Capitulo 065- A culpa

Wendy ficou imóvel, encarando a poça de sangue que pertencia ao seu pai. Mavis após ver aquilo fechou os olhos e abraçou Shinobu que acolheu a garota sem dizer uma única palavra ou emitir algum som.

Azusa que estava no chão enquanto Ayeka curava a garota em silêncio começou a derramar lágrimas com os olhos fechados, sem despertar. Soluços foram ouvidos vindos da garota. Chronoa permanecia desacordada, mas era possível ver as lágrimas caindo de seus olhos. Ryuusou olhava para o local em que o corpo do irmão estava segundos atrás com certo ódio.

—Aquele idiota. Parece que vou ter que chamar o seu outro filho Shinobu. – Ryuusou olhou para a loira. Ela olhou para ele.

—Mas o que ele poderá fazer... – Ela questiona acariciando a cabeça de Mavis.

—Ele vai ter que colocar as coisas em ordem na ausência do pai dele. – Ryuusou se vira. Wendy levanta os olhos vermelhos e inchados para o tio.

—V-você fala como se meu pai fosse voltar a vida...

Ryuusou apenas comenta:

—Ele vai. Nem que eu tenha que destruir o outro mundo, mas eu trarei seu o idiota descuidado do seu pai de volta a vida. – O moreno comenta de maneira assustadora. Krull nota que o mesmo mantinha seu punho fechado com tanta força que sangrava.

—Kooli... Porque você sempre nos abandona quando mais precisamos de você? – A rosada se pergunta em voz baixa, segurando um pingente com a sigla “E.F.S" sendo que em volta das letras um dragão mordia a própria cauda.

...

Um adolescente de cabelos brancos e rebeldes estava deitado e desacordado. De repente, seus olhos começam, lentamente a se abrir. Ele olha para cima, vendo que o local era completamente branco. Imaginando que fosse o teto de algo, se sentou, olhando para o lado e para sua surpresa, tudo continuava branco. Não importava para onde ele olhasse, tudo continuaria vazio e sem forma.

—Mas o que...? – As lembranças de seus últimos feitos voltaram a sua mente. Ele se recordou de estar lutando contra duas pessoas. Nisso arregalou os olhos. – AZUSA!

Se levantou rapidamente, notando que estava completamente sozinho. Nisso, notou que se sentia menor que o normal. Foi então que percebeu que vestia roupas de 16 anos atrás.

—Eu voltei no tempo? Não... Eu me lembro de estar lutando, mas não de voltar no tempo. Aí droga, parece que estou de ressaca, que dor de cabeça infernal. – Reclamou com a mão na cabeça.

—Ora, isso nada mais é que sua mente voltando a funcionar como deveria após 16 anos enlouquecido e confuso. – Uma voz feminina chama a atenção do albino. – Koorishiro.

—Verdade... – Ele olha para a silhueta feminina branca que só podia ser distinguida por um sorriso. – Isso quer dizer que estou morto e o acordo anterior cumprido?

—Sim. Assim como no acordo elas ficaram em segurança por todo esse tempo, você viu as duas, lhes contou a verdade, e depois morreu.

—Segurança uma ova. A Mavis passou uma grande parte da vida semimorta. Isso não parece lá muito seguro.

—Mas ela voltou a vida e está sã e salva.

Koorishiro suspirou, enquanto se sentou no chão.

—Por enquanto Erebus vai caçar elas quando descobrir que Ayeka reencarnou. Não sei se estou muito tranquilo com essa situação.

—Bom, daqui você não pode fazer absolutamente nada. Quer jogar baralho?

Koorishiro dá outro suspiro.

—Bom, não tem nenhuma forma para que eu possa ressuscitar? – Ele sentiu que a Verdade o encarava.

—Claro que tem. Eu posso fazer isso. Mas é claro que isso é um outro acordo, não é? – O sorriso parece aumentar.

—E o que seria esse acordo?

—Que bom que perguntou.

...

A garota olhou para o prédio que estava diante de si meio confusa. Ela vestia uma roupa muito parecida com a de Natsu. O colete era aberto, sendo que o que tampava seus seios eram bandagens. No lugar de calças, ela utilizava um short curto, nas cores do colete e botas até a altura de sua coxa. A garota ficou olhando para a porta da guilda, em dúvida se entrava na guilda ou não. Confusão era o que definia seu atual estado. Quando finalmente decidiu entrar na guilda, a porta é aberta, e um moreno com camisa azul e detalhes brancos, calça jeans e tênis vermelhos no pé. Em sua cabeça um boné vermelho com detalhes em branco. Tinha olhos castanhos, e “z” nas bochechas, pouco abaixo dos olhos.

