Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳

29 Três crianças, três filhas, três irmãs


Notas iniciais
Gente, consegui terminar o capítulo à tempo, ainda no domingo. rsrsrs Ai, gente, 23:57horas, mas ainda é domingo... rsrsrs Papo sério: ainda estou devendo responder aos comentários, mas não fiquem muito chateados comigo. Tô sentindo falta de muitos comentários de leitores que sempre comentam.... Façam uma escritora feliz!!! ♥♥ Não me abandonem. ♥♥ Please.♥♥ Ninguém mais favoritou nem recomendou, mas as palavras dos comentários, não só aqui no NYAH, mas também nas redes sociais, estão me orientando e me animando. ♥♥ Obrigada!!! ♥♥ Bjinhos, viu??? Denise

... No quarto de brinquedos...

Kate chega à brinquedoteca querendo falar, primeiramente, com Lanie, mas não a encontra. Tudo bem que o quarto era grande, mas também não era assim tão amplo a ponto de perder uma pessoa. Após alguns instantes, em sinal que a brincadeira estava muito boa e animada, ela escuta sons de risadas pueris, muito conhecidas dela. Kate foi em direção ao palquinho no lado extremo esquerdo do espaço infantil e qual não foi a sua surpresa ao encontrar as quatro crianças sentadas sobre os almofadões coloridos espalhados pelo chão com suas perninhas cruzadas, e todas, cada qual ao seu modo, rindo muito ao olhar com atenção à performance da Lanie, que, naquele momento estava imitando, ao que parecia, um elefante. Contudo, a cada novo movimento, as crianças se movimentavam para frente, sobre suas próprias perninhas ou se deitavam, tipo, rolando de rir e batiam palmas em sinal de que estavam aprovando a brincadeira.

Tentando conseguir se expressar, pois ria mais do que tudo, Bia disse – Minha Dinda, é um elefante! Não acredito, Dinda. Que elefante engraçado... – gargalhava alegre.

Juan, mais expansivo, bem travesso e divertido igual ao pai e a mãe juntos, comentou – Mas mamãe, que elefante é esse? Você tá muito engraçada. Nunca vi uma tromba tão louca! E ele ainda dança... Nunca vi um elefante dançar. – continuava a rir solto.

— É um elefante, mamãe! – falava Estelita, entre risadas. – Mamãe, pare com isso porque eu não aguento mais rir... Minha barriga já está doendo.

Batendo palminhas, Annie nem conseguia falar de tanto que estava rindo não só com o desempenho da Lenie e a dancinha que ela fazia, mas também com os comentários das outras crianças. De repente, ela deita, colocando as mãozinhas na barriga como se estivesse doendo de tanto rir até que, com esforço ela disse – Titia, você é tão engraçada... Esse elefante é muito engraçado.

Ao terminar de executar os trejeitos do elefante, Lanie, sempre animada, senta-se num almofadão colorido que estava no palquinho, ainda sem dar conta de que estava sendo observada por Kate, e diz, então... – Bem, desta vez todos acertaram. Agora eu vou escolher um bem bacana... Quero ver agora quem é que vai acertar... E depois quero ver quem é que vai fazer a próxima mímica.

— Mamãe, capricha, viu?... – Estelita fala com sua vozinha linda.

— É Dindinha... – Bia batia palminhas, ansiosa para ver mais uma apresentação da madrinha.

Kate não tinha tempo a perder, pois Alexis estava ansiosa para conhecer as irmãs, e não queria fazê-la esperar mais, até porque, este encontro sempre foi a coisa que ela própria mais sonhou nestes cinco anos desde que Bia e Annie nasceram e quanto antes elas se conhecessem, mais satisfeita e realizada ficaria, pois o que mais queria era ver as três crianças da sua vida juntas.

Kate segurava um objeto e o coloca sobre uma mesinha próxima e interrompe a brincadeira – Crianças, sinto muito interromper a brincadeira, mas eu preciso falar com a artista. – ao ouvir a voz de Kate, as crianças vão cessando as risadas e, rapidamente, giram seus corpinhos em direção a ela. No momento em que Kate falou a palavra ‘artista’, ela apontou seu dedo em direção a Lanie que finalmente a notou.

