Notas iniciais
O passado de Wickham revelado na última batalha!

Elisabeth andava pelos corredores com atenção redobrada. Escutara ruídos dos mortos-vivos a todo instante como se eles tivessem transito livre pela casa. Chegara a surpreender um grupo ao abrir uma das salas, mas tivera sangue frio o suficiente para jogar uma das bombas de gás quando eles avançaram contra ela e trancar a porta, deixando-os a mercê do gás produzido por Mary e Wuang

Então atingira o grande salão. As lembranças lhe atingiram como se tivessem ocorrido ainda no dia anterior. A senhora Reynolds falado de Fitzwilliam Darcy com toda a admiração e carinho. Ela olhou para o pedestal onde deveria estar o busto de linhas puras, apenas para vê-lo vazio. Uma profunda raiva a atingiu ao ver o busto no chão. Destruído.

Elisabeth cruzou o salão. Os saltos de suas botas ressoavam no vazio. Quando atingia a outra extremidade dele e estendia a mão para abrir a porta, ela escutou a movimentação atrás dela. Virou-se já sacando a espada.

Três não mensuráveis vinham em sua direção. Ela nem os esperou se aproximarem. Já partiu para cima deles e sem uma gota de suor no rosto deu cabo dos três.

— Estou impressionado.

Elisabeth se virou na direção do som e ali estava ele. O causador de toda a tristeza de famílias em toda Hertfordshire. Aquele que fizera que muitas lágrimas fossem derramadas em sua família. O chamado anticristo naquele apocalipse zumbi. George Wickham.

— Minha bela senhora Darcy.. Eu pretendia ir visitá-la em Rosings, mas como a senhora veio até aqui, é um prazer recebê-la em meu pequeno reino

— Seu sonho megalomaníaco está acabado, Wickham! — o som de pequenas explosões se fizeram ouvir. Elisabeth sorriu ao ver a confusão de seu inimigo.

— O que é isso?

— Veja pela janela. Verá que seu exército está se autodestruindo.

Ele foi até uma das grandes janelas e viu. Seu exército de mortos-vivos estavam se devorando uns aos outros em meio a uma fumaça que se dissipava lentamente

—Mas como?

— Eu esclareço. Ha alguns séculos, na China, houve uma praga semelhante. A construção da grande muralha foi uma forma de combatê-los, embora a História dê outro motivo. A mistura de certas plantas produz um odor semelhante ao que atraem as moscas varejeiras, faz com que os não mensuráveis procurem por carne morta e a devorem.

— Não! — ele gritou. — Parem seus idiotas!

Um dos não mensuráveis ouviu o grito e olhou na direção dele. Então começou a andar na direção da casa, sendo seguido por outros.

— Onde está ele, Wickham? Onde Darcy está? — ela girou a espada.

— Será que ele não está por ai, se alimentando de alguma camponesa? — o cinismo dele não tinha limites. Elisabeth sentiu raiva de si mesma ao lembrar o quanto o admirara. Ela avançou mais alguns passos na direção dele. Em suas mãos, a lâmina coberta de sangue.

— Onde ele está?! — gritou apontando a espada para ele.

— Essa é a espada dele, não é? Que romântico vir resgatá-lo. Imagino o que teria acontecido se eu não tivesse lhe pedido para fugir comigo. Reinaríamos absolutos, não é, minha querida.

— Não seja ridículo! Mesmo sem saber, seu toque me encheu de repulsa por que meu coração já pertencia a Darcy. Agora lhe pergunto pela última vez, senhor Wickham. Onde meu marido está?

— Que Darcy esteja no inferno que é o lugar dele por ter tornado minha vida miserável. Eu poderia ter sido tudo o que ele é. Isso tudo poderia ter sido meu se ele não tivesse resistido tanto.

— Você está louco! Darcy sempre foi o herdeiro de Pemberley.

— Sim. Mas ele nasceu frágil, doente. Poderia morrer a qualquer momento. Como sua mãe não poderia ter filhos tão cedo, o muito respeitável senhor Darcy pai se voltou para uma linda viúva que morava em Lambton. A minha mãe. Depois de algum tempo, ela engravidou de mim. Para conter o escândalo, ele pediu ao seu grande amigo, o senhor Wickham que assumisse a linda viúva e o seu bastardo.