Ash olha para a garota, parecendo tão confuso quanto ela.

—Quem é você? – Questionou o moreno.

—Meu nome é Haruka. E você quem é? Nunca te vi na guilda. – Responde ela.

—Meu nome é Ash Ketchum. Sou dessa guilda já fazem dois anos e nunca te vi aqui. – Respondeu ele. Nisso o garoto notou algo. – Você estava em outro local que não tinha nada a ver com isso aqui, e de repente veio parar aqui, certo?

—Sim. Como você sabe?

Ash nesse momento, explica para ela sobre dimensões, contando inclusive que ela possivelmente era de outra dimensão vindo cair naquela por alguma alteração no espaço-tempo. A garota prestou atenção na explicação.

—E existe alguma forma de voltar?

—Não sei te dizer com certeza, pois não sei em quais condições você veio parar aqui. – Explicou o moreno. – Bem... Podemos descobrir isso com a minha sensei mais tarde. Por enquanto, vamos entrar.

—Tudo bem. – O moreno segue para dentro da guilda, enquanto a azulada apenas o acompanha.

Ao entrar dentro do prédio, alguém grita de fundo.

—Mas já arrumou outra garota Ash!? A Wendy vai ficar furiosa hein!

O moreno sorri tristemente, sendo que Haruka notou isso.

—Acho que ela não vai ligar tanto assim…

Num local distante dali dois azulados estavam em uma arena, sendo que se encaravam. Ambos estavam sem camisa, calças rasgadas, com botas militares. Ambos apresentavam vários ferimentos, sendo que alguns até sangravam.

—É só isso Ichigo-nii? – Provocou Katsu, mexendo as orelhas de urso. Fazendo Ichigo sorrir de canto de boca e rosnar em resposta.

—De onde veio isso tem um pouco mais... – O azulado começou a andar lentamente na direção do urso.

Lefay estava observando a luta, porém sabendo que havia algo com seu companheiro, desde a hora em que Mavis havia ido encontrar Chronoa. Haru, que junto com o harém do azulado mais novo também estavam assistindo ao treino, nota a expressão distante da loira, se aproximando dela.

—O que houve, Lefay-san? – Questionou a morena olhando para a garota.

—É que depois que Mavis foi encontrar com a Kaiou-shin junto com sua mãe ele ficou estranho. – Explicou a loira, fazendo a morena ficar pensativa.

—Me pergunto o por que?

—Hum? O Ichigo-san não está estranho? – Comentou Kyu, mexendo as asinhas de maneira fofa.

—É verdade. Ele parou. – Kazehana concordou abanando a cauda.

—Aquilo saindo da boca dele é sangue? – Shinoa ficou de pé ao ver isso, fato que chamou a atenção de todas as outras.

Elas observam Ichigo, vendo que o mesmo começou a vomitar sangue, fazendo com que todas se levantem rapidamente. No entanto antes que qualquer uma pudesse chegar lá, Katsu chegou primeiro, apoiando o mais velho, e ajudando ele a se agachar.

—Ichigo-nii! O que houve? Seu KI está abaixando rapidamente! – O urso disse.

O azulado olha para Katsu, porém com uma voz falha e distante, diz:

—Vovô… Eu não quero morrer… ah… entendi… Você está me chamando… Mas ainda sim…

—O que você está falando? – O azulado pergunta confuso, notando que o KI dele está caindo cada vez mais.

De repente, um clarão cega a todos, fazendo com que todos ali fechassem os olhos.

Quando conseguem reabrir, notam que estão na cúpula do tempo, sendo que rapidamente Katsu nota a marca de sangue na grama verde esmeralda, e todos com caras estranhas. Como se algo estivesse faltando ali. De repente, um homem de cabelos negros se aproxima do azulado desmaiado, e o pega no colo, em seguida estala os dedos, fazendo com que uma maca surgisse ali, colocando o azulado na mesma.

—Tio... – Katsu murmurou olhando para o homem, que olhou para ele pelo canto do olho, dando um sorriso de canto. Mas rapidamente o sorriso sumiu de seu rosto. Katsu também noto uma espada diferente no cinto de seu tio ela tinha um tipo de tecido em seu cabo e um detalhe de ouro antes da lâmina com um símbolo de ouro boros na mesma, sendo no caso um dragão mordendo a própria cauda. Mas havia sentido que não era hora de perguntar sobre ela. – O que houve tio? Por que todos estão com essa cara?

