Amor Selvagem

2 Coração Partido


Notas iniciais
Olá vocês..... Como o capítulo da semana foi finalizado hoje, resolvi postar para vocês. Espero que gostem. Obrigada pelos comentários e favoritos, fiquei muito feliz. Então é isso, boa leitura e até próxima semana.

— Storybrooke dias atuais –

— Senhora Mills. Senhora Mills. – Entra a empregada da família correndo com uma carta nas mãos.

— O que aconteceu Sandra? – pergunta Cora vindo da cozinha.

— O carteiro deixou isso para a senhora. – disse a garota entregando a carta a Cora.

— É da Lily. – falou sorrindo. — Onde está a Regina? – perguntou animada.

— Está na praia senhora.

— Vá chamá-la, por favor. – após a garota sair Cora sentou-se no sofá e começou a ler a carta da filha.

Desde que a senhora havia mandado Lily para a capital, Sofia quitou a hipoteca da casa da prima e a deu de presente para Cora como acerto do acordo de casamento de seus filhos. A senhora Mills continuou a morar nela tendo a companhia da filha todos os finais de semana e Regina morou com a tia até alcançar a maioridade e assim aprender sobre todos os gostos e manias de Neal. E desde então Regina criou a imagem de um noivo perfeito e se dedicou ao máximo para aprender tudo que lhe era ensinado para agradar de todas as formas seu futuro marido, mesmo que eles só tenham se visto por duas vezes durante esses anos.

Regina Mills agora com 21 anos tornou-se uma moça muito bonita e bastante meiga, amava livros na maior parte romances e graças a tais livros era bastante sonhadora e acreditava no amor, fora criada dentro da religião católica e é muito temente a Deus e por isso acredita que com casamento irá ser a mulher mais feliz e amada de todo povoado. A morena estava agora na praia, sonhando com o dia em que reencontraria seu amado Neal e finalmente pudessem se casar e esse dia não estava distante, já que Neal havia enviado uma carta para a mãe dizendo que seu período na marinha americana estava concluído. A garota foi tirada de seus devaneios por Sandra que chegou correndo a seu lado.

— Senhorita Regina, sua mãe está lhe chamando. – falou Sandra quase sem fôlego. – Chegou uma carta de Lily.

Ao ouvi a noticia, a morena saiu correndo de volta para sua casa e encontrou a mãe sorrindo com as palavras descritas na carta.

— O que disse a Lily? – perguntou sentando-se ao lado da mãe.

— Que está muito feliz. – sorriu. – que está indo a muitas festas e fazendo muitas compras com sua prima Tinker. – falou Cora pondo a carta no colo e olhando para Regina. – Sua irmã se tornou uma pessoa que se apega muito a coisas artificiais. As vezes me pergunto se fiz a coisa certa manda-la para a capital quando ainda era uma menina. – falou preocupada.

— Claro que sim mamãe. E também lá é mais fácil ela encontrar um bom partido. – Falou Regina segurando a mão da mãe.

— Talvez, mas duvido que ela tenha tanta sorte como você meu amor. – falou a senhora amavelmente.

— Claro que não, acho que não há outro igual a Neal. – Regina sorriu sonhadora.

[SQ]

—Boston-

Lily estava em mais uma festa de uma das famílias mais importantes da capital. Estava acompanhada de sua prima Tinker e de Mag sua amiga de infância. Estavam rindo e falando de assuntos triviais.

— Você não tem nenhum pretendente ainda Lily? – perguntou Tinker.

— Pretendente não, mas sempre tem uns rapazes que me olham com curiosidade. E muitas vezes eu retribuo aos olhares e em outras vezes até ergo um pouco a saia para ver a reação deles. – Sorriu ao ver a cara de espanto da prima.

A época em que vivem, as moças sempre usam vestidos muito longos e compostos, as poucas mulheres que ousam um pouco mais nas vestimentas, eram encaradas de outras maneiras e por serem consideradas vulgares não eram respeitadas pela sociedade.

Lilith Mills é uma moça de 18 anos que só pensa em curtir a vida com muitas festas e compras, nunca foi muito ligada a religião, muito menos nos valores da sociedade. Seu verdadeiro interesse era encontrar um jovem bonito e rico para poder continuar desfrutando do luxo e dos sabores da vida.

— Lily se a mamãe ver você fazendo isso estarás em maus lençóis. – disse Tinker.

— Ai Tinker se isso acontecer eu digo que uma formiga me picou. – sorriu.

— Olha quem está ali. É o Gold. – disse Mag e as outras duas olharam para o rapaz.

— E quem é aquele que está com ele? – perguntou Lily interessada.

— Não acredito. É o Neal Nolan. – falou Tinker ao ver como o garoto se tornou um jovem bonito.

