Notas iniciais
Gente, me desculpa, tá, mas eu resolvi postar o capítulo agora e depois eu faço a revisão. Amanhã também eu respondo a todos, todos, todos os comentários porque estou caindo de sono, ok? Me perdoem. Um agradecimento especial à Rê Suzy (depois eu falo porque, pra não dar spoiler). Bjinhos, Rê!! :: Bjinhos. Denise

...Anteriormente...

Richard continuava sentado na cama e prestava atenção a cada palavra que sua mulher falava. Considerando que já não tinha mais argumentos, Richard percebeu que era realmente melhor dar este tempo que ela pedia. Ele se levantou, encheu o peito de ar e com olhar atormentado e apaixonado se pronunciou – Então... tá certo... Mas não se esqueça que eu te amo. Aliás, não se esqueça que nós nos amamos. Vou fazer, então, como você está sugerindo. Não vou mais insistir. Vou te dar este tempo. Eu estarei aqui. Vou esperar você me chamar.

............................................

Ao olhar para Richard, ver a aflição e o amor nos olhos dele e ouvi-lo falando daquele jeito, Kate sentia seu coração e sua mente em conflito e assim, os sentimentos eram contraditórios. Seu coração estraçalhado e apertado e sua mente ruminando as cenas e os acontecimentos desastrosos. Ao mesmo tempo em que queria dar um murro nele, queria se jogar em seus braços.

Ambos se encaravam silenciosamente. Ao olhar para sua mulher, Richard enxergava amor, paixão e beleza interna e externa, e em certo momento ela, pensativa, mordeu o canto inferior direito dos seus lábios e esta visão deixou Richard louco de desejo de beijá-la.

Tensa, Kate se levantou da cama. Ela queria tomar banho.

Kate quebrou os pensamentos do marido e falou baixinho, quase inaudível — Richard, vá ficar com as meninas na brinquedoteca, vá. Eu vou tomar um banho. – ela acariciou seu ventre saliente e depois passou os dedos por entre os cachos dos seus cabelos — Tudo isto me deixou exausta e minha cabeça parece que vai estourar. Eu devo estar horrível com os olhos e o nariz inchados de tanto chorar e a maquiagem deve estar toda borrada. – ela se queixou.

— Você continua linda. Nada tira seu brilho e sua beleza, Kate.

Por mais que tenha gostado do elogio, ela não sorriu nem disse nada. Deixou passar em branco, até porque estava morrendo de raiva dele.

Richard continuava no mesmo lugar e a olhava com a mesma intensidade. Puro amor e paixão e isto não passou despercebido por Kate.

Ela sentia uma sensação diferente pelo seu corpo... Ela conhecia este sintoma. Não estava passando mal. Estava triste, e esta tristeza repercutia no seu corpo. Muita tensão armazenada, mas sua saúde física estava perfeita. Sentia necessidade do banho, até porque o banho iria relaxar a ela própria e, consequentemente, seus bebês.

Descalça, era necessário erguer a cabeça para olhá-lo e naquele momento, frente a frente, a química do olhar deles continuava formidável. Parecia que o planeta havia parado, não havia nada nem ninguém no mundo além deles, nenhum pensamento ou problema os rodeavam então, como ímã, seus rostos e lábios se atraíram em um beijo mágico, doce e sem pressa. Lábios encaixados num encontro perfeito.

Contudo, rapidamente ela caiu em si e o afastou, empurrando-o. Neste momento, a melhor defesa era o ataque – Não me beije, Richard. O que foi isto? Eu já te falei que eu estou com muita raiva e com muito ódio de você.

Amando o que tinha acabado de acontecer e querendo acreditar que ela estava cedendo, ele já era outro homem. Sabia que o momento não era para brincadeira, mas não conseguiu evitar de sorrir e brincar — Raiva? Ódio? Ãannhããn, sim... – ele ironizou — Tente ser mais convincente, Kate – Rick a provocou, mas só fazia isto porque era completamente inocente das acusações que ela lhe fazia. Após o beijo, ele se sentiu revigorado e esperançoso de que aquele pesadelo iria acabar logo. – Ah, e quanto ao “Não me beije, Richard.”, mais uma vez você se equivocou, Kate, pois o beijo não foi roubado, ele foi compartilhado.

Ainda de frente um para o outro, ele põe as mãos nas faces dela e faz uma suave carícia e reivindica num tom de voz baixo e doce – Kate, vamos acabar com esse sofrimento. Nós nos amamos. Você não pode negar isto. Babe, eu te amo, eu sou louco por você, sou completamente apaixonado por você, Kate. Deus! Eu não te traí. Acredite em mim.

— Eu não consigo acreditar em você – ela falou irritada porque cedeu ao desejo de beijá-lo – E... E.... tem mais.... – ela gaguejava – Eu acho que nem te amo mais... É isso... Eu... Eu não te amo mais.

— Uaaauww!!! – Rick achou divertida aquela informação de sua mulher — Agora eu sou obrigado a copiar sua fala... “Eu não consigo acreditar em você”. Kate, lógico que você me ama. Eu sei. Eu sinto. E disto eu não tenho a menor dúvida.

— Você agora é telepata, é? Quem sabe o que eu sinto sou eu mesma.

— Pode continuar se enganando... Aliás, não continue, não. Pode parar de se enganar. Você até pode estar com uma raivinha de mim, mas me ama. Reconheça novamente que me ama, Kate.

— Quem sabe o que eu sinto sou eu mesma e se eu digo que não te amo mais e que eu estou com muita raiva de você, pode acreditar, além do mais, você quer saber dos meus sentimentos mais do que eu, é? Você não está dentro de mim pra saber?

Safado, ele não perde a deixa – Pois fique você sabendo, dona Kate, que estar dentro de você é o que eu mais quero neste momento. Completamente dentro de você.

Kate não havia feito o comentário com a intenção de dar um sentido sexual, mas Rick, claro, não perderia esta oportunidade e ao ouvir aquela declaração e com aquela entonação safada, isto a excitou ao extremo.

Ela o amava, sim, não tinha nenhuma dúvida, contudo a raiva que sentia era mais forte do que tudo naquele momento. Ela fechou a cara, e faz bico — Você é irritante, Richard. Chega desta sua conversa de duplo sentido porque não vai dar em nada..., por favor, saia, vá ver suas filhas. – ele a olhava intensamente e ela tinha que conseguir parar de olhar para ele, portanto, precisava interromper isto. Ela quebrou o contato, e à caminho do banheiro, repetiu – Richard, vá ficar com suas filhas.

Ela não olhou mais para ele e seguiu para o banheiro.

Após alguns segundos Kate ouviu a porta do quarto abrindo e fechando logo em seguida. Com certeza ele foi mesmo ver as filhas.

Assim que constatou que ele saiu, ela se sentou no banco de madeira do banheiro, pôs os cotovelos apoiados na coxa, apoiando a testa com as mãos e começou a conversar com Deus – Meu Deus! O que foi que eu fiz? Será que eu tinha mesmo que ter beijado ele? Claro que não! Meu Deus! Dai-me força para não cair em tentação novamente! Ajudai-me a raciocinar e avaliar esta situação toda. Eu só posso voltar a ser a mulher dele em todos os sentidos se eu realmente acreditar nele. Eu tenho que tomar minha decisão friamente, sem pensar no cheiro dele, no toque dele... Ai, meu Deus!!!! Olha eu novamente caindo na tentação...

…......................................

