Amor e Poder: O Esquadrão da Morte

34 Capítulo 34 - O eterno retorno...


Notas iniciais
Boa tarde amores!!! Capítulo novinho...título em homenagem a minha fofa filosofa, afinal o conceito de Eterno retorno é algo muito assuntador do bizarro Friedrich Nietzsche...é de difícil entendimento (eu tenho que ler várias vezes para me apropriar do conceito), mas recomendo para minhas pôneis curiosas de plantão!!

PS 1: próximo capítulo vocês escolhem...putaria da noite das meninas ou vamos direto aos desfechos finais da história, que terá mais uns dois ou três capítulos no máximo...boa leitura!!

PS 2: Tudo o que trouxe no diário que Quinn lê em relação as execuções é verídico, retirei de dois livros sobre a atuação do esquadrão da morte e do crime organizado no Espírito Santo, se alguém tiver interesse posso postar depois os links.

À noite volto para responder os reviews...bjs

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência — e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!" Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?" A Gaia Ciência

A manhã se findou com a visita ao hospital...logo Quinn correu para o Ministério Público e se debruçou integralmente na leitura da principal prova contra a família Pierce, o diário onde constavam as informações sobre vida e morte de vários marcados pelo esquadrão; por mais que soubesse de coisas assustadoras sobre o grupo, Quinn leu detalhes que faziam arrepiar qualquer sujeito, até os mais frios e céticos acerca da morte. Algumas passagens relatavam torturas por dias inteiros, com choques, amputação de membros e esmagamento dos órgãos genitais dos torturados, assim como estratégias de ocultação de cadáveres que iam desde a queima dos corpos no meio de pneus para evitar o odor e a existência de restos mortais, assim como um caso bizarro onde o pistoleiro do esquadrão, depois de executar a tiros um desafeto queimou o corpo e em seguida triturou-o com um trator. Pareciam casos saídos de um filme de terror, mas eram reais e aconteciam bem debaixo dos olhos da polícia civil e militar, muitas vezes conivente com essas ações.

A verdade era que aquele diário era a prova sumária do envolvimento não só de David Pierce, mas continha nomes de juízes, promotores, delegados, deputados estaduais e federais, policiais e advogados do alto escalão da sociedade; era uma bomba relógio que estava prestes a estourar quando fosse divulgado para a mídia, o que fazia dele a principal arma de comprovação da existência do esquadrão da morte. Quinn tinha clareza de que estava com aquela bomba em suas mãos, e prevendo a possibilidade dele ser roubado ou destruído, começou a arquitetar uma forma de mantê-lo em segurança. Sabia que dentro do MP haviam infiltrados para destruir sua investigação, no próprio diário constavam nomes de “parceiros” de trabalho dela, por isso não podia deixá-lo ali, muito menos levar para sua casa, assim precisava entregá-lo a alguém em quem pudesse confiar cegamente, e ela sabia bem para quem era.

A tarde veio e mais uma vez Rachel não compareceu ao MP alegando estar as voltas com a escrita da dissertação. Por mais que Quinn tentasse entender as justificativas da namorada, sabia que algo estava muito errado afinal nem o telefone ela atendia, assim decidiu que saindo do trabalho passaria direto na casa dela, precisava conversar, contar tudo que estava acontecendo nas investigações, queria contar a verdade sobre a gravidez de Marley e sobre sua decisão. Rachel, que simplesmente colocou o telefone para ignorar as chamadas da loira, passou boa parte da manhã com Santana, sabia que a situação dela em relação a Britt era delicada, por isso resolveu nem ir a aula. Tomaram café junto a loira, que logo recebeu uma ligação da mãe contando tudo que acontecera com a família, o que a fez seguir para casa imediatamente.