— Neal? – perguntou Lily encarando ele.

Ao perceber que as moças os olhavam Gold perguntou a Neal se ele gostaria de conhece-las, pois ele tinha percebido como o amigo não parava de olhar para Lily. Quando o rapaz concordou eles foram andando em direção a elas.

— Boa tarde Gold. – falaram as três.

— Boa tarde senhoritas. – Respondeu o rapaz. – Esse aqui é um amigo meu que deseja conhece-la Lily. – disse ele olhando para o amigo.

— Neal Nolan. A seu dispor. – completou ele beijando a mão de Lily.

— Não acredito que não se lembra de mim? – sorriu. – Sou Lily Mills, filha de sua tia Cora.

— Lily. – falou ele encantado.

[SQ]

— Storybrooke-

Regina estava lendo um livro quando sua amiga Zelena entre sorrindo em sua casa. As amigas se abraçaram e sentaram uma de frente para a outra.

— Regina, você não sabe o que Julia me falou agora? – falou animada, pois sabia que sua amiga ficaria feliz com a notícia.

— A Julia? Então ela já chegou da capital? – Regina estava animada.

— Sim e disse que encontrou o Neal.

— Neal, sério? Então ele já voltou. – ficou animada

— Segundo ela, ele está muito bonito e elegante com sua farda da marinha. E todas as moças ficam suspirando quando ele passa. Você não fica com ciúmes?

— Ciúmes porque? É mais que aceitável que as mulheres fiquem interessadas, ele se tornou um homem muito bonito. – Suspirou. – Ai Zel, se ele voltou logo irei velo. – fechou os olhos imaginado o encontro. – Faz tanto tempo. Será que ele lembrará de mim? – perguntou receosa.

— Ai Regina, claro que sim. Provavelmente ele deve ter milhares de fotos, assim como você tem dele. – falou o óbvio.

— Pelos céus Zel, sete anos. – suspirou. – sete anos sem velo. – sorriu abertamente com a notícia.

[SQ]

— Boston-

— É verdade que Neal está prometido a sua irmã Regina? – Perguntou Tinker entrando com Lily em seu quarto.

— Sim, minha mãe e minha tia firmaram esse compromisso quando éramos pequenos. – Falou Lily sentando em uma cadeira em frente a Tinker.

— Sua irmã é uma mulher de sorte. Neal é muito bonito e bastante rico. – sorriu.

— Sim, mas não sei como podem dar certo em um casamento em que os noivos mal se conhecem. Faz aproximadamente sete anos que eles não se encontram. – Falou Lily com desdém.

— Eles estarem longe não os impede de estarem apaixonados. – observou Tinker.

— Por favor Tinker, para se amar alguém é preciso que haja convivência, conversas, declarações, ações e beijos. – disse a última palavra em um sussurro e gargalharam. – E conhecendo a tonta da minha irmã, tenho certeza que entre eles não teve nem sequer um aperto de mão. – mais risadas.

[SQ]

Gold e Neal estavam bebendo Whisky na casa do jovem Nolan, falando sobre as aventuras de Neal enquanto estava na marinha. E com muito curiosidade Gold quis saber mais sobre a história dele com a família Mills, já que o rapaz estava bastante envolvido com Lily.

— Quer dizer que Lily é de Storybrooke também? – perguntou Gold.

— Sim, nossas mães são primas legítimas. – Serviu mais um pouco de bebida ao amigo. – A última vez que as vi eram franzinas e veja só como Lily está uma mulher. – falou Neal sorvendo um pouco da bebida.

— Se eu fosse você a roubava de vez. – brincou Gold.

— Não é necessário tanto. – Sorriu Neal.

— Para você talvez, que é um homem jovem e rico. No meu caso se eu não encontrar logo uma mulher rica irei falir rápido. – Falou divertido. – Por isso, saúde pelas feias e ricas. – falou Gold e gargalharam.

[SQ]

— Storybrooke-

— É verdade que Neal já voltou? – perguntou Cora a Regina. Elas estavam jantando.

— Sim, a Julia o viu em Boston. – falou triste. – Mamãe, por que o Neal nunca me escreveu? Será que ele desistiu do casamento? – Regina estava com um mal pressentimento.

— Não filha, muitas pessoas não gostam de cartas, preferem falar o que sentem pessoalmente. E além do mais, sua tia Sofia sempre nos trazia notícias sobre ele. – Tentou animar a filha.

— Mas eu acho que a primeira pessoa a saber de sua volta seria eu, afinal, iremos nos casar assim que ele chegar ao povoado. – suspirou. – Confesso que fiquei um pouco mal ao saber de sua chegada por uma de minhas amigas e não pela tia Sofia. – A morena mais nova estava triste.