Richard saiu do quarto deles energizado, mas tinha consciência que sua situação estava difícil. Tudo bem que estava melhor do que antes, mas ainda era complicado, então tinha que tentar ao máximo sujeitar-se ao pacto que eles fizeram.

Então, seguindo à risca o tal pacto, eles deveriam manter as aparências perante os amigos e a família, portanto, um Richard alegre e sorridente despontou na porta da brinquedoteca e, para alegria das meninas, ele já entrou fazendo fuzarca e foi logo anunciando – Cheguei, garotas lindas! Vamos movimentar esta brinquedoteca!

As meninas festejaram a sua chegada. Bia foi correndo ao seu encontro e, sem aviso prévio, se jogou nos braços do pai que a carregou. — Oi, papai. — já nos braços do pai, ela o abraçou forte. Com a cabeça apoiada nos ombros largos, a menina declarou — Eu estava com saudades de você.

Aquela declaração deixou Rick emocionado.

— E eu, pai. — Annie levantava os bracinhos pedindo colo.

— Meninas! Deus do céu! O pai de vocês não vai aguentar. Vocês já têm cinco anos. Já são grandes e pesadas. – mesmo achando linda aquela cena, Lanie as advertiu.

Neste meio tempo, ele já tinha se abaixado e carregado sua outra filha, o que as deixou radiantes — O papai é forte, olha, Dinda. – Annie falava orgulhosa do pai que tinha.

Passados alguns segundos, Rick se sentou em um pufe largo e quadrado e pôs cada filha sentada em uma perna e achando graça da situação, avisou. — É, sou forte, mas vocês estão muito pesadas mesmo. Além do mais, vocês são três... – ele tocou a ponta do nariz de cada uma das meninas e elas riam — Eu não conseguiria carregar ao mesmo tempo vocês duas e a Alexis... Já pensou? — Perguntou animado, fazendo as três meninas caírem na risada.

Com jeitinho, ele tirou as gêmeas do colo e puxou Alexis para um abraço e um beijo e logo depois indicou uma brincadeira para elas irem se divertir no outro lado da brinquedoteca, pois deduziu que Lanie queria falar com ele.

Assim que as meninas se afastaram, Lanie perguntou – Você chegou sorridente... — a médica o olhava, curiosa, porém desconfiada – Você está disfarçando para as meninas ou vocês estão bem mesmo?

Passando-se por um grande ator, ele continuou com a farsa e respondeu – Estamos bem! Graças a Deus! Eu expliquei novamente para Kate, de forma bem minuciosa, tudo que aconteceu, não omitindo nenhum detalhe, então ela entendeu que foi tudo uma armação daquela indiana maluca.

— Tá... – Lanie estava desconfiada daquela alegria toda dele... Seria mesmo verdade ou ele estava fingindo que estava tudo bem? – Mas não se esqueça que eu vi a cena lá no seu escritório... E tô de olho em você. — Ela o ameaçou do jeitão todo próprio dela e depois acrescentou, mais cuidadosa. – Oh, Richard! A Kate não merece sofrer mais. – a médica torceu a boca, indicando que não estava acreditando muito nesta história de reconciliação — Não sei o que você falou ou o que você fez com minha amiga para ela te perdoar assim tão fácil e tão rápido...

— Lanie, aquela mulher me ama. – ele falou bonachão, fazendo-a rir – Agora, falando sério, Lanie... A Kate percebeu mesmo que tudo não passou de um golpe. E Lanie, sem brincadeira, eu queria que você soubesse que o meu maior objetivo é fazer a minha mulher feliz. — ele afirmou. — Eu juro! Pode acreditar.

— Huuummm! — ela o encarou com os olhos semicerrados. – Ok! Vou acreditar. Sim, mas cadê minha amiga? — Lanie perguntou para Richard. – Já que tá tudo bem, eu já vou embora. Vou para minha casa, mas eu quero me despedir dela...

— Ela está tomando banho. Quer ir lá? A porta do quarto está destrancada.

Lanie já ia saindo quando se lembrou do compromisso que os três casais haviam marcado para aquela noite, após o coquetel de inauguração do escritório. Eles fariam um happy hour em um Caffé Bistro e emendariam para outro lugar, ainda não escolhido e todas as crianças ficariam na casa da Lanie, com a moça que trabalhava lá.

— Hey, sem querer ser indelicada, mas já sendo – ela riu sem graça – eu tenho que perguntar... Vocês já estão bem a ponto de não cancelarem o nosso encontro de hoje à noite? Você tá lembrado, né? Eu e meu marido lindo, e a Antonella com o Malcon?

Morrendo de saber que a resposta era “não”, porque não tinha clima, haja vista que o trato provisório de “casal feliz” não se estenderia a tanto, ele respondeu – Huuummm!!! Acho que não, Lanie. Apesar de já termos reconciliado, eu tô com a impressão que ela não vai querer ir. E para ser franco, eu até concordo com ela... Foi estressante este final de tarde e ela tem que repousar porque se cansou. Acho que o dia foi muito tenso para ela e para os bebês e não convém abusar. Mas se o Malcon e a Antonella permanecerem durante o final de semana todo aqui em Washington, D.C., e vocês quatro aceitarem repetir a dose amanhã, eu vou achar o máximo. Eu topo amanhã à noite, mas depende de Kate. – ele arriscou, não só para disfarçar, mas também para aventurar, porque, mesmo com o tal pacto, ele gostaria muito de sair com Kate, ‘como casal’, já que perante os amigos eles estavam bem... Então, se ela topasse, com certeza ele tentaria se aproveitar, até porque, ele tinha plena consciência de que não teve culpa do incidente desastroso no seu escritório.

— Então tá. – a médica aquiesceu — Olha, eu vou me despedir e tocar de leve com a Kate sobre a nossa saída de hoje à noite... Vá que ele tope, né? E pode deixar que eu perguntarei para a Antonella quais são os planos deles para o final de semana. – Piscando para o amigo de forma divertida, Lanie perguntou – Richard, eu já tinha combinado com a Kate que eu levaria as meninas pra dormir lá em casa para nós sairmos à noite porque a minha empregada vai ficar com eles... E aí, amigo, quer que eu leve as três lá pra casa para vocês ficarem sozinhos e completarem a reconciliação tranquilamente?

— Uaaauuwww!! – Ele fez uma cara de contente, mas, Nossa Senhora!!! Ele tinha certeza que sua esposa não iria queria ficar sem as filhas nesta noite. Não depois delas terem sido o tema central envolvido no pacto, contudo, lógico que não falaria disto com Lanie. Então ele, inicialmente, se mostrara entusiasmado com a ideia de ficar a sós com a esposa — Seria o máximo, Lanie! Mas eu acho que a Kate está sensível e vai querer ficar com as meninas.

— Ok!

…....................................................

Respeitando o momento delicado pelo qual a amiga tinha passado, a médica chega em silêncio ao quarto do casal Rodgers, seguindo na direção do banheiro. Antes mesmo de entrar, Lanie ouve ruído de choro e estava claro que não era um choro de dor física, era choro de tristeza.

Ao chegar à porta do lindo banheiro ela vê Kate deitada na banheira. Cabelos molhados, cabeça apoiada no pequeno encosto acolchoado, olhos fechados e deles as lágrimas desciam livres pela face; uma cena que deixou Lanie com o coração apertado e uma pulga atrás da orelha.

Ela pensou “- Huuummm! Tô achando que a Kate continua triste... Será mesmo que eles se reconciliaram?.”