— Ah, mamãe! Vamos ter que parar mesmo? Tá tão divertido... – Annie se manifesta e contesta, como qualquer criança que tem sua brincadeira interrompida.

— É, tia Kate, só mais um pouquinho, vai... – Juan argumentou.

Bia olha para Kate com cara de cachorrinho pedindo comida e pede — Mamãe... Porfavorzinho!

Entendendo a situação dos garotos, Kate tentou minimizar a situação – Crianças, faz o seguinte – eu vou conversar rapidamente com a Lanie. Mas prometo que vamos organizar uma programação infantil bem divertida para outro dia, ok?

— Aaahhh.... – as crianças lamentam em coro.

— Crianças, vamos brincar outro dia, ok? – Kate fala mais séria.

— Ok! – as crianças responderam novamente em coro.

— Enquanto eu falo com a Lanie, fiquem aí planejando uma nova brincadeira para a próxima vez que vocês se encontrarem...

Bastou Kate dizer isto para começar o converseiro animado entre a garotada.

Lanie, querida, vem aqui, por favor. – Kate a chamou, reforçando com um gesto de mão e piscando para a amiga.

Deixando as crianças já entretidas com outra brincadeira, Lanie foi ao encontro de Kate e, juntas, vão para o outro lado do cômodo, distante o bastante para que as crianças não ouvissem a conversa. – E aí, querida, como estão as coisas lá embaixo, eihm? – Lanie pergunta, preocupada.

— Menina, por incrível que pareça, as coisas estão bem. Fora que a Martha me flagrou numa conversa íntima com o Rick... tipo, picante...

— Âããhhnn!!??... Me conta aí. Como é que foi isso? – Lanie já sorria só de imaginar a situação. – Querida, acho que hoje foi seu dia de ser surpreendida, né? – sorriu.

— Nem me fale. Eu comentei isso mesmo com o Rick... – Kate percebeu que a Lanie estava caçoando dela – Amiga, sem essa de fazer chacota, né? – vendo a Lanie rindo, Kate foi contagiada e passou a rir também. – Mas tudo bem, eu te conto isto outro dia... Foco! – ficou séria. Tentando voltar ao assunto, Kate fala – Eu tenho agora que conversar com a Bia e com a Annie. Você sabe que elas já sabem da existência da irmã, mas uma coisa é elas saberem que ‘existe’ uma irmã, outra coisa é elas ‘conhecerem’ esta irmã... e ficarem ‘frente a frente’ com ela. Tenho que conversar com elas e o pior é que tem que ser rápido porque a Alexis já está ansiosa lá embaixo, louca para ver as irmãs. – Kate estava com a fisionomia preocupada.

— Kate, você está preocupada à toa, querida, afinal de contas, estamos falando de Beatrice e Annie Beckett, você está lembrada? Helooo!!! Quando é que você pensou que as gêmeas encontrariam o pai ao acaso numa praça pública e se apaixonariam por ele logo de primeira, sem nem mesmo você precisar montar um esquema de segurança ou organizar o ‘meio de campo’ com altas conversas e altos preparos psicológicos, etc, etc, etc...

Kate a interrompeu — Ai, Lanie. Você falando assim, eu até me sinto uma boba... Eu apenas estou preocupada com a cabeça das minhas filhas, pois elas só têm cinco anos e por mais que elas já conheçam a Alexis por fotos, vê-la pessoalmente é uma história completamente diferente, pois ao ver as fotos elas ficam trabalhando o imaginário, ao passo que ver pessoalmente, tocar, sentir...

Lanie a interrompe — Amiga, eu ainda insisto que você está preocupada à toa. Você está vendo problemas onde não existem. Suas filhas não são tolas, assustadas e bobinhas. Muito pelo contrário, elas são ótimas, inteligentes, espertas e vão ‘tirar de letra esta situação’, vão enfrentar muito bem e você, com certeza, vai ficar de queixo caído.

— Será? – Kate estava em dúvida.