— Não se preocupe meu amor, sua tia é uma mulher atarefada, provavelmente não teve tempo de vir nos visitar.

Após o jantar Regina seguiu para seu quarto e enquanto o sono não chegava ela ficou pensando em como deveria estar seu noivo, se ele ainda a queria casar com ela, se ela iria lhe agrada-lo como esposa.

— Ai, que isso Regina. Se a própria mãe de Neal a educou para saber todos os gostos dele. Como ele não iria casar-se? Se desde pequeno estavam prometidos. – pensou ela e em seguida fechou os olhos esperando o sono chegar.

A manhã chegou rápido, Regina já estava de pé terminando seu banho matinal quando Sandra entra em seu quarto informando que Dona Sofia a estava esperando. A morena apressou-se em findar o banho e logo desceu para receber sua madrinha.

— Madrinha, como estou feliz em vê-la. – disse a garota a abraçando.

— Também estou feliz em vê-la minha filha. – Retribuiu o abraço. – E sua mãe? – perguntou sentando no sofá.

— Sandra disse que ela foi a praça, mas logo estará de volta. – Regina sentou- se em frente a Sofia.

— Não poderei espera-la. Só vim informa-la que Neal já esta na capital e eu estou indo encontra-lo. – sorriu. – Não aguento mais tanta saudades de meu filho. – Concluiu.

— Eu já sei. – falou Regina sorridente. – Julia chegou ontem da capital e disse que o viu.

— Ai minha filha, não vejo a hora do casamento de vocês, irei aproveitar que estarei na capital e já irei encomendar o seu vestido, ela será lindo digno de uma rainha. Espero que você seja a melhor esposa que meu filho possa ter. – brincou e arrancou um sorriso largo de Regina.

— Não tenha dúvidas quanto a isso madrinha. Eu serei a esposa perfeita para Neal, exatamente como a senhora me ensinou. – falou sonhadora.

—Boston-

Já era fim de tarde e Neal estava voltando para casa, o rapaz não aguentou ficar longe de Lily e foi visita-la, ela estava completamente encantado com a moça. Não via a hora de voltar para Storybrooke e pedir a sua mão em casamento.

Quando ele entrou em casa ficou muito feliz em encontrar sua mãe na sala o esperando. Sem demora ele correu e envolveu Sofia em um abraço repleto de saudades.

— Mamãe, por que não avisou que vinha? – perguntou ele ao afastarem-se.

— Ah meu filho, as cartas demoram muito para chegar a seus destinos. E não se preocupe, a viagem foi tranquila. – falou ela acariciando o rosto do filho.

— A senhora veio de trem? – perguntou ele.

— Sim, a estação estava um pouco tumultuada, mas encontrei alguns conhecidos e uma delas foi Lily Mills que estava voltando para Storybrooke. – comentou ela.

— A senhora a viu? – perguntou com um sorriso.

— Sim se tornou uma moça linda. – falou ela.

— Sim minha mãe, ela é uma mulher linda e estou apaixonado por ela como um louco. – falou animado, porém, Sofia foi pega de surpresa e como reação ela sentou-se lentamente no sofá sem acreditar no que acabara de ouvir.

— O que disse? – perguntou ela incrédula.

— Que estou apaixonado por Lily e quero me casar com ela. – falou ainda sorrindo, sem perceber a reação da mãe.

— Filho... você não pode casar com a Lily.

— Porque não? Ela não é comprometida. – Não estava entendendo o porque da recusa de sua mãe.

— Mas você é! – disse firme.

— Eu?

— Sim, com Regina a irmã de Lily.

— Mas eu não sabia disso mamãe.

— Claro que sabia. Desde pequeno eu te disse que eram comprometidos. – falou o obvio.

— Quando se é criança escutamos muitas coisas. Mas eu não sabia que isso era sério, pensei ser um desejo seu apenas.

— Mas filho, Regina está em Storybrooke esperando sua volta para poder casar-se. – Sofia já estava impaciente.

— Por que não me falou novamente sobre esse compromisso mamãe, eu não lembrava sobre isso. – passou as mãos nos cabelos. – E outra, eu não quero me casar por um compromisso firmado a anos. Eu quero me casar com alguém que eu ame e acredite quando digo que amo Lily e é ela que quero como esposa. – falou firme.

— Mas Neal....

— Não tem mais mamãe. Já está decidido, quando regressar a Storybrooke pedirei a mão de Lily a tia Cora. – Falou levantando-se.

— E como fica a Regina? Ela te espera com tanta vontade, além do mais é uma moça lindíssima, bem criada, fala francês, toca piano, tem mãos de fada para os trabalhos manuais, é uma moça recatada e muito meiga. – Sofia tentava convencer o filho, mas sabia que não mais nada a fazer sobre esse assunto.