Mesmo estando com a porta do banheiro aberta, Lanie dá três batidinhas de leve a fim de se anunciar, fazendo Kate abrir os olhos e ver a amiga.

Kate ficou surpresa, pois não tinha ideia de que a amiga ia retornar. Jogou água no rosto, passando as mãos pelos olhos e, então, tentando parecer bem, cumprimentou a amiga – Oi... ‘Diga aí, Lanie’...

Do jeitão próprio que só a Lanie tem, ela devolve a pergunta de Kate — Eu que pergunto... ‘Diga aí, Kate’... Que choro é esse, amiga? Huuummm!!! Você quer me contar alguma coisa? Tá tudo bem? – Kate faz que sim com a cabeça, mas Lanie insiste — Tá tudo bem mesmo? — a médica lançou um olhar inquiridor.

Não querendo quebrar o pacto que fizera com o marido, Kate começa a atuar, representando o papel da esposa feliz – Nada não. Tá tudo bem.

— Não parece. E porque o choro, eihm, mocinha? – Não me esconda nada...

— Oh, Lanie, é que eu estou emocionada só de pensar na hipótese de perder o Richard. Eu o amo tanto que você não faz ideia.

— Oh, se faço... – sorriu – Claro que eu sei que você ama aquele cara, Kate.

— É Lanie. Eu o amo muito. Este nosso reencontro depois de seis longos anos foi maravilhoso e minha vida deu uma guinada que eu nunca pensei que fosse acontecer.

— E a cena que eu, você e Antonella vimos hoje lá no escritório? – Lanie continuava com cara de quem estava duvidando da amiga.

— Ah, Lanie! Não vou mentir que eu fiquei com muita raiva dele, pois do ângulo que eu vi dava para perceber que era uma cena de paixão mútua, mas então ele me fez ver sob outra ótica, a ótica onde ela é desequilibrada. Daí eu me lembrei de tudo que você me aconselhou mais cedo, antes do Rick chegar, Lanie. Eu me lembrei que aquela mulher é louca e seria mesmo capaz de fazer aquele circo lá no escritório dele. Toda aquela imbecilidade só para nos separar e aí ela cairia em cima dele igual abelha no mel.

Kate falara com tanta emoção que Lanie acreditou piamente no que ela dissera, então ficou tranquila. Por isto, sentiu que podia tocar de leve no assunto do happy hour dos três casais. – Vocês dois ainda vão querer sair conosco hoje à noite?

Imediatamente Kate fez um gesto negativo com a cabeça – Não, Lanie, não vai dar. O dia hoje foi estressante e meu corpo não tá pedindo para sair. Esta noite eu quero aproveitar o máximo com o Rick. Ele é um amor sempre, mas hoje, depois que fizemos as pazes, ele está mais fofo do que nunca, todo amoroso, carinhoso, me dizendo cada coisa linda, amiga. – ela conseguiu dar um sorriso lindo — Quero ficar coladinha a ele.

— Huuummm!!! — Lanie olhou para a amiga com malícia – Até que é bom brigar de vez em quando somente para depois reconciliar, né?

— Não, Lanie. – Mesmo vivendo um drama, Kate conseguiu rir da ideia louca da amiga – Eu passo a vez, querida! Detesto ficar brigada com o Rick.

— Se você tá dizendo... Mas eu gosto... O sexo fica mais quente... Uaaauuwww!!! As vezes eu provoco umas briguinhas com o Javi só para depois fazermos as pazes. O cara é latino, amiga, aí já viu, né? Os latinos são quentes que... Deus me ajude!!!

Entrando na mesma sintonia da médica, Kate continua a farsa – Nada a ver, amiga. O Rick não é latino e eu não tenho o que reclamar. Aliás, ele é incansável. Nunca me deixou na mão... e o cara é bom, viu! Uma delícia! – ela até podia estar representando, mas tudo que falara era a mais pura verdade e só de pensar, ficou acesa.

Lanie achou divertido ouvir Kate descrevendo as qualidades do marido — Se você tá dizendo, quem sou eu pra duvidar? (risos) Mas voltando ao meu Javi, eu tô até pensando em provocar uma briguinha qualquer dia desses...

As duas riram e a médica mudou de assunto e falou divertida – Hey, criatura, sai da água. Você vai ficar com os dedos enrugados... (risos) — Mas, me diga aí, garota, você quer ou não quer que eu leve as meninas lá pra casa para o casalzinho ficar agarradinho a noite toda? Lembra que nós tínhamos combinado isto?

— Mais uma vez, Lanie, “não”, amiga. Obrigada mesmo. Sei que você quer ajudar, etc..., mas eu hoje estou sensível e quero minha família ao meu redor. Estou morrendo de vontade de abraçar minhas filhas.

— Então, o que ainda está fazendo nesta banheira? Anda... Se apresse... As meninas estão lá com seu Bonitão.

— Bonitão e gostosão, querida. Uma delícia!

Lanie deu uma piscada de olho e deu um sorrisinho com conotação bem travessa – E por falar em Bonitão e gostosão, o cara tá lá na brinquedoteca sorrindo de orelha a orelha... Conta aí, garota, o que foi que vocês fizeram depois que eu saí, ehim?

— Lanie! – Kate a repreendeu – Você não acha que vou te contar as minhas intimidades com o meu marido, né? – Kate ficou rubra.

— Que menina má! (risos) Que bobagem – ela fez graça – Nada pra mim é novidade, querida. – ela piscou o olho – Mas todo bem, não quer contar, não conta, gata, mas o que eu sei é que a noite vai ser boa, né? A noite promete!! Já tô vendo....

— Tchau, Lanie! – Kate colocou a amiga pra fora, de forma divertida.

— Ainda tá em tempo de eu levar as crianças para vocês extrapolarem... (risos)

— As crianças não precisam dormir fora de casa para eu e o Rick extrapolarmos, garota. – ao ouvir isto, Lanie arregalou os olhos espantada e enviou um olhar safado para Kate – É isso mesmo. – Kate prosseguiu — Pode fazer esta cara mesmo. Você tá lembrada que elas moram aqui, né? E você não acha que eu e ele ficamos todas as noites apenas contando estrelas, né?

— Uaaauuwww! É assim que eu gosto! Kate Beckett, mulher quente!

Kate saiu da água. Esticou o braço e pegou uma toalha felpuda branca, se enrolou e assim que pisou no tapete do banheiro, a substituiu por um lindo roupão de seda. Pegou, em seguida outra toalha e enrolou os cabelos molhados.

— Tchau, Lanie! – Kate repetiu e até deu risada. – Você ainda não foi embora?

— Ok! – Lanie fez cara de vítima – Eu sei quando eu não sou bem vinda.

— Ai, que drama! – Kate agora ria mesmo – Lanie, vá logo embora se arrumar para sair à noite com seu marido, vá... – Kate disse isto e puxou a amiga para um abraço e passou a falar sério. – Obrigada, Lanie. Você é uma amiga maravilhosa. Duvido que alguém tenha uma amiga assim.

Imediatamente Lanie se afastou de Kate, levantou a mão e respondeu – Eu! Eu tenho! – Kate a olhou ressabiada, mas aí a médica completou – Eu tenho: Você, garota!

Depois de um novo e rápido abraço, Lanie já ia embora quando se virou para Kate – Amiga, que tal você me levar até a porta?

— Ah, Lanie, mais esta agora... Desde quando você precisa ser acompanhada até a porta, Lanie? Você não é visita. Você tem até a senha do elevador, imagina se eu preciso te levar até a porta... – Kate sorriu.