Santana experimentava um misto de emoções..por um lado sentia-se cada vez mais feliz por ter Britt por perto, por ter cada vez mais certeza da sua inocência e do seu amor, mas ao mesmo tempo sentia-se um tanto insegura, afinal tratava-se da família de Brittany, será que a loira conseguiria se manter imune aos apelos da mãe de interceder com seu prestígio de deputada por sua irmã Kitty?! Estava claro que ela e sua namorada estavam em lados opostos do front, restava saber se sobreviveriam a guerra que começara a se travar naquele fatídico dia.

Britt chegou em casa afobada, fingindo não saber ao certo o que estava acontecendo. A mãe estava sozinha, afinal David havia saído com seus advogados para tentar invalidar a ação do Ministério Público e recuperar todos os documentos levados. A matriarca contou tudo em detalhes e em seguida questionou a menina de forma veemente...

– Você sabe muito bem que sua irmã não tem envolvimento algum com essa história de crime organizado, muito menos com a morte dessa tal ex-namorada dela. Espero que você esqueça os últimos atritos que teve com ela e use seu prestígio para tirá-la da delegacia...não aceito que minha filha mais nova passe uma noite sequer em um desses chiqueiros, ela é uma Pierce e merece respeito. Falou a mulher, em tom altivo, quase arrogante.

– Pelo que você me disse papai já mandou os advogados dele para essa tal delegacia, assim como já deve ter mexido seus pauzinhos tanto para soltar Kitty quanto para tentar livrar a própria cabeça dessas acusações. Eu não posso usar meu lugar de parlamentar eleita pelo povo para tentar obter favores pessoais, não faz parte de mim isso...muito pelo contrário, ela tem direito a um advogado e já tem vários, agora é provar sua inocência como todo cidadão comum faz quando é preso e acusado de algo. Disse Britt, olhando bem dentro dos olhos da mãe, que parecia surpresa com a reação da filha mais velha.

– Acho que você não está entendendo Brittany, se trata da sua irmã, sangue do seu sangue!! Não importa se ela é culpada ou inocente, importa que você vai fazer o que tem que fazer para tirá-la de lá...aquela piranha se envolveu com ela porque quis, sabia bem quem era Kitty e entrou nessa sabendo que poderia sobrar pra ela. quis dar uma de esperta e tentou chantageá-la...teve o que mereceu!! Gritou enfurecida a mulher, parecia transtornada com a atitude da filha.

– Desculpa mão, mas parece que até você está envolvida até o pescoço com toda essa monstruosidade...as vezes tenho medo de isso ser de família, e eu ser filha adotiva de vocês, porque não compactuo e nunca compactuarei com isso...vim aqui pois achei que você precisava de um ombro amigo, de apoio para enfrentar esse momento, mas vejo que foi um erro...me deixe fora de tudo que diz respeito a vocês e ao esquadrão, tenho vergonha de fazer parte dessa família; aliás, se qualquer um me perguntar eu juro que não faço mais parte dessa família mãe!! Disse Britt, saindo em direção a porta. A mãe ainda tentou argumentar, mas suas palavras caíram no vazio, afinal Brittany não parou para escutar, entrou em seu carro e foi direto para a casa de Santana, queria ficar perto da namorada, precisava do seu colo. Não muito longe dali David Pierce se reunia com outros membros do esquadrão, a morte de Quinn Fabray era o assunto em pauta, assim como o sumiço de todas as provas que incriminavam todos que faziam parte do grupo...estava decidido, não passaria dos próximos dois dias!!

Já era fim do dia quando Quinn colocou o diário encontrado na casa da família Pierce dentro de uma pequena caixa de presente, sabia que ali dificilmente teria visibilidade. Para disfarçar ainda mais escreveu em um pequeno papel uma mensagem de carinho para Rachel...

“Guarde com todo carinho, esse é o presente que prova todo o meu amor e confiança em você. Sei que saberá usar em um momento todo especial...” Quinn Fabray.

Colocou em uma bolsa e seguiu para a casa da namorada, estava morrendo de saudades e louca para conversar. Achou estranho um carro parado no portão da namorada, mas pensou que poderia ser um dos amigos; tocou a campainha uma, duas vezes, até que foi atendida na porta mesmo por Rachel, que não a convidou para entrar...