— Fale com ela e explique a situação. Só me casarei com a Lily que é quem eu amo. – Concluiu Neal e se retirou para seu quarto.

[SQ]

— Storybrooke-

Cora estava entre as lojas do povoado providenciando os preparativos do casamento de Regina e ao terminar o que estava fazendo resolveu ir no escritório do advogado Noel Mancera para resolver o último ponto que faltava.

Agora ela se encontrava em uma das cadeiras do escritório aguardando o advogado que não tardou em recebe-la.

— Não precisava ter vindo senhora Mills, eu poderia muito bem ir a sua casa. – disse gentilmente.

— Não tem problema Noel, eu estava no comercio. – sorriu.

— E em que posso ajuda-la?

— Não sei se já ficou sabendo que Neal voltou da Europa?

— Sim, as noticias correm em um povoado tão pequeno. – sorriu gentilmente. – E como está a Regina com a notícia?

— Muito feliz e nervosa. Já estamos preparando tudo para o casamento.

— Bem, se Neal Nolan continua gentil como quando era menor, tenho certeza que sua filha será muito amada e feliz. – disse ele sorrindo.

— O senhor é muito gentil. — devolveu o sorriso. – É por isso que vim vê-lo. Gostaria de saber se tem como o senhor providenciar que eu receba a pequena quantia que tenho no banco, mesmo Sofia não ligando para dinheiro gostaria de oferecer como dote, assim, Regina não se sentirá diminuída.

— Creio que sua filha tem todas as qualidades para agradar seu noivo, mas se a senhora quer o dinheiro providenciarei agora mesmo o pedido ao banco. – disse ele indo para sua cadeira atrás da mesa para preparar os documentos para o banco.

[SQ]

Era fim de tarde quando Lily chegou a casa de sua mãe. Assim que Regina pôs os olhos em sua irmã foi correndo abraça-la, fazia um ano que elas não se viam e Regina sentia falta de sua irmã mais nova, mesmo que essa não sentia o mesmo.

— Ai Lily que saudade. – disse Regina animada ainda abraçada a irmã que não retribuiu o abraço.

— E mamãe onde está? – perguntou ela se desfazendo o abraço.

— Já está descendo, Sandra foi avisá-la. – disse sorrindo.

— Aqui está fazendo muito calor não? – disse se abanando com o leque.

— Estamos no litoral e depois esse seu vestido é lindo, porém, muito grosso para o clima de Storybrooke. Quer um copo de suco? – perguntou Regina se servindo.

— Não obrigada.

— Filha. – disse Cora descendo as escadas e abraçando a filha mais nova.

— Como está mamãe? – perguntou dando um sorriso de canto.

— Melhor agora que você está aqui conosco. Assim ajudará com os preparativos do casamento. – sorriu e pegou um copo de suco que Regina lhe ofereceu.

— Sabia que Neal está na capital? – perguntou Regina.

— Sim, eu o encontrei em uma festa.

— É? E o que ele disse? – Regina alargou ainda mais o sorriso.

— Nada, me cumprimentou apenas. – mentiu.

As três mulheres ficaram até a hora do jantar conversando na sala, Lily falando sempre de todas as festas que ia e que não teria a mesma sorte em Storybrooke. Falou da moda da capital, das amigas que deixou por lá.

Após o jantar, Regina foi com ela para seu quarto e assim poderia ajuda-la a guardar suas coisas. A morena não poderia estar mais feliz, sua irmã estava em casa, seu noivo chegaria em breve e por fim eles se casariam e seriam muito felizes.

— Você o quer muito? – perguntou Lily enquanto guardava suas roupas no armário.

— Como não quere-lo se é meu prometido e logo será meu marido? – falou feliz.

— Como pode querê-lo tanto se vocês mal se conhecem?

— Talvez você tenha razão, mas eu sinto um carinho tão grande por ele e se ele não sentisse o mesmo já estaria comprometido não acha? – perguntou Regina encarando a irmã.

— Você está certa.

— Estou tão feliz Lily, quase não consigo dormir e quando fecho os olhos e penso que voltarei a vê-lo sinto até calafrios. – falou fechando os olhos.

— Nossa, nunca vi tanto entusiasmo. – sorriu para a irmã.

— Não pense bobagens.- sorriu sem graça. – É apenas um sentimento natural e sem segundas intenções por meu prometido, pelo futuro pai de meus filhos. – disse Regina se sentando em uma poltrona.

— Ah! A casta e pura Regina. – gargalhou. – Você não me engana, sei que sente vontade de sentir seus beijos, seu corpo em contato com o teu. – insinuou maldosamente.