— Mas hoje eu estou pedindo, vai. Vem me levar até a porta. – Lanie brincou fingindo que ia chorar.

— Lanie, eu nem estou vestida – Kate fez um gesto com os braços, mostrando seu próprio corpo – Estou de roupão, toalha enrolada na cabeça... – Lanie não arredou o pé do quarto. – Tá bom! Tá bom! Então deixe eu me trocar. Eu não vou descer assim...

— Querida, deixe eu te lembrar de que você está em sua casa. Tá lembrada, amore? E mais, você está um arraso com este roupão! Linda! O Bonitão vai amar, tenha certeza.

Era justamente isto que Kate não queria, mas não podia deixar transparecer isto – Tá bom! Tá bom! – Kate repetiu.

— Tire apenas esta toalha da cabeça senão vai pegar um resfriado. – a própria médica puxou a toalha, foi pendurá-la no banheiro e de lá trouxe um pente, entregando-o à Kate – Vai, amiga, passa o pente no cabelo e desce comigo.

Sem saída, Kate passa o pente pelo cabelo, desembaraçando-os facilmente e depois passa os dedos pelos fios e dá uma sacudida rápida para os fios ficarem soltos.

Ao ver a facilidade com que Kate penteava seus lindos cabelos, Lanie não perdeu a oportunidade de fazer uma gracinha – Coisa chata ter cabelo lindo, né?

— Palhaça! – Kate brinca com a amiga e ambas saem juntas do quarto. Ao passar pela porta da brinquedoteca, ela ouve as vozes das filhas, não resiste e entra – Minhas princesas!

As três meninas correm para abraçar a mãe que dá um beijo em cada uma.

Bia arrastou um pufe até a mãe, subiu nele e puxou Kate pelo pescoço para dar um beijo. Obviamente que Anne fez igual a irmã e ao ver isto Kate se prendeu para não rir, porque, apesar de ambas serem muito carinhosas, a Bia era mais atirada e mais audaciosa, enquanto Annie era mais sossegada e observadora, o que não a impedia de fazer muitas peraltices.

— A mamãe estava morrendo de saudades – Kate falou olhando e beijando cada uma delas.

— Nós também, mãe. – Alexis fala — Você chegou e nem veio ver a gente – a ruivinha se queixou e abraçou Kate pela cintura.

— Desculpa meu docinho, é que eu cheguei com dor de cabeça, então eu tomei um remédio e depois fiquei relaxando na banheira – Kate afagou seus cabelos molhados – Veja, eu até lavei a cabeça.

Sobre o pufe, Annie esticou os bracinhos, pegou na cabeça da mãe e perguntou – Você já tá boa, mamãe?

— Já, querida. Que tal nós levarmos a Dinda até a porta. Ela já quer ir embora.

As duas pequenas pularam do pufe para o chão e foram em direção à Lanie – Vamos Dinda – Annie, toda delicada, pegou a mão da médica e a conduziu até a escada.

— Então, vamos – Kate tomou o rumo da escada e todos desceram juntos.

Richard seguia logo atrás delas.

Todos chegaram juntos ao espaço próximo ao elevador. Bia apertou o botão e olhou para Lanie – Ele já vem, Dinda.

Kate estava mais à frente, bem próxima à porta do elevador, quando Richard veio por trás, colou seu corpo ao dela, circulando sua cintura com seus braços, apertando-a, deixando-a tensa. Como se não bastasse, ele afastou um pouco o cabelo do pescoço da mulher, depositando um monte de beijinhos – A mãe de vocês tá cheirosa. – ele falou para as meninas.

— A mamãe usa shampoo com cheiro de cerejas, papai. – Annie comunicou toda feliz, como se fosse uma notícia de primeira mão.

— E eu adoro este shampoo com cheiro de cerejas que a mãe de vocês usa. — Ele se aproveitou da situação para ficar cheirando e beijando a cabeça e o pescoço da esposa.

Apesar de estar arrepiada com os carinhos do marido, Kate estada detestando isto porque continuava com raiva dele... Muita raiva, ainda mais agora porque ele estava se aproveitando que estava na frente de Lanie e das filhas, então o repreendeu discretamente – Amorzinho, olha as crianças.

— Que nada. – ele insistiu e logo perguntou para as filhas – Meninas, vocês se incomodam do papai abraçar a mamãe e ficar cheirando e beijando os cabelos dela?

— Não! – sorridentes, as três meninas responderam quase em coro, mesmo que muito mal ensaiado.

— Então... Continuarei aqui, com consentimento das nossas filhas.

Neste momento o elevador abre as portas e todos se despedem da Lanie, falando “Tchau”, cada qual ao seu modo.

Assim que o elevador fechou a porta e as meninas se distanciaram um pouquinho, Kate o empurrou e reclamou, sussurrando – Sr. Richard Rodgers, O que foi isto?

Sem dá a mínima para a reprimenda da esposa e sem perder a chance, Richard chama as meninas. – Filhas, e isto pode? – Ele puxa Kate rápido e dá um beijo no seus lábios. Foi um beijo rápido, porém mais intenso e mais demorado do que um selinho.

— Eca!

— Na boca?

— Eca!

Com o nariz franzido e fazendo bico de desagrado, as três meninas reagiram ao beijo dos pais.

— Richard! – Kate o repreendeu e sussurrou – Isto é jogo sujo.

Também sussurrando, ele rebate – Eu não estou “jogando”, amor, eu estou “resgatando” minha esposa.

Disfarçadamente, Kate fechou a cara pra ele.

Animado, ele pergunta de forma divertida para as filhas – Quem quer comida chinesa para o jantar?

— Eu!

— Eu!

— Eu!

O coro desta vez foi afinado, pois todas responderam na mesma hora e no mesmo tom.

As crianças amaram a ideia e o jantar foi muito divertido. As crianças narraram aos pais as cenas divertidas que ocorreram na escola. Depois foram todos para a varanda.

As meninas brincavam sentadas no chão entre elas mesmas e Kate, ainda com o lindo roupão de seda, já com o cabelo quase seco, as observava do sofá. Ela tinha as pernas cruzadas e estava extasiada com o que via. Ela tinha certeza que nunca cansaria de apreciar as filhas.

Richard estava do outro lado do sofá segurando uma taça de vinho tinto. Ele percebe que Kate está enfeitiçada com a visão das filhas, então se levanta, se senta ao lado dela e comenta – Por mim, você nunca se separa delas.

— Elas são a minha vida, Richard. – ela fala emocionada, pois se lembrou de que esteve bem perto de perdê-las.

— Eu sei. – ele falou emocionado — Elas também são a minha vida e vamos cria-las juntos. – ele leva a mão direita dele para encontrar a mão esquerda da mulher e percebe que ela foi receptiva, fechando-se sob a dele, só que um segundo depois ela puxou sua mão e o olhou com raiva.

— Não faça mais isto, Richard.

— Não fazer mais o que? Fazer sua mão apertar a minha com carinho?

— Você sabe que foi instintivo, porque estou emocionada ao ver minhas filhas aqui comigo.

— Tá bom. Faz de conta que eu acredito.

Ela fica chateada e faz bico – Azar seu!

E assim ficaram mais um pouco na varanda até que deu o horário das meninas deitarem e Kate anunciou que estava na hora delas dormirem.

Sob protesto, todas foram levadas para suas respectivas camas e não demorou muito, todas dormiam, então saíram dos quartos.