Naquele momento, dos que já estavam presentes na cúpula, com exceção de Chronoa abaixam a cabeça desviando o olhar para qualquer lugar, menos para Katsu e as garotas que chegaram por último, deixando todos os recém-chegados confusos.

Wendy se encolhe sentada no chão, sendo que tinha um olhar sem vida. Mavis continua agarrada em Shinobu sem querer olhar para ninguém.

—Gente, aconteceu algo, que não querem nos contar? – Questiona Haru, curiosa, se aproximando de Katsu.

—Não sei como dizer isso a você Katsu... – Krull começou com uma voz fraquejando e sem vontade alguma de falar. Ryuusou olha para ela, como se pedisse a palavra. A rosada se silenciou.

—Katsu, seu pai Koorishiro foi morto há minutos atrás. – Disse o moreno.

O pequeno azulado começou a rir, achando que era alguma piada, e olhou para o tio esperando que o mesmo risse junto. Quando notou a expressão séria de seu tio, junto com a de dor de uma perda, se calou.

—M-me diga que isso é uma brincadeira de mal gosto.

Ryuusou suspirou, olhando para o lado.

—Acredite. O que eu mais queria é que fosse. Seu pai sempre fez esse tipo de piada sem graça. Hoje ele levou a sério demais… — Katsu cai de joelhos no chão, sendo que a primeira a correr para ampara-lo é Kazehana, que mesmo com lágrimas nos olhos, apoia o companheiro, enrolando as caudas nele.

—Mas ele disse que ia me apresentar aos meus irmãos mais velhos e superfortes! Ele falava deles com os olhos brilhando! – Grita Katsu chorando e abraçando a raposinha de volta.

Mavis se afasta de Shinobu.

—No casamento de Wendy, ele me contou algo sobre isso...

Flashback

Eu estava tentando de toda forma fechar a parte de trás de meu vestido, porém tinha dificuldades devido ao cabelo. De repente, alguém bate na porta.

—Pode entrar! – Digo, sem nem olhar para ver quem era. Nisso, um moreno entra no local, sendo que tinha seus olhos verdes direcionados para ela. A garota olhou, não reconhecendo de inicio, mas depois pode notar que era Koorishiro. – Senhor Koorishiro? Que aparência é essa?

—Minha aparência real. Não fico muito dessa forma, mas de vez em quando é bom. – Comentou o dragão com um leve sorriso.

—Ah, entendi. – Comentei, voltando a tentar fechar o vestido fracassando, e ficando frustrada.

—Quer ajuda?

—Acho que sim… -Comento, um pouco envergonhada. O moreno sorri de volta, se aproximando de mim, jogando meu cabelo para frente delicadamente, e fechando o zíper do vestido. – Prontinho.

—Obrigada! – Dou um sorriso se virando para o homem. Engraçado, mas se fosse outro homem com exceção do Ichigo, achei que nunca permitiria um contato tão mais próximo. Logo, notei um símbolo no terno do mesmo, na altura do peito esquerdo. – Um Ouroboros?

Koorishiro olha para o peito e sorri.

—Ah sim. É o símbolo de um de meus filhos. Ele é um cavaleiro sagrada em outra dimensão. – Nisso, tira uma foto de dentro do bolso interno do paletó, virando-a para mim. Na foto, um garoto loiro, que aparentava ter, no máximo uns 11 anos de idade. Os cabelos eram loiros, com duas antenas, uma maior apontada para frente, e outra menor apontada para trás, olhos verdes esmeralda, sendo que vestia um casaco verde na região da gola, se alongando para as mangas, e embaixo na cor branca, com um brasão preto no meio. Para mim, se o cabelo desse fosse loiro, ficariam idênticos. – Esse é meu filhote! Meliodas! Ele não é fofo? É tão forte e inteligente! Nem parece meu filho! E ele e o irmão dele são meus favoritos! Pena que não tenho fotos do Zeldris aqui...

Olhei para o homem com uma gota na testa. Mas logo pude notar o brilho no olhar do mesmo ao falar do filho. Acho que agora, pensando bem, ele sempre olhou para mim com esse brilho de felicidade e orgulho no olhar. Quando olhou para a foto, comentou.