— O que é isso Lily? É isso que se ensinam no colégio da capital? – falou Regina chateada e envergonhada.

— Não. Isso aprendemos fora do colégio, nas festas, nas conversas com as amigas. – falou sem culpa.

— Pois são sentimentos obscenos, pecaminosos. – disse séria.

— Mas são reais.

— Vou deixar você descansar. Amanhã conversamos. – disse Regina indo dar um beijo em Lily e em seguida saiu do quarto.

— Hipócrita! – sussurrou Lily quando se viu sozinha no quarto.

[SQ]

Lily não conseguiu dormir direito por conta do calor que fazia no litoral e assim que o sol raiou ela fez sua higiene matinal, tomou seu dejejum e foi caminhar na praia, iria aproveitar que o sol não estava tão forte. Ela caminhou quase uma hora sem se preocupar com nada, afinal, Storybrooke apesar de ter muitos arruaceiros e contrabandistas não era uma cidade perigosa, mesmo para uma moça sozinha.

Ela avistou de longe uma casa que ficava em cima de uma pedra e sua curiosidade a fez ir mais perto. Quando estava a certa distância avistou uma pessoa na propriedade, não dava para ver direito, mas parecia um rapaz ao levar em conta as roupas que vestia. Ele tinha os cabelos loiros e longos, vestia uma calça marrom bem justa ao corpo e uma camisa branca de mangas compridas, não conseguiu ver seu rosto. Continuou olhando e apertou os olhos quando a tal pessoa tirou as roupas e entrou em uma tina e começou a banhar-se. Ela tentou prestar atenção mais a pessoa estava de costas e não dava para ver mais que isso. Ela se escondeu atrás de uma árvore par não ser descoberta e continuou a olhar.

Dentro da tina estava Emma Swan, uma linda mulher de cabelos loiros e um corpo bem definido que mesmo sendo mulher deixava as moças da taberna e algumas nobres damas bem interessadas. Enquanto se banhava ela percebeu alguém escondido atrás da árvore e como ela sempre foi destemida e gostava de provocar resolveu ver a reação da tal moça.

— Ruby! – Gritou Emma levantando-se completamente nua.

— Ai mulher! Já disse que você não me conquista se exibindo assim, você é uma irmã para mim. – Brincou a morena ao chegar perto de Emma.

— Deixa de ser idiota, você já me viu assim várias vezes. – sorriu. – E não é para você que eu estou me mostrando. – Falou e a morena franziu o cenho. – Tem uma garota me espiando atrás daquela árvore. – Sorriu e indicou com a cabeça. – Quero que a siga e veja para onde irá.

Ruby saiu e ficou observando o próximo passo da garota.

Assim que Lily viu que era uma mulher e não um homem como ela imaginava, foi embora envergonhada. Mesmo sentindo vontade de continuar a observar a loira que lhe chamou atenção.

[SQ]

Lily estava escovando o cabelo em seu quarto enquanto Sandra fazia sua cama. A garota mesmo sabendo que a dona da casa da praia era uma mulher, ficou curiosa para saber quem era, ela não sabe o que estava sentindo, mas com certeza voltaria para a preia e tentaria descobrir algo.

— Sandra, a quem pertence aquela casa da praia que fica em cima de uns rochedos? – pergunto fingindo desinteresse.

— Aquela que fica mais afastada?

— Sim, aquela.

— Ai menina, não volte mais lá, pode ser perigoso. – falou a criada mostrando preocupação.

— Porque? – quis saber.

— porque lá mora uma mulher muito má. Ela pode fazer algo contra você, ela é o próprio demônio, todos tem medo dela. – disse por fim.

— Como se chama? – estava curiosa.

— Emma Swan e dizem que ela se deita com as mulheres como se fosse um homem. – falou a criada assustada. — por que quer saber? – perguntou olhando a garota.

— Por nada. Só fiquei curiosa. – disse e olhou seu reflexo no espelho esboçando um pequeno sorriso.

[SQ]

Emma estava em sua mesa conferindo alguns documentos quando Ruby chega a seu lado.

— Descobriu quem é a moça? – perguntou Emma sem tirar os olhos dos papeis.

— Ela entrou na casa da condessa Cora Mills.

— E o que mais?

— Bem ela entrou pela porta da frente, deve ser uma de suas filhas. – falou Ruby.

— Quantas filhas ela tem? – Perguntou Emma olhando para a amiga.

— Duas.

— Ok! Agora vou precisar que você vá a taverna e leve esses documentos. – disse a loira entregando alguns papéis a Ruby.