Assim que o casal fecha as portas dos quartos das gêmeas e da Alexis, um fica de frente para o outro e ambos ficam constrangidos com a situação, pois, normalmente era a hora em que eles iriam juntos para o quarto aproveitar o resto da noite namorando e a maioria das vezes faziam amor, outras vezes eles começavam a se acariciar ali mesmo no corredor e outras vezes iam para varanda para conversar, beber vinho, ler um livro, namorar até tarde e outras iam para home theater assistir a um filme abraçadinhos. Mas sempre terminavam a noite juntinhos.

Tensa com aquela situação, Kate quebra o encanto e comunica – Ééhh... Boa noite, Richard! – Como se ele não soubesse aonde ficava o quarto deles, ela apontou na direção do quarto e avisou – Eu vou dormir.

Richard consulta seu novo relógio de pulso — Ainda é muito cedo, Kate. Mas podemos ir para o nosso quarto conversar sobre nós...

Ela revira os olhos e torce a boca — Não existe mais “nós”, tá lembrado? E também lá não é mais o “nosso” quarto; é o “meu” quarto.

Ele suspira e pensa “– haja paciência, haja amor –" e fala — Então... Vamos conversar na varanda.

— Não tenho nada mais para conversar, Richard.

— Temos, sim, Kate. Temos que analisar aquela palhaçada que aquela mulher encenou. Temos que conversar sobre nós, nossa vida, nosso futuro. Nós nos amamos, Kate.

Com desdém, ela repete – Conversar sobre “nós”, sobre “nossa vida” e o “nosso futuro”? Huummm! Vá sonhando!!!

— Sem nenhuma dúvida eu digo que devemos continuar sonhando, meu amor... sim, mesmo com os pés no chão devemos continuar sonhando. Sim, 'eu' sonho. A possibilidade de 'sonhar', de 'imaginar' mesmo que seja sobre coisas que, para os outros, possa ser vista como mínima, uma coisa pequena e quase imensurável. Mas este ato de sonhar é que nos transforma, é o que nos motiva a ser quem somos. Kate, nós somos uma caixa de sonhos e nós não podemos deixar que essa caixa seja invadida por inimigos... Inimigos como o 'ciúme' e a 'raiva'. Então, amor, vamos descer e me deixe esclarecer aquela cena grotesca.

Kate pensa por uns segundos e então anuncia — Tá. – ela aceita, mas faz birra – Então, tá. Mas não encoste em mim porque... porque... – ela gaguejou — porque pode até nem parecer, mas eu estou morrendo de raiva de você.

— Vou tentar sobreviver – ele a pirraçou – Vou tentar sobreviver até você entender e acabar com essa raiva.

Na varanda...

Richard serviu duas taças, uma com suco de uva para Kate e a outra com vinho tinto para ele.

Cada um segurava sua taça, quando o olhar dos dois se encontrou e o silêncio tomou conta da varanda.

Incomodada com a tensão causada pelo olhar deles, do qual ela não conseguia desviar, Kate quebra o silêncio,

— Pronto. Estou aqui. O que é que você quer me dizer... Qual a mentira...

Com paixão na voz, ele a interrompe e argumenta — Não vou falar nenhuma mentira. – ele depositou sua taça de vinho na mesinha em frente — Kate, como sempre vou falar franco com você e preciso que você me escute e não me interrompa. Por favor. – ele faz uma pequena pausa. – Babe, como qualquer outro homem da face da terra, com certeza eu gostaria de levar o crédito por essa traição, porque aquela mulher pode ser uma imbecil, uma louca, uma tarada, mas ela é muito linda. Eu até diria que ela é belíssima!

Kate ferveu de raiva e se levantou – Foi pra isso que você me chamou até aqui? Para você começar a elogiar aquela desajustada?

Richard a segurou pela mão e, com carinho, a fez sentar-se novamente. – Kate, fique porque eu preciso te falar. Eu não a estou elogiando, eu estou constatando. Mas antes de reagir, ouça o que eu quero falar, amor. Ouça.

Kate continuou com os olhos fixos no marido e ele continuou expondo seu raciocínio.

— Pois, é, aquela criatura é louca, mas qualquer homem gostaria, sim, de levar o crédito pela traição. Mas eu não sou qualquer outro homem; eu sou Richard Alexander Ridgers. E não estou falando isto porque estou na sua frente e também porque sou seu MARIDO. Não! Não é isto. Vai muito além disto. Kate, na minha concepção, "MARIDO" digamos que seja um 'titulo'. — Richard fala e gesticula, para dar ênfase às suas palavras – Tecnicamente falando, é uma formalização civil para a consolidação da relação afetiva entre um homem e uma mulher, e, na maioria dos casos, é uma relação que envolve amor. Eu poderia ser seu marido e não sentir amor por você. Isto acontece muito pelo mundo afora, mas não é o meu caso e você sabe disto. Eu te amo, Kate. Então, só para ratificar o que eu falei, babe, eu não te traí. E o óbice não é porque eu sou um homem casado, certinho, blá, blá, blá, e sim porque eu sou um MARIDO que AMA a sua ESPOSA – ele dá ênfase nas palavras chaves e Kate fica observando. — Sim, Kate, é isto mesmo, eu não te traí porque eu te amo e porque te respeito; sou um homem completamente apaixonado por você, um homem que só vê você na frente, só tem você na mente, portanto, por mais que eu não seja cego e por mais que eu veja outras mulheres bonitas, lindas ou atraentes, eu não teria capacidade nem a mínima vontade nem necessidade de trair você, porque em todos os aspectos, eu sou completamente satisfeito com você e com o nosso casamento.

Emocionado, a voz dele fica engasgada. Ele faz uma pausa, mas insiste em continuar a expor seus sentimentos e a verdade dos fatos.

— Tudo aquilo que você viu lá no meu escritório, foi fruto de uma armação dela e tenho certeza que tem outra pessoa envolvida, senão ela não saberia onde eu estava naquele exato momento e muito menos saberia que você iria, até porque você tinha compromisso até as quatro e meia da tarde. Eu vou descobrir quem foi o parceiro ou a parceira dela nesta palhaçada. – Richard falava e observava que a feição da esposa modificava a cada detalhe que ele acrescentava, chegando até a lacrimejar em certo momento, mas ela rapidamente passou a mão para secar as lágrimas. — Kate, uma vez, logo no início da nossa vida, quando eu já te amava, mas ainda não namorávamos, nós saímos para jantar e ai estávamos conversando quando surgiu o assunto “sobre traição”, então eu te disse que só um louco te trairia. Eu ainda penso igual, Kate e olha que eu falei isto sem saber um décimo das suas qualidades, quanto mais agora que eu conheço profundamente a sua alma... Amor, pode acreditar... – ele suspirou e repetiu — Acredite! E digo mais Kate, por mais que eu descreva outras mulheres como bonitas, lindas, sei lá o que mais, eu nunca iria jogar fora uma vida com você cheia de alegria felicidade, química e encantamento por um romancezinho fugaz. Nunca que eu iria querer correr o risco de te perder e passar pelo mesmo tormento pelo qual passei nos 6 anos em que ficamos separados e você sabe que tormento é este.

Richard parou de falar, pegou sua taça e deu alguns goles do vinho e continuou observando a fisionomia dela. Recolocou sua taça sobre a mesinha e chegou mais perto da esposa — Kate, fale alguma coisa. – Sutilmente, ele vai chegando lentamente sua mão ao encontro da mão dela, os dedos de ambos se encontrando. O simples encostar das mãos e dos dedos causou um queimor no coração de Kate. Era uma emoção muito grande, como se fosse um primeiro encontro. Esta sensação era recíproca, pois Rick também se sentia assim.

