“Querida Rose, com certeza está sabendo do baile. Essa carta é para lhe informar que vai comigo, e não aceito recusas, porque estou dizendo que quero você lá comigo. Ou então cumprirei a minha promessa, e você sabe, eu não costumo mentir.”

A carta não precisava de remetente algum, pela letra eu já sabia de quem era. Eu nem percebi em que momento eu comecei a chorar, só sei que agora tem um James com uma cara de assustado a minha frente, me perguntando o que aconteceu. Eu sequei minhas lágrimas e escondi a carta dentro do livro.

— Na-nada James, não é nada. Só me emocionei com o livro.
— Rose, você não me engana. — ele falou sorrindo gentilmente. — Fora que você estava com uma carta, que por acaso, escondeu no livro quando eu perguntei o que havia acontecido. — ele falou com um tom preocupado, mas ao mesmo tempo como se quisesse dizer ''Há, te peguei!''.

Era difícil mentir para ele, ainda mais depois de estar abalada por tudo que estava acontecendo. Mas forcei um sorriso e falei.

— Tá, você me pegou. É que recebi uma carta me convidando para o baile, e o que estava escrito era lindo. — ele me olhou desconfiado.
— E por que você me escondeu a carta? — ele perguntou cruzando os braços.
— Porque fiquei com vergonha que você lê-se. — ele não pareceu acreditar realmente, mas deu um sorriso para tentar disfarçar.
— Hum., e quem é que está pretendendo ir com você? Saiba que ele vai ter que passar pela minha aprovação, e a de Alvo, e a de Hugo. — ele falou brincando, mas sabia que era pra ver se eu soltava algum sinal de que estava mentindo.

Então forcei um riso, e resolvi falar logo de quem era a carta. Era o momento e a desculpa perfeita para ninguém ficar perguntando porque chorei, e também porque vou apareceu com ele no baile.

— Era do Luke. — falei e ele ficou mais desconfiado ainda. Mas agiu como se estivesse tudo bem.
— Ah, então tá certo. Vou subir Rose, tá tarde, você devia ir dormir também. Boa noite. — ele falou e me deu um beijo na testa, e tentou olhar no livro para ver se via a carta, mas como não conseguiu, subiu. Logo depois chegaram o Mike e a Nessa, que perguntaram porque eu estava tão séria, e resolvi contar a eles o mesmo que contei ao James.
— Mas você nem fala com ele.- o Mike afirmou, com um olhar desconfiado.
— Ah, eu falo com ele na biblioteca. — eles pareceram acreditar. A Nessa deu pulinhos e o Mike deu um sorriso. Depois disso subi e fui dormir.

Acordei com meu despertador e fui tomar banho e me trocar, e quando acabei desci para esperar os meus amigos. Quando todos já tinham descido, fomos ao salão principal tomar o café. Sentamos e começamos a tomar café enquanto conversávamos, e depois fomos para a nossa aula de trato com as criaturas mágicas, que seria com a corvinal. A Nessa começou a falar dos corvinos, dizendo qual seria um bom candidato para o baile.

— Ah, qual é. Se seu primo não me convidar, o que acho que ele não irá fazer, tenho que ter em vista outras possibilidades. — ela falou rindo, mas pude notar uma pontinha de tristeza em sua voz.
— Sabe, meu tio Harry era assim, bem tímido e complicado, e o Al puxou isso dele. Acho que você deveria ir falar com ele.
— E se eu for falar, mas ele não quiser nada?!
— Acho que só você não notou que ele também gosta de você. Você e ele, claro.
— Ok, vamos fazer o seguinte. No dia do passeio a Hogmead falarei com ele, caso ele ainda não tenha falado comigo. — concordei com ela e pouco depois a aula começou.

— Vamos Ro, vamos logo! Estou com fome. — ela falou quando deu o horário do almoço.
— Calma, a comida não vai sair ndando. — ri da cara que ela fez quando falei isso.
— Pode até não sair, mas também não vai ficar lá a tarde toda. — o Jay disse se juntando a nós, com os seus amigos.
— Calma, o horário do almoço acabou de começar. — e fomos conversando e rindo até o salão.
— Estão vendo, o almoço ainda está ai! — falei brincando com eles.
— Hahaha Ro, muito engraçado. — o Al falou chegando também.

Depois de nos cumprimentarmos, cada um foi para a sua mesa. Eu estava almoçando tranquilamente quando outra carta pousou em meu colo. Eu devo ter ficado branca, e na mesma hora, não sei o porque, olhei para Scorpius, que estava olhando para mim, e depois olhou para outra pessoa. Quando segui seu olhar, vi que era para Luke, que me olhava com raiva nos olhos. Voltei meu olhar para Scorpius, e seu olhar me deixou mais calma, acho que era isso que ele queria transmitir. Olhei para o bilhete, onde estava escrito nas mesmas letras de antes.

“Abra esta carta imediatamente após receber!”. Com certo receio, abri.