[SQ]

Cora estava na casa de Sofia, pois a prima pediu que fosse vê-la com urgência. Estava feliz com a volta da prima, provavelmente ela queria falar sobre o casamento de seus filhos. A espera não foi longa, logo ela viu Sofia descendo as escadas e foi ao seu encontro.

— Prima. – disse Cora dando um beijo em seu rosto.

— Como está Cora? – retribuiu ao beijo. – Desculpa se mandei chama-la.

— Não tem problema. Quando chegou? – perguntou enquanto estavam indo sentar.

— A noite, foi uma viagem muito cansativa. – Disse Sofia assim que sentaram.

— E como está Neal? Conta-me. – pediu animada.

— Está bem graças a Deus. – falou sem graça, pois, sabia que a prima ficaria triste com as notícias.

— E quando chega?

— Final de mês.

— Regina está tão nervosa, não vê a hora de encontrar o noivo. – falou sorrindo, mas esse sorriso não durou muito, pois percebeu que Sofia estava estranha.

— Sim... imagino. – falou sem encarar Cora.

— Sofia, o que está acontecendo? – mudou drasticamente suas feições.

— Não sei nem como te falar prima. – olhou para o chão.

— O que aconteceu?

— É que... Neal não quer mais se casar com Regina. – Sofia voltou a encarar Cora.

— Mas por que? – perguntou Cora atordoada.

— Como eu te disse, não sei como te encarar, pois creio que eu tenho culpa. Para mim o compromisso já estava certo e não voltei a falar sobre esse assunto com Neal. – respirou fundo. – Acontece que ele esqueceu e não quer cumprir. – falou sem graça.

— Céus! – falou segurando as lágrimas.

— E... ainda não te disse o pior.

— E o que seria pior que isso?

— É que... em Boston ele conheceu uma moça e está apaixonado e... quer que eu peça a mão dela. – falou Sofia e Cora sorriu com deboche.

— E quem é ela? – A senhora não soube por que quis saber dessa informação, mas a pergunta saiu automática.

— Não irá acreditar prima... se trata de ... Lily. – falou e Cora ficou paralisada por uns segundos e em seguida levantou e começou a andar de um lado a outro.

— Pelos céus Sofia, não saberei como contar isso a Regina, ela ficará devastada. – disse Cora desestruturada, sua filha foi criada e educada todos esses anos para o casamento. – Não tem como ele muda ideia Sofia, despois que eles se encontrarem?

— Não sabes como sinto pena Cora, mas eu fiz de tudo para convencê-lo, contudo Neal está decidido. – Sofia realmente estava triste. – Se servir como consolo, diga a Regina que eu pessoalmente procurarei um bom partido e linda como é não faltarão pretendentes.

— Está bem Sofia, só... só não diga a Regina que se trata de Lily, pelo menos por enquanto. – pediu Cora ao sentar em frente a prima.

Cora sabia que Regina sofreria muito com a decisão de Neal e isso a estava destruindo, ela não queria imaginar sua doce e inocente Regina sofrendo desta forma. Porém, não poderia arruinar o futuro de sua filha mais nova, se Neal e Lily estivessem apaixonados iria apoiar a filha.

[SQ]

Em quanto isso, Lily estava mais uma vez escondida atrás da árvore observando a casa da mulher que chamará sua atenção que agora ela sabia se chamar Emma Swan. Não havia visto a loira ainda, talvez não estivesse em casa, porém, não sairia dali sem poder por os olhos mais uma vez na loira.

Ela estava distraída olhando para a propriedade e não percebeu alguém chegar a seu lado.

— Resolvi matar sua curiosidade. – disse Emma assustando a moça.

— Não sei do que está falando. – disse Lily assim que passou o susto.

— Você não queria me conhecer? – Sorriu. – Pelo menos não parou de olhar para minha casa. – Falou pondo as mãos na cintura.

— Não seja convencida. – falou Lily desviando o olhar.

— Suponho que saiba quem eu sou? – perguntou Emma sem parar de analisar o corpo da dama a sua frente.

— Não.

— Não perguntou por ai? Todos em Storybrooke me conhecem. – passou as mãos pelos cabelos, a loira estava encantada pela beleza da mulher. – Alguns acham que sou uma delinquente sem escrúpulos, outros acham que apenas sou uma pobre mulher jogada a própria sorte.

— Você pode ser qualquer coisa, menos uma pobre mulher. – confessou Lily, mesmo depois de saber sobre Emma, ela não poderia negar que a loira era uma mulher interessante.

— E você a mulher mais bonita que tive o privilégio de conhecer. – Ao ouvir as palavras de Emma, Lily abriu um sorriso. Arrancar elogios das pessoas era uma das coisas que ela mais gostava, principalmente quando eles vêm acompanhados por olhos de cobiça, assim como estava os da loira.