—Mas, sabe, eu também tenho duas filhas que são muito importantes para mim. Mas... Tudo que eu posso fazer é observa-las de longe... Por conta do meu pecado. Eu tenho medo de me aproximar muito delas e machucar elas por causa desse pecado... Amo tanto elas que não consigo aguentar, mas não posso me aproximar. Por me perder nesse pecado, uma de minhas princesas morreu… – Ele guarda a foto novamente no bolso. – E esse pecado... O pecado que Meliodas herdou de mim... O pecado que fez com que meus filhotes sofressem tanto. – A garota não sabia o que dizer. Só soube perguntar uma coisa:

—Qual foi seu pecado, Koorishiro-sama? – Questionou, curiosa e com o coração apertado pela história do mesmo. Ele sorri tristemente para ela, como se analisasse ela pela última vez em sua vida.

—É a ira. A Ira do Dragão...

Naquele momento, não saberia dizer o motivo de ter feito aquilo. Mas hoje eu sei. Me sinto idiota por nunca ter notado.

—Nem sempre podemos controlar nossa ira. Eu sei que o senhor não fez por mal. Se preocupa tanto com os filhos, ama tanto eles, fica encantado só de olhar para uma simples foto… Eu queria ter um pai como o senhor… tenho inveja deles e delas. Acho que posso dizer que a única culpada, é a pessoa que atiçou a ira do senhor. Nada além dessa pessoa.

Lembro-me que ele me abraçou, e respondeu com lágrimas caindo dos olhos.

—Obrigado… E me perdoe…

Depois disso, ele me soltou e saiu em silêncio, me deixando confusa pelo pedido de perdão.

...

Todos na cúpula ouviram o relato de Mavis no mais completo silêncio. A garota derramava lágrimas.

—Eu não notei... Que ela estava falando de mim da Wendy e da Azusa. Não notei que pedia perdão para mim – Ela olhou para o chão, numa clara expressão de frustração. – Eu amo meu pai. Queria não ter agido daquela forma. Eu quero o perdão dele. Preciso me redimir pelo meu pecado…

Ryuusou olha par ao céu.

—Aquele imbecil… Meu irmão era um idiota babão pelos filhos. Já havia me cansado de tanto ouvir ele falando com orgulho e admiração desse nanico do Meliodas. – Diz o homem, olhando para Shinobu, que acariciava o topo da cabeça de Mavis maternalmente. – Mavis e Shinobu venham comigo!

—Onde vamos?

—Buscar aqueles dois idiotas.

Enquanto isso em Fiore, Natsu começava a despertar após o procedimento feito pelo dragão celestial nele. O rosado abre os olhos lentamente, notando que está encostado na cama do irmão, enquanto em sua mão uma espada preta e vermelha repousava. Olhou confuso para a espada, mas decidiu que procuraria sobre ela depois. Nisso, ele olhou para o Katsu, que estava sentado na cama, apreciando a espada preta e verde na mão. O azulado olhou para a mesma, e depois para o irmão mais velho.

Natsu arregalou os olhos.

—Você está vivo?

O azulado revirou os olhos.

—Não, imagina, virei um zumbi.

—É está vivo… — O rosada fica de pé, apoiando a espada nas costas. O azulado pulou da cama, notando que estava sem camisa.

—Eu sinceramente não lembro bem do que aconteceu… Quem foi que eu desci a porrada?

—É uma história meio longa. Te explico depois. – O rosado respondeu. Logo, ele notou um símbolo estranho na testa do irmão. Algo que não havia notado antes. Além disso, havia uma marca de Ouroboros, um dragão mordendo a própria cauda dentro do brasão da Fairy Tail. Os olhos do azulado, que normalmente eram dourados, estavam numa coloração negra puxada para a roxa de maneira bem disfarçada e quase não possível de notar.

—Você está bem mesmo Katsu? – Questionou Natsu, olhando para o irmão meio desconfiado. – Você está diferente… está emitindo uma aura diferente do normal.

O azulado piscou em descrença.

—Não sinto nada de diferente… Eu acho – O azulado olhou para as próprias mãos. – Espera... Cadê a Mavis e as outras!?

—Bom… Antes de vermos elas… tem algumas coisas que eu devo te contar. Sente-se. Pode ser um pouco chocante. – Disse o rosado, enquanto Katsu, embora confuso, obedecia. Nisso, o rosado contou todos os incidentes que ocorreram durante o tempo que o irmão mais novo ficou desacordado.

Teve, inclusive, dificuldades ao falar das filhas que nasceram e foram usadas para controlar o grande poder demoníaco deles. Katsu ficou o tempo todo em silêncio, enquanto ouvia desacreditado das palavras do irmão mais velho.