– Boa noite amor. Pensei que tinha fugido do país com medo do esquadrão da morte, afinal não consigo falar com você desde ontem. Disse Quinn indo dar um beijo na boca de Rachel, que virou o rosto.

– É, acho que algumas coisas aconteceram e eu precisava ficar um pouco distante. Como sabia que seu dia seria cheio achei melhor não te incomodar. Sentiu falta do seu celular?! Perguntou Rachel, totalmente fria e distante.

– Na verdade senti, mas te confesso que achei que ele tinha ficado no carro. Como não sou viciada em celular acabei esquecendo de procurar. Não vai me convidar para entrar?! Está acontecendo alguma coisa Rachel, você está estranha. Rachel se certificou de que Santana já havia enfiado Britt no quarto às pressas e abriu passagem para que Quinn entrasse até a sala, teria que fingir que não havia nada de errado ali, senão Santana seria crucificada pela promotora e poderia inclusive arruinar sua carreira. A loira entrou e sentou-se no sofá da sala, precisavam conversar...

– Senti que você está me evitando. De ontem para hoje não tive como dar prioridade a essa conversa, mas hoje vim para te explicar tudo que tem acontecido desde que começamos a ficar juntas Rachel. Disse Quinn, olhando diretamente nos olhos da amada.

– Será que você ainda tem alguma coisa para me explicar Quinn?! Não sei mentir, muito menos guardar o que se passa dentro de mim por isso vou ser direta e objetiva...no dia em que você esqueceu seu celular aqui ele tocou insistentemente na sala, foi ai que percebi que ele tinha ficado sobre minha escrivaninha. Era a Marley e sei que fiz errado, mas não me contive e atendi...fiquei muda e ela descarregou um caminhão de coisas achando que era você que estava do outro lado da linha. Disse Rachel, com cara de poucos amigos para Quinn, que não se intimidou.

– Acho que realmente você não fez certo em atender meu telefone, mas não tenho nada para esconder de você Rachel, eu terminei com ela depois da última conversa que te disse que teria. Disse Quinn, sem medo, afinal tinha terminado mesmo.

– Realmente você terminou, só não me contou que dessa relação tinha mais alguém vindo por ai...não me contou que tinha terminado com ela no momento mais importante da vida dela, justamente quando ela mais precisa do seu apoio Quinn!! Disse Rachel, já perdendo um pouco o controle do tom de voz. Do quarto Santana e Britt, ouviam a discussão e começavam a se preocupar com o futuro daquele relacionamento.

– Quem disse que eu vou deixar de dar apoio a ela?! Você acha que eu seria capaz de deixar um filho meu perdido no mundo, sem minha presença e apoio?! Caso ache mesmo isso é sinal de que realmente não conhece nada de mim, realmente eu sou uma estranha para você. Eu fui criada sem pai Rachel, sei bem como é ter só uma pessoa responsável por tudo na sua vida, sei bem como é não ter quem fosse na escola no dia dos pais...eu não sou um monstro e nunca vou deixar meu filho por causa de ninguém, nem por sua causa. Minha idéia desde que Marley disse que tinha feito a inseminação sem me consultar era assumir inteiramente essa criança, só não me propus a continuar ao lado dela gostando de você...eu não sou esse moleque que você julga Rachel!! Disse Quinn, muito irritada com as afirmações da namorada. percebendo que tinha ferido profundamente o sentimento de Quinn, Rachel tentou tirar por menos...

– Eu não afirmei nada, só repeti o que Marley falou ao telefone. E para de drama, afinal estamos somente tendo uma conversa adulta. Eu disse o que estava sentindo e quero que você também diga, mas isso não é motivo para você se sentir ofendida e ficar nervosinha Quinn...parece até que te xinguei de algum nome muito feio!! Disse Rachel, meio sem graça, afinal tinha entrado na onda de Marley sem sequer ouvir o que Quinn tinha a dizer, não tinha confiado na promotora.