— Claro. Muito me admira você não conhecer estas características de suas filhas. Logo você que é tão viva. Kate, vá por mim. Você até que pode ter uma conversa com elas, explicando quem está lá embaixo, mas nada de muitos detalhes, pois, como você falou, elas só têm cinco anos e por mais que sejam inteligentes, espertas e coisa e tal, não vão se fixar em minúcias e nem vão entender. Elas querem ver é a Alexis e pronto... Kate, vai acontecer do mesmo modo que encontraram o pai e tudo ficou lindo e maravilhoso, sem nem imaginar o que estava acontecendo entre vocês dois por trás daquele encontro delas. Com o tempo, elas irão entender... Ou não... Não tem porque envolver suas filhas nos seus assuntos conjugais.

— É, Lanie, você tem razão. – Kate anuiu – Eu estou aqui pensando e é isso mesmo. Vou ser direta, sem detalhes...

— Então, querida, eu já vou. Vou pegar minha prole e vou para casa ver meu marido lindo e maravilhoso. – Lanie fez uma cara de alegria só em mencionar o marido – Nós já tínhamos combinado que hoje iríamos almoçar na casa de uns amigos nossos... Você os conhece, é aquele Capitão de Polícia daqui de Washington, D.C., o Kavin Ryan. A esposa dele é um amor, a Jenny. Eles são bem clarinhos, loirinhos, de origem irlandesa. Lembra deles?

— Lembro. Eu os vejo sempre nas festas e nas reuniões em sua casa. Eles têm dois filhos, né? A Sarah e o ... – Kate estava tentando forçar a memória.

— O Kevin Jr. – Lanie completou.

— Isso. E as crianças são também da idade das nossas. Eu lembro.

— Sim. É isso mesmo. – deu uma pausa – Kate, chega de papo furado. Eu já vou. Pegue suas meninas, tenha uma conversa ‘breve’, você está me entendendo? ‘Breve’! – Lanie piscou para a amiga – Fique aqui que eu vou prá casa ver meu marido gostoso e depois, como já te falei, vamos prá casa dos Ryan para o almoço e já sei, de antemão, que vai ser uma folia para estas quatro crianças. Eles são muito chegados. Pena que você não pode ir... Mas fica para outra vez.

— Lanie... – Kate está com uma fisionomia preocupada.

— E não se preocupe em me acompanhar, ok? Deixe de ser boba porque eu sei o caminho da saída e o código do elevador... Então, fique aqui. Eu vou descer, cumprimentar brevemente o Richard e a mãe dele e depois eu vou embora.

— Lanie, não faça...

— Kate, fique tranquila que não farei nenhuma piadinha...

As amigas se abraçam, trocam beijinhos nas faces. Todas as crianças foram abraçadas e cumprimentadas em despedida e Lanie partiu com os filhos.

Após a saída da Lanie com os filhos as gêmeas começaram a encher Kate de perguntas:

— Mamãe, porque a gente não desceu para acompanhar a minha dinda até o elevador? – com sua voz fininha e doce, Bia queria saber.

— E onde está o papai, eihm? Vamos passear com ele? – Annie perguntou curiosa.

Como se a memória de Bia tivesse reativado naquele momento, a garotinha fala – Mamãe, vamos falar com o papai? Onde é que ele está?

Achando divertida aquela saraivada de perguntas infantis, Kate coloca as duas mãos próxima ao corpo, logo a frente do peito, palmas da mão viradas para fora, direcionadas às filhas, paralelas uma a outra, em sinal de que elas deveriam ficar quietas e parar de falar – Minhas lindas, um momentinho... Uma pergunta de cada vez. Fiquem quietinhas que a mamãe vai conversar com vocês. Venham aqui.

Pegando de volta o objeto que antes colocara numa mesinha alí perto, Kate orientou as filhas para retornarem aos pufes coloridos perto do palquinho e as seguiu de perto.

As três se acomodaram formando um triângulo. As meninas estavam atentas olhando para a mãe.

Pensativa, Kate fez um muxoxo e mordeu os lábios. Como sempre fazia, decidiu ir pelo caminho mais fácil. Com o objeto em suas mãos, olhou atentamente para ele e mostrou para as filhas.

— Queridas, vocês sabem quem são estas pessoas que estão nesta fotografia?

Muito rapidamente, as duas olharam o porta-retrato e falaram, quase ao mesmo tempo:

— É a Alexis, mamãe. A Alexis com a vovó Martha – Bia falou.

— É a nossa irmã com a nossa vovó, mamãe. – Annie completou.