Lily nada falou, apenas continuou olhando para o mar. Emma mais uma vez mediu o corpo da moça dos pés a cabeça e decidiu que não poderia deixar passar a oportunidade de ter aquela beldade em sua cama.

— Gostaria de tomar uma taça de vinho? – perguntou a loira torcendo para que ela aceitasse.

— Não bebo vinho. – respondeu Lily a fitando.

— Pelo menos poderia acompanhar-me. – ficaram em silencio sem conseguir desgrudar os olhares. – Ou será que é muita audácia para uma pé rapado fazer tal convite a uma ... condessa? – Ela esperou uma resposta da garota, mas como essa não veio Emma estendeu o braço indicando o caminho e Lily seguiu sem vacilar.

Chegaram a casa da loira no alto da praia e Emma pediu que Lily sentasse. Em seguida foi se servir de uma dose de tequila que era sua bebida preferida. Lily observava cada passo dado pela loira e teve a certeza que estava enlouquecendo. Como podia ela, uma condessa de família nobre estar encantada por alguém que todos na vila detestavam? E principalmente por ser uma mulher. O que será que poderia acontecer se existisse algo entre elas? Provavelmente Lily ficaria mal falada e seria repudiada por todos. Mas ela gosta de ser diferente e principalmente ela gosta de contrariar a todos. Sorriu com seus pensamentos e viu Emma se juntar a ela no sofá.

— Um brinde a sua beleza. – disse Emma galanteadora, em seguida sorveu um gole de sua bebida e ficou feliz ao ver o sorriso tomar conta dos lábios da morena. – Como se chama? – Quis saber.

— Lily e você?

— Emma. – tomou mais um gole da bebida sem fazer cara feia.

— Emma de que?

— Apenas Emma, não tive um pai que quis me dar um sobrenome. Mas acho que minhas origens não vem ao caso. – bebeu mais uma vez. – Quer dizer que chagou a pouco da capital?

— Sim, vivi minha vida toda por lá e agora voltei para ficar. – Confessou e percebeu os olhos da loira em suas mãos.

— Não és casada. – falou ao notar a falta de uma aliança do dedo da moça. – Acredito que deves ser comprometida?

— Não. – confessou e desviou o olhar para a camisa meio aberta da loira onde ficou um tempo observando parte dos seios da loira que percebeu o interesse de Lily.

— Você gosta do mar? – Perguntou Emma levantando.

— Estou começando a gostar. – disse a morena com um sorriso de canto o que fez Emma também sorrir.

— Se quiser, posso te levar para um passeio em meu barco.

— Você tem um barco? – perguntou admirada. Mulheres não podiam fazer nada a não ser satisfazer seus maridos. Como era possível Emma possuir um barco? Tudo bem que a loira não era uma mulher como as outras, a começar pelas vestimentas, ela não usava vestidos como todas as outras mulheres que já conheceu e sim vestia calças e camisas igual aos homens.

— Sim. – Respondeu Emma apontando para a embarcação atracada no mar. – O Cisne Negro. – Completou a fala olhando com orgulho para seu barco. Desde muito pequena ela sonhava em ter um, mesmo todos lhe dizendo que apenas homens poderiam guiar um barco.

Lily ficou encantada e tentada a aceitar o convite de Emma. Seria uma aventura entrar em um barco e sair navegando por essas aguas turbulentas.

— Sua irmã e mais velha ou mais nova que você? – Perguntou Emma querendo saber tudo sobre a mulher a sua frente.

— Mais velha, irá casar-se em breve.

— Hum, então depois será você a encontrar um esposo? – Perguntou encarando os lábios de Lily que ao perceber ficou envergonhada e um pouco assustada pelas reações de seu corpo por estar perto daquela mulher.

— Eu já vou. – disse querendo fugir de perto da mulher que a estava desconcertando.

— Eu lhe acompanho.

— Não é preciso. – respondeu rápido.

— Não se preocupe, irei apenas até a metade do caminho. – disse um pouco incomodada, afinal, ela não gostava da recusa das pessoas em tê-la por perto. – Sei que não é conveniente que você seja vista a meu lado. – ficou séria.

— não disse isso. – tentou se desculpar.

— Mas é a verdade. – Estendeu o braço indicando o caminho. – Vamos.

E assim, elas saíram da casa de Emma e seguiram pela praia.

[SQ]

Regina estava em seu quarto lendo um de seus livros. Sua mãe havia chegado da casa de Sofia e não quis falar sobre o que conversaram e a morena estava desconfiada que havia algo errado, mas iria esperar sua mãe lhe dizer o que se passava. Ela para de ler quando escuta a porta do quarto abrir e Lily entrar.

— onde estava? – pergunta Regina deixando o livro de lado.