Confiante, por fim, Richard pegou a mão de Kate entre a sua, acariciou-a e ela não tentou se libertar.

Com cabeça baixa, olhando para as mãos deles, Kate racionalizava — Richard, eu preciso pensar. – ela sussurrava – Eu não posso te perdoar somente porque eu te amo. Isto não seria coerente com minha forma de ser, nem honesto com a gente. Eu preciso arrumar minha cabeça. Eu preciso deixar meu coração e minha cabeça na mesma sintonia. – ergueu o olhar e encontrou o dele. – Me dê um tampo... Eu ouvi e registrei tudo que você me falou lá no quarto e agora, querid... – ela se corrigiu – Richard.

— Então pense, Kate.

— Vou pensar. – ela falou baixinho – Boa noite.

Sorrindo levemente para a esposa, ele devolve o cumprimento – Boa noite, babe. Eu vou ler um livro e continuar degustando meu vinho aqui na varanda.

— É, faça isto... – Kate comenta, toda tímida.

— Não sei se eu vou conseguir me concentrar na leitura, porque meu pensamento, com certeza, só vai estar em você.

Kate prende a respiração ao ouvir aquela declaração.

Kate deu um passo para sair, mas retornou e ficou de frente para o marido – Richard, sei que para confiar é preciso apenas palavras e ações... Eu também não posso mais mentir nem fazer birra... – ela deu para ele um olhar apaixonado e falou baixinho — Eu te amo, Richard. Eu te amo muito. Eu sou apaixonada por você – ela se emocionou — Mas eu ainda não consigo me ver com você porque não consigo esquecer a cena daquela mulher em cima de você, esfregando aquele corpo nojento no seu. Não me sai da cabeça o seu rosto cheio de batom daquela boca porca – ela fez cara de nojo, de raiva e de ciúmes. Rick... Richard, eu estou muito chateada com tudo isto, estou tensa, estou aflita e sentindo muitas coisas, então... não se aborreça com o que eu vou falar, mas eu pensei em algo... Richard, para reforçar sua defesa, será que sua sala não teria câmera de segurança para eu assistir o momento em que aquela mulher entrou no seu escritório e na sua sala?

Um clarão pareceu surgir nos olhos dele e ele falou alegre como se estivesse ganho um prêmio de loteria – Deus! Como eu não pensei nisto antes. Nem mesmo a Antonella pensou nisso. Eu vou agora ver isto...

Ela o interrompeu – Não, Richard... Não vá...

— Porque? Não, Kate, eu vou pegar agora... Eu mostro pra você e você vê tudo. Você vai ver a Kelly Wilker chegando com uma cara de safada. Depois você vai ver a minha cara tensa assim que ela entra. Depois você vai ver eu botando ela pra fora da sala mas ela não me atende. Depois você vai ver ela me empurrando no sofá, eu perdendo o equilíbrio e tomando uma queda feia no chão e depois ela se aproveita do meu desequilíbrio, cai sobre mim e fica tentando me beijar. Você vai ver eu tentando ao máximo tirar meu rosto da direção dos beijos dela. Você vai ver eu tentando empurrá-la...

— Não, Richard... Eu cancelo meu pedido.

— O que? Porque? Como assim? – ele não entendeu o cancelamento do pedido dela.

— É como eu disse. Para eu confiar em você, tenho que confiar no que você diz e no que você sente. Se eu olhar as imagens, eu aí não estaria confiando em você, eu estaria confiando no vídeo. Então, se eu voltar para você somente pelo vídeo, hoje você até poderia ficar feliz e eu também, mas depois, você iria ficar frustrado porque eu não confiei em você e sim no vídeo e eu, no seu lugar, pensaria a mesma coisa, com certeza. Sempre iria pairar a dúvida entre nós. Então, todas as dúvidas que surgissem entre nós, sempre teria que ter um vídeo para fazer o tira-teima? Não, né. – ela torce a boca e fica sem graça e fala baixinho – entendeu?

— Sim e não... Mas... É, você tem razão, babe. Pensando bem, você tem razão.

— Prometa que não vai lá agora pegar este vídeo, Rick... Richard.

Ele faz uma pausa e olha apaixonado para ela – Tá certo. Eu não vou.

Eles ficam se olhando em silêncio e a química é itensa.

Com a fisionomia visivelmente tensa, ela não fala mais nada e se afasta na direção da escada.

Richard se levanta e vai até a porta da varanda e a acompanha com os olhos até perde-la de vista.

...................................................

Assim que fecha a porta do quarto, Kate se senta na poltrona, põe os cotovelos sobre os joelhos, apoia a testa nas mãos em concha e começa a pensar. Pensava no que estava acontecendo; pensava em todas as aberrações que a doida da Kelly Wilker lhe falara lá em Nova York no dia em que fora visita-la, como advogada; pensava nas cenas que viu no escritório do marido; pensava nas justificativas dele para aquele episódio; pensava nas declarações de amor que ele falara hoje muitas e muitas vezes e durante toda a vida deles juntos e nas provas de amor que ele lhe sempre lhe dera; pensava que estas declarações de amor não casavam com as cenas que ela presenciou à tarde no escritório dele; pensava também na possibilidade de realmente ter sido uma armação daquela louca, pois, pelas aberrações que a indiana lhe falara, ela era bem capaz de fazer isso ou até pior. Pensava com muito amor e cuidado sobre tudo que ele tinha falado na varanda. Com todos estes pensamentos, sua cabeça iria estourar. Antes que isto acontecesse, ela tirou o roupão de seda e vestiu um pijama.

Prendeu o cabelo num nó displicentemente arrumado, com fios soltos e foi para a cama, mas só que não conseguia dormir, pois sentia falta do cheiro e dos braços do marido em volta de si. Pegou o travesseiro de Richard e aspirou o perfume dele, o abraçou e mil pensamentos lhe vinham à cabeça... Todos eles só serviam para afastar ainda mais o sono. Pensamentos de todos os tipos, desde os engraçados até os eróticos. Refletia novamente sobre tudo que havia pensado há pouco, sobre a possibilidade dele não tê-la traído. Apesar dela estar com muita raiva... Aliás, já nem era tanta raiva assim... Pensava no amor que sentia por ele e na falta que ele lhe fazia. Virava para um lado, virava para ao outro e viu que não ia conseguir dormir. Sentou-se na cama, pegou um livro e o abriu no ponto em que estava lendo e se recostou no painel acolchoado da cama e passou a tentar se concentrar na leitura. Tinha que ler cada parágrafo três a quatro vezes para depois ainda não saber o que leu.

Percebendo que não conseguiria, pelo menos naquele momento, se concentrar na leitura, Kate abandonou o livro e voltou a deitar abraçada com o travesseiro dele.

Ela tinha que conciliar o sono porque senão no dia seguinte estaria quebrada e as filhas precisariam dela inteira. E ainda tinha seus bebês.

Kate precisava ficar leve e calma para eles também ficarem calmos.

Iria dormir.

Mas.... Como?

...................................................

Richard bebericava o vinho e tinha o livro nas mãos, mas não conseguia se concentrar na leitura. Tinha que ler cada parágrafo três a quatro vezes para depois ainda não saber o que leu.

Percebendo que não conseguiria, pelo menos naquele momento, se concentrar na leitura, Richard se levantou, abandonou a taça de vinho e levou o livro com ele.

Iria dormir.

Mas.... Como... E onde?

.............................................................