Bem, pensou Kate, um passo já tinha sido vencido. Partiria agora para o segundo:

— Queridas, vocês têm vontade de conhecer a Alexis e vovó Martha?

Imediatamente, as duas, empolgadas com aquela pergunta, respondem uníssonos – Sim, mamãe. Eu quero. Que dia vai ser? Onde vai ser?

Seguiram-se mais algumas perguntas feitas pelas gêmeas, todas no sentido de que elas queriam conhecer a irmã e a avó.

Demonstrando uma tanquilidade que gostaria imensamente de estar tendo, Kate pergunta para as filhas:

— Queridas, há alguma pergunta que vocês queiram fazer sobre a Alexis e sobre a vovó Martha?

As meninas, que estavam sentadinhas nas almofadas, com as perninhas cruzadas à frente do corpo, ambas com os braços apoiados na dobra do joelho, mantinham as palmas das mãos sustentando os queixos.

Após a pergunta da mãe, elas ficaram pensativas, até que Bia resolveu se manifestar:

— Mamãe, porque nós nunca encontramos a Alexis? Você sempre falou que ela morava com o papai e a vovó Martha. Você também disse que o papai viaja muito e que vinha ver muito a gente quando eu e a Annie éramos bebezinhas e que só podia ver a gente bem tarde, quando a gente estava dormindo...

Sem saber aonde a filha queria chegar, Kate fala... – Sim... E... – indaga, querendo que Bia continuasse o raciocínio. – Continue, filha.

Ainda pensativa, olhando a mãe profundamente, como se fosse uma mocinha, Bia continua seu raciocínio – O papai não podia vim durante o dia porque viajava muito. Mamãe, a Alexis é criança e criança não trabalha. Só gente grande que trabalha, não é? – sem esperar resposta, continuou – Então porque ela não vem com a vovó para ver a gente?

Annie estava calada, porém, ao ouvir a pergunta da irmã, ela falou com uma carinha triste – Será que a Alexis não gosta da gente, mamãe?

“Oh, meu Deus! Tudo menos isto!”— Kate pensava e, diante de tais perguntas, resolveu logo terminar com toda aquela conversa antes que a tristeza tomasse conta delas.

Com voz empolgada, para animar as filhas, Kate anuncia – Eu quero que vocês tentem adivinhar quem foi que preparou uma surpresa para vocês.

Annie olha para Bia e dizem – o papai!?

Ambas respondem num misto de afirmação e indagação.

Continuando querendo animar as filhas, Kate fala – Vocês "estão mornas!" – Kate falava como se estivessem num jogo de cabra-cega ou esconde-esconde.

— Então, quer dizer que o papai ajudou nesta surpresa, foi mamãe? – Bia perguntou curiosa.

— Foi – Kate respondeu sorrindo para continuar animando as filhas. – o papai de vocês ajudou a preparar a surpresa para vocês.

Depois de muito pensar, Bia fala – Mamãe, eu não sei.

— Eu também não sei, mamãe.

Kate consultou o seu relógio de pulso e constatou que já havia se passado mais de quinze minutos que ela subira à brinquedoteca e sabia que Alexis deveria estar impaciente. Tinha conhecimento também que Bia e Annie eram muito pequenas. Apesar do raciocínio lógico de Bia logo no início da conversa, sabia que elas talvez não conseguissem ir mais adiante, então resolveu acabar com a ansiedade das meninas e dizer o que estava acontecendo.

— Meninas, eu quero que saibam que vocês são muito especiais para todos, principalmente para mim, para o papai, para a vovó Martha e para a Alexis, entenderam?

Silêncio...

— Vocês ouviram, meninas? Vocês são muito especiais para todos, principalmente para mim, para o papai, para a vovó Martha e para a Alexis, entenderam?

— Sim, mamãe. Mas eu quero saber que surpresa é essa? – Annie estava com uma carinha de ansiedade.

— É, mamãe. Conta logo a surpresa. Por favor. – Bia uniu as mãozinhas numa posição como se estivesse rezando, fazendo Kate sorrir...

— Então eu vou contar.

— Conta – falaram as duas ao mesmo tempo.

