Parte I

Estamos numa época de caos! Algumas décadas após a primeira grande seca do Brasil e no início da proliferação mundial do ebola. A seca de 2014 não era passageira como os governantes afirmavam, eles sempre mentiam. Muitos anos antes, alguns cientistas haviam descrito um fenômeno conhecido como rios aéreos, eram as nuvens com água que saiam da floresta amazônica e seguiam pelo centro do país em direção ao centro oeste, sudeste e sul. Erroneamente pensávamos que era uma quantidade irrelevante, mas estudos posteriores confirmaram que a maior parte dessa água vinha da evaporação de água proporcionada pela floresta e fornecia as águas das chuvas de verão. E tínhamos acabado com essas chuvas trocando as florestas por pastos para gado e plantações de soja! Nem preciso dizer como acabou, é só olhar o que sobrou do mundo a nossa volta. As seitas de radicais se levantaram contra a ciência e os políticos pois estes garantiram que o ebola estava sobre controle, e agora mais de ¾ da população mundial havia sido vítima da seca, das guerras pela água ou pelo ebola que se tornara uma mutação de pandemia mundial

É nesse caos que vamos contar as aventuras de Diorge! Nosso herói ou um condenado vivo, como queiram. Vamos voltar ao tempo, em 2014, Diorge era um adolescente com uma missão quase impossível para época, se manter virgem, inclusive BV devido a uma profecia feita por curandeiro na sua infância. Com uma doença incurável, os pais desenganados levaram Diorge a um místico com fama de curandeiro espiritual nos confins do Vale do Amanhecer! Durante a sessão de cura, o místico disse ter recebido uma mensagem dos espíritos que Diorge deveria se manter totalmente casto, pois isso seria a esperança da espécie humana no futuro. Claro que criança que ele era, isso não fazia sentido ele, mas seus pais sempre falavam com ele da importância da castidade e que ele fora salvo de uma doença incurável para um propósito do bem maior da espécie humana. Diorge nunca entendeu isso até chegar a adolescência. Nessa época, com os hormônios em ebulição Diorge queria viver como um adolescente normal. Mas algo ou alguém não o ajudavam. Numa festa junina, o nosso herói fica louco numa “maluca”... podia ser até bonita para ele, mas era completamente maluca, todo mundo achava a mulher uma diaba, e só ele achava a mulher uma princesa. Mas graças a maluquice da mulher, tudo deu errado, para o desejo de Diorge, mas para o seu destino tudo certo. As coisas se passavam, as outras pretendentes, e entre idas e vindas, aproximações e falta de finalizações, Diorge ia seguindo. Seus amigos curtiam muito, mas davam força para ele. Todos gostavam dele, parecia aquele história de artilheiro que ficava anos sem marcar gol... Pensa no acúmulo de testosterona que Diorge estava? Uma vez num jogo de futebol numa discussão por nada, ele soltou seu instinto de killer boy, que seria uma marca para sempre. O nosso herói estava quase saindo do ensino médio quando se apaixonou por uma colega sua, morena, muito bonita e simpática, mas com uma insegurança típica da sua idade com relação ao que fazer na vida, ao futuro, essas coisas dessa idade maravilhosa. Num dos últimos dias normais, um colega seu, chamado Mêmis, resolveu ajudar Diorge fazendo uma música para sua musa, ah! O nome da Musa era Isafreitas. Carinhosamente chamada de Isa. Era um daqueles dias horríveis daquele calor que faria parte do mundo para sempre. Numa aula de física, Mêmis e Diorge cantaram a música para Isa... ela sem graça só dizia: — Me respeita!! Todos juravam que ela poderia corresponder, mas nunca soubemos como isso terminou devido ao dia P.

Dia P, foi conhecido pelos historiadores e pelos sobreviventes como o dia que o Ebola saiu do território africano e começou a fazer vítima pelo mundo. Um vírus acostumado ao calor africano, quando colocado num ambiente frio como o hemisfério norte no inverno, não poderia sobreviver. Tolice, estamos falando de vírus e não bactérias. Ele precisa apenas se modificar ou mutar, e o sacana o fez! Agora tinha as características de transmissão do vírus de herpes bucal e do HIV, com a letalidade do ebola. Estava criada a pandemia mundial! Imagine um vírus que se espalha através do beijo, do sexo e dos fluidos corporais das pessoas infectadas. Em menos de 6 meses houve um colapso mundial no atendimento de saúde. Imagine um país despreparado como o nosso. Parecia praga dos pobres africanos que morreram e foram acusados de disseminar o vírus por pobreza e falta de higiene. Um beijo, uma relação sexual, um espirro de alguém contaminado era o suficiente para o contágio. Resultado, 4 bilhões de mortos! Voltemos ao mundo de hoje. Esqueçam dos governos, eles se dissolveram, seja por morte pelo vírus, seja pelas revoltas da população na busca de remédios que não existiam ou pela água que era cada vez mais escassa. Não havia mais leis, ou polícia, ou exércitos organizados. Alguns líderes religiosos que pregavam a castidade total fundaram comunidades fortemente armadas em locais com água potável e se fechavam em feudos. Fora dos feudos, sobraram uns poucos sobreviventes que eram ladrões ou os que não se sujeitavam ao radicais religiosos. Nesse caos, Diorge só fazia uma coisa. Procurar sua amada Isa, a maioria dos seus amigos se foram devido a pandemia, e a esperança de Diorge era o “ me respeita” da Isa. Quem sabe ela ainda estaria viva, morando em São Paulo com seus pais. Ele estava fora do grupo de risco por contato pessoal e se tornara um assassino para manter sua própria sobrevivência. Haviam relatos que alguns contaminados viraram zumbis, e não havia munição para as armas de fogo. Diorge se especializou no uso de espadas e de uma besta que ele abastecia com flechas que ele mesmo confeccionava. Tudo que ele conhecia havia sido destruído e o único sentido de continuar vivo era encontrar a sua Isa. Ele tinha os planos na cabeça dele. Se ela ficasse com ele, provavelmente os dois se amariam e ficariam suscetíveis ao vírus, mas ele morreria feliz. Se ela não o quisesse, ele sairia pelo mundo em busca de outro amor. E na pior hipótese dela ter morrido, ele iria limpar o mundo dessa porcariada toda colocando os reatores de Angra dos Reis em reação máxima sem água para explodir tudo, inclusive ele. Mas tudo isso era o plano maior. Seu dia a dia era achar um esconderijo, de dia, e comer as coisas que achava lacrada em casas e supermercados. Precisava fazer isso devido ao calor, andar de dia se tornara um martírio, e precisava fazer perto dos grandes rios ou lagos devido a falta de água generalizada. A noite ele saia na sua jornada, sempre fugia das pessoas quando podia, mas muitas vezes isso não era possível, por andar só, achavam ele um alvo fácil. Mas sempre tombavam com as setas certeiras da sua besta ou o fio das suas espadas. Na verdade, esses combates que faziam Diorge manter a sanidade, pois ficava ocupado em se manter vivo. A busca por Isa se tornara uma busca pelo Gral.