Jack estava demorando a voltar e isso me obrigava a pensar nas palavras de Maria.

–mande-a para o inferno agora mesmo Pietro! — ela havia gritado e teria sido um espanto se as pessoas do outro lado da cidade não tivessem escutado.

Depois que tínhamos voltado para casa e visto a o monstrinho de Erick tentando matar um entregador de pizza, Maria enlouqueceu.

–ainda não, eu a quero. — havia sido a minha resposta.

–para quê? Você pode foder qualquer mulher que passar no meio da rua, então para quê manter essa vadia de merda viva? Ela arruinou a vida de Erick! — Maria andava de um lado para o outro, extremamente nervosa.

–é exatamente por isso que eu a quero.

A resposta calou conseguiu calar Maria. Por mais que ela fosse o meu encanto, ela se importava de mais com a princesinha de calças para partilhar do meu vício de ver aquele maldito mestiço sofrendo e pedindo a morte.

– você a prefere então? Prefere arruinar a vida de Erick a me ter? — porque as mulheres tem de ser tão complicadas?

–claro que não!

–então me entregue a cabeça dela como prova.

–não posso.

–por que? Ainda não deu para fodê-la ou é porque ainda não fodeu Erick?

–Maria, chega! Eu mão vou matá-la, pelo menos não ainda, tenho planos para ela.

–fazer ela ficar de quatro não deve ser muito difícil. — veneno que corrói, essas era as palavras da minha doce Maria. Suspirei.

Ela me fitava com os olhos castanhos fulminantes do alto de todo o seu quase um metro e meio. A pele queimada pelo sol, os cabelos castanhos por pintar, os lábios rígidos numa linha de fúria e o corpo, aquele corpo de curvas perfeitas adquiridas em uma mesa de cirurgia que não havia adiantado de nada.

–não a entregarei a você e ponto.

Maria deu as costas a mim, por um momento não entendi o que ela pretendia fazer, mas quando a vi indo em direção a um pequeno gaveteiro que fiava no meio do corredor – ataque de caretisse da princesinha — me atirei em sua direção antes que os dois tiros de pistola que ela havia sacado dentro da gaveta me acertassem.

–vá pro inferno Pietro! Você e toda a sua corja!

com a velocidade de vampiro, eu já estava abraçando Maria e segurando seu pulso quando ela errou os tiros. Apertei forte o suficiente para que a circulação em sua mão cessasse e a arma caísse.

–mate-a Pietro, agora!

–não mulher, ponha isso na sua cabeça.

–então eu mato você primeiro.

–teria que se soltar antes.

Com isso ela desistiu de qualquer tentativa de se libertar e apenas fiou inerte em meus braços.

–espero que você coma a puta maldita e morra engasgado.

– se a quer tanto morta que seja, — ela abriu um sorriso — mas não ainda. — o sorriso se foi — juro que quando eu não precisar mais dela eu deixo você matá-la do jeito que quiser. Está bem?

–não, mas se for eu quem matar a maldita e não outra pessoa eu posso até pensar em te perdoar, mas se você deixar que outro a mate eu vou te caçar e matar você.

–também te amo minha querida.

E foi com essas palavras que Maria saiu da casa e de minha vida, bem, pelo menos pelas próximas décadas. Depois disso me limitei a ligar para Jack e esperá-lo chegar.

Já era noite fechada quando Jack finalmente resolveu dar o ar de sua graça, trazendo consigo duas caixas grande de isopor que eu havia mandado buscar. Jack deixou uma das caixas cair pesadamente em cima da mesa e eu abri e tirei de lá de dentro uma das diversas bolsas de sangue. Lá tinha suprimento para um vampiro jovem por pelos próximos 4 meses. Daria e sobraria.

Levantei-me e peguei o chicote que eu havia deixado repousando sobre a cadeira ao meu lado. Poderia ser considerado um chicote normal, se não fosse pelas pontas de prata, uma das poucas coisas que podiam ferir um vampiro e fazê-lo sentir dor. Posicionei-me em frente à porta do quarto que havia debaixo da escada, o local onde eu havia trancado Bia há quase duas semanas e meia, a essa altura sem sangue ela provavelmente já estaria completamente fora de juízo.

–abra.

Jack destrancou a porta e puxou a maçaneta. Olhei para dentro do quarto e vi uma criatura recolhida num canto, só a sombra louca do que um dia havia sido uma garota linda. Dei dois passos e Jack fechou a porta atrás de mim. Se aquele maldito filho da puta planejasse me tranar lá dentro com ela, seria bom que já estivesse morto quando eu saísse. Joguei a bolsa em direção a ela e ela avançou como um animal desesperado. Segurei o chicote mais firme e esperei até que ela me reconhecesse. Estava na hora de começar as sessões.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.