Elisabeth estava atônita. Então Darcy e Wickham, inimigos mortais eram... meio irmãos?! E Wickham, sabendo disso, ainda tentara seduzir Georgiana?

— Você é um monstro... — murmurou ela enojada com as revelações dele.

— Se o primogênito morresse e com a senhora Darcy impossibilitada de ter filhos, ele me escolheria com certeza. — Elisabeth balançou a cabeça incrédula com as palavras dele. Wickham realmente acreditava na própria fantasia. Nunca que o orgulhoso Senhor Darcy pai revelaria ao mundo o seu pecado.

Wickham continuava com o seu monólogo.

— Mas Fitz sempre teve sorte. Desde o berço, o maldito! Com o herdeiro milagrosamente restabelecido, a família Darcy estava feliz e unida novamente. E a chegada de uma bela menina, dez anos depois, coroou o conto de fadas. Mas o bastardo era tolerado em nome de uma suposta amizade entre seu verdadeiro pai e o tolo que lhe assumira.

— Isso é mentira! — bradou Darcy que ouvira toda a história sem que Wickham ou Elisabeth percebessem sua chegada com Chang.

— A mais absoluta verdade, Fitz. — sua voz estava cansada, triste. — Olhe para mim... Acha que eu tenho mais tempo para inventar histórias? Nossas vidas tomaram rumos completamente diferentes e eu lamento que nossa amizade tenha acabado nisso. — ele sentou-se numa cadeira e baixou a cabeça parecendo desolado.

Darcy ficou sem palavras depois dessa declaração. Elisabeth igualmente muda. Apenas Chang percebeu o sorrateiro movimento que Wickham fez e, isso salvou a vida de Darcy.

Porque Wickham pegou uma adaga em sua bota e a arremessou na direção de Darcy. Chang a desviou com sua espada e a arma foi se cravar numa parede próxima.

Rapidamente Wickham levantou-se e sacou sua espada.

— Seu tolo! Acha mesmo que eu lamento o fim de nossa amizade? Só se eu tivesse dez anos de idade. Eu sempre odiei você Darcy, desde que tomei conhecimento de toda a história.. O filho perfeito, o guerreiro perfeito. Você sempre teve tudo. Até a mais bela dama. — ele olhou para Elisabeth. — Mas no final eu venci, Fitz. Porque eu serei imortal!

Gritando, Wickham avançou na direção de Darcy. Agilmente, Elisabeth pulou em defesa de seu amado. Chang também sacou sua espada e as três lâminas se cruzaram chegando ate as empunhaduras.

Os três se empurraram mutuamente, afastando-se uns dos outros. Darcy pegou na mão de Elisabeth.

— Amada esposa, acredito que essa seja a minha deixa.

Ela ainda resistiu, mas entregou a espada a ele.

— Senhor Chang, essa luta é minha. Por favor leve minha esposa. Eu os encontrarei daqui a pouco. — ele se posicionou diante de Wickham.

— Darcy...

— Vá. Logo me reunirei com você. — ele lhe endereçou um daqueles meio sorrisos tortos que ela amava.

Chang pegou Elisabeth pelo braço e a levou para a saída. Girando a espada, como era característica sua, Darcy se preparou para enfrentar seu antigo desafeto.

— Você não vai desistir, não é Fitz? — Wickham zombou. — Não percebe que não pode me vencer? Que eu sou imortal.

— Vamos ver se, quando eu separar sua cabeça do corpo e pisar nela como eu prometi, se você continuará com esse discurso. — um sorriso sarcástico brincava nos lábios de Darcy.

— Sim, vamos ver... — Wickham avançou com a espada pronto para atingir Darcy no coração. Mas ele desviou o golpe fazendo que os corpos de ambos se chocassem.

Ombro a ombro, os dois se fitaram. Os olhos de Wickham tinham o brilho da loucura apesar da vida já tê-lo abandonado. Somente o ódio acumulado por anos ainda o mantinha de pé. Os olhos de Darcy eram frios assim como a sua determinação homicida.

Os dois se empurraram, ficando novamente um de frente para o outro. Logo as espadas voltaram a se chocar. O ruído metálico mesclando-se com os ruídos dos mortos-vivos cada vez mais próximos de onde os dois duelavam.

— Eu já quase matei você uma vez, Darcy. Se não fosse a interferência da então senhorita Bennet. — Wickham dizia entre um golpe e outro. — Por que você não desiste?

