Amor Por Aluguel

16 ღ Visita Inesperada ღ


Notas iniciais
Meninas, olha só quem está aqui, depois de sumir por tantos dias. Bom... aconteceram algumas coisas, e eu acabei não conseguindo escrever, eu realmente não me senti bem nos últimos dias, e eu sinto muito por isso, eu estou tentando, estou realmente tentando. Quero agradecer de coração as meninas que me mandaram mensagens no meu aniversário, eu realmente fiquei surpresa e muito feliz, e não sabia que vocês sabiam da data, kkkk, enfim, obg de coração. Karina, muuuuuito obg pela recomendação, eu simplesmente adorei, e suas palavras foram lindas ♥ Capítulo dedicado a Andressa Zuza, obg por favoritar ♥ PS.: Meninas não abandonem a FIC, por favor, prometo que vou continuar, graças a Deus as coisas estão melhorando, e minha inspiração voltando, ♥

Anastásia Steele

Caminho até o berço, no máximo de silêncio possível, curvo-me um pouco e coloco Lana deitada, ela não acorda e logo estou invadida de alívio. Essa danadinha passou a noite toda chorando, e só parou quando Christian a pegou, mas todo o choro voltou quando ele saiu para o trabalho, finalmente ela dormiu, e as crianças já estão chegando.

Cubro minha pequena e ligo a babá eletrônica, caminho até o interruptor e ela resmunga, mas não chora ou acorda. Suspiro aliviada e apago a luz saindo do quarto. Os dias têm sido bons e cansativos. Cansativos com Maria que está sempre com um péssimo humor, e agora só fica trancada naquele quarto. As crianças estão mais agitadas e eu não sei o motivo, talvez por causa do baile de fim de ano, eu não entendi direito. Tudo está muito corrido, o tempo parece voar. E sobre esse pontinho que é como um furacão na minha barriga, é só Christian chegar para ele começar a se mexer, o papai dele não precisa nem tocar na minha barriga, e só estar no mesmo cômodo. É como se ele sentisse.

E Christian... bem, ele apenas está sendo legal, na última semana eu notei sua ausência, ele dormiu em um quarto diferente, não voltou para casa alguns dias e eu imagino que ele esteja com outra mulher, mas o que eu posso fazer? Eu... sou só a esposa de mentirinha. Não posso simplesmente cobrar nada dele, falar que noto o perfume, as marcas de batom e tudo mais. Isso não é da minha conta. Eu apenas quero que o fim do ano chegue logo, assim tudo isso vai acabar.

Entro na sala e sinto algo se apossar de mim, algo forte, eu ignoro no primeiro momento, mas quando começo a fazer o jantar, entendo o que é. Eu estou com medo. Muito medo. Medo de perder Christian, de perder a vida que tenho ao lado dele. Eu sou feliz, sou feliz mesmo que não seja real. Eu tenho medo pelas meninas, quando nós formos embora. Vai ser difícil para elas, para Maria e Lana, e para mim. Ele e seus irmãos são nossa família também, e eu vou ter que deixá-los para trás.

Tento afastar o pensamento, mas isso é inevitável, eu só não consigo. Quando as crianças chegam, eu tento disfarçar, dizer que estou bem, e eles parecem convencidos, sirvo o jantar deles e depois os mandos para fazer o dever. Caminho até o sofá e me sento, Fifi e CG correm e vem para o meu colo. Eles estão bem grandinhos, CG mais, ele está uma bola e bem pesado. Acaricio um e logo os dois estão brigando por atenção, então simplesmente tiro eles do meu colo e fico sentada no sofá, acariciando minha barriga.

—Sra. Grey. —Taylor diz depois de um pigarreio.

—Taylor? Aconteceu algo? —Pergunto e então ele dá uma olhadinha para o lado.

Nesse momento noto a segunda presença. É uma mulher, uma mulher alta, loira e com olhos verdes. Ela não é nova, por volta dos quarenta, mas é bem cuidada, muito bem cuidada. Está usando um vestido elegante preto e branco, saltos. Seu olhar é frio, e ela tem um sorriso assustador.

