história, e depois me diz que eu mereço coelhada na cabeça.
- Ei! Caham! Eu estou aqui falando! Vem lá me interromper mais e depois diz que levou com uma coelhada! Hunf! Me interrompe mais e depois vê! Brá brá brá...
- Já não se pode dizer as verdades? E aqui quem pode interromper sou eu, o narrador *vira os olhos*.
Voltando ao rumo da história, Mônica não acabou de falar:
- ... se o Seu Cebola não quiser conversar consigo nas traseiras do hospital. – Cascão ficou pensativo, atrapalhado e assustado. Ele estava a imaginar um botão nas costas de Mônica para o modo malvado ou bonzinho – e aí você aprende a não retribuir murros, pontapés ou coisas assim!
- Mas você ainda nem ligou para o hospital, ué! Menina tontinha, nem... – Cascão dizia, se rindo. Mas Mônica depressa lhe lançou um olhar ameaçador, o interrompendo.
Até Magali ficou com pena de Cascão. Pais são pais, e Seu Cebola já nem era tão protetor como na altura de crianças, mas mesmo assim quando era preciso, ainda teria de proteger seu filho. Pai pode ser pai ausente ou trabalhando vinte e uma horas por dia, mas protetor costuma ser sempre.
Naquela hora, em casa dos Cebolas, eles recebem um telefonema inesperado:
- Calma, calma! Não é preciso morrer a carregar no celular! – Seu Cebola saía do banho, apenas enrolado com uma toalha da cintura até aos joelhos, tapando suas partes privadas.
Ele levantou seu celular e ouviu uma funcionária do hospital falando:
- Caham... Estou falando com o senhor Cebolácio Cogumélio da Silva?
- Sim, está – Seu Cebola ainda não conseguia imaginar o que tinha acontecido – ou Maria Cebolinha tinha esfolado seu joelho na escola, ou Dona Cebola tinha caído da escada quando estava alcançando o açúcar.
- Então, temos uma notícia para lhe dar: seu filho está internado na Sala A do terceiro andar do hospital. Sofreu bastantes hemorragias devido a uma agressão física de um colega. As visitas serão das 16:00 até 17:10.
Ao ouvir aquelas palavras, Seu Cebola ficou de boca aberta. O seu filho nunca tinha sido hospitalizado na vida, a não ser em criança. Em jovem, nunca tinha sido internado em nenhum hospital até àquele dia.
- Filhota, vá chamar sua mãe. Vamos ao hospital visitar seu irmão. – Seu Cebola desligou o celular e chamou as mulheres da sua vida.
Maria Cebolinha ia na direcção da cozinha para chamar sua mãe, e pensava: “o que será que aconteceu com o Cebolinha? Ups, claro, é Cebola, sua cabeça tonta! Nem sabe falar direito, olha que o meu irmão me dá na cabeça”.
Ela chamou Dona Cebola e se foram embora para o hospital. Mas a mãe do rapaz de cabelos espetados pensou o mesmo que a filha. Foram para o hospital, preocupados com Cebola, e com o que lhe poderia ter acontecido.
No hospital...
- Se acalme! Tome aí um sumo de maracujá, vai ver que passa – Magali tentava descontrair o seu amigo sujinho, que estava tremendo de medo, vendo as pessoas entrando no hospital, pensava logo que era o pai de Cebola que estava preparado a entrar a qualquer segundo.
- Ob... ob.... bri... ga... do... – Cascão agradecia à comilona.
Mônica, farta de ouvir Cascão tremendo de medo e falando como tal, deu um tapa nas costas de Cascão. E pode parecer incrível, mas ele parou de tremer.
- GRRRR! Isso doeu imenso! – o sujinho gritava, com a dor que tinha obtido da mão de Mônica.
Um monte de pessoas (ups, médicos!) se reuniu à frente de Cascão e lhe disseram:
- Não leu a placa, garoto? É não fazer barulho no hospital! Se faz mais alguma vez, sai do hospital.
Cascão fechou sua boca. De repente, uma enfermeira de bom aspecto foi ao pé de Cascão e lhe disse:
- Senhor Cascão? Hora de começo das visitas! Pode vir comigo. – a enfermeira lhe disse, fazendo um gesto com as mãos de “venha”.
Cascão chegou à Sala A. Hesitou, e abriu a porta. Cebola estava lendo um livro de Naruto, mas quando viu alguém abrir a porta, e esse alguém era Cascão, ele ficou com uma expressão de cara mais zangada do que alguém poderia ter visto em algum sítio.
- Oi... – Cascão ia dizer “mano”, mas não tinha coragem para falar aquilo, depois de lhe ter dado de presente uma “sova”.
- O que você está fazendo aqui? – Cebola disse, zangado e irritado – Você não tem vergonha do que me fez?
- Peraí... não me diga isso porque você que começou a briga... você deu um murro e...
- Eu dei um murro! Você deu mais do que 5 murros! Você sabia muito bem que eu estou muito mal! A Mônica me rejeitou... por tanto... você não deveria ter continuado. E agora, se tem um pouco de dignidade, saia daqui! Imediatamente!
- Mas espera... Mônica e Magali te mandam um abraço bem apertado.
Cascão não conseguiu falar mais nada e saiu do quarto. Ele ia para colocar um sorriso na cara quando viu Mônica e Magali esperando por ele, mas avistou Seu Cebola e ficou cheio de medo.
Seu Cebola estava furioso com as empregadas do hospital:
- Porque não nos deixam ir visitar nosso filho? Porquê?
- Eu sei o que estou fazendo, se sou funcionária do hospital. Ah, agora você pode ir ver seu filho.
Seu Cebola e a família foram para a Sala A, e foi o mesmo blá blá blá blá blá de sempre, e por isso não vou contar. Mas Cebola revelou quem foi que provocou as hemorragias.
O pai de Cebola parecia furioso. Saiu da sala A, avistou Cascão e o puxou por sua gola, para as traseiras do hospital (como tudo era planeado).
As traseiras do hospital eram difíceis de olhar. Tinham moscas no ar, caixotes do lixo cheios de vómito de pacientes, e muitas mais coisas que só de olhar provoca desmaios. Mas Cascão gostou do local, é claro.
- Cascão! Você...
- Por favor! Não me bata! – Cascão implorou ao pai de Cebola.
- ...sabia que o meu filhote estava mal! A Mônica está de mal com ele, e você ainda lhe teve de dar uma sova? Eu não lhe vou bater... mas tenha cuidado da próxima vez. Não o estou ameaçando, fique descansado.
Seu Cebola voltou ao hospital, para ir buscar Cebola, que já estava recuperado. Cascão ficou descansado.
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