“Quando acabar o seu almoço, espere a maioria dos alunos saírem, então você sai, para não chamar atenção. Quando sair quero que me encontre nos jardins, na parte mais afastada, mas não preciso explicar muito, afinal, você sabe onde é. E não leve NIGUÉM com você, e não ouse não ir!”. Terminei de ler e acho que tremi um pouco, a carta expressava raiva. Olhei para o Luke e ele ainda estava me encarando, e depois voltei meu olhar para Scorpius, que me olhava como se estivesse esperando uma resposta minha. Sorri, para dar a entender que não era nada demais, e funcionou, pois ele relaxou mais, sorriu e voltou a conversar. Ninguém pareceu ter percebido esse momento, então guardei a carta em meu bolso e voltei a comer normalmente.
Quando acabei meu almoço, esperei o momento certo, e saí dizendo que tinha que pegar uns livros na biblioteca. Segui até o local no jardim, e já pude o ver lá, olhei para trás e não havia ninguém, e mesmo que tivesse, aqui era tão afastado que ninguém veria.

— O que você quer Luke? — perguntei tentando parecer firme. Então ele se voltou para mim e praticamente gritou.
— O que você pensa que está fazendo? — levei um susto, mas tentei continuar firme.
— Em relação a que? Nada demais aconteceu. — falei lembrando de ontem, e ficando mais assustada quando ele segurou em meus braços.
— Não tente me fazer de idiota Rose! Da pra falar o que você falou pra ele? — ele perguntou com raiva, e apertando com muita força os meus braços.
— Na-nada Luke. Eu não falei nada. — falei gaguejando, já estava com os olhos marejados. Ele apertou ainda mais meus braços. — Esta me machucando, para!- falei tentando soltar suas mãos, inutilmente, pois ele é bem mais forte que eu.
— Escuta o que vou dizer Rose. Dessa vez eu deixo passar, mas nem pense em contar algo para alguém, está me ouvindo? Você sabe, não costumo mentir, se contar eu vou cumprir a promessa que eu fiz. — ele falou.- E ah, quero te ver linda no baile. — ele falou mudando completamente de humor, mas sem soltar os meus braços. Depois me deu um beijo, que eu não correspondi, o que o fez apertar ainda mais os meus braços. Isso vai ficar roxo.

Depois disso me mandou ir para a aula, e disse que depois de um tempo iria, para não chamar a atenção de ninguém. Antes de ir para a sala lembrei que tinha que ir na biblioteca e pegar algum livro, para não levantar suspeitas. Na biblioteca pude conferir como estavam meus braços, e como já havia previsto, as marcas roxas estavam começando a aparecer, preciso cobrir com base e pó quando não estiver usando o uniforme.
Fui para a sala e abri a porta, e pedi para entrar, já que estava atrasada, e após muitas reclamações do professor, pude me sentar. Era aula de poções, então iria sentar ao lado de Scorpius. Assim que me sentei, ele me olhou preocupado.

— Por que se atrasou Rose?
— Fui pegar esse livro na biblioteca. — falei enquanto mostrava o livro e forçava um sorriso.
— Hum. — depois disso assistimos a aula tranquilamente.

Quando a aula acabou fui tirar uma dúvida com o professor, e quando voltei ao meu lugar todos já tinham ido. Arrumei minhas coisas e sai da sala. Quando sai Scorpius apareceu.

— Temos que continuar aquela conversa Rose.
— Não Scorpius. Estou sem tempo agora, tenho que estudar. — falei tentando fugir dele, mas ele segurou em meu braço, bem onde Luke tinha me machucado, e foi inevitável fazer uma careta de dor.
— Rose, não é pra tanto. Eu nem te segurei com força. — instintivamente levei as mãos aos meus braços, e creio que ele percebeu algo, pois ficou com o rosto sério.
— O que houve com seus braços, Rose? — ele perguntou enquanto fazia menção de tocá-los, mas me afastei rapidamente dele.
— Nada Scorpius, não aconteceu nada! Só quero ir estudar.
— Se não aconteceu nada, suba as mangas.
— Eu não tenho que lhe provar nada Scorpius! Agora me de licença, tenho que estudar. — falei e sai andando, quando percebi que estava sozinha sai correndo e sem rumo.

Quando percebi estava no sétimo andar, e se não me engano, minha mãe me falou que é aqui que fica a sala precisa. Me concentrei e de repente uma porta apareceu. Dei um leve sorriso e entrei. Dentro da sala havia uma cama, e pouco a frente dela uma mesinha com cadeiras, e dois sofás, ao lado da lareira. Tinha também uma estante de livros. Fechei a porta, sentei na cama e levantei as mangas, para poder analisar melhor. Estava com marcas roxas bem visíveis, o que me deu mais vontade de chorar, e não segurei mais, desabei. Ouvi a porta ser aberta, mas pensei que fosse minha imaginação, até ouvir uma voz e sentir uma mão no meu ombro.