Amor ou Ódio?
2 Capítulo II - Eu te desafio
Ciel on
Quando eu acordei, notei uma coisa um tanto... Fora do comum. Um Alois todo encolhido e agarrado ao meu braço como se eu fosse uma espécie de urso de pelúcia. Tenho que admitir, que dormindo, ele até que é fofo.
Espera, foi isso que eu pensei mesmo?! Alois? Fofo? Devo ter delirado...
Ciel off
O conde se desvencilhou dos braços do loiro e levantou, fazendo o mínimo de barulho possível. Dirigiu-se até o banheiro com uma muda de roupa e foi tomar um banho. Após desligar o chuveiro e colocar as roupas escolhidas Ciel abriu a porta do banheiro, dando de cara com Alois sentado na cama com um sorriso bobo no rosto.
— Foi muito meigo da sua parte levantar-se sem me acordar, ao invés de me chutar ou empurrar por te usar de travesseiro. – Ele riu-se.
— Você estava acordado esse tempo todo?! – Ciel.
— Sim. – O loiro falava com a maior naturalidade.
— Baka! Agora que já amanheceu pode abrir a porta de uma vez?
— Ok, você só precisa pedir ‘por favor’. – Os olhos claros do mais velho o fitaram.
— Por que eu faria isso?! Não preciso me rebaixar a tanto. – O conde cruzou os braços.
— Eu faria se quisesse me tirar de cima de você. – Alois.
— Que?
Ele mal tivera tempo de pensar e Alois se jogou em cima dele, prendendo seus pulsos com as mãos acima da cabeça, imobilizando-o.
— Peça ‘por favor’ que eu saio de cima de você e abro a porta. – Trancy.
— Nunca! – Ele tentou resistir.
— Então está bem. Espero que goste de ficar imobilizado deste jeito.
— É, com certeza eu te odeio. – Ciel.
— Se quiser outro jeito, é só me dar um beijo que eu te solto também.
— O QUE?! Ok, por favor, saia de cima de mim!
— Hunf. Sem graça... – O loiro se levantou e abriu a porta.
Ciel levantou-se logo em seguida e saiu. Foram tomar café, mas quando chegaram na cozinha notaram que tudo estava vazio e não havia nenhum tipo de comida posta em cima da mesa. Procuraram pela casa alguma alma viva (ou morta mesmo), mas não acharam ninguém, nem depois de chamar por Sebastian e Claude.
— Ótimo, depois que você os mandou acharem o que fazer eles se mandaram pra algum lugar e nos deixaram aqui! – O conde parecia no mínimo furioso com isto.
— Acalme-se, não é o fim do mundo, Shieru. – Alois tentou amenizar a situação.
Ambos sabiam que eram péssimos em cozinhar qualquer coisa, e sabiam também que teriam que preparar algo se não quisessem morrer de fome, então sem mais delongas, pegaram o que acharam melhor nos armários da cozinha e fizeram o possível...
...
— Torradas levemente queimadas e toddy não são tão ruins, neh? – Alois.
— Eu prefiro não responder, a não ser que queira levar um soco. – O conde cruzou os braços, irritado.
— Ok entendi... Somos um desastre total nisso e a culpa é minha por ter mandado nossos mordomos pra sabe-se lá onde estão, desculpa, ta? – O loiro abaixou o olhar.
— Não precisa ficar desse jeito também... Confesso que poderia ser pior, ao menos a casa está inteira. – Ciel disse, fazendo o outro sorrir.
Acabaram por tomar chá no café da manhã, o que na verdade só deu mais fome. Mas esse não seria o problema principal, e sim o almoço... Resolveram deixar isso para depois e arranjar o que fazer. Como se fosse fácil acabar com o tédio que ali reinava, afinal, sem agenda lotada, sem mordomos, sem regras, o que fazer?
— Espere aí... Shieru, você notou que não temos nenhuma regra a seguir agora? Podemos fazer o que bem entendermos, o pouco de ordem que havia antes desapareceu! – Aqueles olhos azuis claros brilharam, mas um brilho quase psicótico e um sorriso insano no rosto.
— Que ideia de maluco que você está querendo enfiar na cabeça Trancy?! – Ciel parecia preocupado só de pensar.
— Nada demais, ainda. O que vamos aprontar hein? Podemos estender um tapete enorme pela escadaria e escorregar, ou talvez sair de casa um pouco, ou... – Ele foi interrompido.
— Você parece uma criança de cinco anos falando deste jeito sabia?
— E você um velho de oitenta! Eu só quero achar algo pra me divertir um pouco, nossas vidas são adultas demais sabia? Olhe pra você, ainda é um pirralho de treze anos se não percebeu, aja como um às vezes! – Alois.
— Ok... O que sugere de retardado pra gente fazer então? – Ciel.
— S-sério que você aceitou a ideia assim numa boa? Então ta... Deixe-me ver, que tal... Não sei.