— Estava na praia. – falou com um sorriso.

— Pensei que não gostasse do mar? – perguntou com uma sobrancelha arqueada estranhando a alegria que a irmã demonstrava.

— Percebi que lá existem belas paisagens. – falou pensando em Emma. – Onde está a mamãe?

— No quarto, chegou um pouco cansada. Ela foi visitar minha madrinha que já chegou da capital. – estava triste.

— Então já tem notícias de Neal? Está feliz? – Lily estava estranhamente de bom humor.

— Claro. – Lily ao ouvi a resposta iria sair do quarto, mas Regina a chamou. – Lily. – a mais nova parou. – Queria me desculpar pela forma que te tratei na outra noite. – falou envergonhada.

— Não tem problemas Regina.

— Acontece que não estou acostumada a falar de certos assuntos. Você tem um conhecimento diferente do meu, viveu muito tempo na capital onde tudo é mais evoluído. Eu sempre vivi aqui com nossa mãe, amigas que pensam igual a mim e os ensinamentos das freiras. – sorriu docemente para a irmã.

— Cada um é como é. Não tem que se desculpar.

Antes de responder Cora entra no quarto e sorri para as filhas.

— Mamãe, ainda tem aquela banheira em seu quarto? – Pergunta Lily se aproximando da mãe.

— Sim, querida.

— Então vou me refrescar um pouco, estou completamente suja de areia. – sorriu e saiu do quarto da irmã.

Após a saída de Lily, Regina percebe que sua mãe está triste e possui certa apreensão no olhar. E vendo sua mãe assim, todo aquele pressentimento ruim invade se peito.

— O que está acontecendo mamãe? – pergunta temendo a resposta.

— Filha... quando Sofia falou sobre o casamento vocês eram tão crianças e... tendo esse assunto como decidido não voltou a mencioná-lo mais e... agora que Neal voltou ela falou com ele já estavam em tempo de casar e ele lhe disso que não lembrava desse compromisso e... – respirou fundo não sabendo o que falar mais.

— Ele não quer? – perguntou Regina sentindo um aperto no peito.

— Ele disse que não sabia e ... sendo assim, acho que não é prudente continuar com isso. – ao ouvir as palavras da mãe Regina desviou o olhar.

— Ele quer esperar mais? – estava se segurando para chorar, não tendo uma resposta da mãe ela soube que estava tudo acabado. – Na verdade Neal não reconhece o compromisso e não quer mais casar-se comigo. – sussurrou, mas alto o suficiente para Cora escutar.

— O que faremos meu amor? – Perguntou Cora com lágrimas nos olhos.

— Ele não quer.... não quer ... porque mamãe? – perguntou e voltou o olhar para a mãe que estava bastante emocionada.

— Não sei meu amor. – mentiu para amenizar a dor da filha. – Também estou triste por esta decisão.

— Todos esses anos... me fizeram acreditar que iríamos casar. Me impuseram isso. – deixou as lágrimas saírem. – Por que foram tão cruéis comigo mamãe? Porque? – Regina estava com o coração destroçado.

— Nós também não sabíamos minha menina. – disse Cora sentando-se ao lado de Regina que ficou de costas para a mãe..

— O que será de mim agora? Todos vão falar mal de mim... irão rir nas minhas costas. – fechou os olhos na tentativa de amenizar a dor, mas era impossível.

— Não minha vida. Se nem você, nem o Neal tiveram culpa. – falou Cora chorando. – Todos gostam muito de você para falar mal por suas costas.

— Então terão pena o que é pior. – passou a mão no rosto tentando conter as lágrimas. – Porque me iludiram dessa forma? Porque faram tão cruéis comigo? Passei minha vida inteira sendo criada para esse momento e ele não ocorrerá. Por que fizeram isso? Porque?

— Filha...

— Quero ficar sozinha mamãe. – pediu. Cora iria falar mais, porem Regina não permitiu. – Por favor.

Assim que Cora saiu do quarto, Regina deitou na cama e desabou em um pranto sofrido. Era demais para ela saber que tudo em que acreditou durante anos não passava de um triste equívoco, todas as notícias trazidas por sua madrinha, cada foto que recebia e que a fazia ter sonhos e os mais lindos pensamentos com seu prometido, tudo isso não passava de um grande e triste engano. Ela não sabia como seguir adiante, pois, tudo o que aprendeu fora para agradar a alguém que não teria. E todos que sempre a felicitavam pelo compromisso teriam pena dela, e imagina que ela se sentia a mulher mais afortunada da face da terra. A morena chorou tanto que não se deu conta quando foi vencida pelo sono.

Notas finais
Espero que tenham gostado.... Comentem.... Até a próxima. Fui.