Amor Puro
7 Capítulo 7 — Notas Dissonantes
Notas iniciais
O fim do ano letivo se aproximava como uma tempestade silenciosa, e Edward se entregava aos estudos com uma intensidade quase febril. Por sugestão dele, criamos uma rotina rígida, revezando as tardes entre a minha casa e a dele. No entanto, como o coração de Edward batia no ritmo da música, acabávamos passando a maior parte do tempo na mansão dos Cullen.
O piano era o seu refúgio. Eu amava a forma como suas mãos deslizavam pelas teclas com uma suavidade hipnótica, fazendo a música preencher cada fresta daquele ambiente imenso. Para mim, ouvi-lo tocar era melhor do que qualquer livro que eu pudesse ler.
— Tive uma ideia — Edward disse de repente, parando a melodia no meio e virando-se para mim.
— O quê? — perguntei, fechando meu livro de história.
— Quero compor uma música para você, Bella — ele confessou, seus olhos fixos nos meus com uma sinceridade que me desarmou.
— Jura? — Meu coração deu um salto.
— Sim. Mas preciso de algumas partituras em branco — ele torceu os lábios, pensativo. — As minhas acabaram. Acho que meu pai tem algumas reservas no escritório dele. Você se importa de buscar para mim?
— No escritório do seu pai? — O receio subiu pela minha espinha. Eu ainda evitava Carlisle o máximo que podia.
— Deve estar em uma caixa logo atrás da mesa dele. Por favor, Bella? Estou no meio de uma inspiração.
Respirei fundo e aceitei. Eu não queria quebrar o clima artístico dele, mesmo temendo que Carlisle ficasse bravo por eu invadir seu santuário particular.
Quando entrei no escritório, o ar parecia mais pesado. Fiquei chocada com a decoração: bandeiras americanas impecavelmente dobradas e várias insígnias militares expostas em quadros de vidro. Eu sabia que Carlisle fora um general respeitado, tendo abandonado a farda apenas para cuidar de Esme, mas ver aquelas provas de sua autoridade me deixava ainda mais nervosa.
Comecei a vasculhar as caixas atrás da mesa, conforme Edward indicara. Ao abrir a segunda caixa, meu corpo inteiro paralisou. Não havia papéis ali.
Havia uma arma.
Minhas mãos começaram a tremer violentamente ao encarar o metal frio. No susto, a caixa escorregou dos meus dedos e caiu no chão com um baque seco. A arma deslizou pelo assoalho, indo para a direção oposta. Entrei em pânico. Notei que algo parecia ter se soltado com a queda e, sem pensar racionalmente, peguei o objeto às pressas. Eu precisava mostrar ao Edward, precisava que ele consertasse aquilo antes que o pai chegasse.
Caminhei em direção à sala, sentindo a arma ficar mais pesada a cada passo, como se carregasse o peso de um crime que eu ainda não entendia.
— Edward? — sussurrei ao passar pela porta.
Ele ainda tocava uma melodia suave, mas, ao virar a cabeça e ver o que eu carregava, seus olhos se arregalaram em puro terror.
— Eu não sabia o que fazer... a caixa caiu, uma peça se soltou e eu... — As palavras saíam atropeladas enquanto eu tremia em choque.
— Bella... solte isso... — A voz de Edward foi interrompida por um grito ensurdecedor.
— O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO COM ISSO, GAROTA! — Carlisle surgiu do corredor, o rosto transformado pela fúria. — Andou mexendo nas minhas coisas particulares?
— Eu... eu não... — tentei falar, mas minha garganta fechou.
— Como pode ser tão estúpida? Isso não é um brinquedo! Saia de perto disso agora! — ele continuou vociferando, avançando em minha direção.
Lágrimas quentes começaram a escorrer pelo meu rosto. O pânico me cegou. Sem perceber, a força fugiu dos meus dedos e a arma começou a deslizar. Tentei segurá-la, mas o objeto pareceu ganhar vida própria. De olhos fechados, em meio ao soluço, eu ouvi apenas o som devastador do disparo.
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