—Então Mahiru está dentro de mim, Shinji se recuperando, e Mavis e Wendy dormindo, certo?

—Isso mesmo. – Concordou Natsu. – Mas tudo vai ficar bem.

O azulado suspirou, enquanto foi até um espelho olhando para ele. Nisso, passa o dedo na marca na testa ao vê-la.

—Eu sempre tive isso aqui?

—Não… até um certo tempo atrás acho que não. – O azulado olhou para o irmão mais velho.

—Bem... Tem uma igual na sua testa exatamente agora.

Natsu corre para o espelho, constatando que o que o irmão dizia era verdade. Nisso, os dois se entreolharam.

—MAS QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI!? – Os dois questionaram em uníssono.

Distante dali, em outra dimensão, Ryuusou andava, de maneira lenta e pesada, demonstrando cansaço físico e mental, enquanto Shinobu o seguia, notando o estado atual do dragão supremo. Eles estavam em local coberto por um céu azul, e no chão, cobrindo como um grande tapete verde esmeralda, uma grama baixa.

Você não parece nada bem, Ryuusou-san. – Comentou a loira, chamando a atenção do moreno. O dragão olhou para ela pelo canto do olho.

—Meu irmão morreu. Sinceramente eu ainda acho que aquele pirralho idiota vai pular detrás de uma pedra, atira uma rajada de neve na minha cara e dizer: Te enganei, aniki idiota! – Comentou dando um leve sorriso enquanto encarava o chão. Logo o sorriso do moreno sumiu. – Mas ele está morto. E temos que reunir os filhos dele. Mesmo que eles não deem noticias já fazem 16 anos.

—Isso é estranho... Quando deixamos eles aqui, Liones era bem diferente... Muita coisa mudou para poucos 16 anos... – Comentou a loira olhando em volta. Ryuusou pareceu indiferente. – Sabe onde ele está?

—Ele abriu uma taverna. Devemos estar perto. – Respondeu ainda com mau humor.

Após andarem por algum tempo, logo avistam um prédio que lembrava muito um chapéu. A loira observou curiosa.

—Parece um chapéu gigante. – Comentou a loira.

—O nome da taverna é Chapéu de Javali. Não entendi o porque desse nome. Vamos. – O moreno começa a caminhar na direção da taverna, enquanto Shinobu o seguia.

—Estou com tanta saudade dele. Dos meus filhos. Mas... Eu sei que por mais que eu ame e sinta falta dos meus filhos... Eles nunca irão tampar o buraco que o pai deixou... – A vampira encarava o chão, enquanto Ryuusou observava ela de canto de olho.

O moreno não disse nada. Apenas continuou seguindo seu caminho até a taverna em silêncio enquanto Shinobu apenas acompanhava. Com certa relutância, os dois subiram os dois pequenos degraus que levavam ao varandado que havia rodeando o prédio. Pararam em frente a porta de madeira. Um tanto gasta, mas conservada. Ryuusou segurou a maçaneta dando um suspiro profundo.

O mesmo gira a maçaneta, abrindo a porta lentamente em seguida. Nisso dentro da mesma, nota que várias pessoas estão olhando para ele. Uma garota de cabelos prateados, sendo que uma franja cobria um de seus olhos, ela vestia uma blusa rosa com babados curta, e uma saia negra também curta. Uma meia que ia até sua coxa em uma de suas pernas, enquanto uma de suas sapatilhas eram branca e a outra preta. O seu olho que aparecia era azul como o mar, e Ryuusou não podia negar que era dona de uma beleza impressionante. Mais ao canto, deitado em cima de um porco, estava um homem, aparentemente grande, com uma roupa que parecia mal caber em seu corpo. Seus cabelos eram arrepiados e um tom de azul bem claro. Shinobu jugou que estivesse bêbado pela garrafa que mantinha em sua mão. Flutuando em um travesseiro verde, estava um garoto de cabelos castanhos claros, olhos numa cor de bronze, e aparência infantil estava olhando para os recém-chegados. Por uma das janelas, um grande rosto era visível. Um rosto feminino, olhos de cor roxa, e uma expressão curiosa para os recém-chegados. “Uma gigante? Como não vimos ela?” Questionou Shinobu “Ela é bonita".

Quando a loira olhou para frente, seus olhos imediatamente começaram a lacrimejar. De costas para ela, um garoto, aparentando ter 11 anos de idade, com duas antenas rebeldes no topo de sua cabeça. Um colete por cima de uma camisa branca. Shinobu ameaçou andar na direção dele, porém Ryuusou colocou seu braço na frente dela.