Richard respeitaria o tempo que Kate pedira e o pacto que ela tinha feito com ele, de não compartilharem o quarto e a cama.

Como não pegara suas coisas para dormir, se viu sem pijamas.

Pensou em ir para seu quarto pegar um pijama, mas desistiu. Teria que respeitar e cumprir o pacto.

Foi até a área de serviço e procurou o armário onde Beth guardava as roupas lavadas, pendentes de passar à ferro e lá encontrou um pijama que nem estava tão amassado assim.

Retornou para o quarto de hóspedes, tomou banho, vestiu o pijama e deitou-se.

Mil pensamentos lhe vinham à cabeça e todos eles só serviam para afastar ainda mais o sono. Pensamentos de todos os tipos, desde os engraçados até os eróticos. Refletia também sobre tudo que havia pensado enquanto estava na varanda tentando ler; pensava sobre a possibilidade dela acreditar que ele não a traiu. Pensava no amor que sentia por ela e na falta que ela lhe fazia. Pensava em tudo que lhe havia falado na varanda naquela noite.

Virava para um lado, virava para ao outro e viu que não ia conseguir.

Sentia falta de ter o corpo dela para abraçar. Sentia falta do cheiro dela.

Pegou um dos travesseiros sobressalentes daquela enorme cama de hóspedes, mas o cheiro que estava nele era de aromatizador de ambiente, não era o perfume de Kate.

Ele tinha que conciliar o sono porque senão no dia seguinte estaria quebrado e as filhas precisariam dele inteiro.

Decidiu: Iria ao quarto deles pedir o travesseiro dela e tinha esperança que ela o entregasse. Não era bem o que ele queria, mas era bem melhor. Já que tinha que ficar sem ela, que, pelo menos, ficasse com o cheiro dela..

Armou-se de coragem e seguiu até o quarto deles. Parou à porta e mais uma vez, se armou de coragem e deu três batidas.

Logo percebeu que ela também não conseguia dormir, pois em alguns segundos ela veio abrir a porta.

Tentando aparentar mais chateada do que realmente estava, ela indagou – O que você quer, Richard?

— Você. — Richard respondeu imediatamente — O que eu quero mesmo é você, Kate.

— Já conversamos sobre isto e o assunto já tá esgoto. Eu te pedi um tempo para pensar. Deixe-me pensar. Boa noite, Richard. – ela ia fechar a porta, mas ele pôs o pé para impedir.

Isso a deixou tensa – Richard, por favor, lembre-se do nosso pacto.

— Eu até que estou tentando, mas não consigo dormir sem abraçar você... Sem o seu cheiro...

Kate sentiu que seu rosto ficou vermelho ao pensar que ele estava passando pelo mesmo suplício que ela. Mas ia ser forte e não ia ceder. Primeiramente ela tinha que perdoá-lo verdadeiramente – Não posso fazer nada por você, Richard.

— Pode, sim, Kate..., me deixa dormir com você. – ela já ia ralhar quando ele acrescentou – Só dormir, eu prometo.

— Não! Não! E não! – ela tentou ao máximo ser firme.

Ele respirou fundo, torceu a boca demonstrando sua tristeza, deu meia volta e ia saindo quando voltou-se novamente para ela que ainda estava de porta aberta – Kate – ele aparentava constrangido -, não me leve a mal... Mas... eu sei que não é a mesa coisa, mas... Seria pedir muito que você me emprestasse o seu travesseiro?

Mais uma vez ela sentiu seu rosto quente e vermelho, pois ele queria fazer o mesmo que ela estava fazendo.

Kate olhou bem para ele e enquanto o fazia mordia levemente seu lábio inferior direito e isto quase o matou de desejo.

— Você não está ajudando, Kate.

— Ãããnn!!?? – ela não entendeu.

— Você mordendo os lábios, assim... Isto me mata!

Arrepiada ao ouvir tal declaração, ela entrou no quarto e rapidamente retornou com o seu imenso travesseiro nas mãos.

Assim que recebeu o travesseiro, Rick, institivamente o coloca no rosto e aspira seu cheiro e isto apertou o coração dela. Então ele falou bem baixinho e triste – Não é a mesma coisa, mas... – ele olha bem firme nos olhos dela, com amor e com voz doce afirma mais uma vez – Kate, eu não tenho nada a ver com aquela louca. Foi uma cilada e você não pode cair nesta armadilha.

— Boa noite, Richard. – ela fala tão baixo que quase nem ela escuta. — Eu ouvi tudo o que você falou lá na varanda, Rick. Eu estou pensando e estou a ponto de ficar louca.

Ele olha profundamente para ela e responde – Boa noite, babe – encarando-a com amor ele acrescenta – Se no meio da noite você chegar a conclusão de que tudo foi realmente uma armadilha, pode ir lá me acordar que eu vou adorar. Quer dizer, isso se eu tiver conseguido dormir, coisa que eu acho difícil de acontecer... Eu não vou conseguir dormir sem você.

Ele disse isso e, sem alternativa, aceitou o que a mulher dizia e voltou para o quarto.

Kate ficou à porta e via Richard se afastar.

Quando ele estava dando o terceiro passo em direção ao quarto de hóspedes encontra Annie que vinha, descalça, chorando pelo caminho, completamente assustada. Ela estava abraçada com seu ursinho. Assim que a garota viu o pai, o choro aumentou. Ela tinha o rosto lavado de lágrimas. O rosto, os olhos e o narizinho dela estavam vermelhos. – Papai, cadê a mamãe?

Antes mesmo dele responder, Kate escuta o choro e a voz da filha e vai para junto dela, se ajoelha no chão, fica da altura da garotinha e a abraça. Annie agarrou o seu pescoço tão forte, demonstrando que estava com medo e assim que o fez seu choro ficou mais forte.

— O que foi, filha?

Ainda chorando, entre soluços ela conseguiu falar, só que nem Kate nem Rick entendiam o que ela dizia por causa do choro.

— Filha, a mamãe não está entendendo. Tente parar de chorar um pouquinho, meu amor. Mamãe e papai estão aqui com você, meu anjo. Conte para a mamãe, conte.

A garotinha conseguiu diminuir um pouco o choro, mas ainda soluçando ela conseguiu contar — Eu estava morando em outra casa e você não estava nela. Eu procurava você em todos os quartos e não te encontrava, mamãe. – a menina chorava assustada – Eu procurava você em todos os quartos e não te encontrava, mamãe. – ela repetiu — Eu não quero morar longe de você, mamãe, por favor. Eu não quero morar em outra casa sem você, mamãe. Você não pode ir embora. – Annie chorava assustada. Por favor, mamãe, não vá embora.

Ao ouvir tais palavras, Kate, ainda ajoelhada abraçando a filha, levantou as vistas para o marido e ficou triste e pasma diante da coincidência do ‘pesadelo da filha’ com a ‘ameaça que ele lhe fizera’.

Imediatamente Richard também se ajoelha ao lado da garotinha, acaricia os cabelos e as costas da filha que ainda estava agarrada na mãe. Ele afirma – Filha, isto foi um sonho ruim. Um pesadelo. Isto nunca vai acontecer. Nunca. Sua mãe sempre vai morar na mesma casa que você, meu amor. Sua mãe nunca vai embora, filha. Nunca.

— Você promete, papai? Você jura? – A garotinha soluçava.

— Juro, filha. Papai jura.

— De dedinho? – o choro era de sofrimento.

— O papai jura de dedinho, meu amor.

Então, Rick cruzou seus dedos indicadores e os beijou.