— Porque da última vez, eu subestimei sua condição. Um erro que eu... — Wickham avançou e Darcy, com um volteio do corpo, fez com que ele encontrasse o vazio. Darcy então ergueu sua espada e desceu sobre o pescoço de Wickham, decepando- o. — ... Não voltarei a cometer.

O corpo sem cabeça ainda permaneceu alguns segundos de pé. A espada que Wickham segurava caiu primeiro.

O som de uma explosão ecoou parecendo vir debaixo deles. Darcy abaixou-se perto da cabeça. Não sabia se Wickham podia entendê-lo ou não.

— Eu lhe disse que mataria você e pisaria em sua cabeça por ter tocado em Elisabeth. — uma segunda explosão aconteceu, mas Darcy não parecia ter pressa. — Mas vou lhe deixar com a visão do que lhe espera pela eternidade. Adeus George.

Ele correu para a outra extremidade do salão no mesmo momento em que o prédio começava a desmoronar. A cabeça de Wickham caiu no vazio e a última imagem que seus olhos registaram foi a do fogo que o queimaria se aproximando rapidamente.

***

Chang e Elisabeth atingiram a frente da casa na hora em que as primeiras explosões aconteceram.

Rápido, Chang a pegou nos braços e correu para o mais longe possível.

— O que está acontecendo Chang?

— Um último truque de honorável coronel. Explodir todo o resto do exército de mortos que andam. — explicou Chang enquanto colocava ela no chão.

De fato. Antes de chegarem ao grande salão, Darcy foi até uma outra parte da mansão e acionou um relógio. Ao longo de um corredor havia vários barris que ele revelara serem pólvora e dinamite.

"Todo o subsolo da casa está dinamitada. O relógio que você me viu acionar, vai provocar uma primeira explosão. Então haverá uma reação em cadeia fazendo que a casa venha a baixo."

" Mas você destruirá seu lar." — argumentou Chang.

" Meu lar será onde eu estiver com Elisabeth. Em Derbyshire, em Londres ou em Hertfordshire. Onde ela quiser estar."

— Mas ele ainda está lá. — ela se desesperou vendo parte da casa ruir.

O tempo passava e apenas a poeira chegava até eles. Elisabeth andava de um lado para outro, tomada pelo medo de nunca mais ver Darcy e mesmo Chang já não tinha mais esperanças.

— Vamos pegar os cavalos. Não há mais nada para nós aqui. Temos um longo caminho até o acampamento, Huang Mei.

— Agora vou querer saber o que esse nome significa, esposa. — uma voz chegou até eles.

— Darcy! — Elisabeth correu até ele se jogando em seus braços. Darcy a reteve nos braços e a beijou apaixonadamente. Chang desviou os olhos da cena íntima do casal.

— Ei! Eu estou bem. — assegurou quando ela começou a querer lhe examinar. — Nenhum ferimento. Só não posso dizer o mesmo de Wickham.

— Seu lar, Darcy... Era uma casa tão majestosa... — Elisabeth se lamentou.

— Que poderá ser reconstruída onde você quiser. — ele a apertou em seus braços. — Mas que raios quer dizer Huang Mei, Elisabeth?

Ela e Chang sorriram um para o outro como se compartilhassem uma piada secreta. Foi o chinês quem respondeu.

— Quando Huang Mei começou treinamento, tinha o gênio ruim, mas tão ruim que parecia dragão cuspindo fogo. Mas, por ser bonita, mestre Liu lhe deu nome de Huang Mei que quer dizer "Adorável Dragão "

Darcy a olhou. Lembrou-se de todos os momentos dele e de Elisabeth, desde o primeiro encontro. Começou a rir.

— Sr. Chang, concordo plenamente com seu mestre. – ele tornou a beijá-la, mas agora lentamente.

Um relincho de cavalos chamou a atenção deles. Os quatro cavaleiros do apocalipse estavam ali, enfileirados e elegantes como se fossem para algum baile. Elisabeth, Chang e Darcy ergueram suas armas. Mas os quatro simplesmente voltaram suas montarias e cavalgavam através do campo, desaparecendo numa bruma que se erguia misteriosamente.

— Acabou não é? — perguntou Elisabeth.

— Talvez o fim esteja apenas começando. — lhe respondeu o marido.

Notas finais
E a nossa história se aproxima do final... snif, snif...