Num movimento rápido, Ryuusou tirou a espada que carregava da bainha, e jogou a bainha sobre uma mesa, enquanto atirou a espada com força na direção do loiro, assustando a todos. Para surpresa de todos, com exceção de Ryuusou, ele segurou a espada pelo cabo.

—Você ficou louco, Ryuusou!? – Questionou Shinobu furiosa. O moreno não respondeu de imediato.

—Ryuusou...? – Murmurou o loiro baixo. Olha para a espada que segurou, arregalando os olhos. Logo um sorriso surge em seu rosto. – Essa voz...

O loiro se vira, sorrindo, e encara os recém-chegados.

—Isso não matará esse meu sobrinho irresponsável, não é... Meliodas, o Dragão do pecado.

—Sate, sate, sate, por favor, venham na hora que a taverna estiver aberta, mamãe, titio. – O loiro se vira segurando a espada em uma das mãos. Naquele momento todos olhavam para eles sem entender nada.

—Filho... – A loira corre e abraça ele, para o espanto de todos.

—Filho!? – Todos com exceção de Ryuusou estavam surpresos. Mais surpresos ainda quando um brilho envolveu Shinobu, sendo que após isso, ela ficou numa forma adulta, com um longo vestido preto com detalhes vermelhos, e seios consideráveis.

—Há quanto tempo mamãe? – O loiro a abraça de volta.

—Muito tempo, meu pequeno... Muito tempo. – Os dois se separam após isso. Nisso, Elizabeth se aproxima dela.

—Você é mesmo a mãe do Meliodas? – Shinobu olha para ela, embora a prateada notou a tristeza nos olhos dourados da loira.

—Sim. Sou a mãe dele.

—Que linda... – A gigante diz, observando tudo da janela.

—Obrigada. Vocês duas também são lindas. – Ela responde com um sorriso simpático.

Enquanto isso, Meliodas se aproximava de Ryuusou.

—Olha só, você encontrou minha espada. – Diz o loiro, colocando-a na bainha que estava em cima da mesa. – Mas atirar uma arma desse jeito é perigoso. Eu podia me machucar sabia?

—Como se isso pudesse te ferir. Mas sabe, também é falta de educação vender a arma que seu tio te deu com tanto carinho – Ryuusou responde áspero. – E por que o príncipe do gelo está fingindo ser um simples dono de bar?

—Por conveniência. Preciso achar todos os sete pecados capitais. Sem contar que por 3.000 anos eu não lembrava de nada da minha vida verdadeira.

—Três mil anos!? – Todos questionaram surpresos.

Ryuusou suspirou, mais calmo que antes.

—Nessa dimensão o tempo corre diferente das outras. E para ele não se lembrar, provavelmente foi efeito de Demigra brincando com o multiverso. – Explicou Ryuusou. Ao olhar novamente para Meliodas, sentiu um aperto no peito. Era como se seu otouto estivesse ali sorrindo para ele. – Você é irresponsável como seu pai...

—Espera aí! Se isso tudo é verdade, e o capitão não lembrava de suas raízes antes... Porque agora ele lembra? – King questionou chamando a atenção de todos. Ryuusou olhou para ele.

—Demigra foi destruído. As alterações que ocorrem por culpa dele estão voltando ao normal. – Nisso ele olha para Meliodas. – Onde está Zeldris, seu irmão?

—Selado junto com os dez mandamentos e o clã dos demônios. – Responde o loiro calmamente. Ryuusou massageou as têmporas cansado.

—O que aprontaram nesses anos que ficaram aqui hein?

— O capitão é bem misterioso eu diria... – Ban, acordado e não parecendo mais bêbado, estava sentado em uma cadeira de frente para o encosto dela.

—Isso não importa! – Meliodas olha em volta – Agora cadê meu pai? Ele não veio com vocês?

Nesse momento, os dois recém-chegados ficam no mais completo silêncio sem ser capaz de falar nada. Todos os habitantes da taverna estranham esse fato.

—O que houve? Por que essa cara de enterro? – Hawk questiona, sendo que essa era uma das perguntas que todos queriam fazer. Ryuusou ignorou o porco.

—Meliodas, não sei como dizer isso. Na verdade, nem eu quero acreditar nisso, mas...

— Você ficou sério do nada.

— Leve as coisas a sério droga! – Reclamou Hawk.

Ryuusou levanta seu olhar o para o loiro.

—Seu pai... Foi morto por um capacho de Erebus.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.