— Agora que eu topo você desiste? Pensei que tinha mais criatividade. Hum... Vamos fazer a coisa mais idiota já inventada para passar o tempo, desafios, você vai desafiando o outro a fazer alguma coisa, o que não cumprir perde.
— Não sabia que você conhecia algo assim, que ótimo que conhece, vamos jogar! – O loiro sorriu, mas um sorriso que causaria certo desconforto em qualquer um.
— Tenho a impressão de que devia ter ficado calado... Por um momento esqueci que você é um ser que não tem vergonha na cara pra pagar desafios.
Ciel foi arrastado até uma sala praticamente vazia, que só continha dois sofás com um tapete no meio.
— Os convidados começam. – Alois.
— Primeiro as damas. – O conde disse irônico.
— Hmpf. Bem, já que é assim te desafio a se vestir de neko.
— QUE?! Alois Trancy vá se tratar! Se eu for me vestir de neko você vai se vestir de maid! – Ciel disse cruzando os braços.
— Ta bem, vou lá buscar as roupas. – Ele saiu.
— Como?! Não creio, ele vai mesmo fazer isso numa boa?
O maior logo voltou vestindo uma roupa de maid e trazendo um conjunto de patas, orelhas e cauda de neko.
— Pode ir se trocar. – Disse o loiro estendendo o conjunto para o mais novo, que pegou um pouco receoso e foi para o banheiro se vestir.
...
— Isso morre aqui, nenhum de nós viu nada nem se vestiu deste jeito entendeu? – O conde fuzilou os olhos azuis claro.
— Certo, mas que você ficou a coisa mais kawaii do mundo não pode negar.
— Ora cale-se. Quem desafia agora?
— Você.
— Está bem. Te desafio a agir como uma maid de verdade e me trazer algo pra beber. – Ciel.
— Fácil, mas vou pagar na mesma moeda, se eu sou a maid, você é o neko... – Antes que o menor pudesse lhe dirigir uma única palavra o loiro saiu porta a fora.
Alguns minutos depois e a “maid” volta com uma tigela de leite morno, colocando-a no chão.
— O que significa isso? – O moreno arqueou uma das sobrancelhas.
— É leite, eu sou a maid e você o neko, agora vá beber, eu cumpri a minha parte.
— Eu não vou fazer tal coisa!
— Então está desistindo? – Alois.
— Me dá essa porcaria aqui...
O menor ficou de quatro, imitando um gato e bebeu um pouco do leite.
— Pronto! E lembre-se... Você não viu nada, se tiver visto, eu te mato. – Ciel.
— Ok, ok... “Eu vi sim!” – Trancy.
— Certo, agora te desafio a parar com os desafios antes que um de nós acabe morto.
— Concordo.
Alois on
Por um momento de completo devaneio, fiquei ali parado olhando a figura do jovem conde que se encontrava sentado à minha frente, os olhos azuis deste me lembram o oceano, pode ser calmo ou turbulento... Realmente, a cor cai muito bem nele...
Alois off
O maior nem notara, mas já estava a centímetros de distância do rosto do outro, que o observava com uma expressão confusa.
— O que pensa estar fazendo Trancy? – Ciel.
— Q-que? Nada... Só... Não importa, vamos tentar achar algo que sirva de almoço? – Ele tentou mudar de assunto, levantando-se e indo até a porta, esperando que o outro o seguisse.
— Certo... – O moreno se levantou também.
Após chegarem à cozinha, começaram a procurar por algo que ambos – ou ao menos um deles – soubessem fazer. Demorou por volta de uma hora até Alois começar a saltitar de um lado pro outro com um livro na mão.
— Baixou a bicha louca em você ou só pirou de vez mesmo? – O mais novo arqueou uma das sobrancelhas.
— Nem um nem outro ainda, olha aqui o título do livro coisa mal-humorada. – Ele apontou para o título que indicava “Livro de receitas”.
— Ah claro, e você acha mesmo que vamos conseguir seguir uma receita assim facilmente neh?
— Sim! Anda logo e pega os seguintes ingredientes...
...
— Acabamos! Hora de comer. – Alois disse sentando-se à mesa.
— Não estou acreditando que preparamos miojo para o almoço... “Mordomos akumas desgraçados... Somem e nos deixam aqui comendo miojo, isto é o cúmulo!” – Ciel resmungava num tom mais baixo para si mesmo, realmente, a situação em que ambos se encontravam era digna de pena e de risadas ao mesmo tempo.
— Shieru, está muito bravo comigo? Isto é... Acho que a maior parte da culpa de tudo isso é minha.
— Hum? Não... Mas agradeço se não fizer isso de novo.
— Ok. – O maior riu.
Após almoçarem eles sentaram na sala e ficaram vendo televisão, era a única coisa a ser feita no momento mesmo...
Continua...
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