—Essa é a Sra. Lincoln. —Taylor diz, incomodado com algo.

—Eu não esperava visitas. —Murmuro levantando-me, cruzo os braços e a encaro.

—Com licença, senhora. —Taylor fala e praticamente corre para fora da sala.

—Eu estou surpresa. —Diz a Sra. Lincoln, olhando em volta atentamente. Ela vira a cabeça para mim e me encara sorrindo. —Eu não esperava que Christian foi encontrar uma mulher tão boa com você, e surpresa por você ser tão burra a ponto de se vender.

—Ah. —Digo rindo. —Eu já sei quem você é.

—Sabe?

—Sim. —Murmuro sorrindo diabolicamente. —Em uma das noites que eu transava com ele, ele me contou sobre a mulher que praticamente abusou dele. Ah, e que mesmo sabendo de tudo que ele passou na adolescência com a namorada, a filha, depois os pais, conseguiu convencê-lo a fingir um casamento.

—Como você ousa? —Ela diz com ódio e eu sorrio amplamente, sorrio ainda mais quando ver Christian entrando na sala.

Ele encara a mulher, depois me olhar nervosamente, então se aproxima de mim e me dá um beijo, depois torna a olhar a mulher.

—Elena... o que você faz aqui? —Christian pergunta, parecendo realmente surpreso.

—Eu vim te visitar, já que você nunca mais foi me ver. —Elena murmura olhando nossas mãos juntas. —Vocês não precisam fingir na minha frente.

—Fingir sobre o que? —Katherine pergunta entrando na sala com Mia, as duas se aproximam e recebem um beijo de Christian. —Então?

—Nada. Coisa boba. —Christian diz afagando os cabelos e Katherine. —Vocês não deveriam estar fazendo o dever?

—Nós já fizemos. —Mia diz fugindo dos braços de Christian. —Quem é você?

—Você não lembra de mim, Mia? —Elena diz sorrindo e Mia parece lembrar de algo ruim.

—Não... não... —Mia sussurra assustada, então olha para Christian, como se estivesse sento traída. —O que ela faz aqui?

—Mia, o que está havendo? —Elliot pergunta entrando na sala com Emma.

Elena olha para as crianças assustada, sem entender muito bem. Acho que ela não esperava por tantas crianças. Elliot olha para Elena e depois encara Christian, furioso. Nesse momento imagino que eles devem saber de algo, algo entre ela e Christian.

—O que ela faz aqui, Christian? —Elliot pergunta bravo.

—Eu não tenho a menor ideia, eu não a chamei. —Christian diz dando de ombros.

—Christian! —Elena exclama surpresa, mas Christian não dá importância.

—Mande ela ir embora! —Mia diz começando a chorar, ela realmente está nervosa.

—Querida, se acalme, por favor. —Sussurro segurando sua mão, ela me olha, traída.

—Não, Ana, ela não deveria estar aqui! —Mia exclama chorando. —Mande ela ir, Christian. Ela... ela mentiu para a mamãe, para o papai, ela disse que era amiga deles, e ela só queria ficar com você.

—Elena, é melhor você ir. —Christian murmura impaciente.

—Eu não acredito que você vai fazer a vontade dessa chorona. —Elena diz furiosa.

—Não fale assim dela! —Exclamo começando a ficar com raiva. —Quem você pensa que é?

—Quem eu penso que sou? Muito mais do que você, uma vadia intere...

—Já chega! —Christian grita assustando todos. Ele se aproxima de Elena e segura o bração dela fazendo-a dar um solavanco. —Ninguém te chamou aqui! Eu não tenho a menor ideia de como você conseguiu meu endereço, mas você não é bem-vinda aqui, muito menos para desrespeitar minha mulher e as crianças, então vá embora, Elena. Você não tem mais nada a ver com a minha vida.

—Você não pode fazer isso comigo! —Elena diz furioso. —Isso não vai ficar assim! Pode ter certeza!