— A vovó Martha e a Alexis vieram ver vocês. Elas estão lá embaixo. Estão na sala daqui de casa.

No exato momento em que Kate fez o anúncio, as duas mudaram de posição nas almofadas, ficaram eretas e arregalaram os lindos olhos azuis. Uma olhou para a outra e retornaram a atenção para a mãe. Em seguida, rapidamente, ficaram de pé.

— Vamos, mamãe. – Bia falava, ansiosa.

Kate se levantou e ouviu Annie falar – Vamos logo, mamãe. Vamos logo antes que elas vão embora.

Preocupada com aquela colocação de Annie, Kate colocou as duas à sua frente e agachou para ficar da altura delas e disse – Prestem atenção, meus amores. Vocês são minha vida. Nunca esqueçam disso. Nunca! Mas o papai, a vovó e a Alexis também amam vocês. Vocês são muito importantes para eles também. Portanto, eles não vão embora sem antes falarem com vocês, entendeu, queridas?

— Sim, mamãe.

Kate abraçou as filhas e, discretamente, sentiu o coração das duas e, como tinha previsto, os corações estavam batendo acelerado. Feito isso, se levantou e, de mãos dadas com as filhas, seguiu em direção a escada.

De repente, Bia parou e perguntou – Mamãe, eu estou bonita?

“Hummm! Só faltava essa!... Elas sempre foram tão confiantes! Espero que seja somente coisa de momento.”, pensou Kate, preocupada.

Voltando a se agachar e ficar de frente para as filhas, Kate fala em tom bastante convincente — Bia, você é linda... E você também, Annie. Vocês são lindas, inteligentes, carinhosas, amáveis e eu amo vocês. Não só eu, mas o papai de vocês, a vovó Martha e a Alexis. Entenderam, princesas? – Sem emitir som, elas aquiesceram apenas com gesto afirmativo de cabeça e torceram as boquinhas, em sinal de ansiedade – Vamos. Retomou o caminho em direção à escada.

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NA SALA DE ESTAR, ALGUNS MINUTOS ANTES...

No bom do jogo, perto de passar para o próximo nível, Alexis abaixa as mãozinhas, deixando o jogo no colo, o que deixou o pai tenso, pois Nerd como era, não aceitava perder em jogos eletrônicos e não alcançar o próximo nível, ainda mais por falta de atenção...

— Filha, você deixou de ir para o próximo nível.... Porque você parou, querida?

Alexis olhou bem para o pai, inclinou a cabeça para o lado, torceu a boca levemente e franziu a testa em sinal de que estava encucada com alguma coisa.

Prestando atenção à filha, Richard pergunta – Filha, o que foi? O que é que está tirando sua atenção do jogo?

— Papai, porque a Kate só telefonava para mim quando eu estava dormindo? E porque você nunca atendeu ao meu pedido de telefonar para a ela, nem mesmo quando eu estava chorando com muita saudade dela? Eu só queria falar com ela. Eu queria marcar um encontro com ela.

— Filha... Você já não está aqui?

— Eu sei, papai. Mas é que eu lembrei agora. Você sempre me prometia que ia telefonar, mas nunca telefonava e sempre dizia que faria mais tarde... e este “mais tarde” nunca chegava.

Rick ficou sem resposta. “Oh, meu Deus! Só faltava esta! Eu pensei que ela já havia esquecido disto... Alexis sempre vinha com cada pergunta que o deixava desconcertado.”, pensou Richard, tenso.

— Filha! Esquece isso e vamos continuar jogando – ele tentava fazê-la voltar ao jogo para esquecer aquele assunto.

Respirando fundo e ainda torcendo a boquinha, Alexis retornou ao jogo — Tá certo, papai, mas depois eu vou perguntar a ela, viu?

— Não, querida, Não pergunte hoje... Deixe para outro dia, ok? – ele tentava de toda forma fazer com que ela esquecesse.

— Então, tá, papai.

Retomaram ao jogo. – Papai, que nível é este?

— "Nível 1", querida, porque você interrompeu e aí, perdeu todos os pontos.

— Então vamos brincar de outro jogo. Eu quero aquele das bonequinhas. Aquele que você baixou antes deste dos ursinhos. – Como a maioria das crianças da idade dela, ela enjoou daquele jogo e já queria outro.