— E você também promete, mamãe? Promete que não vai morar em outra casa ou não vai deixar que eu more em outra casa sem você?

— Prometo, filha e também juro de dedinho – repetiu o mesmo ato do marido, beijando os dedos trançados.

Com o rosto e os olhos vermelhos diante do choro, contudo, já mais calma, diante da promessa do pai e da mãe, Annie pede — Mamãe, eu tô com medo e com saudade. Eu quero dormir com você e com o papai.

Ainda agachados diante da filha, Rick e Kate trocam olhares de cumplicidade e ambos se levantam.

Aquele momento era tenso e emocionante e ele não iria se aproveitar daquilo. Ele iria respeitar. Então, temendo ser repreendido pela esposa, Richard tenta disfarçar para a filha. — Vai indo com a mamãe, meu amorzinho que o papai vai depois. Ele beijou a garotinha e foi saindo com o travesseiro de Kate nas mãos em direção ao quarto de hóspedes.

A criança, inocente, estranhou – Papai, aonde você vai de travesseiro na mão?

Apreensivo, Richard olhava da mulher para a filha, quando de repente Annie estende a mão em sua direção e o convida – Vem pai, vem agora.

Ele parece não acreditar no que estava acontecendo. Ele se depara com o olhar tenso da esposa. Sem saber o que fazer, perguntou pra Kate – Agora?

Tensa, porém sem titubear porque sua filha estava sofrendo, Kate consente — Sim, Richard, é agora. Venha, sua filha está te chamando.

Sem esperar um segundo chamado, ele alcança os pequenos dedinhos da mãozinha da filha, ainda estendida, esperando pela mão dele.

Assim que entrou no quarto dos pais, ela soltou a mão do pai e logo já estava na cama, abraçando seu ursinho. Com o rostinho vermelho devido ao choro, ela convidou os pais – Venha, mamãe, me abraça e me faz dormir. Você também, papai.

Kate vai à cama chega bem pertinho da filha e sentada, olha para o marido que ainda estava em pé do outro lado da cama e então se dirige à filha – Princesa, venha mais para o meio da cama para o papai deitar aí do seu lado. Você fica no meio do papai e da mamãe.

— Não, mamãe. Hoje eu não quero ficar no meio...

— Filha, assim não vai po... – Kate tenta argumentar, mas a filha a interrompe.

Com inocência e com a voz bem doce, a garota explica – Você que tem que ficar no meio, mamãe. Eu fico de um lado e o papai do outro, assim o sonho mau não leva você embora e não tira você de mim.

— Então... – Indeciso, diante do pacto firmado com a esposa e do pedido da filha, Richard olhava para Kate.

Entendendo o motivo da filha e o receio dele, Kate chama o marido – Venha, Richard.

Ele sabia que aquele era um assunto emocionante devido ao pesadelo da filha, contudo ao ouvir o pedido da garotinha e ao falar com ela, Richard até tentou prender o riso, mas não conseguiu – Princesa, pode deixar que eu vou segurar sua mamãe para o sonho mau não leva-la, ok?

— Segura ela bem forte, papai. Bem forte.

Kate dirige a ele um olhar mortal e, com cuidado para a filha não ouvir ela sussurra e avisa – Mas não se aproveite. Eu não te perdoei. Eu estou com muita raiva de você.

Também sussurrando, ele comunica, com um ar safado – Eu vou tentar sobreviver à sua raiva. Mas lembre-se que eu tenho que segurar você bem forte para o sonho mau não te levar embora.

A cama era muito larga, mas mesmo assim ela deitou bem no centro e trouxe a garotinha para bem perto de si para evitar que ela ficasse na beirada da cama.

E assim, os três se deitaram sob o mesmo edredom.

Annie abraçava seu ursinho bem apertado.

Kate abraçava sua filha. Encostava as costinhas dela contra sua barriga e seu peito e acariciava seus cabelos para fazê-la dormir.

Richard colava seu peito nas costas da esposa e ao encaixar a cabeça dela no vão do seu braço, ele se aproveitou da situação e deu um leve beijo no pescoço dela, logo abaixo da orelha e imediatamente recebeu uma cotovelada dela, emitindo um leve gemido rouco – Isso doeu, viu, mocinha? – ele se queixou, aos sussurros, prendendo o riso.

A fim de olhá-lo, Kate girou levemente a cabeça para o lado onde ele estava e irritada, porém, tensa, o repreendeu — Eu falei, sem beijo. É assim que você disse que ia me dar um tempo para eu pensar?

Sem se deixar intimidar, porém, mais contido, ele sussurrou ao seu ouvido – Desculpa. Eu não resisti, mas não vai se repetir. – ele falava e simultaneamente acariciava a barriga dela.

— Sem carícias, Richard.

— Que sufoco! Meu Deus! Tá bom... Tá bom... Tá bom... Parei. – ele deu um suspiro de quem estava se empenhando muito para não beijá-la e acaricia-la. – Mas se eu disser que eu estava acariciando meus garotinhos?

— Não colou, Richard!

— Tá bom! Vamos dormir. Vou me esforçar para ficar quieto. Eu te amo e te respeito, Kate. Nunca se esqueça disto. Boa noite. – dizendo isto, ele a pressionou pela cintura, trazendo-a mais para perto, grudada, e, depois fez um rápido carinho nos braços dela, voltando a abraça-la pela barriga, pousando a mão no ventre.

Sem planejar, as pernas dos dois se entrelaçaram, naturalmente.

Assim que percebe seu ato falho, Kate tenta destrançar as pernas, mas o marido, com carinho, a impede – Psssiiiii. Tá tudo bem... Eu sei que você está morrendo de raiva de mim... – ele ironizou e recebeu outra cotovelada dela e deu outro gemido – Uuuiii!!! Ok! Ok! Vamos dormir.

Kate permaneceu com as pernas trançadas com as dele e preferiu não falar nada.

Continua...

Notas finais
Gente, ainda tem mais capítulos, ok? Muita calma nessa hora!!! Como será que Kate e Rick vão se comportar esta noite? Será que eles vão conseguir dormir? Será que Rick vai se aproveitar da situação? Será que .... Comentem, favoritem, recomendem. Agora, sim, eu posso falar, pois vocês já leram: Eu quero agradecer imensamente a Rê Suzy por ela ter me dado a ideia maravilhosa de mencionar o equipamento "câmera de segurança" no escritório de Richard. Obrigada, Rê. Obrogada mesmo. Eu amei. Tomara que você tenha gostado da forma como eu abordei este tema. Um grande beijo pra você. Bjinhos. Denise ============================= Rick aflito - http://images5.fanpop.com/image/photos/30100000/2x5-When-the-Bough-Breaks-richard-castle-30153906-1280-720.jpg Leve beijo CASKETT - https://38.media.tumblr.com/a6a8b7b116c9d863a9832e6e92b2fed2/tumblr_mit0g7AE5L1r9dm6no1_500.gif Kate com lágrimas - http://41.media.tumblr.com/tumblr_lvyd7ywpiI1r3fthto1_500.png Rick com olhos cheios d'água - https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/0c/da/a8/0cdaa8a97b5936be8727f610b4cc3a55.jpg Kate à porta - http://az711664.vo.msecnd.net/wetpaint/2015/01/w310_Kate-780663326287497058.jpg pernas trançadas - http://3.bp.blogspot.com/-sKSXLy2K27s/T6ykguKPdAI/AAAAAAAACPk/wvYOOc4X9U4/s1600/pernas+entrela%C3%A7adas.jpg