Elena puxa seu braço da mão de Christian e me encara, com ódio e mais sentimentos que não posso descrever. Ela olha para as crianças. Dá para ver no seu olhar que ela não esperava tudo que Christian disse, mas eu também não esperava. Se eles passaram por tantas coisas, por que ele seria capaz de abrir mão da amizade dela por minha causa? Eu realmente não entendo. Não entendo mesmo.

Encaro Christian enquanto ele conduz Elena até a saída, quando ele volta, Mia apenas o encara chorando e corre para o quarto, Elliot e Kate nem pensam, rapidamente correm atrás dela. Emma me olha e suspira, ela balança a cabeça e encara Christian, então se vira e vai para a escada.

—Ana... —Christian sussurra no mesmo momento que Lana começa a chorar.

—Não precisa dizer nada. —Sussurro sorrindo. —Eu vou ver minha filha.

Viro-me e vou para o quarto o mais rápido que posso. Eu não quero discutir sobre isso com Christian. O passado dele não me importa. Nunca me importou na verdade. Eu não tenho nada a ver com o que aconteceu entre ele e Elena, e eu não quero ter, nunca!

Aproximo-me do berço de Lana e a pego com cuidado, dando um cheirinho nela, mas quando ela gargalha, sei que é porque Christian entrou no quarto.

—Eu... recebi uma boa proposta de emprego. —Christian murmura e eu o encaro, surpresa. —Anastásia... eu teria que ir fazer uma viagem, cerca de dois meses fora.

—Você... —Sussurro sentindo as lágrimas virem. —Você deveria aceitar.

—Você acha? —Christian pergunta parecendo chateado, mas não sei, não tenho coragem de olhá-lo. —Eu queria aproveitar esses dois últimos... meses.

—Mas vai ser melhor. —Sussurro. Prendo as lágrimas e me viro, encarando-o. —Você deveria levar Mia e Elliot. Seria bom para vocês.

—Ana... eu não quero que você vá.

—Mas é o nosso contrato, Christian. —Murmuro sorrindo amargamente. —Eu terei de ir embora antes de você voltar, e vai ser melhor. Vai ser muito melhor. As crianças vão sofrer menos. Você pode explicar para elas durante a viagem.

—Explicar o que?

—Que nós estávamos mal, pensando na separação a algum tempo. —Falo enquanto tento de forma inútil fingir que estou bem.

Eu sabia que seria dolorido, e como sabia. Mas é inevitável. Esse foi sempre o nosso contrato. Desde o primeiro dia, desde quando eu aceitei isso, eu sabia, sabia que teria que partir, eu só não esperava que foi tão difícil; mas eu não posso mais me magoar, não posso ficar aqui, sofrendo achando que as coisas vão mudar, porque elas não vão. Christian não sabe o que quer, e enquanto ele não souber, enquanto ele achar que viver assim para sempre será bom, eu não posso mudar as coisas. Não posso mais fingir que estou feliz com tudo isso.

—Quando você viaja? —Pergunto acariciando a cabeça de Lana, para não ter que o olhá-lo.

—Daqui dois dias.

—Certo.

—E você, já sabe o que vai fazer? Para onde você vai?

—Você não precisa saber. —Sussurro enxugando as lágrimas.

—Mas é o meu filho? E as crianças?

—Você ainda vai vê-los. —Sussurro encolhendo os ombros. —Eu trago eles para você.

—Você quer isso, quer mesmo isso? Nós estamos juntos há quase um ano.

—Não, Christian. Eu que tenho que perguntar, você quer isso? Você está pronto para mudar as coisas?

Christian me olha por alguns segundos, que se tornam minutos, ele apenas fica me encarando, pensativo, então suspira e balança a cabeça negativamente. Foi o que eu pensei. Ele... ele não está pronto para isso, para uma nova vida, ao meu lado. Foi bom estar aqui, mas eu preciso ir agora.

—Então... é melhor você falar com Mia e Elliot, sobre a viagem. —Murmuro fungando.

—Certo... você...

—Eu aviso elas. —Sorrio em meio as lágrimas.