— Um momentinho, querida... – Rick ajustou o aparelho e localizou o ícone do jogo que a filha queria – Este, querida:

— Sim, papai. Vamos jogar.

Iniciaram o jogo.

Depois de alguns minutos ela abaixa novamente as mãos, perdendo outra jogada, e pergunta – Papai, porque a mamãe está demorando tanto?

Sabendo que a filha não se concentraria mais no jogo por causa da ansiedade e morrendo de saber o que Kate estava fazendo, ele tenta justificar com outras informações — Querida, ela deve estar... arrumando suas irmãzinhas... Ou procurando alguma coisa... Vamos esperar mais um pouquinho.

— Tá certo, papai. Vamos jogar.

— Vamos reiniciar.

Retomaram ao jogo no iPhone de Richard.

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KATE E AS GÊMEAS COMEÇAM A DESCER A ESCADA PARA IR À SALA DE ESTAR...

A escada tinha acesso visual à sala de estar, portanto, assim que Kate começou a descer os degraus usando salto agulha, gerando um pequenino ruído, três pares de olhos azuis focaram a atenção na direção de Kate e das gêmeas, e, como era de se esperar, tanto Bia quanto Annie, apertaram bem forte a mão da mãe. Kate ficou tensa ao sentir que suas filhas estavam apreensivas.

Richard que estivera no sofá ao lado de Alexis, ambos colados nos joguinhos do celular, levantou-se, guardando o seu iPhone no bolso do seu blazer.

Alexis também se levantara. Mesmo agarrada ao pai, a ruivinha estava um pouco mais atrás, num sinal de ansiedade misturado com timidez.

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Martha que estivera na varanda sorvendo um bom vinho, escolhera sentar-se num sofá que tinha vista privilegiada da escada. Portanto, assim que avistara Kate com as meninas, tratou de se levantar. Deixou a taça sobre uma mesinha, decidiu permanecer um pouco mais afastada, encostada à porta da varanda. Ficaria apenas apreciando Richard e Kate e o encontro das três crianças. Três filhas do casal. Três irmãs.

“Oh, meu Deus! Meu coração está acelerado diante da tensão deste momento. Se dependesse de mim, Katherine e Richard nunca teriam se separado, mas meu filho é cabeça dura e, diferentemente de outras vezes, não aceitou meu conselho. Agora estava aí, tentando consertar situações complicadas que envolviam não só a vida do casal, mas envolviam os coraçõezinhos de três crianças inocentes. Deus queira que tudo se resolva da melhor forma possível.”, Martha pensava.

Martha estava também ansiosa para saber o que seria agora destas crianças. “O que será destas meninas? Os pais disseram que ficariam juntos, mas como é que equacionariam o local de moradia deles? Katherine tinha a vida profissional dela toda estabelecida em Washington, D.C. e, pelo maravilhoso apartamento que ela tinha, devia estar muito bem estruturada e, como advogada, não poderia largar tudo e se mudar para Nova York. Por outro lado, tinha Richard com sua fábrica. Não largaria tudo para morar em Washington, D.C.. Seria um relacionamento onde cada um moraria em um estado? Cada um em um canto? Ele lá em Nova York e ela aqui em Washington, D.C.? E as crianças, onde ficariam no meio disto tudo? Ainda estava no meio do ano letivo... Eu só peço que Deus dê juízo a eles, principalmente ao Richard, para resolver da melhor forma possível.”

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KATE E AS GÊMEAS CONTINUAM A DESCER A ESCADA PARA IR À SALA DE ESTAR...

Kate nunca achou que demorou tanto para chegar ao pavimento inferior do seu apartamento. Assim que o fez, tentou andar na direção de Richard e de Alexis, mas sentiu que as duas meninas travaram as pernas e fincaram no chão.

Kate tentou soltar as mãozinhas delas para se agachar e ficar de frente a elas, mas não obteve êxito. Então, mesmo com as mãozinhas agarradas nas mãos dela, ela se agachou e seu coração cortou ao olhar para carinha delas. Estavam assustadas.

Como estava próxima a uma cadeira, Kate foi até lá com as meninas para se sentar a fim de conversar com as filhas. Acomodada na cadeira, ela estava na altura das gêmeas e, ainda tendo suas mãos agarradas pelas duas, começou a falar – Queridas, está tudo bem. – deu um beijo na testa de cada uma.