– Se tem uma coisa que prezo Rachel é minha ética e meu jeito de lidar com as pessoas...posso ser arrogante, petulante as vezes, e muitas vezes passar dos limites, mas nunca vou deixar alguém desamparado, muito menos um filho meu. Preciso que confie mais em mim ao invés de ouvir o que os outros dizem, eu sou alguém que tem uma palavra só. Disse Quinn, ainda meio alterada com as desconfianças da namorada. Rachel, percebendo que estava errada e que Quinn iria ficar toda vida naquela discussão, fez o que seu coração mandava...pegou a namorada pelo pescoço de surpresa e deu um longo beijo em seus lábios, encurtando a distância dos corpos e tirando o fôlego da loira; não queria mais brigar, não queria mais ficar longe dela, afinal o mais difícil, que era terminar com Marley mesmo estando grávida, ela já tinha feito, agora era enfrentar os desafios que viriam com aquela gravidez.

Namoraram um pouco mais no sofá e quando a coisa começou a ficar quente e Rachel já estava só de calcinha e sutiã por cima de Quinn, que percorria todo o corpo da morena com as mãos e a boca, a praga da latina apareceu na sala com cara de doente, simulando dor no corpo e fez seu charme...

– Sei que vocês estão ai, fazendo coisinhas no sofá, que devem estar molhadinhas e tal, que o Hobbit deve estar com o clitóris duro e pedindo a sua boquinha, mas estou passando mal...muita dor no corpo nos lugares das queimaduras, e meu remédio de dor acabou...seria pedir demais se você fosse à farmácia comprar esse medicamento Quinn?! Disse Santana, doida para rir da cara de irritada de Rachel com a interrupção.

– Não tem como pedir por telefone Santana?! Perguntou Quinn toda sem graça e vermelha, tirando a mão de dentro da calcinha da morena.

– Poxa Quinn....tem como pedir pelo telefone, mas eu também queria aquele pão de mel que só tem na padaria aqui da esquina que a Rachel comprou para mim ontem. Sei que é pedir muito, que vocês estão muito ocupadas e que eu sou uma pobre inválida que provavelmente nunca mais vou voltar a ter uma vida normal depois desse atentado sofrido por causa do meu envolvimento com o Ministério Público....não que eu esteja culpando o MP, claro que não, mas é que...

Antes que Santana terminasse toda aquela ladainha estilo “monólogo Rachel Berry”, Quinn vestiu-se, pegou o nome do medicamento e desceu, a garota tinha feito tanto drama que ela mesma se sentiu culpada. Assim que sentiram segurança deixaram que Britt saísse do quarto...a menina correu desesperada em direção ao banheiro, estava apertada e fez com que as amigas caíssem na gargalhada. Antes que Quinn voltasse pegaram uma boa quantidade de biscoitos, refrigerante e guloseimas, afinal a noite presas nos quarto seria longa. A loira quando retornou sequer percebeu que algo estava errado, só estranhou que na padaria ninguém conhecia o tal pão de mel que a morena tanto fez questão...logo Rachel fez questão de arrastar a namorada para o quarto e fechar a porta, assim Britt não ficaria tão confinada se precisasse sair de novo as pressas para o banheiro.

Sem que Rachel percebesse Quinn subiu com a pequena caixa do diário e deixou-a estrategicamente na estante da sala, um local visível para que a morena se desse conta de algo diferente, assim logo que a encontrasse entenderia o quanto Quinn confiava e a amava...seria apenas uma surpresa boba, mas muito significativa para ela, afinal aquela era a prova primordial para a condenação de todos os envolvidos no esquadrão da morte, era a vida de Quinn e tudo aquilo que ela acreditava. Nos quartos o bicho pegou a noite inteira...se de um lado Rachel sentia falta do calor do corpo de Quinn, do outro Britt queria finalmente saber como seria a primeira vez com Santana...aquela seria uma noite inesquecível para todas elas...