—Eu vou ver você? Quando nós voltarmos?

—Claro... nós temos um filho agora. —Sussurro. —Christian, eu não quero... deixar nossa amizade morrer. Isso tudo que aconteceu nos últimos meses, foram as melhores coisas da minha vida. Obrigada por tudo.

—Certo.

Ele apenas diz isso, com um olhar frio, machucado, apenas isso, antes de se virar e sair do quarto, deixando-me sozinha com Lana. Minha pequena filha não entende minhas lágrimas em seguida, mas de alguma forma ela entende que preciso ser confortada, então ela me abraça, abraça de forma forte, repousando minha cabeça sobre meu ombro, e eu fico assim, por minutos, parada no mesmo lugar onde fui deixada por Christian. A dor não vai embora quando os minutos passam, não vai embora quando a noite caí, muito menos quando o dia amanhece. Eu estou sozinha no quarto, Lana passou a noite com Christian, ele quis se despedir dela. Despedir... isso vai ser difícil.

Arrasto-me para fora da cama, sentindo meu corpo pesar, mas eu não posso deixar isso me dominar, eu tenho que seguir em frente. Caminho até o banheiro, a passos lentos, e demoro ainda mais para me aprontar para mais um dia. Quando entro na sala, Christian está lá, com todas as crianças.

Katherine e Mia estão de mãos dadas, chorando muito, Elliot está em silêncio, apenas encarando Christian. Emma está abraçando Sophie e Lulu, e Maria... ela está olhando para o nada, sem demonstrar emoção alguma. Até mesmo Lana entende que as coisas não estão boas, ela está no andador, com um olhar choroso.

—Você está nos deixando? —Mia pergunta se levantado. Ela me encara e eu me sinto horrível com seu olhar machucado. —Você vai embora? Diga que não é verdade.

—Eu sinto muito. —Murmuro prendendo as lágrimas. Eu não posso chorar.

—Não... —Mia dá alguns passos para trás, passa as mãos pelos cabelos, ela me olha e depois Christian. —Não é justo! Você não pode ir embora! Você não pode nos deixar. Quem vai cuidar da gente agora? Vocês não podem ir. Vocês não entendem. Nós precisamos de você. O Christian é durão, mas ele... ele precisa de você, ele não pode ter te magoada a ponto de você deixá-lo.

—Ele não me magoou, querida, nós apenas decidimos que não está dando certo. —Sussurro tentando me controlar, mas é tão difícil.

—Nós... vamos quando? —Katherine pergunta se levantando.

Seu olhar me machuca. Acaba comigo. Porque eu sei que está sendo dolorido para ela. Ela ama Elliot, Christian, Mia. Foi difícil gostar de alguém depois que papai se foi, mas ela se apegou a Christian, ela o vê como um pai, bom ou ruim, mas ela o vê assim, eu sei disso. Eu não quero feri-la, mas ficar aqui seria pior.

—Não... Kate... —Emma sussurra chorando. —Você não pode concordar...

—Emma, a Ana só faz o que é melhor. —Katherine diz me olhando, com compreensão.

Isso dói ainda mais. Eu não quero que ela seja forte, não quero que ela me entenda. Eu estou partindo seu coração também, e ela age como se tudo estivesse bem, mas não pode estar. Olho para Maria e ela encolhe os ombros, ela dá um sorriso fraco e se levanta, mas tudo que consigo notar é a dor através do seu olhar. Eu não quero que ninguém sofra, mas eu não posso continuar aqui, me machucando. Não enquanto Christian insiste em amar a Rose.

Maria se aproxima de Christian e o encara, todos ficam em silêncio nesse momento, mas ela não faz nada além de olhá-lo, ela o olha traída. A dor é palpável em cada canto da casa, mas mesmo assim minha filha não chora, não demonstra nada, ela apenas sai da sala. Katherine me olha em seguida, buscando esperança, talvez, mas tudo que ela achará em mim é a dor. A dor que eu nunca mais pensei sentir, e está mais forte agora.