Ambas estavam com expressão típica de quem estava prestes a chorar, então Kate tinha que agir rápido a fim de evitar que as lágrimas começassem a descer. – Queridas, vocês sabiam que a Alexis adora brincar de bonecas?

Expansiva, Bia indagou já sem carinha de choro – Mas ela é grande, mamãe. Ela não é do nosso tamanho.

Vendo que atingira seu objetivo, Kate respondeu – Não, querida. Ela é criança igual a vocês. É que ela é mais alta, somente isso, mas ela é uma criança.

Annie puxou o pescoço de Kate e cochichou – Mamãe, eu quero fazer xixi.

Kate sabia que essa vontade repentina de fazer xixi nada mais era do que ansiedade. “Sua princesinha estava apreensiva por se encontrar numa situação nova: conhecer a irmã. Uma irmã mais alta que ela.”, pensou. Mas Kate não poderia se recusar de leva-la ao sanitário. Kate a levaria.

— Bia, eu vou levar sua irmã para fazer xixi. Fique com seu pai. – falou baixinho.

— Não, mamãe, eu quero ir com você... Eu... Eu também estou com vontade de fazer xixi. E eu também quero beber água. – Bia justificou.

— Então, tá, meninas. – Kate olhou para Rick e falou – vou leva-las ao sanitário e já volto.

Neste exato momento, as duas dão discretos puxões e sacolejos nas mãos da mãe e sussurram com as carinhas lindas, mas constrangidas – Mamãe, era nosso segredo. Não era para contar. Agora, Alexis vai saber que eu vou fazer xixi. Ela pensa que eu sou criancinha.

Kate retornou o olhar para o noivo e encontrou carinho, o que fez seu coração ficar derretido. Ele olhou para ela e depois olhou para as filhas. Kate percebeu que ele sabia exatamente o que se passava na cabeça das filhas.

Kate levou as meninas para o lavabo que se localizava próximo ao estar íntimo, logo após a sala de estar. Como esperado, nenhuma das duas fez o 'precioso' xixi, pois a repentina vontade era apenas fruto da ansiedade, mas Kate não mencionou nem cobrou nada. Nem tocou no assunto, pois isto só pioraria a situação. Seu papel era de encorajá-las, não de afligi-las.

— Vamos lavar as mãozinhas? — Kate fazia tudo com muita naturalidade e muito carinho. Depois as levou para beber água, conforme tinham pedido. Ponto. Agora elas não teriam desculpa. Seriam, finalmente, apresentadas para Alexis.

Ainda apertando as mãos da mãe, as duas a seguiram de volta à sala de estar. De repente, Kate reparou que Alexis não estava em melhor situação. Ela também estava apreensiva. Então, teve uma ideia e passou a executá-la.

Ao chegar próxima a Rick, ela falou – Rick, vamos levar as meninas à brinquedoteca? Lá tem tanto brinquedo. Venha Martha. Vamos. Bia, chame a Alexis.

Mais uma vez, Bia dá um discreto puxão e leves sacolejos na mão da mãe em sinal de timidez e, olhando para cima em direção a Kate, sussurra – Não, mamãe. É melhor ‘você’ chamar, mamãe. Você sabe chamar melhor do que eu. Sua voz é mais alta.

Entendendo toda a tensão que se passava com as crianças, Richard falou – Vamos, sim, Kate.

Kate foi à frente com as gêmeas, seguida por Richard e Alexis.

Martha ainda se encontrava no mesmo local, encostada à porta da varanda, e sentia toda a tensão das três netinhas. Era quase palpável. Estava preocupada com aquelas pobres crianças inocentes. A salvação é que sabia que toda criança, por mais tímida ou receosa que fosse para fazer contato com outra desconhecida, assim que começam a trocar as primeiras palavras, informações e brincadeiras... era amizade na hora. Portanto, tinha certeza que o mesmo aconteceria com suas três netas.

Kate estava na metade da escada e, ao olhar para trás, percebeu que Martha ainda estava parada, então, a chamou – Martha, venha.

Continua...

Notas finais
Super aflita!!!!