Minha irmã fica alguns segundos me olhando, antes de abraçar Christian e correr escada a cima, então Emma se levanta, chorando e vai abraça-lo, assim faz Sophie e Lulu, depois se vão. Christian também não fica muito tempo, ela sai, não para o quarto, ele vai para a rua. Talvez a empresa... isso não é mais da minha conta.

Mia fica alguns minutos ainda, depois pega Lana, ela... ama minha bebê, toda noite Mia a pega para lhe contar uma história. Agora eu estou separando elas. Quando Mia se vai levando Lana, só sobra Elliot.

—Eu sabia... sabia que você iria embora. —Elliot murmura enxugando uma única lágrima. —Eu só não sabia que isso foi tão difícil. Mas obrigada, Anastásia... você apenas com 21 anos, conseguiu ser mãe de oito crianças, crianças com gênios e temperamentos diferentes... e você ainda conseguiu mudar meu irmão.

Elliot sorri e se levanta, ele se aproxima roubando-me um abraço, então, com um sorrio doloroso, ele se vira e sobe as escadas. Abaixo-me, no chão mesmo, ao lado do sofá e me encolhendo, permitindo-me chorar, chorar despedaçada. Chorar em rumo. Sendo apenas eu. Porque eu não consigo lutar pelo homem que amo, porque ele não luta por mim. Chorar porque eu ainda vivo com meus fantasmas do passado... e eu não fui nada do que pensei que seria... nada.

As horas passam, passam de forma lenta. E eu fico aqui, no chão mesmo, até minhas pernas doerem e eu não poder mais senti-las, levantar parece ser a coisa mais difícil que eu já fiz. Não pela dor física, é claro que não! Eu já senti muitas dores... eu me lembro do arranhão no joelho, como ardeu para passar o remédio... lembro do primeiro dentinho caído, o medo e a dorzinha ao arrancá-lo. Lembro quando cortei o cabelo a primeira vez, a dor que senti quando pensei que ele não fosse mais crescer... lembro da dor de perder a primeira boneca, o vestido favorito. A maquiagem estragada por Katherine quando bebê, lembro da dor que senti quando ela se foi... quando papai se foi... minha mãe, minha avó, mas a dor de um coração despedaçado... não se compara com nada disso. Não se compara por nunca esperamos por isso, porque achamos que vamos viver um amor à vida toda, mesmo sabendo que nada é certo.

Nós vivemos os momentos mais intensos, esperando que eles nunca acabem. Mas elas acabam, elas acabam no melhor momento, e mais doloroso. Então nós caímos, caímos restando apenas a casca do que éramos, e tudo que nos sobra, é levantar e fazer tudo novamente. Até dar certo. Maldito seja a dor de quem acreditou que era amor.

Entro no meu quarto... e ele já não parece mais meu... apenas um cômodo da casa de Christian. Caminho até a cama e me sento, então noto a presença de Taylor na porta.

—Sra. Grey... —Ele murmura e eu sorrio amargamente.

—Acho que eu não sou mais a Senhora Grey. —Murmuro chorando.

—Não... você sempre será. —Taylor diz dando-me um sorriso gentil. —O Sr. Grey pediu que eu lhe trouxesse o que precisar.

—Eu acho que umas caixas seriam boas. —Sussurro encolhendo os ombros. —Taylor... você pode levar malas para as meninas? Elas vão arrumar as coisas delas.

—Certo... Sra. Grey.

—Obrigada, Taylor. —Sussurro.

Fico alguns minutos sentada, sem pensar em nada, até Taylor e Sawyer virem com algumas caixas e malas, elas colocam no pé da cama, eu agradeço e me levanto indo até o closet, cada coisa que eu tiro do lugar... dói, dói muito, porque todas as minhas coisas estão ao lado das coisas de Christian, e... isso de alguma forma me destrói por dentro, mas é isso, esse é o nosso fim.

ღღღღ

Katherine sai da frente, Emma atrás, Sophie, Luiza e Maria, carregando Fifi. Taylor recebe as meninas no carro, ele se abaixa e entre uma bolsa para Sophie, onde CG está, super agitado. O segurança de Christian também ajuda Maria à por Fifi na bolsa, e ela sorri, ela sorri porque sei que sempre que quem esteve naquela bolsa foi pop, seu gatinho.

Elliot e Mia vão no carro de Elliot, e eu vou com Taylor e as crianças... Christian não está aqui, ele não voltou ontem à noite... tudo bem. Eu imagino que seja difícil. Está chovendo hoje, o tempo está todo fechado. Lana está dormindo em meus braços, eu não quis por ela na cadeirinha, e meu pontinho não para de se mexer. Será que ele entendeu tudo o que eu lhe disse ontem à noite? O pensamento se vai, se vai quando paramos em frente ao aeroporto. Há milhares de fotógrafos aqui. Me pergunto como eles descobriram, mas é claro! Christian deve ter dado um jeito nisso, vai ser bom saber que eu o deixei, e que não foi ao contrário.

Os seguranças nos escoltam, até a porta de embarque, faltam apenas alguns minutos para irmos, as crianças estão se despedindo e há muitas lágrimas. Eu estou tentando ser forte, mas tudo dói aqui dentro.

—Anastásia... —Acordo dos meus devaneios e me surpreendo com a presença de Christian. Ele me olha como se tivesse tanto a dizer, mas não fala nada, não até anunciarem que o voo já vai sair. —Você sabe que...

—Que? —Sussurro enxugando as lágrimas.

—Eu depositarei o dinheiro... na sua conta. Como combinado. —Ele diz, e suas palavras só me ferem mais.

—Eu não quero seu dinheiro. —Murmuro pegando-o de surpresa. —Eu estava com você, porque eu te amava, Christian.

Christian me olha, atordoado. Ele dá um passo para trás, olha para as crianças, corre as mãos pelos cabelos, mas não me diz nada. Era isso. Eu acabei de dizer que o amo, e ele... ele não tem nada para me dizer, porque ele não sente o mesmo.

—Eu sinto muito. —Christian sussurra.

—Eu também sinto. Eu acreditei que poderia mudar as coisas.

—Mas você mudou.

—Eu acho que não. —Sussurro chorando. —Crianças, nós temos que ir.

As meninas me olham apavoradas, depois encaram Christian, esperando algo da parte dele, mas ele não faz nada, ele apenas desviar o olhar, atordoado com seus fantasmas. Katherine me encara, ela abraça Elliot, depois Mia, então corre para abraçar Christian. Ele fica com ela alguns segundos, depois recebe Emma, Sophie e Lulu, depois de soltá-lo, elas abraçam Taylor e Sawyer. Então caminham para a porta de embarque.

Entrego Lana para Christian e abraço Mia e Elliot. Eles não me dizem nada, mas vejo que isso é doloroso para eles. Solto-os e dou um beijo na testa de cada um, então vou pegar Lana. Olho para Maria e ela corre abraçando Elliot e Mia, então abraça Taylor e Sawyer, mas ela não abraça Christian. Ele encara ela... ferido, mas eu não posso obriga-la. Então eu dou um último olhar para Christian, ele balança a cabeça e se vira, começando a andar com Elliot e Mia.

—Christian não!

Olho para o lado e as lágrimas vem mais forte quando entendo que quem gritou foi Maria. Christian se vira, com Elliot e Mia, ele abaixa e Maria corre para ele, mas posso ouvir o que ela fala.

—Não vai, por favor, não me deixa. Eu falo, eu falo o que você quiser, é só você me pedir que eu falo, só não vá embora, eu preciso de você. —Maria diz chorosa, a voz com a sua dor evidente.

—Eu sinto muito. —Christian sussurra abraçando-o, ele à solta, e ela o olha magoada, traída. —É melhor para você...

—Mas eu preciso de você. —Maria diz chorando entre soluços.

—Nós ainda vamos nos ver, eu prometo, Maria.

Christian dá um beijo na testa de Maria, ele me olha e se levanta, então vai embora, deixando-a para trás... nos deixando. E essa é a última vez que nos vemos.